sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal de Stone Halls



Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso
No final dos anos oitenta
Circulava pela pequena praça da vila
Uma criança que tinha uma vista atenta.

Na noite anterior, véspera de Natal,
Tinha observado as pessoas em festa
Que passava por ele em meio burburinho
Sem saber que em seu estômago nada resta.

Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora
Deixando que ele pudesse sobreviver
Sem a proteção que só uma mãe pode dar
Em um mundo difícil de crescer.

O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo
E com ele não podia, naquele dia, estar.
Enquanto as pessoas festejavam
Para ele não sobrava nem um olhar.

O cheiro suave das carnes sendo assada
Em suas narinas chegavam
Deixando sua fome mais apertada
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam.

Não sabia por que passava por aquilo
Pois era uma criança que desejava a felicidade
Que tanto propagavam nesses dias
Mas que, para ele, só existia a saudade.

Com os olhos fundos de tristeza
Olhava para as casas cheias de gente
Sentia-se sozinho naquele universo
E sabia que, para eles, era indiferente.

Em sua cabecinha ficava uma inquirição
Que parecia resposta não ter
Por que falavam tanto em espírito natalino
Se ninguém importava com o seu sofrer?

Poema: Odair

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Todo Fim de Ano é Assim...



Promessas. Reflexões. Compras. Ano Novo vou fazer tudo diferente. Vai chegando o fim de ano e lá vem as lorotas de sempre. Ano que vem vou mudar minhas atitudes. Vou ser uma pessoa diferente.

Campanhas de ajuda humanitária. De cobertores para as pessoas não passarem o Natal com frio ou sem ter o que comer. O Natal aproxima as pessoas, é o que dizem por ai. Aproximam do quê?

O comércio está abarrotado. Pessoas indo as compras. Endividando-se. Vão iniciar o ano novo devendo as compras de Natal. Em algum lugar por ai pessoas estão passando fome. Famílias estão se desestruturando e ninguém dá a mínima para isso.

Natal. Luzes. Fim de Ano. Acho tudo isso um saco. As pessoas não mudam.

Texto: Odair

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

1 - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2 - Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata , ouro, e pedras preciosas ;
3 - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:
"Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados,aqui permanecem;
Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos
".
Alexandre, o Grande, percebeu no fim de sua vida que o mais importante na vida é o verdadeiro amor.

Fonte: http://essenciasparaavida.blogspot.com

domingo, 21 de novembro de 2010

Nos fundos de um cemitério



Eu não sabia o que pensar. Minha vida estava sendo um pesadelo. O que mais me magoava era o desepero em ver que boa parte daquela situação era culpa minha. Eu nunca tive paciência em lidar com esse tipo de situação.

A mulher com a qual passei a viver junto tinha pouco mais de quinze anos. Era ainda uma menina. Agora, depois de cinco anos juntos, ela tinha duas crianças pequenas e indefesas. Nossas brigas constantes fizeram com que nos separássemos. Depois de cinco meses longe dela resolvi ver as crianças.

O menino correu. Correu ao me ver para os braços da mãe. Correu de mim. Que animal me tornei? O que dizem sobre mim? O olhar aterrorizante do pequeno denunciava um medo. Minha alma tornou-se em um espectro. Já não sei mais quem sou.

O encontro não foi tão mal assim. Olhei nos olhos daquela que era a mãe dos meus filhos. Queria descobrir algo. Eles me negaram qualquer resposta. Nada. Apenas um silêncio sepucral existia neles. Com uma tranquilidade imensa pedi a ela que pegasse as duas crianças e viesse comigo para uma volta na cidade. Eu estava com a caminhonete do patrão.

Parei nas proximidades do cemitério São Miguel. Cercado de mato era quase impossível encontrar ali uma alma vivente. Por alguns instantes olhei para o infinito. Ao meu lado estava minha mulher e meus dois filhos. A menina ainda buscava o alimento no seio da mãe. O menino, maiorzinho, me olhava ainda assustado.

Abri o porta-luvas do carro e peguei uma arma que estava ali dentro. Virei-me para eles e comentei: - Vou matar você e essas duas crianças. – Não sabia o que faria depois. Provavelmente me mataria também.

