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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

CEAF 40 anos de uma história que educa e transforma

    No limiar de seus 40 anos, a escola CEAF olha para sua própria trajetória e encontra muito mais do que uma sucessão de datas, turmas, projetos e conquistas. Encontra uma história construída por pessoas. Quatro décadas representam, sobretudo, quatro décadas de sonhos, de trabalho, de desafios enfrentados, de vidas transformadas e de uma convicção que permanece viva: educar é uma das formas mais nobres de contribuir para a construção de uma sociedade melhor. 
 
    Em Cáceres, Mato Grosso, o Centro Educacional Anália Franco, CEAF, consolidou-se ao longo dos anos como uma instituição que ultrapassa os limites físicos de seus muros. Uma escola não é apenas o lugar onde se ensinam conteúdos, aplicam-se avaliações e cumprem-se calendários. É um espaço onde crianças e jovens aprendem a olhar o mundo, descobrem possibilidades, constroem amizades, enfrentam dificuldades, desenvolvem talentos e, pouco a pouco, começam a compreender quem são e quem desejam ser. Nesse sentido, a história do CEAF também é parte da história de inúmeras famílias e da própria sociedade cacerense. 
 
    Por trás dessa trajetória existe uma mulher cuja visão e dedicação foram fundamentais para que esse projeto educacional se tornasse realidade: Dona Rosa, fundadora e mantenedora da instituição. Sua história confunde-se, em muitos aspectos, com a própria história do CEAF. Mais do que criar e manter uma escola, ela alimentou uma concepção de educação baseada na valorização da pessoa humana, na responsabilidade, no trabalho e na busca permanente pela excelência. 
 
    A inspiração de Dona Rosa revela uma compreensão profunda de que educar não significa apenas transmitir conhecimentos. Significa acreditar nas pessoas. Significa compreender que cada aluno carrega consigo uma história, uma personalidade, uma capacidade e um conjunto de sonhos que precisam ser respeitados e desenvolvidos. Uma escola verdadeiramente comprometida com a educação precisa enxergar o estudante para além de suas notas, reconhecendo nele uma pessoa em processo de formação. 
 
    Essa visão exige coragem e perseverança. Manter uma instituição educacional durante quatro décadas significa atravessar mudanças sociais, econômicas, culturais e tecnológicas. Significa acompanhar diferentes gerações e compreender que a educação precisa preservar seus valores fundamentais sem deixar de dialogar com as transformações do mundo. O CEAF soube caminhar nesse equilíbrio: preservar uma identidade construída ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, buscar novos caminhos para responder às necessidades de seus alunos. 
 

    A excelência de uma escola, entretanto, não nasce de um único momento de sucesso. Ela é resultado de uma construção cotidiana. Está presente na sala de aula, na preparação de uma atividade, na atenção dedicada a um estudante, na conversa com uma família, no planejamento de um professor, no trabalho administrativo, na organização dos espaços e em todas aquelas tarefas que muitas vezes não aparecem aos olhos de quem observa apenas o resultado final. 
 
    Por isso, quando se fala nos 40 anos do CEAF, é necessário reconhecer a contribuição de todos aqueles que fizeram e fazem parte dessa caminhada. Professores, gestores, coordenadores, funcionários, famílias e, principalmente, os alunos constituem os diferentes capítulos dessa história. Cada pessoa que passou pela escola deixou alguma marca; e, de alguma maneira, também levou consigo algo daquilo que encontrou dentro dela. 
 
    Os resultados alcançados pelo CEAF nos últimos anos representam uma expressão concreta dessa trajetória. O reconhecimento da qualidade do trabalho desenvolvido pela escola não surgiu por acaso. É consequência de uma cultura institucional que valoriza o conhecimento, a formação integral, a disciplina, o compromisso e a busca constante por melhores resultados. As conquistas recentes, sejam elas acadêmicas, pedagógicas ou relacionadas ao desenvolvimento pessoal dos estudantes, devem ser compreendidas como frutos de uma árvore cujas raízes foram plantadas há quatro décadas. 
 
    Há, portanto, uma relação profunda entre tradição e excelência. Uma escola que chega aos 40 anos não pode viver apenas das glórias do passado. Sua tradição só permanece significativa quando se transforma em inspiração para o presente e em responsabilidade diante do futuro. O verdadeiro legado de uma instituição não está somente naquilo que ela realizou, mas também naquilo que continua sendo capaz de realizar. 
 
    E, dessa forma, uma das maiores conquistas de uma escola é aquilo que não pode ser medido por números. São os alunos que aprenderam a acreditar em si mesmos. São aqueles que descobriram uma profissão, uma vocação ou uma paixão pelo conhecimento. São os que venceram dificuldades pessoais e acadêmicas. São os que, anos depois, retornam à escola e reconhecem naquele lugar uma parte importante de sua formação. São também os professores e funcionários que cresceram profissionalmente, aperfeiçoaram seus conhecimentos e encontraram na instituição um espaço para desenvolver seu trabalho e sua própria humanidade. 
 

