terça-feira, 31 de maio de 2011

O Brado do Atalaia



Estou revoltado com os acontecimentos. Revoltado com a forma de ser e agir de alguns indivíduos da nossa sociedade moderna. Ícones da falácia moderna e da hipocrisia que se instala nos meios de sobrevivência da humanidade. Pessoas que se acham os donos da verdade e que se instituem como os novos profetas do futuro estabelecido.

As pessoas já não se olham com a confiança que necessitamos para nos sentirmos seguros em meio às avalanches de mentiras e traições que se aprofunda em nossos âmagos interiores.

Revoltado de lutar com quem não quer nada da vida. Preferem permanecer nas profundezas da ignorância a dar espaço para que a luz do conhecimento possa os orientar. Preferem viver dos vícios e malefícios das atividades medíocres a que estão acostumados. Pergunto-me o porquê e as respostas vem em forma de novas indagações. É o mesmo que lutar contra a natureza morta de uma samambaia.

Este espaço é justamente para expor a minha fúria a esse império da ignorância que, a cada dia conquista mais espaço. Como uma epidemia vai se alastrando, dia-a-dia, em direção à conquista total. As pessoas, como insetos indefesos, cedem às mandíbulas tenebrosas desse monstro inescrupuloso.

Minha revolta a essa situação catastrófica se baseia na autocontemplação do mundo a minha volta. Estou revoltado com tudo isso. Não sei por quanto tempo vou resistir a esse ataque. A única coisa que sei é que esse monstro não irá me atingir. De forma nenhuma. Nem que seja o último, pretendo resistir.

Nem tudo está perdido. É possível visualizar, mesmo que para isto seja necessário uma visão aguçada, pessoas que se comprometem a não se deixar levar pela maléfica e pegajosa rotina do “dane-se o mundo” eu quero é ser feliz. Discursos e mais discursos são constantemente expostos nos meios de comunicação seduzindo as massas de que tudo está perfeito. Os pequenos não podem exercer os seus direitos fundamentais por questões historicamente enraizada no nosso país e enquanto isso, na Sala de Justiça, os “heróis” do novo tempo formulam hipóteses de como aplicar bem os recursos.

Já não é possível conformar com atitudes mesquinhas e fugazes que embromam os seres intelectuais de nossa sociedade. E, a revolta maior não é com os analfabetos ideológicos da sociedade moderna, mas com os detentores do poder e do conhecimento que agem como se nada estivesse acontecendo. São parasitas sociais que sugam o sangue de suas vítimas. Passam três anos formulando teorias e pesquisas que possam levá-los outra vez a ocuparem os cargos representativos do povo em geral.

Deixo aqui meu grito de alerta. Tal qual um atalaia eu subo ao alto da torre e, a plenos pulmões, solto o meu brado de guerra: por favor, acordem! O ano de eleição está chegando. Não permitam convencer você de que um saco de cimento ou um sacolão vale o seu voto. Precisamos de alguém que pelo menos tenha a capacidade de exercer com dignidade e ética o seu papel de representante da nação. Não com discursos, mas com ação.

Texto: Odair

segunda-feira, 30 de maio de 2011

I Festival de CInema de Cáceres - "Olhares do Pantanal".




Cáceres sediou neste final de semana o I Festival de Cinema Olhares do Pantanal. Realizado pelo Cine Xin e com o auxiliou do Governo do Estado por meio da Lei de Incentivo a Cultura , o festival tem como apoiadora a Universidade do Estado de Mato Grosso( Unemat).

O evento que teve início na última sexta-feira(27) trouxe para o público mostras competitivas de produções independentes, além de oficina de audiovisual, que foi uma forma de aproximar o público das técnicas de produção caracteristicas da sétima arte.

Para a pró-reitora de Extensão e Cultura da Unemat, Juliana Mattiello, a proposta do festival revive na população deCáceres a paixão pelo cinema, além de incentivar a formação de novos públicos. A pró-reitora enfatizou o papel da universidade em apoiar ações que incentive a cultura e a produção artística.

Sucesso de público e de participantes, a primeira edição do festival segundo a coordenadora geral Elainne Pires Cintra trouxe a satisfação de contribuir para o fomento das produções audiovisual da região. Para coordenadora, a proposta foi muito bem aceita população que prestigiou as exibições das produções e participou das oficina e do encontro de cineclubes.

Personalidade homenageada pelo festival, o pesquisador e cineasta matogrossense Luiz Borges, que é diretor de “ A Cilada com Cinco Morenos”, destacou a participação da Unemat como instituição parceria na realização do evento. “O festival já nasce vencedor por ter entre seus parceiros uma importante universidade do nosso estado”, enfatizou o produtor que é autor do trabalho científico que registra os 100 anos de cinema em MT.

Como filme homenageado pelo festival, “Nó de Rosas” de Gloria Albuês trouxe para o público uma Cáceres dos casarios centenários, do magestoso Rio Paraguai , dos monumentos históricos como um dos cenários para compor sua história . Uma homenagem também para os cacerenses que puderam reconhecer a sua cidade estampada na grande tela.

link http://www.unemat.br/noticias/wmview.php?ArtID=6331
veja também http://www.jornaloeste.com.br/?pg=noticia&idn=16571

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Esqueçam os buracos...Temos totens!