Os olhos negros daquela mulher refletiu a calma. Não existiam neles o pavor da morte. Quem sabe talvez essa seria a melhor saida naquele momento. O sofrimento reinava na alma de ambos. A reação dela me imobilizou completamente. Não havia o que fazer.

Guardei a arma de volta no porta-luvas e voltamos a viver juntos.

Texto: Odair

sábado, 20 de novembro de 2010

Ser Negro



Quem um dia inventou a história
De que a cor negra era uma maldição
De que foi o castigo imposto a Caim
E o flagelo destinado a Cão?

Quem um dia inventou a história
De que o negro tinha que ser escravos
Para satisfazer interesses de senhores
Que se consideravam os bravos?

Por que mesmo em nossos dias
Onde nos encontramos tão civilizados
O racismo e preconceito insiste em existir
Mesmo que de modos velados.

Por que insistem em afirmar
Que a coisa tá preta no ruim momento?
E definem uma cor para as coisas más
Fixando isso no pensamento.

Consciência negra é para reflexão
Dos nossos atos e ideologia
Somos todos iguais nesta vida
E devemos viver em harmonia.

Ser Negro é ser humano
Com um carinho profundo
Tem uma vida em nada diferente
Das outras raças do mundo.

Poema: Odair

sábado, 13 de novembro de 2010

13.505 dias de vida


Se acreditasse em numerologia ia dizer que eu, neste momento, ou seria muito sortudo ou muito azarento. Hoje completo 13.505 dias de vida. Estou fazendo 37 anos, logo eu que nasci em 1973, isto é, 37 ao contrário. Hoje é 13 de novembro de 2010. Pois bem, como não acredito em numerologia tudo isso é só mera especulação.
O que importa mesmo é que completo meus 37 anos realizando um sonho. A publicação do meu livro. Agradeço a Deus pelo talento, pela paciência e, principalmente, pela perseverança em acreditar que isso seria possível.
O Sorriso e a Lágima é o meu maior presente desse dia.

Texto: Odair

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Farrapos Humanos



Olhos vermelhos e inchados
Veias perfuradas pelas agulhas
Sonhos desfeitos na madrugada
Vidas que choram de dor
E causam lágrimas de outras pessoas.

Mais uma casa arrombada
Para satisfazer a ânsia de um larápio
Objetos levados por mãos sorrateiras
Vidas que roubam objetos
Mas, roubam à paz de outras pessoas.

Olhos de crianças a mendigar
Além do pão, um carinho,
De um pai dominado pelo álcool
Vidas que sofrem a ausência
De outras vidas que as deveriam amar.

Mostram pernas e peitos nas avenidas
Acenam e dialogam com os transeuntes
Na esperança de fazerem o sexo ali mesmo
Vidas que sonham com o amor verdadeiro
E que destroem relacionamentos.

Não pestanejam em puxar o gatilho
Ceifam a existência que o Criador ofereceu
Por motivos banais e financeiros
Vidas que não pensam no próximo
E que assolam famílias inteiras.

Passam o dia todo bebendo
Fazem festa por qualquer coisa
E a noite dá continuidade às estripulias
Vidas que não pensam no futuro
E deixam outras vidas dependentes.

Farrapos humanos
Esses personagens descritos
Vidas que vegetam na sociedade
Não sabem o que é sentimento
Passam pela vida, não vivem...

Poema: Odair

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cinema e História – Análises.

Aproveitei o feriado prolongado para assistir alguns dos meus filmes que estavam acumulados aqui na minha estante esperando uma oportunidade dessas. Confesso que não foi uma tarefa fácil pelo fato de ter muitos filmes e o tempo ser curto. Então parti para a escolha. Assisti cerca de dez filmes nesses cinco dias e comento alguns que me fizeram raciocinar um pouco.


Destaco “O Barão Vermelho” que conta a história do piloto alemão “Ás” da aviação que lutou na 1ª Guerra Mundial. Destaque para a cena em que ele, após ser promovido a comandante geral do comando aéreo el não aceita e diz para o alto comandante das forças alemãs que a causa alemã não era diferente da francesa ou britânica.

“Três Homens em Conflito” é um clássico do faroeste que ainda não havia assistido. Fiquei fascinado ao ver cenas de batalhas da Guerra Cívil Americana. O filme é muito bem produzido e, na minha opinião, quase se aproxima de Era Uma Vez no Oeste.