    A educação possui essa característica singular: seus resultados frequentemente ultrapassam o tempo. Uma aula pode durar cinquenta minutos, mas uma ideia pode acompanhar um aluno por toda a vida. Uma palavra de incentivo pode permanecer na memória durante décadas. Um professor pode ensinar determinado conteúdo em um ano e, sem perceber, participar da formação de uma pessoa que levará aquele aprendizado para diferentes lugares e circunstâncias. 
 
    É justamente por isso que a história do CEAF não deve ser contada apenas como a história de uma escola, mas como a história de uma comunidade educativa. Uma comunidade formada por diferentes gerações e unida pela compreensão de que o conhecimento é instrumento de transformação. 
 
    Como professor de História e Filosofia, sinto uma satisfação especial por poder contribuir, ainda que modestamente, para essa história. Ensinar História é trabalhar com a memória, compreender o passado e ajudar o estudante a perceber que o presente não surgiu do nada. Ensinar Filosofia, por sua vez, é estimular a pergunta, o pensamento crítico, a reflexão e a capacidade de buscar sentido para aquilo que vivemos. Em ambas as disciplinas existe algo profundamente relacionado à missão de uma escola: formar seres humanos capazes de compreender o mundo e, sobretudo, de pensar sobre o mundo. 
 
    Estar em uma sala de aula do CEAF significa, para mim, participar de uma história que começou muito antes da minha chegada e que continuará muito depois de minha passagem. Essa consciência produz humildade, mas também responsabilidade. Cada aula ministrada é uma pequena contribuição para um projeto muito maior do que qualquer professor individualmente. 
 
    Há algo de profundamente bonito em perceber que, enquanto ensinamos sobre os homens e mulheres que fizeram a História, também estamos, de alguma maneira, participando da História. Enquanto discutimos Platão, Aristóteles, Sócrates, Santo Agostinho, Descartes, Kant ou tantos outros pensadores, estamos tentando formar jovens que sejam capazes de pensar criticamente sobre o próprio tempo. Enquanto estudamos guerras, revoluções, impérios e sociedades do passado, buscamos compreender os desafios do presente e preparar nossos estudantes para o futuro. Essa é uma das grandes responsabilidades de uma instituição como o CEAF: não formar apenas bons alunos, mas pessoas melhores e cidadãos preparados para uma sociedade em permanente transformação. 
 

    Quarenta anos, portanto, não representam um ponto de chegada. Representam um marco. É o momento de olhar para trás com gratidão, reconhecer aqueles que ajudaram a construir essa trajetória e, ao mesmo tempo, olhar para frente com esperança. O futuro exigirá novas respostas, novas tecnologias, novos métodos e novas competências. Mas algumas coisas continuarão sendo essenciais: o respeito pelo ser humano, a dedicação ao conhecimento, a valorização dos professores, o compromisso com as famílias e a convicção de que a educação continua sendo uma das forças mais poderosas de transformação social. 
 
    A história do CEAF é, nesse sentido, uma história de permanência e renovação. Permanência dos valores que sustentaram sua criação; renovação necessária para acompanhar cada nova geração. E quando se contempla essa trajetória, torna-se impossível não reconhecer a importância de Dona Rosa e de todos aqueles que acreditaram que valia a pena construir uma instituição dedicada à educação. Seu exemplo demonstra que grandes projetos educacionais não nascem apenas de estruturas, investimentos ou planejamentos. Nascem, antes de tudo, de uma visão. Uma visão acompanhada de trabalho, coragem, perseverança e amor pelas pessoas. 
 
    Hoje, ao celebrar quatro décadas, o CEAF pode olhar para sua caminhada e reconhecer uma história marcada por desafios, conquistas e, sobretudo, pessoas. Pessoas que ensinaram, aprenderam, administraram, cuidaram, sonharam e ajudaram a fazer da escola aquilo que ela é. Para aqueles que fazem parte dessa comunidade, celebrar os 40 anos é também assumir um compromisso com os próximos 40. Que o futuro encontre no CEAF a mesma disposição para educar, a mesma coragem para inovar e a mesma sensibilidade para compreender que, por trás de cada estudante, existe uma pessoa cujo potencial merece ser descoberto e desenvolvido. 
 
Prof. Odair José e Dona Rosa
 
    Quanto a mim, como professor de História e Filosofia, resta-me a gratidão. Gratidão pela oportunidade de estar entre aqueles que continuam escrevendo essa história. Sei que minha contribuição é apenas uma página em um livro muito maior. Mas talvez seja justamente essa a beleza da educação: ninguém escreve sozinho. 
 
