segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Deus nos livre de um Brasil evangélico





Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadú? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

Ricardo Gondim

http://estradainfinita.blogspot.com/2011/02/deus-nos-livre-de-um-brasil-evangelico.html

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vida social



Indago-me se minha compreensão é assim tão limitada a ponto de não compreender o que se passa a minha volta.

Livros e mais livros são escritos.

Estão expostos nas livrarias e combatem a mediocridade, mas de nada resolvem. O povo continua caminhando como ovelhas ao matadouro. São vitimas fatais do sistema que os sugam sem piedade.

Não tenho uma vida social.

Não tenho amigos. Tenho mais facilidade em fazer amizade com as mulheres. No entanto, por duas razões não compartilho minha amizade com elas. Primeiro porque quando me sinto atraído não hesito em conquistá-las. Por outro lado, em respeito à pessoa que esta ao meu lado, não posso fazer isso. Tenho uma ética que me persegue e controlo meus impulsos. Os homens só pensam em farrear, beber e zuar a mulherada. Não se preocupam com a construção de uma vida mais digna. Detesto esse modelo de vida centrado no hoje.

Gostaria de ser um boêmio. Sair à noite sentar-me em um bar. Beber uma cerveja e olhar o ambiente. Mas isso me irrita. Contemplo muita mediocridade nisso. Pessoas completamente desinteressantes ocupam esses ambientes. Outras vezes gostaria de ser um ermitão. Sentar-me solitário no meio da floresta e observar os pássaros e insetos na sua constante rotina. Mas isso também me irrita.

Sou feliz. Por mais que as coisas estejam fora de controle e parecem desabar não me incomodo. Amanha será um novo dia. A cor verde da esperança me acompanha. Não temo a morte e nem o perigo. Afinal, que graça teria a vida se a morte não nos espreitasse a todo instante e em todas as esquinas?

Sou a voz que clama na solidão.

Seu lindo olhar me fascina a todo instante. Apaixono-me todas as vezes que os vejo e sinto saudades quando não os contemplo. O brilho deles ilumina meu caminhar.
Sentei-me na praça e observei as pessoas caminhar. No horizonte distante o sol se esconde atrás das nuvens e apresenta um lindo entardecer. Vejo as pessoas sentadas no calçadão à espera de mais uma noite de diversão. Um ancião solitário. Uma criança a correr solto ao vento. Um dia aquele ancião correu como aquela criança. Um dia aquela criança estará solitária como aquele ancião. O inverno passou. Não sinto mais frio.

Vida social. Isso não é para mim.

Texto: Odair

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Grande Irmão de olho em você


O Big Brother observa a todos, controlando os movimentos das pessoas e dizendo o que elas devem ou não fazer. As informações são manipuladas, influenciando o comportamento dos habitantes. A prática do sexo tem suas limitações, salvo que se consiga escapar das câmeras. O alimento deve ser racionalizado. Os vigilantes, de uma forma geral, ficam felizes com os índices atingidos, bem como os que detêm o comando, apesar de os números poderem ser facilmente manipulados para alcançar resultados favoráveis. Além de tudo isso, por qualquer motivo, as pessoas correm o risco de serem eliminadas

Esse quadro não se refere a nenhum reality show que faz sucesso atualmente na televisão brasileira, mas sim ao romance 1984, do britânico George Orwell (1903-1950), cuja reedição a Companhia das Letras lançou recentemente, com tradução de Alexandre Hubner e Heloisa Jahn.

Quando Orwell o escreveu, em 1948, pipocavam em diversas partes do mundo governos totalitários – comunistas ou fascistas – cuja manutenção do poder se dava a partir de um aparato de controle sobre todos os atos dos cidadãos. Ele imaginou, a partir de observações dessa realidade, como seria o mundo 36 anos depois.

Numa guerra aparentemente interminável, três grandes blocos – a Oceânia, a Eurásia e a Lestásia – lutam para dominar o restante do planeta. Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade da Oceânia. Sua função é apagar e reescrever informações publicadas em jornais de acordo com o interesse do Socing, o Partido que detém o poder, cujo líder é conhecido como o Grande Irmão. Cartazes com o rosto do líder estão por toda parte: “bigodes pretos e feições rudemente graves (...) uma dessas pinturas realizadas de modo a que os olhos o acompanhem sempre que você se move. O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ”. As teletelas, presentes também em todo o lugar, além de transmitirem programas de entretenimento, servem como câmeras que vigiam o interior das casas. Há também pequenos helicópteros da “patrulha policial, bisbilhotando pelas janelas das pessoas.” Winston começa a questionar a tudo isso escrevendo um diário, mas é o envolvimento proibido dele com uma mulher o estopim que o levará a ser preso, torturado e, através de uma lavagem cerebral, será obrigado a voltar a obedecer aos ditames do Partido.

