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terça-feira, 2 de junho de 2026

O Sétimo Selo - Uma análise reflexiva

    Mais uma turma do Ensino Médio, agora a Turma do 1º Ano, assiste o filme O Sétimo Selo (1957) no contexto dos estudos sobre a Idade Média para fazerem uma análise do filme e refletir sobre as questões existenciais proposto pela película. 
 
    O filme é uma das obras mais emblemáticas da história do cinema. Dirigido por Ingmar Bergman, o filme transcende os limites de uma narrativa medieval para se tornar uma profunda investigação filosófica sobre a existência humana, a morte, a fé e o silêncio de Deus. Cada vez que assisto o filme eu aprendo coisas novas com ele. Simplesmente amo o diálogo nesse filme.
 
    A história acompanha o cavaleiro Antonius Block, que retorna das Cruzadas para uma Europa devastada pela peste negra. Ao encontrar a Morte, personificada como uma figura serena e inevitável, desafia-a para uma partida de xadrez. Esse jogo, que se tornou uma das imagens mais icônicas da cultura ocidental, representa muito mais do que uma tentativa de prolongar a vida: simboliza a busca humana por sentido diante da inevitabilidade da morte. 
 

    O grande tema do filme é a angústia existencial. Antonius Block não teme apenas morrer; teme morrer sem encontrar respostas. Sua crise é espiritual e intelectual. Ele deseja provas da existência de Deus, deseja uma certeza capaz de justificar os sofrimentos do mundo. Entretanto, encontra apenas silêncio. Bergman transforma essa ausência de respostas em uma das questões centrais da condição humana: como viver quando não possuímos certezas absolutas? 
 
    Nesse aspecto, o filme dialoga profundamente com o pensamento existencialista. Tal como em autores como Albert Camus e Jean-Paul Sartre, o ser humano é apresentado como alguém lançado em um universo que não oferece explicações definitivas. A diferença é que Bergman não abandona completamente a dimensão espiritual. Sua obra permanece suspensa entre a fé e a dúvida, entre a esperança e o vazio. 
 
    A peste negra, que assola o cenário do filme, funciona como uma metáfora da fragilidade humana. Diante da proximidade da morte, as pessoas reagem de maneiras distintas: alguns se entregam ao fanatismo religioso, outros ao prazer, outros ao desespero. Bergman sugere que as crises coletivas revelam aquilo que realmente somos. Quando as estruturas sociais desmoronam, resta apenas a verdade íntima de cada indivíduo. 
 

    Um dos aspectos mais belos do filme está no contraste entre Antonius Block e a família de artistas itinerantes formada por Jof, Mia e seu filho. Enquanto o cavaleiro procura respostas metafísicas grandiosas, eles encontram significado nas pequenas alegrias da existência: uma refeição simples, o amor familiar, a contemplação da natureza. Bergman parece sugerir que o sentido da vida talvez não esteja nas grandes revelações, mas nos momentos ordinários de beleza e afeto. 
 
    A famosa cena em que Antonius compartilha morangos e leite com essa família constitui um dos raros instantes de paz do filme. Ali, por alguns momentos, desaparecem as questões sobre Deus, a morte e a eternidade. Resta apenas a experiência humana em sua forma mais simples. É como se Bergman dissesse que, embora não possamos controlar o destino final, podemos escolher a maneira como habitamos o caminho. 
 
    A imagem final da "dança da morte" é uma síntese poderosa da mensagem do filme. Reis, cavaleiros, camponeses e artistas caminham juntos rumo ao desconhecido. A morte não distingue posição social, riqueza ou conhecimento. Todos participam da mesma condição humana. No entanto, essa conclusão não é puramente pessimista. Pelo contrário, ao reconhecer a finitude, o filme convida à autenticidade. Saber que somos mortais torna cada gesto mais significativo. 
 

    Dessa forma, O Sétimo Selo permanece atual porque aborda questões universais: Quem somos? Existe um propósito para nossa existência? Como enfrentar a morte? Bergman não oferece respostas prontas. Sua grandeza consiste justamente em transformar a dúvida em reflexão. O filme nos lembra que talvez a maturidade humana não esteja em encontrar todas as respostas, mas em aprender a conviver com os mistérios que acompanham nossa passagem pelo mundo. 
 