    Dona Rosa plantou uma semente há quatro décadas. Muitos professores, funcionários, alunos e famílias ajudaram a cultivá-la. Hoje, o CEAF é uma árvore que oferece frutos a muitas gerações. E aqueles que chegam para ensinar, aprender e trabalhar sob sua sombra recebem também a responsabilidade de cuidar dela para que continue crescendo. Quarenta anos depois, a história continua. E essa é a maior celebração possível. Saber que aquilo que começou como um sonho de uma educadora tornou-se parte da vida de tantas pessoas e continua tendo forças para inspirar o futuro de outras tantas. CEAF: quarenta anos educando pessoas, formando histórias e construindo futuros. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense
 

domingo, 23 de agosto de 2026

História para os dias atuais

    Estudar História é muito mais do que decorar datas, nomes de governantes, batalhas ou acontecimentos que ficaram registrados nos livros. A História é um exercício permanente de compreensão do ser humano. Ela nos ajuda a perceber como sociedades foram construídas, como ideias surgiram, como conflitos se desenvolveram e como escolhas feitas no passado continuam produzindo consequências no presente. Em um mundo marcado pela velocidade das informações, pelas transformações tecnológicas, pelas disputas políticas e pela circulação de versões contraditórias sobre os acontecimentos, estudar História tornou-se ainda mais necessário. 
 
    A sociedade contemporânea vive uma espécie de paradoxo. Nunca tivemos acesso a tanta informação e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão fácil produzir, compartilhar e acreditar em informações falsas ou descontextualizadas. Nas redes sociais, acontecimentos históricos podem ser reduzidos a frases, imagens ou vídeos de poucos segundos, muitas vezes apresentados sem contexto e utilizados para defender interesses políticos, ideológicos ou comerciais. Nesse cenário, o conhecimento histórico oferece ao indivíduo uma ferramenta fundamental: a capacidade de contextualizar. 
 
    Conhecer o passado significa compreender que nenhum acontecimento surge do nada. Revoluções, guerras, crises econômicas, desigualdades sociais, preconceitos, movimentos políticos e transformações culturais possuem antecedentes. Quando ignoramos esses processos, tendemos a interpretar o presente de maneira superficial. A História, ao contrário, ensina-nos a procurar causas, consequências, permanências e mudanças. 
 
    Essa perspectiva é essencial para a formação da cidadania. Uma sociedade democrática necessita de cidadãos capazes de compreender as instituições, reconhecer conflitos de interesses e avaliar criticamente os discursos que recebem. O conhecimento histórico permite perceber que direitos hoje considerados fundamentais foram, em muitos momentos, negados a parcelas inteiras da população. A liberdade, a igualdade perante a lei, os direitos trabalhistas, a participação política e diversos outros direitos não surgiram espontaneamente; foram resultado de lutas, conflitos, reivindicações e transformações sociais. 
 
    Por isso, estudar História também significa compreender o valor das conquistas sociais. Quando uma geração desconhece o caminho percorrido para alcançar determinado direito, pode considerá-lo natural, permanente e indestrutível. Entretanto, a experiência histórica demonstra justamente o contrário: instituições podem ser transformadas, democracias podem sofrer rupturas e direitos podem ser ameaçados. Conhecer o passado não significa viver preso a ele, mas compreender que o presente é uma construção histórica e que o futuro dependerá das escolhas realizadas no presente. 
 

    A História também possui uma importante função diante dos extremismos e das intolerâncias. O conhecimento histórico mostra as consequências de ideologias que transformaram determinados grupos em inimigos, inferiores ou indesejáveis. O estudo de experiências como o nazismo, o fascismo, o colonialismo, os regimes autoritários, as guerras e os genocídios não deve servir apenas para preencher programas escolares. Esses acontecimentos precisam ser compreendidos como advertências históricas. 
 
    Há uma dimensão ética nesse aprendizado. Quando estudamos os sofrimentos provocados pela intolerância, pela violência e pela desumanização do outro, somos convidados a refletir sobre nossas próprias atitudes. A História nos apresenta exemplos de grandeza e de barbárie, de solidariedade e de crueldade, de resistência e de submissão. Ela não transforma automaticamente o ser humano em alguém melhor, mas oferece elementos para que ele possa pensar sobre suas escolhas. 
 
    Nesse sentido, a História funciona também como uma espécie de espelho. Ao olhar para outras épocas, encontramos comportamentos que continuam presentes em nossa sociedade. O preconceito, a concentração de poder, a exploração econômica, a manipulação política, a intolerância religiosa e a desigualdade não pertencem exclusivamente ao passado. Suas formas podem mudar, mas determinados problemas permanecem. Estudar História permite identificar essas permanências e compreender suas raízes. 
 
    Entretanto, é necessário evitar uma interpretação simplista segundo a qual a História simplesmente “se repete”. O passado nunca retorna exatamente da mesma maneira. Cada sociedade possui circunstâncias próprias. O que a História oferece não é um manual capaz de prever exatamente o futuro, mas uma consciência das possibilidades humanas. Ela mostra que determinadas escolhas já produziram determinadas consequências e, por isso, pode contribuir para que novas gerações tomem decisões mais conscientes. 
 