No posfácio escrito em 1961, o psicanalista e filósofo Erich Fromm afirma que 1984 é uma advertência: “a menos que o curso da história se altere, os homens do mundo inteiro perderão suas qualidades mais humanas, tornar-se-ão autômatos sem alma, e nem sequer terão consciência disso.” De certa forma, a “profecia” aconteceu. Somos vigiados 24 horas: há câmeras seguindo nossos passos em estabelecimentos comerciais, repartições públicas e até mesmo nas ruas. Se estivermos em casa acessando a internet, cada site visitado pode ser facilmente rastreado pelo provedor, assim como as webcams podem expor a intimidade para outros internautas. Além disso, acreditamos em um Grande Irmão no céu que julga nossos atos.

O que nos sobra, no entanto, é resistir. E os livros, como o romance 1984, são instrumentos importantes dessa rebeldia, pois eles provocam no ser humano a capacidade de pensar por si mesmo. E é o nosso próprio pensamento o melhor Grande Irmão que temos.

(Cassionei Niches Petry é professor e escreve quinzenalmente para o Mix do jornal Gazeta do Sul. Vale a pena dar uma “espiadinha” no seu blog: cassionei.blogspot.com.)
Cassionei Niches Petry
Publicado no Recanto das Letras em 02/02/2011
Código do texto: T2767054

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Libertadores? Quando nos libertar dessa idéia.



Eu era fanático pelo Corinthians. Muito mesmo. Eu arrumava bandeiras, enfeitava meu quarto com fotos e pôster do Timão todas as vezes que ele ia jogar. Meu caderno era do Corinthians, meu chaveiro também, entre outros objetos. Mas isso faz muito tempo. Fiquei internado em um hospital por 28 dias e quase morri. Mesmo assim vibrava e torcia pelo Corinthians. Meu pai paga na minha idéia até hoje. Em meados de 97 me preparei para um jogo importante do Corinthians. Ia jogar contra o Grêmio de Porto Alegre em casa e tinha tudo para passar de fase. Bomba! Levou de três e então me decepcionei. Nunca mais perco meu tempo com futebol. Pensei. Chorei de raiva. Rasguei minha camisa e fiquei dias em estado de indignação com essa situação.

Mudei bastante o meu modo de ver e torcer pelo meu time. Assistia aos jogos mais importantes e quando não tinha outra coisa interessante para fazer. Mas o amor pelo Timão sempre existiu. Visto a camisa pelo menos duas vezes na semana e meu filho é corintiano.

Ontem assisti ao jogo e torci. Sabia que se fossemos eliminados pelo Tolima seriamos bombardeados pelos nossos adversários. E foi exatamente o que aconteceu. Recebi dezenas de ligações e torpedos com gozações dos meus colegas flamenguistas, são paulinos entre outros. No entanto, tudo isso passa. Daqui a pouco estamos com outro objetivo e bola pra frente.

Como torcedor, e essa é minha opinião, o Corinthians só não ganha a Libertadores porque existe essa idéia de que precisa ganhar a Libertadores de qualquer jeito. Isso é mentira. Não precisa. E quando for assim ele vai ganhar.

O Corinthians é grande e maior do que uma Libertadores.

Texto: Odair

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Estrangulamento do Cotidiano



Estou revoltado com os acontecimentos. Revoltado com a forma de ser e agir de alguns indivíduos da nossa sociedade moderna. Ícones da falácia moderna e da hipocrisia que se instala nos meios de sobrevivência da humanidade. Pessoas que se acham os donos da verdade e que se instituem como os novos profetas do futuro estabelecido.

As pessoas já não se olham com a confiança que necessitamos para nos sentirmos seguros em meio às avalanches de mentiras e traições que se aprofunda em nossos âmagos interiores.

Revoltado de lutar com quem não quer nada da vida. Preferem permanecer nas profundezas da ignorância a dar espaço para que a luz do conhecimento possa os orientar. Preferem viver dos vícios e malefícios das atividades medíocres a que estão acostumados. Pergunto-me o porquê e as respostas vem em forma de novas indagações. É o mesmo que lutar contra a natureza morta de uma samambaia.

Este espaço é justamente para expor a minha fúria a esse império da ignorância que, a cada dia conquista mais espaço. Como uma epidemia vai se alastrando, dia-a-dia, em direção à conquista total. As pessoas, como insetos indefesos, cedem às mandíbulas tenebrosas desse monstro inescrupuloso.

Minha revolta a essa situação catastrófica se baseia na autocontemplação do mundo a minha volta. Estou revoltado com tudo isso. Não sei por quanto tempo vou resistir a esse ataque. A única coisa que sei é que esse monstro não irá me atingir. De forma nenhuma. Nem que seja o último, pretendo resistir.