A intenção deste ensaio não é falar mal do governo. Não. A intenção é outra. É fazer uma reflexão de como as pessoas vivem e agem de acordo com cada governante.

Vivemos dias extremamente complexos. Falo de uma cidade erguida as margens do Rio Paraguai. Uma cidade Portal do Pantanal que realiza o maior Festival de Pesca de água doce do mundo. A população curte os shows nacionais e...Supimpa! Por alguns dias esquecem que a cidade está cheia de buracos. Esquecem que a cidade está praticamente como um queijo suíço. É impossível transitar pela maioria das ruas devido o excesso de valas e crateras existentes por toda cidade.

Mas, esse não é o único caos existente na Princesinha do Paraguai. Estamos há quase um mês com nossas crianças sem aulas. As crianças não têm como exercer o direito fundamental que é o direito a educação de qualidade.

Esqueça tudo isso. Esqueçam os buracos, esqueçam as greves na educação e na saúde. Afinal, agora temos o FIP. Agora temos totens por toda a cidade. As arvores das praças centrais tem um novo colorido com luzes e brilhos. E o discurso continua. Cáceres está no centro das atenções nacionais do turismo. E tome pão e circo.

A política do Pão e Circo remonta as arenas romanas quando os Imperadores Romanos davam espetáculos para o povo para que eles esquecessem de que não tinham nada para se alimentar e sobreviver. Não muito diferente disso, vemos hoje esses espetáculos e a população esquece os buracos.

Ah! E só pra variar. Tem gente nessa cidade que vai ter que andar a cavalo mesmo.


Texto: Odair

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Essa é minha Mãe




Quero falar de uma mulher
Mas, não é uma mulher qualquer.
É uma mulher guerreira e virtuosa
Uma mulher alegre e muito formosa.
Uma senhora que carrega nos ombros
A marca de uma dura vida
Marcas de sonhos não realizados
De aspirações pretendidas.
Uma mulher que fica em silêncio
Demonstrando longos anos de reflexão
Que não prega os olhos enquanto não chegamos
Para dar tranqüilidade ao seu coração.
Às vezes parece triste com as lutas do dia-a-dia
Com a canseira que os anos proporcionam
Mas, sorri ao ver as bagunças feitas pelos netos,
Nas manhãs que o tempo as harmoniza.
Uma mulher que sofreu para cuidar dos filhos
Que os acalentou no dias frios e tristes
Que deu carinho às filhas distantes
E nelas não deixou de pensar um só dia.
Essa mulher venceu o tempo,
Venceu o frio e o medo
Para nos dar um pouco de paz,
Um pouco de pão e muito de amor.
Ela merece muito de nós
Porque nos deu o melhor que somos
Filhos vencedores que saiu de um ventre
De mãos que souberam nos ensinar o caminho do bem.
Essa é minha mãe.
Essa é a mãe do Márcio, da Sonia, da Lucinha e do Tiago.
Mas é, também, a mãe do Emaxuelber,
Emaxuely, Sarinha, Samuel, Pedro e tantos outros.
Você merece bem mais do que palavras
Mas, são palavras que sei imortalizar.
Por isso te desejo toda felicidade do mundo.
Todos nós te amamos muito.

Poema: Odair

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Thor



Como apaixonado por HQ e cinéfilo de carteirinha tenho aguardado com grande expectativa o filme Thor chegar no cinema de minha cidade. Enquanto isso não acontece, leio algumas críticas sobre o filme. Neste espaço quero compartilhar uma que achei bastante interessante.

"O que é mais importante para uns em filmes de heróis dos quadrinhos pode não ser para outros. Enquanto o fã, na maioria das vezes, espera que a adaptação seja a mais fiel possível, aquele que nunca viajou pelas páginas coloridas ou viu os saudosos desenhos (quase) animados dos anos 70, espera apenas entender o filme e se divertir. E esse é, sem sombra de dúvida, o mérito desta aventura baseada no personagem da editora Marvel. É perfeitamente possível para o leigo entender a trama carregada de mitologia nórdica, de nomes estranhos, guerras, deuses e herdeiros. Para isso, claro, vai ter que se deixar mergulhar na fantasia depois da didática e oportuna pergunta inicial: “de onde ele vem?”.

Na história, Thor (Chris Hemsworth) estava prestes a receber o comando do reino supremo de Asgard das mãos de seu pai Odin (Anthony Hopkins), quando forças inimigas quebraram um acordo de paz. Disposto a se vingar, o jovem guerreiro dá início a um conflito entre os povos, desobedecendo o rei, que indignado com a atitude do filho acaba retirando seus poderes e o expulsando para a Terra. Lá, ele conhece uma cientista (Natalie Portman) que vai ajudá-lo na luta para recuperar o lendário e poderoso martelo das mãos de agentes do Governo e poder retornar para o seu lar. Enquanto isso, o ciumento irmão Loki (Tom Hiddleston) tem um plano maligno para que isso não aconteça e ele possa assumir – definitivamente – o poder de seu pai. Com esse conflito shakespeareano, coube ao ator e diretor Keneth Branagh, que é influenciado pelo bardo inglês, pilotar essa aventura distante de suas experiências anteriores, como Hamlet.