    Outro aspecto fundamental é a construção da identidade. Pessoas e comunidades precisam conhecer suas histórias para compreender quem são. Isso é particularmente importante em países como o Brasil, cuja formação foi marcada pelo encontro, muitas vezes violento, entre povos indígenas, europeus, africanos e posteriormente diferentes grupos de imigrantes. Conhecer essa trajetória significa compreender as raízes culturais, as contradições e as desigualdades que constituem a sociedade brasileira. 
 
    Nesse processo, também é necessário reconhecer que a História não é formada apenas pelos grandes personagens. Durante muito tempo, os relatos históricos privilegiaram governantes, militares, elites econômicas e grandes acontecimentos políticos. Atualmente, a historiografia ampliou seu olhar para trabalhadores, mulheres, povos indígenas, populações negras, camponeses, crianças, comunidades locais e tantos outros sujeitos anteriormente invisibilizados. Essa ampliação demonstra que a História pertence a todos. 
 

    Estudar História local, portanto, possui grande importância. Conhecer a história de uma cidade, de um bairro, de uma comunidade ou de uma família permite perceber que o passado não está distante. Ele está presente nas ruas, nas praças, nas construções antigas, nos monumentos, nas tradições, nas festas populares e nas memórias das pessoas. Uma cidade como Cáceres, por exemplo, possui em seus espaços urbanos e em sua relação com o rio Paraguai testemunhos de diferentes épocas e processos históricos. Preservar essas memórias é também preservar parte da identidade coletiva. 
 
    A História também dialoga profundamente com a educação. O ensino histórico não deveria limitar-se à transmissão de informações. Seu objetivo mais amplo é desenvolver a capacidade de pensar historicamente. Isso significa aprender a formular perguntas, analisar documentos, confrontar versões, identificar interesses, distinguir fatos de interpretações e reconhecer que determinadas narrativas podem ter sido construídas a partir de perspectivas específicas. 
 
    Essa competência é especialmente importante na era digital. Um estudante pode receber diariamente dezenas de informações sobre política, economia, guerras, religião ou sociedade. Sem instrumentos de análise, pode facilmente confundir opinião com fato, propaganda com informação e interpretação com evidência. O conhecimento histórico não elimina a possibilidade do erro, mas desenvolve uma postura intelectual mais cuidadosa diante daquilo que é apresentado como verdade. 
 
    Nesse sentido, estudar História é também aprender a desconfiar, não de tudo, mas das certezas fáceis. O historiador trabalha com fontes, evidências, comparação e contextualização. Ele sabe que uma fotografia pode esconder tanto quanto revelar, que um documento pode apresentar apenas a perspectiva de quem o produziu e que uma memória pessoal, embora valiosa, não necessariamente representa toda a realidade de um período. 
 
    Essa postura crítica é uma das maiores contribuições da História para o presente. Em uma época dominada por opiniões rápidas e julgamentos instantâneos, ela nos convida à paciência intelectual. Antes de perguntar “quem está certo?”, podemos perguntar: “O que aconteceu? Em que contexto? Quem produziu essa informação? Quais interesses estavam envolvidos? O que as fontes permitem afirmar? O que ainda não sabemos?” 
 
    Portanto, a História não deve ser vista como um conhecimento voltado exclusivamente para o passado. Ela é uma ferramenta para interpretar o presente. As crises contemporâneas, os conflitos internacionais, as desigualdades, as transformações econômicas, os debates sobre identidade e os desafios da democracia possuem dimensões históricas que não podem ser ignoradas. No fundo, estudar História é compreender que somos herdeiros de escolhas que não fizemos, mas também responsáveis pelas escolhas que fazemos. Recebemos um mundo construído por gerações anteriores e, por meio de nossas ações, deixaremos um mundo para as gerações seguintes. 
 

    A História nos lembra, portanto, que o presente não é inevitável. Aquilo que existe poderia ter sido diferente e aquilo que existe hoje também poderá ser transformado. Essa consciência é profundamente libertadora, porque impede que aceitemos a realidade como algo imutável. Mais do que lembrar o passado, estudar História é aprender a conversar com ele. É ouvir as vozes daqueles que vieram antes, compreender seus erros e conquistas, reconhecer as estruturas que ainda permanecem e imaginar novas possibilidades para o futuro. 
 
    Em tempos de excesso de informação, a História oferece contexto. Em tempos de polarização, oferece perspectiva. Em tempos de intolerância, oferece memória. Em tempos de incerteza, oferece experiência. E, diante das tentações de manipular o passado para justificar o presente, oferece uma das ferramentas mais preciosas da cidadania: o pensamento crítico. Por isso, ensinar e estudar História continuam sendo tarefas indispensáveis. Uma sociedade que conhece seu passado não está condenada a repetir seus erros, mas possui melhores condições para reconhecê-los quando eles começam a reaparecer. Afinal, como escreveu o filósofo George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. 
 