Outro filme que deixou em mim uma ótima impressão foi “Fargo”. A questão existencial da ambição pelo dinheiro e o que o amor a ele é capaz de fazer no ser humano é um prato cheio para a reflexão. No final todos se arruinam e ninguém acaba ficando com o dinheiro. A fotografia do filme e a paisagem branca da neve é um fator essencial no filme. Muito bom.

Outro destaque dos filmes que assisti vai para “Kasemusha, A Sombra do Samurai” filme japonês de Akira Kurosawa que conta a história da guerra civil entre 1572 a 1575 e a luta de três clâs pelo poder. O filme é uma maravilha. A história é fantástica e os diálogos são interessantissímos.

Além desses assisti outros filmes que também são interessantíssimos como “Falcões da Noite” de 1981 um retorno as minhas lembranças da infância; “Tubarão II”; “7 homens e um destino”; “Independence Day” e o terrivelmente ridículo “Piranha”. Esse último é lançamento de 2010 e mostra o quanto a criatividade do cinema está indo por água abaixo. Ridículo o filme.

Por fim, saliento que foi um feriado proveitoso no sentido em que um pouco mais de cultura foi acrescentado aos meus estudos sobre História e Cinema.

Texto: Odair

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Stone Halls e o juramento



Correram como nunca naquele dia e pararam embaixo de uma enorme figueira para descansarem do sol. Queriam chegar logo no rio para tomarem banho. Ofegantes e sorridentes sentaram nas enormes raizes da árvore. Olharam um para os outros e buscavam entender o que significavam aquela amizade.

Eram quatro garotos na faixa de doze e treze anos cheios de sonhos e fantasias. Moravam na pequena cidade no interior de Mato Grosso nos anos oitenta. A vida passava devagar e os acontecimentos eram monôtonos ao extremo. Stone Halls era bastante sonhador e já rascunhava seus sonhos no seu caderno escolar. Naquela tarde um dos garotos teve a idéia de fazer um juramento.

- Juramento?

- Sim. Vamos fazer um juramento de sermos amigos por toda a nossa vida aconteça o que acontecer.

- Você é maluco? De onde tirou essa idéia?

- Não somos amigos?

- Sim. Somos amigos. Mas o que tem isso a ver com um juramento?

- Então vamos fazer um pacto de mantermos nossa amizade por toda a vida. Quando ficarmos grandes e acontecer alguma coisa com um de nós os outros vão ajudar.

- Larga mão de ser besta. Não precisa fazer juramento para isso. Nossa amizade vai sempre estar presente em nossas vidas e ajudaremos uns aos outros quando precisar.

- Quer saber – interrompeu um terceiro – eu vou é para o rio. Vocês tem cada idéia louca.

Continuaram sua correria em direção ao rio. Passaram a tarde nadando e se divertindo nas águas vermelhas do Rio Branco.

Stone Halls hoje se lembra, passados mais de vinte anos, que os amigos daquela tarde estão dispersos pelo mundo. Quase nada se sabe sobre suas vidas e seus pensamentos. Um amizade perdida no tempo. Um juramento que não aconteceu.

Texto: Odair

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tubarão - Lembranças de um filme



Lembranças de minha infância vieram à tona no dia de hoje quando assisti o filme Tubarão II. Lembro-me dos anos 80 quando ainda pequeno vinha passar férias na casa da minha avó. Ela um tanto rigorosa e cuidadosa não permitia que ficássemos até tarde assistindo TV. Eu tinha uma queda impressionante pela telinha. Lá em casa não tínhamos porque meu pai havia se tornado crente e não aceitava ter TV dentro de casa. Minha avó deixava só a gente assistir a novela e depois tínhamos que ir dormir.

Lembro-me de uma noite em que vi a propaganda do filme que ia passar em Supercine logo depois da novela. Fiquei doido de vontade assistir o filme. No entanto, sabia que minha avó jamais me deixaria assistir aquele filme. Então parti para uma estratégia mais ousada. Antes de acabar a novela eu sai de casa.