Texto: Odair

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Coisas do Amor



Passo devagar pela rua na esperança de encontra-la outra vez. Olhos tristes e semblante preocupado. Mas não foi isso que chamou minha atenção para ela à primeira vez que a vi. Aquele vestido rosa bem curto, mal cobria a bunda daquela menina e o decote deixava os vastos seios à mostra. Exatamente isso me chamou a atenção. Há dias eu não me relacionava com mulher nenhuma. Estava bastante interessado em saber se rolava alguma coisa com ela. Quem sabe? Mas, passei muito rápido por ela e quando percebi a possibilidade de rolar alguma coisa já estava longe. Parei o carro e dei meia volta.

Lá está ela. Meu coração acelera. Isso acontece todas as vezes que vou abordar alguma garota. Sinto um calafrio na espinha, mas prossigo. Ela caminha devagar pela calçada. Quase paro o carro, abaixo o vidro e pergunto se ela quer uma carona. Ela me olha, mas continua andando. Continuo a acompanha-la e pergunto outra vez. Ela então para e me pergunta se eu sei para onde ela está indo. É nesse instante que reparo em seus olhos. Parece estar cansada da vida. São olhos lindos, mas estão tristes. Respondo que se ela me disser eu posso dar-lhe uma carona. Com qual intenção? Ela me pergunta. Com a melhor possível. Respondo e ela sorri.

Ela entra no carro. Para onde vamos? Eu pergunto enquanto olho para seu belo corpo. Sua sensualidade é exposta nas belas pernas que o vestido não consegue cobrir. Seus cabelos são ruivos, pintados decerto, e encaracolados. Sua face carrega uma maquiagem superficial, mas capaz de esconder alguma imperfeição. Me leve para qualquer lugar. Ela diz e me olha com um olhar profundo. Fico excitado, mas me contenho. Essa resposta me deixa confuso. Odeio quando as mulheres fazem isso. Para onde a levo? Vamos para um lugar onde possamos ficar só nos dois. Diz ela me salvando.

Quando avisto a placa do motel ela me olha e com um leve sorriso comenta: E você estava com as melhores intenções, não? Fico desconcertado, mas não altero minha decisão. Chegando lá se ela não quiser nada a gente pode conversar. Penso comigo. Mas ela quer. É uma amante profissional e muito sensual. Faz amor como se há muito tempo esperasse por aquele momento. Eu a amo. Seu cheiro, seus gemidos me cativa. Seduz-me a ponto de esquecer que sou comprometido. Que tenho alguém a me esperar em casa e que deve estar preocupada há essa hora. Mas me perco em meio seus cabelos e seu corpo escultural. Como uma musa divina ela passeia pelo meu peito e suas mãos deslizam no meu coração. Estou perdido.

Acordo em seus braços. Ela ainda dorme. Corpo descoberto. Suas nádegas são como duas maças roliças e cheirosas. Uma visão do paraíso. Perco-me em meus pensamentos e angústias. Quem é ela? O que faço agora? O que falo em casa? Minha cabeça gira, mas não tenho arrependimento. Pelo menos nessa noite fui feliz.

Texto: Odair

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vida



A vida é uma coisa incrível,
Espetacular, para ser mais preciso.
É uma arte moldada pelo maior artista
É um sonho. O mais lindo já sonhado.
Nascemos, crescemos e depois morremos.
Ai o jogo termina.
Para aqueles que acreditam em uma vida posterior,
Possivelmente há uma continuidade.
No entanto, mesmo que haja outra vida,
Ela não é a mesma que temos aqui
Temos uma única oportunidade de viver
Abrimos os olhos e ai tem uma jornada a ser seguida
Uma flor que desabrocha na primavera
E nos mostra um caminho lindo a seguir.
Cada olhar que cruzamos durante o dia
Nos mostra o quanto somos importantes
O quanto à vida é bela.
Vá aos epitáfios e considere essa oportunidade
A saudade estampa cada túmulo de vidas que se foram.
Passamos o dia sem notar uma folha que cai das árvores.
Esquecemo-nos de observar o pôr-do-sol
E não ouvimos o cantar dos pássaros.
Então a vida passa
E quando percebemos, ela se foi.
Os olhos tristes a olhar pela janela
Lembrar que a vida passou em brancas nuvens
E nunca mais voltará.
O que nos espera do outro lado do portal?
Essa vida que tivemos aqui já se foi.
Sou a primavera a despertar em flores
Sou o sol de verão
Sou o amarelar das folhas no outono
E a chuva fina do inverno.
Tenho uma vida dada pelo Criador
E feliz por viver.