    A História, contudo, pode oferecer algo ainda maior do que evitar repetições: pode nos ajudar a compreender a complexidade da experiência humana. E, certamente, essa é sua maior importância para os dias atuais. Conhecer o passado é, em última instância, uma maneira de compreender melhor o presente, questionar o mundo que recebemos e participar conscientemente da construção do mundo que deixaremos. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 19 de agosto de 2023

O Vapor Etruria em Cáceres

    "Observamos neste momento que o controle da Intendência que chegava no porto de Cáceres no qual se enuncia, “Manifesto do “Vapor Etrúria” entrado neste porto à 30 de novembro de 1932 procedente de Corumbá”, vimos que o documento de controle apresenta mercadorias industrializadas como 20 sacos de trigo, 1 caixa de brinquedo, 1 caixa de manteiga, 1 saco de café, 1 saco de batata, caixas de cebola, fardos de tecidos, entre outros. Assim, a lista que compõe as mercadorias reescreve por enumeração o manifesto de 1932 e significa os sentidos da constituição da economia da cidade, pois, com esses exemplares de objetos e alimentos que entravam na cidade, podemos afirmar que a cidade exporta matéria prima e os produtos industrializados precisavam ser importados para a freguesia local. No que diz respeito ao progresso da jovem cidade, uma das aquisições ilustres do local eram suas embarcações que dava à Cáceres um lugar importante na economia regional. Assim, o vapor Etrúria compunha esse conjunto de embarcações que dava ao município algumas características luxuosas que rememorava, de acordo com alguns dizeres da época, o conforto de embarcações europeias." 

(SILVA, Giseli Veronêz da. O Processo de designação da expressão “Patrimônio” em documentos constitucionais. Cáceres/MT: UNEMAT, 2016. Dissertação de Mestrado. VELOZO, Solange Moreira dos Santos. A Designação de (C)Sertão: Espaços Desconhecidos no Brasil Colônia. Cáceres/MT: UNEMAT, 2019.) 

    Sobre a chegada do Vapor Etruria em Cáceres quero destacar alguns pontos que entendo ser importante para compreensão da história da nossa cidade. Sem dúvidas que a chegada do Vapor Etrúria é um episódio notável. A cidade, localizada às margens do Rio Paraguai, já era uma importante rota fluvial desde o período colonial. A chegada do vapor, no final do século XIX, simbolizou a modernização e a abertura para novas oportunidades comerciais e de comunicação. Esse importante acontecimento em Cáceres demonstra a busca pelo desenvolvimento e a abertura do Brasil para a integração com o mercado internacional. 

    Aqui estão alguns pontos sobre a chegada do Vapor Etrúria em Cáceres: 

    Contexto Histórico: 
    No final do século XIX, o Brasil passava por intensas mudanças, especialmente após a Proclamação da República em 1889. Havia um desejo de modernizar o país, melhorar as vias de comunicação e fomentar o comércio. 

    Importância do Rio Paraguai: 
    Este rio foi uma das principais rotas fluviais que conectou o Brasil ao Oceano Atlântico, tornando-se um canal essencial para o comércio. Cáceres, por sua vez, estava estrategicamente localizada, sendo um ponto vital para essa rota. 

    Chegada do Vapor: 
    A chegada do Vapor Etrúria em Cáceres não foi apenas uma conquista tecnológica, mas também representou uma vitória simbólica para a cidade. Significava que Cáceres estava se integrando mais plenamente às redes de comércio e transporte modernas da época. 

    Repercussão: 
    O evento foi celebrado pelos cidadãos locais e percebido como um marco para o desenvolvimento da região. Havia a esperança de que, com a chegada de vapores como o Etrúria, Cáceres poderia se transformar em um importante polo comercial e logístico. 

    Desdobramentos: 
    A chegada do vapor incentivou a melhoria das infraestruturas locais, promoveu o comércio e facilitou o transporte de bens e pessoas. Este desenvolvimento também trouxe desafios, como a necessidade de regulamentação e gestão dos rios e do tráfego fluvial. 

    Por fim, a chegada do Vapor Etrúria em Cáceres é um lembrete da importância da integração, da modernização e da visão de futuro para o desenvolvimento regional e nacional. É um exemplo da capacidade brasileira de se adaptar e abraçar novas oportunidades ao longo da história. 

Texto: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Lenda do Minhocão de Cáceres

    Em Cáceres-MT circula a lenda do minhocão. O minhocão é a historia da cobra gigante da cidade. Foi então que resolvemos pesquisar para saber mais desta história interessante. Veja o que descobrimos: 
 
    Reza a lenda que o minhocão é uma cobra gigante capaz de sugar em poucos minutos o sangue de uma pessoa. Há alguns anos começaram a desaparecer da região próxima a uma usina de açúcar e álcool. Galinhas, porcos, bezerros e cachorros eram encontrados muito tempo depois, totalmente estraçalhados. Foi então que os moradores descobriram que por ali circulava uma serpente gigante. 
 