Fui até uma casa na outra rua aqui mesmo na Vila da PM e sentei-me na porta da casa e comecei assistir à novela na esperança de que o pessoal fosse assistir ao filme. A visão era outra. TV colorida em contraste com a da minha avó que era preto e branco ainda.

As imagens de suspense e o perigo que aquelas pessoas passavam em alto mar hoje podem ser identificadas com o perigo que eu corria naqueles tempos. Com certeza minha avó estava preocupada comigo. Me procurando por todos os lugares. Onde se meteu esse menino? Acontece que nesse dia eu assisti ao filme e aos meus primos e irmãs também assistiram porque ficaram me esperando em casa.

Essa semana baixei a trilogia de Tubarão e assisti os dois primeiros. É diferente a visão que tenho hoje dos filmes. Continuo afirmando que são excelentes produções de uma época. Ao assistir não me contive em minhas lembranças e aqui as deixo registrada para a posteridade.

Texto: Odair

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poema do meu nome I



Onde nasce uma emoção
Deixo ali meu coração, querida,
Ainda que me entorpeça
Insisto em dar-te minha vida
Razão de sentir essa solidão.

Jamais devo esquecer-te
Onde aprendi a te amar
Sei que te desejo profundamente
E não posso viver sem o teu olhar.

Poema: Odair

sábado, 16 de outubro de 2010

Quem te deu o direito de julgar?



“A Condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar”.

Um dos maiores homens, senão o maior, que passou por essa terra ao se deparar com um grupo de pessoas que queriam apedrejar uma mulher que havia sido apanhada em um ato de adultério (em uma sociedade que pregava o apedrejamento de tais atos) apenas disse: “aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Bastou para que aquelas pessoas saíssem, um por um, rumo aos seus afazeres.

O maior erro da humanidade, e isso sem exceção, é o julgamento. Condenamos as pessoas pelas suas atitudes e decisões sem notarmos que poderíamos, e às vezes, cometemos os mesmos erros. A frase acima citada, que me apossei do link de uma amiga de Messenger, mostra uma realidade que não paramos para pensar. Sempre que condenamos uma pessoa pelo seu ato normalmente achamos que estamos sendo honestos. Até que ponto isso é verdade?

É preciso parar para pensar nas nossas atitudes. Freqüentemente vejo pessoas preocupadas em não fazer isso ou aquilo porque “fulano vai pensar isso” ou “beltrano vai achar aquilo”. A sociedade em que estamos inseridos nos levou a esse patamar tão dilacerado a ponto de nos submetermos as vontades alheias. E onde estão nossas próprias vontades?Esse mesmo homem que livrou aquela pobre mulher, tempos depois acabou sendo condenado pela aquela turba, talvez os mesmos que largaram as pedras naquele dia. Isso mostra que a condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar.

A coisa é tão séria que dificilmente agradamos as pessoas. Se faço o que quero desagrado algumas pessoas que me julgam por aquele ato praticado; se não faço sou julgado por outros por ter me abdicado de praticar o tal ato. Não é possível agradar a todos. Mas nem por isso temos que ser duramente julgados pelas nossas atitudes.

Texto: Odair

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Sétimo Selo – Um comentário do curso História e Cinema.



“Todo homem começa a morrer a partir do momento em que nasce, e termina no momento em que nem a morte lhe faz mais sentido”.

Neste sábado tivemos mais uma etapa do Curso de Extensão História e Cinema e o filme abordado dessa vez foi O Sétimo Selo, obra prima do genial Ingmar Bergman. A audiência foi macissa uma vez que, durante a semana fiquei abordando os participantes do curso e informando que não aceitava falta nesse dia. Uma das razões é porque o curso é presencial, outra porque gostaria que o maior número de pessoas assistissem esse filme que, no meu ponto de vista, é o melhor que o cinema já produziu até hoje.

A sensação de assisti-lo com o pessoal e de forma reflexiva me chamou a atenção e fiquei ansioso para ler os comentários. Como imaginei, boa parte dos assistentes não gostaram ou não entenderam o filme. Coisa natural em se tratando de O Sétimo Selo. Mas esse era o objetivo central do curso. Isto é, dar a oportunidade de estudantes de História, em sua maioria, ver um filme diferente com um olhar mais aguçado para o período medieval e no contexto da Guerra Fria.