Thor tem efeitos especiais, humor, cenários grandiosos e música no clima, mas o ritmo, às vezes, fica mais lento. O roteiro, no entanto, é redondo e tem vários detalhes, como a rápida aparição do personagem Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), além do próprio Stan Lee, criador dos famosos heróis fazendo uma ponta de motorista de pick up. Coisas que vão fazer a alegria dos amantes do gênero. Para essa turma, aliás, uma dica importante: fique até o fim dos créditos porque tem uma cena adicional que vai conectar este filme com Os Vingadores, previsto para maio de 2012."

Érico Alessandro.
http://www.hnews.com.br/2011/05/thor-critica.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre a Mulher Traída e Insegura


A essência feminina, como forma de se proteger de seu pior vilão que é a traição, se envolve em um escudo, campo de força tão forte e eficaz, capaz de impedir a aproximação daqueles que para elas são os maus homens, aqueles que lhes fizeram sofrer.
Em seu ego, o certo esta sendo feito. Pensa... Não mais haverá sofrimento. Pena! Tal eficácia é tão plena que chega a compelir também, os homens de boa-fé ou bons homens. Estes, bem que tentam, até conhecem a forma impenetrável e força imponente diante de seus olhos.
Elas demonstram isso. Sapiente, sabe o bom homem que em algum momento o escudo enfraquecerá, pois não resistirá ao tempo.
Mas quem adentrará ao campo de força, hora imponente e aparentemente impenetrável? O bom homem? O Mau homem?
Sem surpresas, diante de tal vulnerabilidade gerada pelas dúvidas e incertezas, a perspicácia e insistência do mau homem, rompe a barreira e reaproxima, retoma a fragilizada essência feminina.
Mas e os homens bons, não menos perspicazes e insistentes? Foram subjugados? Trapaceados?
Estes fizeram o que deveriam, ao menos tentaram. Diante uma barreira que parece ter sido feita especialmente para ele.
Uma façanha quase impossível ante uma essência feminina não tão fragilizada, mas conturbada e incerta.
O que resta aos Bons homens? Que estes bons homens encontrem as boas essências femininas capazes de seguir em frente, de se relacionar, de se apaixonar; aquelas que não enganam e nem se deixam enganar.

MARCIO LOURENÇO PEREIRA

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A insensatez da violência



Estávamos na aula de Criminologia desenvolvendo reflexões sobre o crime, o delinqüente, a vitima, o controle social entre outras coisas. Nosso grupo lia um artigo da revista Veja intitulado “A cabeça de um assassino” onde notamos vários depoimentos de criminosos presos que relatavam suas justificativas pelo crime praticado. O tema estabelecido para desenvolvermos nosso trabalho foi “A insensatez da violência”. Não sabíamos, mas nesse momento acontecia o massacre em Realengo no Rio de Janeiro. Na verdade, é difícil deduzir hipóteses para entender a cabeça de um assassino.
Com certeza, dezenas de especialistas vão dar suas opiniões de como combater esse tipo de crime, que alguém falhou na segurança e etc e tal. No entanto, é complexa essa questão. O fato é que estamos inseridos em uma sociedade violenta e desumana. Enquanto alguns poucos estão pensando sobre as possibilidades de combate ao crime outros estão tirando vidas inocentes.
O que assombra nesse massacre é o número de vítimas da mesma faixa etária. Pensamos em nossos filhos. Que Deus nos livre e guarde de fatos como esses!

Texto: Odair

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sobre Meninos e Lobos e Sobre Nós Mesmo


Dave, no inicio do filme nem consegue terminar de escrever seu nome no cimento fresco da calçada. Enquanto seus dois amigos já escreveram os nomes Dave é interrompido pelos falsos policiais que logo após o seqüestra e leva para o porão. O nome pela metade que fica gravado no cimento representa a interrupção da vida daquele garoto. Os sonhos interrompidos e destruídos por pessoas inescrupulosas. O cotidiano interrompido pelo capricho do destino. Numa fração de segundos e nossa vida toma um rumo diferente.
A escuridão do porão frio e as angústias do garoto são circunstâncias que nenhum ser humano deveria passar. Mas a vida é cruel em certas ocasiões. Toda criança tem direito a educação, saúde e segurança. Além disso, o fundamental é o carinho que essa criança precisa para crescer saudável e criativa. Infelizmente, nos nossos dias esses direitos estão sendo destruídos em larga escala. As drogas, os jogos e a prostituição infantil tem sido massacrante. Não temos a segurança do Estado e a família já não existe. As crianças estão sendo jogadas e abandonadas quando mais precisam de apoio. E a pior violência é aquela que vem do próprio seio da criança. Naqueles que ela confia é onde a violência dói mais. E, não são poucos os casos de crianças violentadas pelos pais, padrastos, madrastas. Aqueles que deveriam proteger são os vilões que sagram as almas inocentes de crianças que se tornaram lobos no futuro.
A falta de confiança depois de adulto é o que notamos na vida de Dave e que representam de forma magistral algumas pessoas que vemos em nossa sociedade. São vampiros. Zumbis ambulantes em uma sociedade moldada pelo descaso. Dave não confia em sua própria mente. Não sabe se realmente foi ele a cometer o crime ou que crime cometeu. E, se a pessoa não confia nela própria, com certeza vai abrir margem para que outros desconfiem. Dave morreu, chega afirmar o personagem em determinada parte do filme, não sei quem saiu daquele porão, mas definitivamente não foi o Dave. Onde está a lápide de muitos morto-vivos que perambulam pelas nossas ruas? Com quantos Dave nos encontramos durante o dia? Cruzamos com eles nas ruas, bebemos com eles nos bares e dormimos com eles sob o nosso teto.