    Os boatos e o medo tomavam conta. O dono da usina já não sabia mais o que fazer e chamou um padre para orientá-lo. Toda a região foi benzida.A serpente respingada por um pouco daquela água benta, mergulhou no rio Paraguai e fugiu, até um esconderijo enfrente ao local no qual uma igreja estava sendo construída. Porem, não pode ficar muito tempo lá já que muitas mulheres vinham até o rio para lavar suas roupas ou tomar banho. Diante disso a serpente foi rastejando embaixo da terra e se acomodou justamente na área em que a igreja seria construída. 
 
    Quando a obra ficou pronta, houve uma missa em comemoração. Ao perceber os passos e vozes em cima dela. A cobra se mexeu e tremeu tanto que a obra começou a desabar. Primeiro foi o teto que caiu ferindo fiéis e depois as paredes. Algumas pessoas pensaram até que era um terremoto! Sem saber o que fazer, o povoado começou a rezar. Nossa Senhora ficou com pena dos pobres fieis e decidiu ajudá-los. Mesmo que eles conseguissem construir a igreja de novo, a santa sabia que o problema não estaria resolvido, já que a serpente poderia voltar a se mexer a qualquer momento e todos estariam em risco. 
 
    Resolveu, então, amarrar a enorme cobra. Pegou três fios do seu próprio cabelo e deu um nó em cada parte da cobra, que já não podia mais se mexer. Só depois de dezesseis anos que a catedral pode ser reconstruída e até hoje o povo de Cáceres acredita que a cobra ainda esta lá embaixo, mas que não há perigo, pois ela esta presa pelo fio de cabelo de ouro de nossa senhora. 
 
OUTRA VERSÃO 
 
    Outra versão também aceita desta historia é a seguinte: Conta a lenda, que o minhocão vivia no Rio Paraguai e os pescadores assustados pediram a proteção pediram para a Santa que os ajudassem nas pescarias. Nossa Senhora, como boa mãe, atendeu a oração e veio prender com seus fios de cabelos o temoroso minhocão. 
 
    Após grande luta com ele, Nossa Senhora então retirou três fios de seus cabelos para prende-lo. Sua cabeça ficou presa embaixo da igreja sob sua vigilância, porém seu corpo passa pela cidade e só sua calda ainda esta sobre o rio mas o minhocão não se contenta, esbraveja e reluta para se soltar. 
 
    Segundo os mais antigos a cada movimento dele acontece algo na cidade: a terra treme, abrem buracos o chão racha, ... E dizem mais: que ele está conseguindo se libertar, 2 fios de cabelo já teriam sido quebrados restando apenas um que ainda o segura. Portanto, cuidado os cacerenses, o minhocão pode se libertar a qualquer momento. 
 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Por que você acredita no que você acredita?

 Filosofia com a Turma do 3º Ano E.M - Escola Q.I 
 
Pirro é o pai de uma filosofia chamada de Ceticismo. A questão central desse filósofo é o que podemos conhecer com certeza? Algumas pessoas estão certas de possuírem uma alma, enquanto outras alimentam dúvidas sobre sua existência. No entanto, praticamente ninguém duvidaria que em inúmeras situações podemos ter certeza. Por exemplo, imagine que você está a poucos metros de um cão que se mostra numa posição de ataque. Ele mostra os dentes e começa a correr em sua direção. Numa situação como essa, você certamente não ficaria parado, calmo, pensando que a existência do cão é incerta, pois pode ser uma ilusão criada pelos seus olhos.   
 
Com base na filosofia de Pirro responda a seguinte pergunta: Por que você acredita no que você acredita? Justifique sua resposta. 
 
"Nós acreditamos nas coisas que de que alguma forma nos levar a crer que é verdade, não tem como ter a absoluta certeza que é verdade, mas mesmo assim pendemos em acreditar para ter aonde escorar." 
Daiane Prina Lamon 
 
"Em primeira análise, temos que acreditar em algo, seja o que for, nós vivemos naquilo que acreditamos. Crescemos já aprendendo a fazer as coisas e somos obrigados a acreditar naquilo que vemos, pois já sofremos para depois acertar, então temos certeza que aquilo dará certo. Na religião não vemos para crer, mas sentimos que devemos, e isso é uma questão de escolha, uns acreditam e outros não, mas prefiro acreditar no que eu acredito, pois assim serei quem eu sou." 
Emilly Guimarães 
 
"Com base na filosofia de Pirro nós não temos certeza de nada. Nós acreditamos no que acreditamos, porque achamos que é o certo, porém, quem garante que é realmente o certo? Tudo que nós temos é o achar. Eu acredito no que acredito, porque essa é a minha verdade e acho o certo. Não tenho certeza, porém, acho que é o certo." 
Karla Cuyati 
 
"Porque tenho fé no que acredito! E já tive provas suficientes do que acredito é real! Existem coisas que eu não acredito, talvez por não ter tido uma experiência real, mas no geral, eu acredito em tudo aquilo que já tive uma comprovação de que é verdade." 
Maria Eduarda Velozo 
 