Poema: Odair

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ponto de partida



A ideia de que encontramos uma esperança ou sonho em lugares obscuros é bastante clara no filme Ponto de partida. Assisti-o pela segunda vez porque na primeira fiquei impressionado mais não o entendi muito bem. Li algumas críticas do mesmo e, como sempre, notamos os prós e contras. Afinal é um filme. E filmes são assim mesmo. O que eu gosto talvez você não aprecie e vice-versa. No entanto, o meu objetivo aqui é destacar alguns filmes e interagir com os mesmos.

Ponto de partida, no meu entendimento, trás uma mensagem bastante clara e objetiva que remonta a nossa sociedade. A solidão. Os personagens de Ray Liotta, Jessica Biel (uma deusa) e, principalmente, Forest Whitaker nos mostra o quanto a solidão pode ser massacrante. E quantas pessoas vivem situações semelhantes. Desejam apenas um abraço. Querem apenas sentir o calor humano de outra pessoa. Perambulam pelas ruas e avenidas sem terem a noção de que existem.

Outro dia fiz uma crítica (negativa) ao filme Fúrias de Titãs e o mesmo arrebentou nos cinemas. Tudo bem. Ai encontramos uma pérola como Ponto de partida em alguma locadora. Uma bela reflexão. Vale a pena assistir.

Texto: Odair.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal de Stone Halls



Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso
No final dos anos oitenta
Circulava pela pequena praça da vila
Uma criança que tinha uma vista atenta.

Na noite anterior, véspera de Natal,
Tinha observado as pessoas em festa
Que passava por ele em meio burburinho
Sem saber que em seu estômago nada resta.

Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora
Deixando que ele pudesse sobreviver
Sem a proteção que só uma mãe pode dar
Em um mundo difícil de crescer.

O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo
E com ele não podia, naquele dia, estar.
Enquanto as pessoas festejavam
Para ele não sobrava nem um olhar.

O cheiro suave das carnes sendo assada
Em suas narinas chegavam
Deixando sua fome mais apertada
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam.

Não sabia por que passava por aquilo
Pois era uma criança que desejava a felicidade
Que tanto propagavam nesses dias
Mas que, para ele, só existia a saudade.

Com os olhos fundos de tristeza
Olhava para as casas cheias de gente
Sentia-se sozinho naquele universo
E sabia que, para eles, era indiferente.

Em sua cabecinha ficava uma inquirição
Que parecia resposta não ter
Por que falavam tanto em espírito natalino
Se ninguém importava com o seu sofrer?

Poema: Odair

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Todo Fim de Ano é Assim...



Promessas. Reflexões. Compras. Ano Novo vou fazer tudo diferente. Vai chegando o fim de ano e lá vem as lorotas de sempre. Ano que vem vou mudar minhas atitudes. Vou ser uma pessoa diferente.

Campanhas de ajuda humanitária. De cobertores para as pessoas não passarem o Natal com frio ou sem ter o que comer. O Natal aproxima as pessoas, é o que dizem por ai. Aproximam do quê?

O comércio está abarrotado. Pessoas indo as compras. Endividando-se. Vão iniciar o ano novo devendo as compras de Natal. Em algum lugar por ai pessoas estão passando fome. Famílias estão se desestruturando e ninguém dá a mínima para isso.

Natal. Luzes. Fim de Ano. Acho tudo isso um saco. As pessoas não mudam.

Texto: Odair

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

1 - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2 - Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata , ouro, e pedras preciosas ;
3 - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:
"Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados,aqui permanecem;
Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos
".
Alexandre, o Grande, percebeu no fim de sua vida que o mais importante na vida é o verdadeiro amor.

Fonte: http://essenciasparaavida.blogspot.com

domingo, 21 de novembro de 2010

Nos fundos de um cemitério



Eu não sabia o que pensar. Minha vida estava sendo um pesadelo. O que mais me magoava era o desepero em ver que boa parte daquela situação era culpa minha. Eu nunca tive paciência em lidar com esse tipo de situação.

A mulher com a qual passei a viver junto tinha pouco mais de quinze anos. Era ainda uma menina. Agora, depois de cinco anos juntos, ela tinha duas crianças pequenas e indefesas. Nossas brigas constantes fizeram com que nos separássemos. Depois de cinco meses longe dela resolvi ver as crianças.

O menino correu. Correu ao me ver para os braços da mãe. Correu de mim. Que animal me tornei? O que dizem sobre mim? O olhar aterrorizante do pequeno denunciava um medo. Minha alma tornou-se em um espectro. Já não sei mais quem sou.