Obs: Esse ensaio é parte de um artigo sobre o filme Sobre Meninos e Lobos.
Texto: Odair

quarta-feira, 23 de março de 2011

Algemas


Olhando no profundo dos olhos dele ela pode identificar a natureza de seu desejo. Sabia explicitamente que sua vontade teria que ser atendida de qualquer forma. Lamentou o momento em que entrou naquela sala e expôs-se ao constrangimento de estar naquela situação. No entanto, tinha ciência que era tarde para lamento. Teria que se decidir rapidamente. Seu corpo tremia descontroladamente e seus sentidos não funcionavam adequadamente devido à pressão psicológica do momento. O que fazer?
A arma apontada em sua direção indicava a forma violenta de que o algoz se utilizou para tirar de si a coisa mais preciosa que ela tinha. Por onde andava os homens a elogiavam pela sua beleza e sensualidade. Provocante e sedutora ela caminhava impávida por entre as pessoas e sempre sonhou em encontrar a pessoa certa para sua vida. Aquela arma demolia o seu castelo de sonho construído até ali.
O documento a sua frente era toda sua herança deixada por alguém que sempre batalhou na vida e conseguiu com muito esforço. E agora ela se vê coagida a assinar e passar para um estranho.

Texto: Odair

terça-feira, 1 de março de 2011

Cinema e História: II Temporada.



O Curso de Extensão História e Cinema tem o prazer de informar que encontra-se abertas até o dia 16 as inscrições para a Segunda Temporada do Curso.

Neste semestre vamos trabalhar com filmes como Sobre Meninos e Lobos, V de Vingança, Dragão Vermelho, O Cheiro do Ralo, entre outros.

As inscrições podem ser feitas no Departamento de História e tem carga horaria de 40 horas.

Vagas Limitadas!

Atenciosamente

Odair José
Coordenador do Curso.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Deus nos livre de um Brasil evangélico





Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadú? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

Ricardo Gondim

http://estradainfinita.blogspot.com/2011/02/deus-nos-livre-de-um-brasil-evangelico.html

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vida social



Indago-me se minha compreensão é assim tão limitada a ponto de não compreender o que se passa a minha volta.

Livros e mais livros são escritos.

Estão expostos nas livrarias e combatem a mediocridade, mas de nada resolvem. O povo continua caminhando como ovelhas ao matadouro. São vitimas fatais do sistema que os sugam sem piedade.

Não tenho uma vida social.

Não tenho amigos. Tenho mais facilidade em fazer amizade com as mulheres. No entanto, por duas razões não compartilho minha amizade com elas. Primeiro porque quando me sinto atraído não hesito em conquistá-las. Por outro lado, em respeito à pessoa que esta ao meu lado, não posso fazer isso. Tenho uma ética que me persegue e controlo meus impulsos. Os homens só pensam em farrear, beber e zuar a mulherada. Não se preocupam com a construção de uma vida mais digna. Detesto esse modelo de vida centrado no hoje.

Gostaria de ser um boêmio. Sair à noite sentar-me em um bar. Beber uma cerveja e olhar o ambiente. Mas isso me irrita. Contemplo muita mediocridade nisso. Pessoas completamente desinteressantes ocupam esses ambientes. Outras vezes gostaria de ser um ermitão. Sentar-me solitário no meio da floresta e observar os pássaros e insetos na sua constante rotina. Mas isso também me irrita.

Sou feliz. Por mais que as coisas estejam fora de controle e parecem desabar não me incomodo. Amanha será um novo dia. A cor verde da esperança me acompanha. Não temo a morte e nem o perigo. Afinal, que graça teria a vida se a morte não nos espreitasse a todo instante e em todas as esquinas?

Sou a voz que clama na solidão.

Seu lindo olhar me fascina a todo instante. Apaixono-me todas as vezes que os vejo e sinto saudades quando não os contemplo. O brilho deles ilumina meu caminhar.
Sentei-me na praça e observei as pessoas caminhar. No horizonte distante o sol se esconde atrás das nuvens e apresenta um lindo entardecer. Vejo as pessoas sentadas no calçadão à espera de mais uma noite de diversão. Um ancião solitário. Uma criança a correr solto ao vento. Um dia aquele ancião correu como aquela criança. Um dia aquela criança estará solitária como aquele ancião. O inverno passou. Não sinto mais frio.