"Por uma variedade de razões, incluindo influências culturais, religiosas, políticas e pessoais. Algumas pessoas podem ter experimentado eventos ou situações que as levaram a acreditar em certas coisas, enquanto outras podem ter sido influenciadas por amigos, familiares ou mídia. As crenças também podem ser influenciadas por nossa educação e histórico de vida." 
Maria Fernanda Costa 
 
"Porque eu necessito saber das coisas. Eu necessito ter um sentido na vida, por isso acredito no que eu acredito. Se eu estudo, é porque eu quero ter um bom futuro para minha vida pessoal, então eu automaticamente acabo acreditando em muitas outras coisas para concluir e chegar aos meus objetivos. É como se o ser humano fosse predestinado a ser curioso e a querer a saber das coisas." 
Pedro Souza. 
 
Orientador: Prof. Odair José

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O anjo da Ventura!

 

Por Maria Eduarda Velozo 
 
    No ano de 1914, São Luís de Cáceres recebeu uma ilustre visita do Ex-presidente dos Estados Unidos, que se chamava Theodore Roosevelt, onde participava da Expedição Roosevelt-Rondon. Foi cobrando que ele parecia estar encantado com o comércio da cidade, dormiu duas noites onde estava o “Ao Anjo da Ventura”, que era na família do Zé Dulce que também era dona do vapor Etrúria. 
 
    Quando passaram por Cáceres, uma obra de arte chamou atenção, a famosa escultura, de 150 kg de antimônio, que encimava um antigo estabelecimento comercial “Ao Anjo da Ventura”. Infelizmente o estado de conservação era o que chamava a atenção. O arco ostentando uma artística ferragem, ladeada por duas colunas coroadas com luxuosos capitéis. As demais portas eram ornadas com arcos em baixo relevo e vidros totalmente coloridos, fixados na parte superior das portas. 
 
    A escultura batizada pelo nome de “Anjo da Ventura” pelas fontes confiáveis, é dito que, foi trazida para São Luiz de Cáceres no ano de 1890, por José Dulce. Que nasceu em 1847, em Gênova na Itália, aos dezenove anos chegara em Buenos Aires, Argentina, trabalhando inicialmente no comércio, para em seguida iniciar atividade de comerciante ambulante. O evento da Guerra do Paraguai demarcou sua atividade comercial itinerante.Foi totalmente seguido pelas tropas em combate, se fazendo presente nos acampamentos militares. 
 
    Após a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, se observou a presença de imigrantes no controle do capital mercantil no Brasil e na região do Rio da Prata, exercendo forte influência em Mato Grosso. O desenvolvimento capital está ligado ao desenvolvimento da indústria na Europa, que estava envolvido no desenvolvimento dos transportes e à necessidade de novos mercados consumidores e novas fontes de matérias primas. 
 

    O que hoje nós conhecemos como mercado, nesse momento, está se formando. Em 1871 José Dulce e o também italiano Leopoldo Lívio D’Ambrósio fundam a firma comercial José Dulce & Vilanova, se infiltrando na Rua de Baixo, hoje Mal. Deodoro. 
 
    Em 1890, já consolidada, a empresa inaugura a sua casa comercial na confluência da Travessa da Cadeia com a Rua Augusta, que hoje é conhecida como Ruas Comandante Balduíno e Coronel José Dulce, funcionando como uma agência de crédito, na medida em que era preposto do Banco do Brasil. Existem fortes indícios de que tenha sido encomendada a um artista italiano ainda que, por nós, desconhecido. Uma vez em Cáceres, a obra de arte foi colocada no alto da platibanda de balaústre do imponente prédio neoclássico que abriga a casa comercial identificada pelo nome fantasia “Ao Anjo da Ventura”. 
 
    Enquanto motivos, temos nessa escultura uma figura feminina alada, em pé, apoiando o pé esquerdo sobre um globo, com a perna direita levemente flexionada para trás. Em sua mão esquerda, outro objeto esférico tendo como detalhes, estrelas incrustadas. Na mão direita, um cetro ou bastão ornamentado com detalhes cônicos e uma estrela em sua extremidade. Seus cabelos ondulados estão presos, as asas afastadas para trás. Uma túnica drapeada, colada, desenha os contornos do seu corpo que, levantada pelo vento, lhe descobre a perna direita até a altura da coxa o que provoca no observador uma ideia de movimento. 
 
 
Discente: Maria Eduarda Velozo Martins
Disciplina: Criação de Artes (1º Ano E.M)
Docente: Prof. Odair José da Silva 
Instituição: Q.I Centro Educacional

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Uma História de Cáceres

 

    Uma das histórias de Cáceres aconteceu nos anos 70 na Rua dos Coqueiros. Conta-nos os registros que um menino nasceu sob as frondosas folhas de uma mangueira e foi amamentado por uma mãe de leite porque, por algum motivo, a mãe verdadeira não tinha leite para sustentá-lo. Cáceres é uma cidade bicentenária e carrega em si inúmeras histórias que, se contadas e registradas, poderia preencher diversas estantes de livros. 
 