O encontro não foi tão mal assim. Olhei nos olhos daquela que era a mãe dos meus filhos. Queria descobrir algo. Eles me negaram qualquer resposta. Nada. Apenas um silêncio sepucral existia neles. Com uma tranquilidade imensa pedi a ela que pegasse as duas crianças e viesse comigo para uma volta na cidade. Eu estava com a caminhonete do patrão.

Parei nas proximidades do cemitério São Miguel. Cercado de mato era quase impossível encontrar ali uma alma vivente. Por alguns instantes olhei para o infinito. Ao meu lado estava minha mulher e meus dois filhos. A menina ainda buscava o alimento no seio da mãe. O menino, maiorzinho, me olhava ainda assustado.

Abri o porta-luvas do carro e peguei uma arma que estava ali dentro. Virei-me para eles e comentei: - Vou matar você e essas duas crianças. – Não sabia o que faria depois. Provavelmente me mataria também.

Os olhos negros daquela mulher refletiu a calma. Não existiam neles o pavor da morte. Quem sabe talvez essa seria a melhor saida naquele momento. O sofrimento reinava na alma de ambos. A reação dela me imobilizou completamente. Não havia o que fazer.

Guardei a arma de volta no porta-luvas e voltamos a viver juntos.

Texto: Odair

sábado, 20 de novembro de 2010

Ser Negro



Quem um dia inventou a história
De que a cor negra era uma maldição
De que foi o castigo imposto a Caim
E o flagelo destinado a Cão?

Quem um dia inventou a história
De que o negro tinha que ser escravos
Para satisfazer interesses de senhores
Que se consideravam os bravos?

Por que mesmo em nossos dias
Onde nos encontramos tão civilizados
O racismo e preconceito insiste em existir
Mesmo que de modos velados.

Por que insistem em afirmar
Que a coisa tá preta no ruim momento?
E definem uma cor para as coisas más
Fixando isso no pensamento.

Consciência negra é para reflexão
Dos nossos atos e ideologia
Somos todos iguais nesta vida
E devemos viver em harmonia.

Ser Negro é ser humano
Com um carinho profundo
Tem uma vida em nada diferente
Das outras raças do mundo.

Poema: Odair

sábado, 13 de novembro de 2010

13.505 dias de vida


Se acreditasse em numerologia ia dizer que eu, neste momento, ou seria muito sortudo ou muito azarento. Hoje completo 13.505 dias de vida. Estou fazendo 37 anos, logo eu que nasci em 1973, isto é, 37 ao contrário. Hoje é 13 de novembro de 2010. Pois bem, como não acredito em numerologia tudo isso é só mera especulação.
O que importa mesmo é que completo meus 37 anos realizando um sonho. A publicação do meu livro. Agradeço a Deus pelo talento, pela paciência e, principalmente, pela perseverança em acreditar que isso seria possível.
O Sorriso e a Lágima é o meu maior presente desse dia.

Texto: Odair

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Farrapos Humanos



Olhos vermelhos e inchados
Veias perfuradas pelas agulhas
Sonhos desfeitos na madrugada
Vidas que choram de dor
E causam lágrimas de outras pessoas.

Mais uma casa arrombada
Para satisfazer a ânsia de um larápio
Objetos levados por mãos sorrateiras
Vidas que roubam objetos
Mas, roubam à paz de outras pessoas.

Olhos de crianças a mendigar
Além do pão, um carinho,
De um pai dominado pelo álcool
Vidas que sofrem a ausência
De outras vidas que as deveriam amar.

Mostram pernas e peitos nas avenidas
Acenam e dialogam com os transeuntes
Na esperança de fazerem o sexo ali mesmo
Vidas que sonham com o amor verdadeiro
E que destroem relacionamentos.

Não pestanejam em puxar o gatilho
Ceifam a existência que o Criador ofereceu
Por motivos banais e financeiros
Vidas que não pensam no próximo
E que assolam famílias inteiras.

Passam o dia todo bebendo
Fazem festa por qualquer coisa
E a noite dá continuidade às estripulias
Vidas que não pensam no futuro
E deixam outras vidas dependentes.

Farrapos humanos
Esses personagens descritos
Vidas que vegetam na sociedade
Não sabem o que é sentimento
Passam pela vida, não vivem...

Poema: Odair

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cinema e História – Análises.

Aproveitei o feriado prolongado para assistir alguns dos meus filmes que estavam acumulados aqui na minha estante esperando uma oportunidade dessas. Confesso que não foi uma tarefa fácil pelo fato de ter muitos filmes e o tempo ser curto. Então parti para a escolha. Assisti cerca de dez filmes nesses cinco dias e comento alguns que me fizeram raciocinar um pouco.


Destaco “O Barão Vermelho” que conta a história do piloto alemão “Ás” da aviação que lutou na 1ª Guerra Mundial. Destaque para a cena em que ele, após ser promovido a comandante geral do comando aéreo el não aceita e diz para o alto comandante das forças alemãs que a causa alemã não era diferente da francesa ou britânica.