Vida social. Isso não é para mim.

Texto: Odair

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Grande Irmão de olho em você


O Big Brother observa a todos, controlando os movimentos das pessoas e dizendo o que elas devem ou não fazer. As informações são manipuladas, influenciando o comportamento dos habitantes. A prática do sexo tem suas limitações, salvo que se consiga escapar das câmeras. O alimento deve ser racionalizado. Os vigilantes, de uma forma geral, ficam felizes com os índices atingidos, bem como os que detêm o comando, apesar de os números poderem ser facilmente manipulados para alcançar resultados favoráveis. Além de tudo isso, por qualquer motivo, as pessoas correm o risco de serem eliminadas

Esse quadro não se refere a nenhum reality show que faz sucesso atualmente na televisão brasileira, mas sim ao romance 1984, do britânico George Orwell (1903-1950), cuja reedição a Companhia das Letras lançou recentemente, com tradução de Alexandre Hubner e Heloisa Jahn.

Quando Orwell o escreveu, em 1948, pipocavam em diversas partes do mundo governos totalitários – comunistas ou fascistas – cuja manutenção do poder se dava a partir de um aparato de controle sobre todos os atos dos cidadãos. Ele imaginou, a partir de observações dessa realidade, como seria o mundo 36 anos depois.

Numa guerra aparentemente interminável, três grandes blocos – a Oceânia, a Eurásia e a Lestásia – lutam para dominar o restante do planeta. Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade da Oceânia. Sua função é apagar e reescrever informações publicadas em jornais de acordo com o interesse do Socing, o Partido que detém o poder, cujo líder é conhecido como o Grande Irmão. Cartazes com o rosto do líder estão por toda parte: “bigodes pretos e feições rudemente graves (...) uma dessas pinturas realizadas de modo a que os olhos o acompanhem sempre que você se move. O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ”. As teletelas, presentes também em todo o lugar, além de transmitirem programas de entretenimento, servem como câmeras que vigiam o interior das casas. Há também pequenos helicópteros da “patrulha policial, bisbilhotando pelas janelas das pessoas.” Winston começa a questionar a tudo isso escrevendo um diário, mas é o envolvimento proibido dele com uma mulher o estopim que o levará a ser preso, torturado e, através de uma lavagem cerebral, será obrigado a voltar a obedecer aos ditames do Partido.

No posfácio escrito em 1961, o psicanalista e filósofo Erich Fromm afirma que 1984 é uma advertência: “a menos que o curso da história se altere, os homens do mundo inteiro perderão suas qualidades mais humanas, tornar-se-ão autômatos sem alma, e nem sequer terão consciência disso.” De certa forma, a “profecia” aconteceu. Somos vigiados 24 horas: há câmeras seguindo nossos passos em estabelecimentos comerciais, repartições públicas e até mesmo nas ruas. Se estivermos em casa acessando a internet, cada site visitado pode ser facilmente rastreado pelo provedor, assim como as webcams podem expor a intimidade para outros internautas. Além disso, acreditamos em um Grande Irmão no céu que julga nossos atos.

O que nos sobra, no entanto, é resistir. E os livros, como o romance 1984, são instrumentos importantes dessa rebeldia, pois eles provocam no ser humano a capacidade de pensar por si mesmo. E é o nosso próprio pensamento o melhor Grande Irmão que temos.

(Cassionei Niches Petry é professor e escreve quinzenalmente para o Mix do jornal Gazeta do Sul. Vale a pena dar uma “espiadinha” no seu blog: cassionei.blogspot.com.)
Cassionei Niches Petry
Publicado no Recanto das Letras em 02/02/2011
Código do texto: T2767054

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Libertadores? Quando nos libertar dessa idéia.



Eu era fanático pelo Corinthians. Muito mesmo. Eu arrumava bandeiras, enfeitava meu quarto com fotos e pôster do Timão todas as vezes que ele ia jogar. Meu caderno era do Corinthians, meu chaveiro também, entre outros objetos. Mas isso faz muito tempo. Fiquei internado em um hospital por 28 dias e quase morri. Mesmo assim vibrava e torcia pelo Corinthians. Meu pai paga na minha idéia até hoje. Em meados de 97 me preparei para um jogo importante do Corinthians. Ia jogar contra o Grêmio de Porto Alegre em casa e tinha tudo para passar de fase. Bomba! Levou de três e então me decepcionei. Nunca mais perco meu tempo com futebol. Pensei. Chorei de raiva. Rasguei minha camisa e fiquei dias em estado de indignação com essa situação.

Mudei bastante o meu modo de ver e torcer pelo meu time. Assistia aos jogos mais importantes e quando não tinha outra coisa interessante para fazer. Mas o amor pelo Timão sempre existiu. Visto a camisa pelo menos duas vezes na semana e meu filho é corintiano.

Ontem assisti ao jogo e torci. Sabia que se fossemos eliminados pelo Tolima seriamos bombardeados pelos nossos adversários. E foi exatamente o que aconteceu. Recebi dezenas de ligações e torpedos com gozações dos meus colegas flamenguistas, são paulinos entre outros. No entanto, tudo isso passa. Daqui a pouco estamos com outro objetivo e bola pra frente.