As cenas escolhidas pela maioria foram destacadas da seguinte forma: no momento em que os artistas cantam uma música alegre e são bruscamente interrompidos pelos flagelados e uma música gritante ao som de tambores e chicotes apresentam um cenário de dor e sofrimento. Outra cena de impacto, segundo os assistentes, é o momento em que a mulher é queimada na fogueira e seu olhar apresenta um momento de dor e sofrimento como nunca visto. E outra cena bastante comentada é a cena em que o cavaleiro desafia a Morte para um jogo de Xadrez.

Por fim, vale salientar que o objetivo do curso é exatamente essa reflexão de que o cinema pode dar subsídios para o historiador/professor de História em estar apresentando novos olhares para seus alunos em sala de aula.

Texto: Odair.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sacudindo o mofo da rotina


Acostumamos-nos com as coisas. Temos medo das mudanças e acomodamo-nos passivamente. A vida passa lentamente, às vezes, rapidamente e não notamos o que acontece a nossa volta. Uma folha que cai lentamente de uma árvore qualquer. Um cão que ladra ferozmente pela ameaça que tenta repelir. Uma criança que chora desejando o seio da genitora. Acomodamos-nos com a vida corriqueira. Com o choro sentido de pessoas desoladas. Com as falsas gargalhadas de gente que se acham no direito de zombar de todo mundo. Gente que caminha como se o mundo os pertencesse. São parasitas de um mundo utópico que se arrasta para a solidão.

É preciso parar e refletir sobre o que fazemos de nossa vida. Onde estamos direcionando os nossos ideais e para onde conduzimos nossos passos.

Chega um momento na vida em que precisamos sacudir o mofo da rotina e provocar uma revolução nas estruturas de nossas vidas. Combater o marasmo que sorrateiramente apossa de nossas energias e as suga como sanguessugas destrutivas. Transformar as incertezas em objetivos traçados para uma nova realidade. Acreditar que é possível caminhar novos horizontes e alcançar novos objetivos.

O mofo é ruim. Ele nos tira o sentido da vida. Esconde-nos e não nos deixa viver. Neste momento abalo o mofo da rotina.

Texto: Odair

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sinal do Apocalipse na Cidade de Cáceres



Sufocante nuvem de fumaça cobre a cidade
Em dias de intenso calor
As chuvas de outrora deixam imensa saudade
Nas vidas atingidas pelo sol abrasador.

Um lamento sentido se ouve nos cantos
Em toda parte por onde caminhamos
Um lamento de quem perdeu os encantos
Da primavera que sonhamos.

O fogo dilacera os cerrados secos
Sem notar sua agonia terrível
O desmatamento de outrora intrínsecos
É a causa desse calor horrível.

A natureza reclama os abusos
De pessoas que não pensaram direito
Na ânsia destrutiva de seus usos
Não teve com ela nenhum respeito.

Agora o calor sufocante dos dias
Provoca enorme desespero na população
Que não encontram mais nostalgias
Para acalmar sua longa aflição.

Poema: Odair

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A serpente e o cavalo



Estava em um lugar nebuloso. Cheio de árvores esparsas em meio um vasto cerrado. Olhei para todos os lados e não sabia qual direção tomar. Na verdade, nem sabia como tinha ido parar naquele lugar. Um medo terrível tomou conta de mim. O sol escaldante queimava a minha cabeça e ofuscava a minha visão. Almejava a minha salvação que não aparecia nunca.
Estava absorto em meus temores quando a avistei. Seus olhos eram tenebrosos e foi à primeira coisa que vi. Ela, aos poucos foi saindo da toca. Era enorme e assustadora. De cor cinzenta. Seu contorno era aterrorizante e um temor apoderou-se de mim. Eu precisava correr. Mas não teria condição de fugir dela correndo a pé. Seu olhar ameaçador fixou-se sobre mim e me fez entender que a qualquer momento ela daria o bote certeiro e fulminante que acabaria com minha vida. Vida que seria dilacerada em um momento. 
Foi quando avistei, logo ali na frente, aquele belo cavalo. Negro da cor da noite mais escura ele pastava tranquilamente alheio à presença da víbora. Cavalguei-o e nem precisei esporeá-lo para que cavalgasse como um raio pela planície. Foi uma perseguição alucinante pela esplanada e uma fuga espetacular. Olhei para trás e vi a enorme serpente ficando a distância. Meu coração acelerado era o retrato do medo pelo qual passei. O cavalo parou ao entrar em um enorme jardim cheio de flores. Flores lindas e perfumadas. Eram muitas mesmo que até sumiam das vistas.
Nesse instante eu acordei. O que significa não sei, mas esse foi o sonho que tive essa noite.