“Três Homens em Conflito” é um clássico do faroeste que ainda não havia assistido. Fiquei fascinado ao ver cenas de batalhas da Guerra Cívil Americana. O filme é muito bem produzido e, na minha opinião, quase se aproxima de Era Uma Vez no Oeste.

Outro filme que deixou em mim uma ótima impressão foi “Fargo”. A questão existencial da ambição pelo dinheiro e o que o amor a ele é capaz de fazer no ser humano é um prato cheio para a reflexão. No final todos se arruinam e ninguém acaba ficando com o dinheiro. A fotografia do filme e a paisagem branca da neve é um fator essencial no filme. Muito bom.

Outro destaque dos filmes que assisti vai para “Kasemusha, A Sombra do Samurai” filme japonês de Akira Kurosawa que conta a história da guerra civil entre 1572 a 1575 e a luta de três clâs pelo poder. O filme é uma maravilha. A história é fantástica e os diálogos são interessantissímos.

Além desses assisti outros filmes que também são interessantíssimos como “Falcões da Noite” de 1981 um retorno as minhas lembranças da infância; “Tubarão II”; “7 homens e um destino”; “Independence Day” e o terrivelmente ridículo “Piranha”. Esse último é lançamento de 2010 e mostra o quanto a criatividade do cinema está indo por água abaixo. Ridículo o filme.

Por fim, saliento que foi um feriado proveitoso no sentido em que um pouco mais de cultura foi acrescentado aos meus estudos sobre História e Cinema.

Texto: Odair

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Stone Halls e o juramento



Correram como nunca naquele dia e pararam embaixo de uma enorme figueira para descansarem do sol. Queriam chegar logo no rio para tomarem banho. Ofegantes e sorridentes sentaram nas enormes raizes da árvore. Olharam um para os outros e buscavam entender o que significavam aquela amizade.

Eram quatro garotos na faixa de doze e treze anos cheios de sonhos e fantasias. Moravam na pequena cidade no interior de Mato Grosso nos anos oitenta. A vida passava devagar e os acontecimentos eram monôtonos ao extremo. Stone Halls era bastante sonhador e já rascunhava seus sonhos no seu caderno escolar. Naquela tarde um dos garotos teve a idéia de fazer um juramento.

- Juramento?

- Sim. Vamos fazer um juramento de sermos amigos por toda a nossa vida aconteça o que acontecer.

- Você é maluco? De onde tirou essa idéia?

- Não somos amigos?

- Sim. Somos amigos. Mas o que tem isso a ver com um juramento?

- Então vamos fazer um pacto de mantermos nossa amizade por toda a vida. Quando ficarmos grandes e acontecer alguma coisa com um de nós os outros vão ajudar.

- Larga mão de ser besta. Não precisa fazer juramento para isso. Nossa amizade vai sempre estar presente em nossas vidas e ajudaremos uns aos outros quando precisar.

- Quer saber – interrompeu um terceiro – eu vou é para o rio. Vocês tem cada idéia louca.

Continuaram sua correria em direção ao rio. Passaram a tarde nadando e se divertindo nas águas vermelhas do Rio Branco.

Stone Halls hoje se lembra, passados mais de vinte anos, que os amigos daquela tarde estão dispersos pelo mundo. Quase nada se sabe sobre suas vidas e seus pensamentos. Um amizade perdida no tempo. Um juramento que não aconteceu.

Texto: Odair

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tubarão - Lembranças de um filme



Lembranças de minha infância vieram à tona no dia de hoje quando assisti o filme Tubarão II. Lembro-me dos anos 80 quando ainda pequeno vinha passar férias na casa da minha avó. Ela um tanto rigorosa e cuidadosa não permitia que ficássemos até tarde assistindo TV. Eu tinha uma queda impressionante pela telinha. Lá em casa não tínhamos porque meu pai havia se tornado crente e não aceitava ter TV dentro de casa. Minha avó deixava só a gente assistir a novela e depois tínhamos que ir dormir.

Lembro-me de uma noite em que vi a propaganda do filme que ia passar em Supercine logo depois da novela. Fiquei doido de vontade assistir o filme. No entanto, sabia que minha avó jamais me deixaria assistir aquele filme. Então parti para uma estratégia mais ousada. Antes de acabar a novela eu sai de casa.

Fui até uma casa na outra rua aqui mesmo na Vila da PM e sentei-me na porta da casa e comecei assistir à novela na esperança de que o pessoal fosse assistir ao filme. A visão era outra. TV colorida em contraste com a da minha avó que era preto e branco ainda.