Como torcedor, e essa é minha opinião, o Corinthians só não ganha a Libertadores porque existe essa idéia de que precisa ganhar a Libertadores de qualquer jeito. Isso é mentira. Não precisa. E quando for assim ele vai ganhar.

O Corinthians é grande e maior do que uma Libertadores.

Texto: Odair

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Estrangulamento do Cotidiano



Estou revoltado com os acontecimentos. Revoltado com a forma de ser e agir de alguns indivíduos da nossa sociedade moderna. Ícones da falácia moderna e da hipocrisia que se instala nos meios de sobrevivência da humanidade. Pessoas que se acham os donos da verdade e que se instituem como os novos profetas do futuro estabelecido.

As pessoas já não se olham com a confiança que necessitamos para nos sentirmos seguros em meio às avalanches de mentiras e traições que se aprofunda em nossos âmagos interiores.

Revoltado de lutar com quem não quer nada da vida. Preferem permanecer nas profundezas da ignorância a dar espaço para que a luz do conhecimento possa os orientar. Preferem viver dos vícios e malefícios das atividades medíocres a que estão acostumados. Pergunto-me o porquê e as respostas vem em forma de novas indagações. É o mesmo que lutar contra a natureza morta de uma samambaia.

Este espaço é justamente para expor a minha fúria a esse império da ignorância que, a cada dia conquista mais espaço. Como uma epidemia vai se alastrando, dia-a-dia, em direção à conquista total. As pessoas, como insetos indefesos, cedem às mandíbulas tenebrosas desse monstro inescrupuloso.

Minha revolta a essa situação catastrófica se baseia na autocontemplação do mundo a minha volta. Estou revoltado com tudo isso. Não sei por quanto tempo vou resistir a esse ataque. A única coisa que sei é que esse monstro não irá me atingir. De forma nenhuma. Nem que seja o último, pretendo resistir.

Texto: Odair

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Coisas do Amor



Passo devagar pela rua na esperança de encontra-la outra vez. Olhos tristes e semblante preocupado. Mas não foi isso que chamou minha atenção para ela à primeira vez que a vi. Aquele vestido rosa bem curto, mal cobria a bunda daquela menina e o decote deixava os vastos seios à mostra. Exatamente isso me chamou a atenção. Há dias eu não me relacionava com mulher nenhuma. Estava bastante interessado em saber se rolava alguma coisa com ela. Quem sabe? Mas, passei muito rápido por ela e quando percebi a possibilidade de rolar alguma coisa já estava longe. Parei o carro e dei meia volta.

Lá está ela. Meu coração acelera. Isso acontece todas as vezes que vou abordar alguma garota. Sinto um calafrio na espinha, mas prossigo. Ela caminha devagar pela calçada. Quase paro o carro, abaixo o vidro e pergunto se ela quer uma carona. Ela me olha, mas continua andando. Continuo a acompanha-la e pergunto outra vez. Ela então para e me pergunta se eu sei para onde ela está indo. É nesse instante que reparo em seus olhos. Parece estar cansada da vida. São olhos lindos, mas estão tristes. Respondo que se ela me disser eu posso dar-lhe uma carona. Com qual intenção? Ela me pergunta. Com a melhor possível. Respondo e ela sorri.

Ela entra no carro. Para onde vamos? Eu pergunto enquanto olho para seu belo corpo. Sua sensualidade é exposta nas belas pernas que o vestido não consegue cobrir. Seus cabelos são ruivos, pintados decerto, e encaracolados. Sua face carrega uma maquiagem superficial, mas capaz de esconder alguma imperfeição. Me leve para qualquer lugar. Ela diz e me olha com um olhar profundo. Fico excitado, mas me contenho. Essa resposta me deixa confuso. Odeio quando as mulheres fazem isso. Para onde a levo? Vamos para um lugar onde possamos ficar só nos dois. Diz ela me salvando.

Quando avisto a placa do motel ela me olha e com um leve sorriso comenta: E você estava com as melhores intenções, não? Fico desconcertado, mas não altero minha decisão. Chegando lá se ela não quiser nada a gente pode conversar. Penso comigo. Mas ela quer. É uma amante profissional e muito sensual. Faz amor como se há muito tempo esperasse por aquele momento. Eu a amo. Seu cheiro, seus gemidos me cativa. Seduz-me a ponto de esquecer que sou comprometido. Que tenho alguém a me esperar em casa e que deve estar preocupada há essa hora. Mas me perco em meio seus cabelos e seu corpo escultural. Como uma musa divina ela passeia pelo meu peito e suas mãos deslizam no meu coração. Estou perdido.

Acordo em seus braços. Ela ainda dorme. Corpo descoberto. Suas nádegas são como duas maças roliças e cheirosas. Uma visão do paraíso. Perco-me em meus pensamentos e angústias. Quem é ela? O que faço agora? O que falo em casa? Minha cabeça gira, mas não tenho arrependimento. Pelo menos nessa noite fui feliz.

