sábado, 9 de dezembro de 2017

I Mostra de Filosofia do Colégio Q.I


Foi realizado nesta quinta-feira (07/12) a I Mostra de Filosofia do Colégio Q. I. Idealizado pelo Prof. Esp. Odair José da Silva e com o apoio da Coordenadora Sandra Correa e Direção da Escola na pessoa do Sr. Daniel Lima e D. Alzira Lopes o Evento foi prestigiado por toda comunidade escolar e por convidados da comunidade externa.

O 6º Ano E.F, divididos em 4 grupos apresentaram a Filosofia Renascentista. Falaram sobre O Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdã; A Divina Comédia de Dante Aliguieri e O Príncipe de Maquiavel.

A turma do 2º Ano E.M, divididos em 6 grupos apresentaram, em forma de teatro, O Caso dos Exploradores de Caverna.

Atuaram como jurados e avaliadores a Turma do 1º Ano E.M e convidados como o Prof. Dr. Fábio Falcão (UNEMAT); Ms. Diego Castro; Prof. Manoel Alberto; o Psicólogo Gilberto Deluque; Dr. Kelvin Moreira e a acadêmica do 8º semestre de Direito Lucimar Ap. Silva. Professores do Colégio Q.I, Durigon, Marciano, Franco, Elvis, Elton, Catherine e Salete estiveram auxiliando nos trabalhos desenvolvido pelo Prof. Odair José.

“Este tipo de trabalho desperta o interesse e a reflexão dos alunos para as questões da vida”, afirmou o Prof. Dr. Fábio Falcão. “É admirável trabalhar com alunos do 6º ano temas que eles verão na faculdade. De certa forma é um grande incentivo para eles”.

“É louvável a proposta da mostra de Filosofia porque é uma oportunidade que os alunos têm de se desenvolver intelectualmente. Leva-os a pensar e refletir sobre as questões da vida” salientou o Prof. Manoel Alberto.

“Atividades como essa faz com que os alunos desenvolvam intelectualmente e nunca esqueçam esse aprendizado” destacou a Diretora Alzira Lopes, “Que no próximo ano possa ser realizado outras mostras como essa”.

A reação de positividade por parte dos alunos foi possível perceber em seus rostos de felicidade!
 Auditório lotado
 Coordenadora Sandra Corrêa
 Prof. Odair apresenta os convidados
 Alunas do 6º ano preparadas para a apresentação
 Guilherme. Nicolas e Natan apresenta O Elogio da Loucura
 Lorena, Maria E. Veloso, Luara e Isabely apresentam A Divina Comédia
 Graziela, Maria E. Rosa, Rafaela, Emilly, Julia e Karla apresentam O Príncipe
 Fantástico essas meninas
 Maria Fernanda, Julie e Giovanna apresentam A Divina Comédia
 Prof. Odair fala sobre a apresentação do 6º ano
 Prof. Manoel Alberto faz considerações
 Prof. Diego Castro faz suas considerações
 Raquel Monteiro representa os jurados do 1º ano E.M
 Prof. Durigon fala e representa os professores da Escola
 Prof. Dr. Fábio Falcão faz considerações sobre a Filosofia Renascentista
 Show de conhecimento do Prof. Dr. Fábio Falcão
 Prof. Odair faz suas considerações finais sobre a apresentação do 6º ano
 Turma concentrada
 Grupo 1
 Grupo 2
 Grupo 3
 Grupo 4
 Coordenadora fala sobre a apresentação do 2º Ano E.M
 Convidados para a 2ª apresentação do dia
 Turmas do 8º e 9º anos presentes
 Prof. Elton Amorim presente
 Prof. Odair faz as apresentações sobre o próximo trabalho
 Maria Luisa e Lisa representam os acusados
 Gabriela e Marina representam a família da vítima
 Essas meninas mereciam o Oscar pela atuação
 Gabriel e Lívia representam o Juiz Foster
 Show
 Auditório atento
 Uma dos acusados faz suas justificativas
 Graci e Ana Paula representam o Juiz Tatting
 Explicação
 Andreina e Andreissa representam o Juiz Keen
  Andreina e Andreissa representam o Juiz Keen
 Uma pausa para as fotos
  Andreina e Andreissa representam o Juiz Keen
 Os próximos...
 Thalísia e Matheus representam o Juiz Handy
 Fazendo interrogatório à família da vítima
 Dr. Kelvin Moreira explica sobre casos de inanição
 Mais explicações do Dr. Kelvin Moreira para os jurados
 Padre Carlos fala sobre o direito a vida
 Matheus faz as últimas explicações
 Prof. Dr. Fábio Falcão faz uma análise filosófica do caso
 Prof. Dr. Fábio Falcão faz uma análise filosófica do caso
 Acadêmica do 8º semestre de Direito, Lucimar Ap. Silva faz uma abordagem do direito no caso apreciado.
 Acadêmica do 8º semestre de Direito, Lucimar Ap. Silva faz uma abordagem do direito no caso apreciado.
 Aula de Direito Penal e jusnaturalismo
 Psicólogo Gilberto Deluque faz uma abordagem psicológica do caso
 Psicólogo Gilberto Deluque faz uma abordagem psicológica do caso
 Dr. Kelvin Moreira fala sobre o ponto de vista da Medicina
 A Coordenadora Sandra faz uma fala final
 Todos os envolvidos neste mega projeto
Parabéns a todos pelo empenho e dedicação!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Como ensinar Nietzsche em sala de aula?