    Em última análise, O Sétimo Selo é uma meditação sobre a finitude. Não ensina como vencer a morte, mas como viver apesar dela. E talvez seja justamente nessa tensão entre o silêncio do universo e a persistência da esperança humana que reside sua força filosófica e artística. 
 
Análise: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 30 de março de 2026

Falando sobre cinema

    Três garotos brincam inocentemente na rua quando são abordados por um carro. Dois homens já de idades e aparentando ser policiais abordam os garotos e os intimidam. Os dois mais espertos conseguem se livrar dos homens enquanto que o mais tímido é colocado dentro do carro e levado para um porão no meio do mato onde é violentado. A vida deles nunca mais será a mesma. 
 
    Um homem que trabalha com dinheiro de investidores ouve escondido no banheiro, sobre uma possível barbada numa corrida de cavalos. Com o dinheiro do investidor ele vai até o local e aposta uma grana alta no cavalo que sai na frente da corrida mais sofre uma queda na reta final frustrando o apostador. Acontece que o investidor agora quer receber o dinheiro. Fazer o que pra pagar uma divida dessas? 
 
    A mulher vive um momento de dificuldade na vida amorosa e o casamento passa por uma fase de frieza constante. Ao sair num dia chuvoso de casa ela se depara com um homem que a ajuda a pegar os papéis que voaram de suas mãos durante o vendaval. Ao se levantar o seu olhar cruza com o do jovem a sua frente e ali surge um lance que a conduz até a cama do rapaz. 
 
    Essas cenas descritas nos parágrafos acima estão, respectivamente, nos filmes Sobre Meninos e Lobos, Ligados pelo Crime e Infidelidade e mostram cotidiano da vida das pessoas que poderiam acontecer com qualquer pessoa. 
 
    O cinema, ou melhor, os filmes produzidos pelo cinema e para a televisão mostram cotidianos que não acontece necessariamente com todo mundo, como afirma Cabrera, mas que poderiam acontecer com qualquer um. Esse ponto faz com que paremos e pensamos na realidade constante da vida das pessoas. 
 
    O cinema nos possibilita uma visualização de acontecimentos que paramos para refletir. Essa função do cinema é que muitas pessoas ainda não se deram conta da sua importância para o aprendizado dos alunos. Nesse sentido, o cinema é universal e por isso, pensa. 
 
    No Projeto que desenvolvo sobre o Cinema na Sala de Aula é esse o ponto crucial para a compreensão dos alunos. A reflexão dos alunos sobre o filme que assistiram deve ser exigida, estimulada e capacitada a ponto deles entender os acontecimentos. A partir desse entendimento passamos a entender a pretensão dos filmes. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense 
 
Referência Bibliográfica: CABRERA, Júlio. O Cinema Pensa. Uma introdução à filosofia através dos filmes. Rocco. São Paulo, SP, 2006.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Babel

    O filme Babel (2006), dirigido por Alejandro González Iñárritu, constrói uma poderosa reflexão filosófica sobre a condição humana na contemporaneidade ao entrelaçar histórias dispersas geograficamente, mas unidas por uma mesma falha estrutural: a impossibilidade de comunicação plena. Inspirado no mito bíblico da Torre de Babel, o longa desloca o problema da diversidade linguística para uma dimensão mais profunda, a incapacidade existencial dos indivíduos de compreenderem uns aos outros, mesmo quando compartilham o mesmo idioma, o mesmo espaço ou até a mesma dor. 
 
    Nesse sentido, o filme revela que a incomunicabilidade não é um acidente, mas uma condição. Os personagens não falham apenas porque não conseguem traduzir palavras, mas porque estão aprisionados em suas próprias experiências, traumas e perspectivas. A jovem japonesa, imersa em um silêncio que ultrapassa a deficiência auditiva, expressa de forma radical a solidão contemporânea: cercada por uma cidade vibrante e hiperconectada, ela não encontra um olhar que a reconheça como sujeito. O casal americano, atravessado por uma tragédia íntima, demonstra que nem mesmo a intimidade garante compreensão. A babá mexicana, por sua vez, encarna a invisibilidade social daqueles que sustentam afetivamente o mundo, mas são excluídos por estruturas políticas e jurídicas que os reduzem a categorias. Assim, o filme ecoa a reflexão de Hannah Arendt sobre a perda de um espaço comum de onde os indivíduos possam aparecer uns aos outros como seres dotados de sentido. 
 