Texto: Odair

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vida



A vida é uma coisa incrível,
Espetacular, para ser mais preciso.
É uma arte moldada pelo maior artista
É um sonho. O mais lindo já sonhado.
Nascemos, crescemos e depois morremos.
Ai o jogo termina.
Para aqueles que acreditam em uma vida posterior,
Possivelmente há uma continuidade.
No entanto, mesmo que haja outra vida,
Ela não é a mesma que temos aqui
Temos uma única oportunidade de viver
Abrimos os olhos e ai tem uma jornada a ser seguida
Uma flor que desabrocha na primavera
E nos mostra um caminho lindo a seguir.
Cada olhar que cruzamos durante o dia
Nos mostra o quanto somos importantes
O quanto à vida é bela.
Vá aos epitáfios e considere essa oportunidade
A saudade estampa cada túmulo de vidas que se foram.
Passamos o dia sem notar uma folha que cai das árvores.
Esquecemo-nos de observar o pôr-do-sol
E não ouvimos o cantar dos pássaros.
Então a vida passa
E quando percebemos, ela se foi.
Os olhos tristes a olhar pela janela
Lembrar que a vida passou em brancas nuvens
E nunca mais voltará.
O que nos espera do outro lado do portal?
Essa vida que tivemos aqui já se foi.
Sou a primavera a despertar em flores
Sou o sol de verão
Sou o amarelar das folhas no outono
E a chuva fina do inverno.
Tenho uma vida dada pelo Criador
E feliz por viver.

Poema: Odair

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ponto de partida



A ideia de que encontramos uma esperança ou sonho em lugares obscuros é bastante clara no filme Ponto de partida. Assisti-o pela segunda vez porque na primeira fiquei impressionado mais não o entendi muito bem. Li algumas críticas do mesmo e, como sempre, notamos os prós e contras. Afinal é um filme. E filmes são assim mesmo. O que eu gosto talvez você não aprecie e vice-versa. No entanto, o meu objetivo aqui é destacar alguns filmes e interagir com os mesmos.

Ponto de partida, no meu entendimento, trás uma mensagem bastante clara e objetiva que remonta a nossa sociedade. A solidão. Os personagens de Ray Liotta, Jessica Biel (uma deusa) e, principalmente, Forest Whitaker nos mostra o quanto a solidão pode ser massacrante. E quantas pessoas vivem situações semelhantes. Desejam apenas um abraço. Querem apenas sentir o calor humano de outra pessoa. Perambulam pelas ruas e avenidas sem terem a noção de que existem.

Outro dia fiz uma crítica (negativa) ao filme Fúrias de Titãs e o mesmo arrebentou nos cinemas. Tudo bem. Ai encontramos uma pérola como Ponto de partida em alguma locadora. Uma bela reflexão. Vale a pena assistir.

Texto: Odair.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal de Stone Halls



Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso
No final dos anos oitenta
Circulava pela pequena praça da vila
Uma criança que tinha uma vista atenta.

Na noite anterior, véspera de Natal,
Tinha observado as pessoas em festa
Que passava por ele em meio burburinho
Sem saber que em seu estômago nada resta.

Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora
Deixando que ele pudesse sobreviver
Sem a proteção que só uma mãe pode dar
Em um mundo difícil de crescer.

O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo
E com ele não podia, naquele dia, estar.
Enquanto as pessoas festejavam
Para ele não sobrava nem um olhar.

O cheiro suave das carnes sendo assada
Em suas narinas chegavam
Deixando sua fome mais apertada
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam.

Não sabia por que passava por aquilo
Pois era uma criança que desejava a felicidade
Que tanto propagavam nesses dias
Mas que, para ele, só existia a saudade.

Com os olhos fundos de tristeza
Olhava para as casas cheias de gente
Sentia-se sozinho naquele universo
E sabia que, para eles, era indiferente.

Em sua cabecinha ficava uma inquirição
Que parecia resposta não ter
Por que falavam tanto em espírito natalino
Se ninguém importava com o seu sofrer?

Poema: Odair

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Todo Fim de Ano é Assim...



Promessas. Reflexões. Compras. Ano Novo vou fazer tudo diferente. Vai chegando o fim de ano e lá vem as lorotas de sempre. Ano que vem vou mudar minhas atitudes. Vou ser uma pessoa diferente.

Campanhas de ajuda humanitária. De cobertores para as pessoas não passarem o Natal com frio ou sem ter o que comer. O Natal aproxima as pessoas, é o que dizem por ai. Aproximam do quê?

O comércio está abarrotado. Pessoas indo as compras. Endividando-se. Vão iniciar o ano novo devendo as compras de Natal. Em algum lugar por ai pessoas estão passando fome. Famílias estão se desestruturando e ninguém dá a mínima para isso.

Natal. Luzes. Fim de Ano. Acho tudo isso um saco. As pessoas não mudam.

Texto: Odair

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande:

1 - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2 - Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata , ouro, e pedras preciosas ;
3 - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:
"Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados,aqui permanecem;
Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos
".
Alexandre, o Grande, percebeu no fim de sua vida que o mais importante na vida é o verdadeiro amor.