O que faz uma boa aula? Como não se tornar um professor chato nas suas aulas? E como dar uma aula show? São perguntas que perpassavam minha mente enquanto o diretor da escola explicava a importância de se dar uma boa aula para cativar os seus alunos. Na teoria parece fácil e motivador. Afinal, quem não quer dar uma aula inesquecível? Que professor não quer cativar os seus alunos e prenderem a sua mente para que eles tenham um bom aprendizado? Acontece que na prática, isso na maioria das vezes não é possível. E aí, sabemos que vários fatores contribuem para o insucesso do profissional diante da prática pedagógica. Mas, esse não será o nosso enfoque neste trabalho e sim como desenvolver uma boa aula para os nossos alunos. Neste sentido, busco orientação em Nietzsche como educador. Sim. O filósofo da filosofia a golpe de martelos, aquele que decretou a “morte de Deus” foi um exímio educador e nos deixou um grande legado para desenvolver uma boa aula.

Pois bem, mas quais são as principais idéias de Nietzsche sobre a educação? Após ler algumas obras desse filósofo, sua biografia e métodos utilizados em sala de aula eu posso pontuar algumas idéias que coloco em prática nas minhas aulas e outras que pretendo adotar para um ensino mais produtivo e eficaz.

Um dos conselhos de Nietzsche é que, o educador, deve ouvir atentamente cada um dos seus alunos. Isso é algo relativamente difícil no nosso ambiente. Normalmente o professor acha que tem o domínio do conteúdo e é dono do saber e não dá espaço para seus alunos se expressarem. Ainda há aqueles que acham que se o aluno falar em sala de aula está fazendo bagunça. Há, ainda, os defensores de uma educação pautada na doutrinação total dos alunos. Rebanho. O que o filósofo nos ajuda a desconstruir. Então, como colocar em prática essa ideia? Eu compartilho do pensamento de que devo ouvir os meus alunos. E, quando os ouço, aprendo tanta coisa com eles que fico admirado. Eles têm um mundo de informação e conhecimento que nos surpreende. Outros revelam-nos suas preocupações e ansiedades e, em alguns casos, até mesmo relações afetivas que sofrem no meio familiar. Tudo isso é importante para o educador que está disposto há mudar um pouco suas táticas educativas.