    A Rua dos Coqueiros era cascalhada e cheia de buracos naquela época como ainda é em diversas outras ruas da cidade nos dias atuais. No entanto, era nessa rua que nasceu e, anos depois, se tornou adulto esse plebeu morador que despertou para vida nessa humilde rua. Ao olhar para aquele menino recém-nascido, poucas pessoas, creio eu, acreditaria que algum dia ele fosse ser alguma coisa. As pessoas dessa época viviam uma vida feliz e sem as preocupações que tomam conta da sociedade moderna. Mas, observando retroativamente para esse fato que remonta há quarenta anos, podemos vislumbrar um cidadão cacerense que dedica sua vida em desenvolver ideias e ações que transformem a sociedade. O lema ajudar e não atrapalhar é que perpassa a vida daquele menino que hoje é um homem feito. 
 

    Hoje a Rua dos Coqueiros é asfaltada. Tem uma pracinha na parte do fundo do Estádio Geraldão e outra na parte da frente, inclusive com aparelhos de ginásticas para a população. Ao olhar para as transformações que aconteceram nessa rua podemos constatar que o tempo sempre está em movimento. A sociedade existe antes do nosso nascer e continuara depois de nossa partida, já dizia Charon. 
 

    Isso é uma lição de vida. É possível observar nos meios de comunicação uma critica explicita sobre as deficiências da cidade. Na verdade, não há como negar que a cidade tem, e muitas, deficiências. Mas, não podemos deixar de considerar algumas questões que são cruciais para entendermos uma cidade como Cáceres. 
 

    Primeiro a questão do tempo. Cáceres foi gerada em uma época onde não se preocupava em fazer um planejamento de cidade. Foi estabelecida como uma vila que serviria para estabelecer uma alternativa para as distantes cidades de Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade no longínquo Mato Grosso. O Rio Paraguai serviria como meio de navegação e encurtaria as distancias até Corumbá e outras vilas da região do Prata. Eis um contexto que muitos se esquecem (ou até mesmo desconhecem) quando preferem falar mal da cidade. Nessa época, as vilas nasciam nas margens dos rios e a preocupação básica desses primeiros habitantes eram construir uma praça e uma igreja. Não se pensava em saneamento, estrutura e coisas do planejamento atual. Logicamente que, sendo dessa forma a cidade cresceu e hoje tem as dificuldades que todos conhecemos. 
 

    Outra questão fundamental para tentarmos entender esse processo diz respeito aos administradores que passaram pelo governo da cidade. Desde os primeiros, podemos observar que a preocupação é com o imediatismo. Isto é, preciso resolver as questões emergenciais. Ao fazer isso, jogam-se os maiores problemas para serem resolvidos futuramente. Acontece que ninguém está disposto a resolver problemas que não resultam em votos. Nesse sentido, passa ano e entra ano, passa governante e entra governante e a situação vai sendo empurrada com a barriga. Depois de mais de duzentos anos a cidade já não comporta mais tanta incompetência administrativa. Mas, a culpa é só dos governantes? Quando eles eram indicados até que poderíamos culpá-los pelo descaso com a coisa pública. Mas, e hoje? 
 

    Podemos inferir diversos problemas que assolam a cidade. Falta de apoio político, descaso administrativo, abandono público, enfim. Mas, de uma coisa não podemos esquecer. Cáceres tem história. Uma história bonita. Não se deve, nem de longe, comparar as cidades recentes de Mato Grosso que crescem com planejamento e estrutura e que apresenta um Mato Grosso em ascensão com a princesinha do Rio Paraguai. As outras têm desenvolvimento, tem crescimento, tem planejamento. No entanto, Cáceres tem história. A forma em que se conta essa história é o que importa. 
 

    Mas alguém pode questionar: não se vive só de história. De fato. No entanto, pode-se muito bem aproveitar esse fator histórico e transformar a cidade. Onde está à valorização daqueles que valoriza a cidade? Sanguessugas e parasitas vivem a custa do sangue cacerense e são bem tratados enquanto os verdadeiros filhos da terra são deixados de lado. 
 

    As imagens recentes de um belo pôr do sol às margens do Rio Paraguai caudaloso corre o mundo. São imagens que remonta as maiores obras primas da natureza e revela uma fascinante beleza que perpassa mais de duzentos anos. É preciso saber reconhecer que a cidade tem o seu encanto. Precisamos bater no peito e nos orgulharmos do lugar onde nascemos e vivemos. Além disso, é necessário cobrarmos das autoridades um cuidado maior do nosso patrimônio. E, muito mais do que isso, sabermos escolhermos os nossos futuros administradores e legisladores. Qual o valor que uma pessoa de fora vai dar à história de Cáceres? Pense nisso na hora de exercer o seu próximo voto. 
 
Texto: Odair José, Poeta Cacerense 
Fotos: Pedro Miguel, Joe Bengala e Acir Montecchi