As imagens de suspense e o perigo que aquelas pessoas passavam em alto mar hoje podem ser identificadas com o perigo que eu corria naqueles tempos. Com certeza minha avó estava preocupada comigo. Me procurando por todos os lugares. Onde se meteu esse menino? Acontece que nesse dia eu assisti ao filme e aos meus primos e irmãs também assistiram porque ficaram me esperando em casa.

Essa semana baixei a trilogia de Tubarão e assisti os dois primeiros. É diferente a visão que tenho hoje dos filmes. Continuo afirmando que são excelentes produções de uma época. Ao assistir não me contive em minhas lembranças e aqui as deixo registrada para a posteridade.

Texto: Odair

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poema do meu nome I



Onde nasce uma emoção
Deixo ali meu coração, querida,
Ainda que me entorpeça
Insisto em dar-te minha vida
Razão de sentir essa solidão.

Jamais devo esquecer-te
Onde aprendi a te amar
Sei que te desejo profundamente
E não posso viver sem o teu olhar.

Poema: Odair

sábado, 16 de outubro de 2010

Quem te deu o direito de julgar?



“A Condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar”.

Um dos maiores homens, senão o maior, que passou por essa terra ao se deparar com um grupo de pessoas que queriam apedrejar uma mulher que havia sido apanhada em um ato de adultério (em uma sociedade que pregava o apedrejamento de tais atos) apenas disse: “aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Bastou para que aquelas pessoas saíssem, um por um, rumo aos seus afazeres.

O maior erro da humanidade, e isso sem exceção, é o julgamento. Condenamos as pessoas pelas suas atitudes e decisões sem notarmos que poderíamos, e às vezes, cometemos os mesmos erros. A frase acima citada, que me apossei do link de uma amiga de Messenger, mostra uma realidade que não paramos para pensar. Sempre que condenamos uma pessoa pelo seu ato normalmente achamos que estamos sendo honestos. Até que ponto isso é verdade?

É preciso parar para pensar nas nossas atitudes. Freqüentemente vejo pessoas preocupadas em não fazer isso ou aquilo porque “fulano vai pensar isso” ou “beltrano vai achar aquilo”. A sociedade em que estamos inseridos nos levou a esse patamar tão dilacerado a ponto de nos submetermos as vontades alheias. E onde estão nossas próprias vontades?Esse mesmo homem que livrou aquela pobre mulher, tempos depois acabou sendo condenado pela aquela turba, talvez os mesmos que largaram as pedras naquele dia. Isso mostra que a condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar.

A coisa é tão séria que dificilmente agradamos as pessoas. Se faço o que quero desagrado algumas pessoas que me julgam por aquele ato praticado; se não faço sou julgado por outros por ter me abdicado de praticar o tal ato. Não é possível agradar a todos. Mas nem por isso temos que ser duramente julgados pelas nossas atitudes.

Texto: Odair

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Sétimo Selo – Um comentário do curso História e Cinema.



“Todo homem começa a morrer a partir do momento em que nasce, e termina no momento em que nem a morte lhe faz mais sentido”.

Neste sábado tivemos mais uma etapa do Curso de Extensão História e Cinema e o filme abordado dessa vez foi O Sétimo Selo, obra prima do genial Ingmar Bergman. A audiência foi macissa uma vez que, durante a semana fiquei abordando os participantes do curso e informando que não aceitava falta nesse dia. Uma das razões é porque o curso é presencial, outra porque gostaria que o maior número de pessoas assistissem esse filme que, no meu ponto de vista, é o melhor que o cinema já produziu até hoje.

A sensação de assisti-lo com o pessoal e de forma reflexiva me chamou a atenção e fiquei ansioso para ler os comentários. Como imaginei, boa parte dos assistentes não gostaram ou não entenderam o filme. Coisa natural em se tratando de O Sétimo Selo. Mas esse era o objetivo central do curso. Isto é, dar a oportunidade de estudantes de História, em sua maioria, ver um filme diferente com um olhar mais aguçado para o período medieval e no contexto da Guerra Fria.

As cenas escolhidas pela maioria foram destacadas da seguinte forma: no momento em que os artistas cantam uma música alegre e são bruscamente interrompidos pelos flagelados e uma música gritante ao som de tambores e chicotes apresentam um cenário de dor e sofrimento. Outra cena de impacto, segundo os assistentes, é o momento em que a mulher é queimada na fogueira e seu olhar apresenta um momento de dor e sofrimento como nunca visto. E outra cena bastante comentada é a cena em que o cavaleiro desafia a Morte para um jogo de Xadrez.

Por fim, vale salientar que o objetivo do curso é exatamente essa reflexão de que o cinema pode dar subsídios para o historiador/professor de História em estar apresentando novos olhares para seus alunos em sala de aula.