Texto: Odair

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Espelho


No espelho vi o reflexo da ilusão
Que nas asas do vento elevou-se além da visão
De olhos que não viram a esperança.

Sonhos de uma tarde de primavera
Que a angústia do tempo desfizera
No longo caminho da lembrança.

Lembrança de tempos memoráveis
Que vi seus olhos tão amáveis
Preencher o vazio do meu coração.

Lembrança que me fez navegar
Os mares ocultos de seu olhar
E viver com você uma grande paixão.

A imagem refletida no espelho
Não passa de um espectro vermelho
Que vive a atormentar meus pensamentos.

Sou a imagem do incompreensível
De momentos que fui tão sensível
Ao revelar a você meus sentimentos.

Poema: Odair

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Curso História e Cinema...1ª Semana

O Curso de Extensão: História e Cinema teve seu início neste sábado e foi muito proveitoso para os participantes inscritos no Curso.


As turmas foram divididas em duas salas e na sala I assistiram e comentaram o filme Cruzada enquanto na sala II os inscritos assistiram e comentaram o filme Colateral.
A questão principal em Cruzada era de cunho religioso. Até que ponto respeitamos a crença alheia?


Já em Colateral a questão pertinente foi de cunho cultural. Até que ponto as pessoas ao nosso lado são importantes?
No geral a primeira semana foi um sucesso com uma turma bem participativa.

Texto: Odair
Fotos: Odair

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Às Margens do Rio Paraguai II



Um sol ofuscado e tosco cobre a cidade
Cheia de poeira e fumaça
Sufocados pelo clima da nossa realidade
Que maltrata implacavelmente quem passa.

Às margens do Rio Paraguai
Já não se vê o pôr-do-sol encantador
Ouve-se o lamento e gemido de ai
De quem não suporta esse calor.

O Rio lamenta e se contorce
Como uma serpente sem direção
Sente a ausência das chuvas e retorce
E as águas não caem nesse chão.

Há um lamento geral na população
Que enfrenta esse ar sufocante
Mas isso é fruto da própria ação
De gente tão petulante.

As belezas da natureza foram cruelmente
Exploradas para satisfazer
Vidas que só tinham em mente
Realizar seu bel prazer.

O vermelho sangue de um sol triste
É a imagem da desolação
De ações destruidoras que insiste
Em mostrar os abusos da nação.

Se existe ainda alguma esperança
Que possa recuperar nossa paisagem
Para que não vivamos só de lembrança
Está é à hora de fazer essa viagem.



Poema: Odair

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E começou...a campanha política


Neste ensaio quero apresentar importantes questões que exigem cada vez mais a nossa atenção. Com efeito, o futuro da humanidade não está definido e avizinha-se um tempo que pode trazer consequências imprevisíveis.

A crise global (se pensarmos pelo ponto de vista do caos urbano) em que vivemos é grave em todos os setores e poderão dar origem a uma mudança dramática no mundo inteiro, com um desenlace imprevisível, mas em que podemos antever que, mais uma vez serão os povos e países mais fragilizados a serem mais fortemente afetados.

Mais porque pensar em crise se podemos viver acima dela. O que é uma crise? Existe de fato o caos que os alarmistas de plantão pregam a todo instante? O homem, desde a sua origem a milhares de anos, pregam essa constante destruição do ser humano.

Pregam a conversão de seus delitos e que se arrependam da destruição que causam ao próprio planeta. De fato, há um grande alarme que rondam os habitantes terrestres.
Não quero aqui discordar que haja esse colapso gerador de destruição iminente.

Creio que haja sim esse juízo final. Houve para Pompéia, houve para Sodoma por que não haveria de ter para a nossa civilização? Falar em civilização, será que somos mesmo civilizados? O que nos difere dos considerados “bárbaros” que usufluiam com sabedoria da terra que habitava?