    Além disso, Babel evidencia como o mal-entendido se torna a lógica dominante em um mundo globalizado. Um único disparo acidental desencadeia uma cadeia de interpretações equivocadas que revelam não apenas erros de comunicação, mas estruturas de medo e desconfiança. O outro, sobretudo quando distante cultural ou geograficamente, é rapidamente enquadrado como ameaça. Essa dinâmica se aproxima das análises de Zygmunt Bauman, que descreve a contemporaneidade como marcada por relações frágeis e por uma constante sensação de insegurança. Em vez de promover aproximação, a globalização intensifica a ansiedade diante da diferença, transformando o encontro com o outro em um risco a ser administrado. 
 
    A narrativa da jovem japonesa também permite uma leitura existencialista, especialmente à luz de Jean-Paul Sartre. Sua busca desesperada por contato, muitas vezes mediada pelo corpo e pela sexualidade, revela o desejo fundamental de ser reconhecida pelo olhar do outro. Contudo, esse mesmo olhar a reduz, a objetifica, aprisionando-a em uma identidade que ela não controla. O paradoxo sartreano se manifesta com intensidade: o outro é necessário para que eu exista, mas também é aquele que pode me negar enquanto sujeito. Em uma sociedade saturada de imagens e estímulos, o reconhecimento torna-se superficial, e o indivíduo, mesmo exposto, permanece invisível. 
 
    O filme também se articula como uma crítica às estruturas de poder que organizam a contemporaneidade. Instituições como o Estado, a mídia e os sistemas de controle operam por simplificação, transformando vidas complexas em narrativas utilitárias. O jovem marroquino é rapidamente associado ao terrorismo; a babá é tratada como ilegal; o sofrimento é hierarquizado conforme a posição geopolítica dos sujeitos. Essa leitura encontra ressonância nas ideias de Pierre Bourdieu, para quem o poder simbólico impõe classificações que naturalizam desigualdades e invisibilizam determinadas existências. Em Babel, a dor não é apenas vivida, ela é interpretada, enquadrada e distribuída de forma desigual. 
 
    Dessa forma, o filme oferece uma crítica contundente à contemporaneidade ao expor o paradoxo central do mundo atual: nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão incapazes de nos compreender. As redes de comunicação, longe de eliminar distâncias, muitas vezes amplificam ruídos, aceleram julgamentos e reduzem a complexidade do outro a estereótipos. A empatia cede lugar à pressa interpretativa; o diálogo é substituído por narrativas prontas. 
 
    Ao final, Babel não propõe reconciliação nem solução. Sua força está justamente em revelar a dimensão trágica da existência contemporânea: um mundo em que o encontro com o outro é sempre atravessado por ruídos, medos e desejos não resolvidos. Como na antiga torre, não é a multiplicidade das línguas que nos separa, mas a ilusão de que, em algum momento, realmente partilhamos um mesmo entendimento. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Instinto Selvagem

    Instinto Selvagem é um thriller erótico dirigido por Paul Verhoeven e lançado em 1992. O filme é conhecido por suas cenas de sexo explícito, enredo intrigante e reviravoltas surpreendentes. 

    O enredo gira em torno do detetive de São Francisco, Nick Curran (interpretado por Michael Douglas), que investiga um assassinato brutal. Ele se envolve romanticamente com a principal suspeita, Catherine Tramell (interpretada por Sharon Stone), uma escritora de sucesso com uma história obscura. A trama se desenvolve com uma mistura de suspense, drama e elementos eróticos, enquanto a linha entre investigador e suspeito se torna cada vez mais tênue. 

    O desempenho de Sharon Stone como Catherine Tramell é um dos destaques do filme. Sua atuação é cativante, especialmente nas cenas em que ela manipula os personagens ao seu redor. Michael Douglas também oferece uma atuação sólida como o detetive problemático. A química entre os dois contribui para a tensão sexual do filme. 

    Paul Verhoeven, conhecido por sua abordagem provocativa e estilo visual distintivo, emprega uma estética cinematográfica arrojada em Instinto Selvagem. As cenas de sexo e violência são tratadas com uma franqueza que gerou polêmica na época do lançamento. A direção habilidosa de Verhoeven contribui para a atmosfera sensual e misteriosa do filme. 