Texto: Odair.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sacudindo o mofo da rotina


Acostumamos-nos com as coisas. Temos medo das mudanças e acomodamo-nos passivamente. A vida passa lentamente, às vezes, rapidamente e não notamos o que acontece a nossa volta. Uma folha que cai lentamente de uma árvore qualquer. Um cão que ladra ferozmente pela ameaça que tenta repelir. Uma criança que chora desejando o seio da genitora. Acomodamos-nos com a vida corriqueira. Com o choro sentido de pessoas desoladas. Com as falsas gargalhadas de gente que se acham no direito de zombar de todo mundo. Gente que caminha como se o mundo os pertencesse. São parasitas de um mundo utópico que se arrasta para a solidão.

É preciso parar e refletir sobre o que fazemos de nossa vida. Onde estamos direcionando os nossos ideais e para onde conduzimos nossos passos.

Chega um momento na vida em que precisamos sacudir o mofo da rotina e provocar uma revolução nas estruturas de nossas vidas. Combater o marasmo que sorrateiramente apossa de nossas energias e as suga como sanguessugas destrutivas. Transformar as incertezas em objetivos traçados para uma nova realidade. Acreditar que é possível caminhar novos horizontes e alcançar novos objetivos.

O mofo é ruim. Ele nos tira o sentido da vida. Esconde-nos e não nos deixa viver. Neste momento abalo o mofo da rotina.

Texto: Odair

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sinal do Apocalipse na Cidade de Cáceres



Sufocante nuvem de fumaça cobre a cidade
Em dias de intenso calor
As chuvas de outrora deixam imensa saudade
Nas vidas atingidas pelo sol abrasador.

Um lamento sentido se ouve nos cantos
Em toda parte por onde caminhamos
Um lamento de quem perdeu os encantos
Da primavera que sonhamos.

O fogo dilacera os cerrados secos
Sem notar sua agonia terrível
O desmatamento de outrora intrínsecos
É a causa desse calor horrível.

A natureza reclama os abusos
De pessoas que não pensaram direito
Na ânsia destrutiva de seus usos
Não teve com ela nenhum respeito.

Agora o calor sufocante dos dias
Provoca enorme desespero na população
Que não encontram mais nostalgias
Para acalmar sua longa aflição.

Poema: Odair

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A serpente e o cavalo



Estava em um lugar nebuloso. Cheio de árvores esparsas em meio um vasto cerrado. Olhei para todos os lados e não sabia qual direção tomar. Na verdade, nem sabia como tinha ido parar naquele lugar. Um medo terrível tomou conta de mim. O sol escaldante queimava a minha cabeça e ofuscava a minha visão. Almejava a minha salvação que não aparecia nunca.
Estava absorto em meus temores quando a avistei. Seus olhos eram tenebrosos e foi à primeira coisa que vi. Ela, aos poucos foi saindo da toca. Era enorme e assustadora. De cor cinzenta. Seu contorno era aterrorizante e um temor apoderou-se de mim. Eu precisava correr. Mas não teria condição de fugir dela correndo a pé. Seu olhar ameaçador fixou-se sobre mim e me fez entender que a qualquer momento ela daria o bote certeiro e fulminante que acabaria com minha vida. Vida que seria dilacerada em um momento. 
Foi quando avistei, logo ali na frente, aquele belo cavalo. Negro da cor da noite mais escura ele pastava tranquilamente alheio à presença da víbora. Cavalguei-o e nem precisei esporeá-lo para que cavalgasse como um raio pela planície. Foi uma perseguição alucinante pela esplanada e uma fuga espetacular. Olhei para trás e vi a enorme serpente ficando a distância. Meu coração acelerado era o retrato do medo pelo qual passei. O cavalo parou ao entrar em um enorme jardim cheio de flores. Flores lindas e perfumadas. Eram muitas mesmo que até sumiam das vistas.
Nesse instante eu acordei. O que significa não sei, mas esse foi o sonho que tive essa noite.

Texto: Odair

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Espelho


No espelho vi o reflexo da ilusão
Que nas asas do vento elevou-se além da visão
De olhos que não viram a esperança.

Sonhos de uma tarde de primavera
Que a angústia do tempo desfizera
No longo caminho da lembrança.

Lembrança de tempos memoráveis
Que vi seus olhos tão amáveis
Preencher o vazio do meu coração.

Lembrança que me fez navegar
Os mares ocultos de seu olhar
E viver com você uma grande paixão.

A imagem refletida no espelho
Não passa de um espectro vermelho
Que vive a atormentar meus pensamentos.

Sou a imagem do incompreensível
De momentos que fui tão sensível
Ao revelar a você meus sentimentos.

Poema: Odair