Outra lição que aprendo com Nietzsche e coloco em prática nas minhas aulas é o fato de fazer nascerem nos alunos às idéias. Sim. Isso é muito significativo na medida em que cada um dos alunos traz em si um mundo diferente do outro. E a partir da instigação das idéias cada um apresenta um arcabouço de novas idéias nas quais eu posso estar trabalhando. Aprendi que devo planejar as minhas aulas, mas devo, também, estar preparado para as novidades que surgem em cada uma dessas aulas. A partir do momento em que me abro para essa questão às coisas tendem a melhorar. A relação com eles tornam-se mais profícua e interessante. No universo de uma sala de aula temos diferentes pessoas vindas de diferentes contextos sociais e trazem consigo experiências únicas. Então, porque não trabalhar essas diferenças?

Outra lição importante que aprendi com Nietzsche e que costumo colocar nas minhas práticas em sala de aula é que cada um desenvolva o respeito pelas grandes figuras do passado. Isso não é uma tarefa fácil. Normalmente eles não estão abertos a conhecerem o passado. Querem novidades. Mas, apresento a eles a noção de que nenhuma civilização que se preze menospreza o seu passado. E ai tem um detalhe. Não é engrandecer ou exaltar essas figuras, mas sim admirá-las pelo seu legado e determinação em fazer do mundo um lugar melhor. A partir de uma busca nos meios de informações, cada aluno procura escolher uma grande figura do passado que se encaixa naquele ideal de vida que ele deseja para a sua vida. Isso é importante para que ele possa saber que cada um de nós temos uma história e que essa história está sendo escrita continuamente. Mas, ao fazer isso, tenho que levá-los ao próximo estágio.

Aprender a derrubar ídolos. Esse é o próximo passo na descoberta pelo saber. Os ídolos construídos ao longo dos tempos e os ídolos contemporâneos devem ser derrubados, estilhaçados e contestados. Lógico que essa contestação deve ser pensada estrategicamente. Não é uma violação da ordem estabelecida, mas, uma inquietação diante das crenças estabelecidas e impostas, seja pela mídia, seja pelas ideologias dominantes. Derrubar ídolos significa serem capazes de violar de qualquer forma as crenças que se tornaram tradição. Questionar o que está estabelecido enquanto verdade absoluta. Examinar o mundo a nossa volta. A sociedade em que estamos inseridos. Tudo isso é uma forma de libertação.

Por último em minha análise a respeito de uma educação libertária e produtiva está o fato de que o estudante deve sempre buscar além daquilo que o professor expõe em sala de aula. Procuro incentivá-los a ir além da sala de aula. Em alguns casos, utilizo-me do próprio espaço escolar para que eles façam suas descobertas. Por exemplo, vou falar sobre Descartes e o método cartesiano. Hoje eu não preciso pedir para pesquisarem em casa. Dentro da sala de aula mesmo, a maioria deles podem pesquisar na internet do celular. A aula torna-se mais produtiva e interessante. Além disso, procuro sempre inculcar-lhes a necessidade de se pesquisarem outras fontes. Gosto muito de pedir que encontre as idéias daquele filósofo estudado em jogos, games, filmes, músicas, poemas, etc. ao fazer isso, eu os instigo a ir além daquilo que ensinei em sala de aula. E, surpreendentemente, às vezes, eles sabem mais do que a gente.


A sala de aula é um desafio constante. É uma tarefa árdua e cansativa. Mas, a partir do momento em que faço isso com alegria e dedicação, as minhas aulas tornam-se melhores. Com Nietzsche eu aprendi algumas lições e as utilizo em sala de aula com sucesso. Mas, é importante salientar que o educador deve estar sempre pronto a aprender e ter novas experiências. E, ao fazer isso, há uma satisfação na prática pedagógica que é fundamental para o nosso crescimento intelectual. Deixar o legado de alguém que procurou fazer algo para despertar nos seus alunos maneiras diferentes de pensar o mundo a sua volta. Não há maior alegria do que ver o brilho nos olhos de seus alunos quando eles trazem as novidades que conseguiram descobrir a partir de suas aulas.

Texto: Odair José, o Poeta Cacerense

sábado, 15 de outubro de 2016

As redes sociais são uma armadilha


Entrevista com Zygmunt Bauman

Pergunta.
As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

Resposta.
A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

Fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/cultura/1451504427_675885.html