A mediocridade humana é o meu maior combate... Quero combater as ações e decisões medíocres que somos obrigados a ver na sociedade contemporânea. Começa com o povo que acredita nas promessas de homens incapazes de governar a própria família e termina com eles fazendo as maracutaias para se dar bem.

Espero que neste ano eleitoral, as pessoas se concientizem da capacidade de cada um dos milhares de candidatos que irão aparecer e, pelo menos saiba distinguir os medíocres. Elejam gente compromissada com os interesses públicos. Abaixo os medíocres.

Texto: Odair

sábado, 14 de agosto de 2010

Existência de vidas desoladas



Sentado solitário e reflexivo
No banco da praça
Observo o que acontece a minha volta
Para descobrir se a vida tem graça.

É fácil perceber um grupo de pessoas
Todos os dias por ali
Envoltos em seus afazeres rotineiros
Como se tudo acabasse aqui.

Corpos esqueléticos e fedorentos
Fumam maconha e cheiram cocaína
Sob a luz do sol
Acabam-se injetando heroína.

Olhares distantes revelam
A angústia de almas desoladas
Que entornam corotinhos de pinga
Na alegria falsa de suas risadas.

Pessoas sem nenhuma espectativa
Na existência dessa caminhada
Triste vidas de pessoas que não vivem
A alegria da alvorada.

Então penso nas oportunidades
Que recebo a cada alvorecer
De poder contribuir para a posteridade
Com a expressão do que é viver.

Nossa sociedade hipócrita deveria
À essas pessoas seus olhos voltar
Pois são almas que necessitam amparo
De outras que saibam amar.

Poema: Odair.

Obs: Este poema é uma forma de expressar a angústia de ver pessoas aglomeradas nas nossas praças em plena luz do dia fumando, bebendo e se drogando e ninguém faz nada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reflexões sobre o mundo


O mundo nunca é o mesmo um dia depois. Por quê?

Os dias nunca retornam como nunca vão embora...

O mundo não é o que conhecemos,

O que podemos ver prossegue infinitamente,

Nada acaba quando queremos...

Nem mesmo todas as eternidades do mundo

Poderão apagar o seu dia ruim...

Mas, o homem, a mulher pode voar algumas vezes,

Escrevendo histórias na sua história...

O mundo é um local de brincadeiras a ser conquistado

E, nós somos muito mais do que pensamos ser

E viver é bem diferente de todas as coisas...


Texto: Odair

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Graças te dou, oh, Deus. Pelos momentos ao lado dos tesouros que Tu me deste. O melhor presente foi passar o dia ao lado deles nesse recanto da natureza.

Texto: Odair

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O dia em que morri

Ali estava eu
Deitado imóvel e frio naquele caixão
As mãos cruzadas sobre o peito
Roupas novas e uma linda decoração.

Indivíduos transitavam ao redor do corpo
Falando coisas boas a meu respeito
Outros sorriam zombeteiramente
Porque não me conheceram direito.

Pessoas amadas choravam
Deixando transparecer o sentimento
Lembrando dos belos momentos
Em que, juntos nesta vida, caminharam.

Era uma noite de incertezas
Cercada de choros e canções
Iluminando o que fiz nessa vida
Do sentimento e das emoções.

Quatro braços conduziram
O esquife para o cemitério
Lançaram terra sobre o mesmo
E ali acabou o mistério.

Na madrugada fria de inverno
De choro e rosto tristonho
Vi que não estava no inferno
Pois, tinha acordado do sonho.

Poema: Odair

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Assim falou Nietzsche...



"Qualquer grande homem possui força retroativa: força a reconsideração da totalidade da história; milhares de segredos do passado saem de seus esconderijos para se iluminarem à sua luz. Ninguém pode prever o que acontecerá a história. Essencialmente, o passado talvez ainda continue por ser explorado! Necessitamos ainda tantas forças retroativas!"

(Friedrich Nietzsche)

"O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso."

(Friedrich Nietzsche)

"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse."

(Friedrich Nietzsche)

"Toda virtude tem seus privilégios: por exemplo, o de levar seu próprio feixezinho de lenha para a fogueira do condenado."

(Friedrich Nietzsche)