Fonte: http://essenciasparaavida.blogspot.com

domingo, 21 de novembro de 2010

Nos fundos de um cemitério



Eu não sabia o que pensar. Minha vida estava sendo um pesadelo. O que mais me magoava era o desepero em ver que boa parte daquela situação era culpa minha. Eu nunca tive paciência em lidar com esse tipo de situação.

A mulher com a qual passei a viver junto tinha pouco mais de quinze anos. Era ainda uma menina. Agora, depois de cinco anos juntos, ela tinha duas crianças pequenas e indefesas. Nossas brigas constantes fizeram com que nos separássemos. Depois de cinco meses longe dela resolvi ver as crianças.

O menino correu. Correu ao me ver para os braços da mãe. Correu de mim. Que animal me tornei? O que dizem sobre mim? O olhar aterrorizante do pequeno denunciava um medo. Minha alma tornou-se em um espectro. Já não sei mais quem sou.

O encontro não foi tão mal assim. Olhei nos olhos daquela que era a mãe dos meus filhos. Queria descobrir algo. Eles me negaram qualquer resposta. Nada. Apenas um silêncio sepucral existia neles. Com uma tranquilidade imensa pedi a ela que pegasse as duas crianças e viesse comigo para uma volta na cidade. Eu estava com a caminhonete do patrão.

Parei nas proximidades do cemitério São Miguel. Cercado de mato era quase impossível encontrar ali uma alma vivente. Por alguns instantes olhei para o infinito. Ao meu lado estava minha mulher e meus dois filhos. A menina ainda buscava o alimento no seio da mãe. O menino, maiorzinho, me olhava ainda assustado.

Abri o porta-luvas do carro e peguei uma arma que estava ali dentro. Virei-me para eles e comentei: - Vou matar você e essas duas crianças. – Não sabia o que faria depois. Provavelmente me mataria também.

Os olhos negros daquela mulher refletiu a calma. Não existiam neles o pavor da morte. Quem sabe talvez essa seria a melhor saida naquele momento. O sofrimento reinava na alma de ambos. A reação dela me imobilizou completamente. Não havia o que fazer.

Guardei a arma de volta no porta-luvas e voltamos a viver juntos.

Texto: Odair

sábado, 20 de novembro de 2010

Ser Negro



Quem um dia inventou a história
De que a cor negra era uma maldição
De que foi o castigo imposto a Caim
E o flagelo destinado a Cão?

Quem um dia inventou a história
De que o negro tinha que ser escravos
Para satisfazer interesses de senhores
Que se consideravam os bravos?

Por que mesmo em nossos dias
Onde nos encontramos tão civilizados
O racismo e preconceito insiste em existir
Mesmo que de modos velados.

Por que insistem em afirmar
Que a coisa tá preta no ruim momento?
E definem uma cor para as coisas más
Fixando isso no pensamento.

Consciência negra é para reflexão
Dos nossos atos e ideologia
Somos todos iguais nesta vida
E devemos viver em harmonia.

Ser Negro é ser humano
Com um carinho profundo
Tem uma vida em nada diferente
Das outras raças do mundo.

Poema: Odair

sábado, 13 de novembro de 2010

13.505 dias de vida


Se acreditasse em numerologia ia dizer que eu, neste momento, ou seria muito sortudo ou muito azarento. Hoje completo 13.505 dias de vida. Estou fazendo 37 anos, logo eu que nasci em 1973, isto é, 37 ao contrário. Hoje é 13 de novembro de 2010. Pois bem, como não acredito em numerologia tudo isso é só mera especulação.
O que importa mesmo é que completo meus 37 anos realizando um sonho. A publicação do meu livro. Agradeço a Deus pelo talento, pela paciência e, principalmente, pela perseverança em acreditar que isso seria possível.
O Sorriso e a Lágima é o meu maior presente desse dia.

Texto: Odair

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Farrapos Humanos



Olhos vermelhos e inchados
Veias perfuradas pelas agulhas
Sonhos desfeitos na madrugada
Vidas que choram de dor
E causam lágrimas de outras pessoas.

Mais uma casa arrombada
Para satisfazer a ânsia de um larápio
Objetos levados por mãos sorrateiras
Vidas que roubam objetos
Mas, roubam à paz de outras pessoas.

Olhos de crianças a mendigar
Além do pão, um carinho,
De um pai dominado pelo álcool
Vidas que sofrem a ausência
De outras vidas que as deveriam amar.

Mostram pernas e peitos nas avenidas
Acenam e dialogam com os transeuntes
Na esperança de fazerem o sexo ali mesmo
Vidas que sonham com o amor verdadeiro
E que destroem relacionamentos.

Não pestanejam em puxar o gatilho
Ceifam a existência que o Criador ofereceu
Por motivos banais e financeiros
Vidas que não pensam no próximo
E que assolam famílias inteiras.

Passam o dia todo bebendo
Fazem festa por qualquer coisa
E a noite dá continuidade às estripulias
Vidas que não pensam no futuro
E deixam outras vidas dependentes.

Farrapos humanos
Esses personagens descritos
Vidas que vegetam na sociedade
Não sabem o que é sentimento
Passam pela vida, não vivem...

Poema: Odair