    Instinto Selvagem explora temas como poder, manipulação, desejo e moralidade. A trama desafia constantemente as expectativas do espectador, mantendo-os no escuro quanto às verdadeiras intenções dos personagens. A dualidade entre o bem e o mal, a inocência e a culpa, é um elemento recorrente. 

    O filme foi um sucesso de bilheteria, mas também enfrentou críticas devido à sua abordagem ousada e algumas cenas consideradas controversas. A cena do interrogatório, em particular, tornou-se icônica e é frequentemente lembrada como uma das mais sensuais da história do cinema. 

    Instinto Selvagem deixou um impacto duradouro na cultura pop, sendo referenciado e parodiado em várias mídias. Sharon Stone recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação, solidificando sua carreira como atriz de destaque. 

    Dessa forma, podemos dizer que Instinto Selvagem é um thriller erótico que se destaca por sua trama envolvente, performances marcantes e abordagem provocativa. Apesar das controvérsias, o filme continua a ser lembrado como um marco na cinematografia dos anos 90. 

    Obs. Filme não recomendado para menores de 18 anos. 

Análise: Odair José, Poeta Cacerense

Pecado Original

    Pecado Original ("Original Sin") é um filme lançado em 2001, dirigido por Michael Cristofer e estrelado por Antonio Banderas e Angelina Jolie. O filme é baseado no romance "Waltz into Darkness" de Cornell Woolrich. 

    O enredo de Pecado Original é centrado em torno de um homem rico, Luis Vargas (interpretado por Antonio Banderas), que encontra uma mulher misteriosa chamada Julia Russell (interpretada por Angelina Jolie). Eles se envolvem em um casamento apressado, mas à medida que a trama se desenrola, Vargas descobre que Julia esconde segredos sombrios que ameaçam sua vida. 

    As performances de Antonio Banderas e Angelina Jolie são notáveis. Eles conseguem transmitir a intensidade emocional necessária para os personagens, contribuindo para a atmosfera sensual e misteriosa do filme. 

    Pecado Original apresenta belas paisagens e cenários exóticos, criando uma atmosfera envolvente que complementa a natureza romântica e perigosa da história. A cinematografia é habilmente utilizada para destacar as emoções dos personagens e a evolução da trama. 

    O filme recebeu críticas mistas. Algumas pessoas elogiaram as atuações e o estilo visual do filme, enquanto outros criticaram a trama por suas reviravoltas exageradas e elementos melodramáticos. Alguns consideraram o filme um thriller erótico intrigante, enquanto outros acharam a história confusa ou até mesmo previsível. 

    A recepção do público também foi variada. Algumas pessoas apreciaram a abordagem única do filme sobre o amor e o desejo, enquanto outras acharam a narrativa difícil de seguir. 

    Pecado Original é um filme que divide opiniões. Se você aprecia histórias de mistério e romance com reviravoltas inesperadas, pode encontrar o filme intrigante. No entanto, se você não gosta de tramas mais complexas e melodramáticas, o filme pode não ser do seu agrado. 

    Em suma, é um filme que pode valer a pena assistir para aqueles que apreciam o gênero, especialmente pela química entre os protagonistas e pelos visuais envolventes. 

Análise: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Onde Os Fracos Não Têm Vez

     "Onde os Fracos Não Têm Vez" ("No Country for Old Men"), dirigido pelos irmãos Coen e baseado no livro de Cormac McCarthy, é um filme repleto de riquezas filosóficas. Há vários temas subjacentes que vão além da trama superficial e que tocam questões fundamentais da condição humana. O filme é uma obra cinematográfica densa e enigmática que aborda temas profundos como moralidade, destino, violência e a natureza do mal. Existem várias interpretações filosóficas possíveis, e o filme é um convite à reflexão e ao debate. Aqui, apresento uma análise filosófica desse trabalho: 
 
    1. Moralidade e relativismo: Através das ações e escolhas de seus personagens, o filme questiona a natureza da moralidade em um mundo violento e caótico. Anton Chigurh, o antagonista, age de acordo com um código moral próprio, por mais distorcido que possa parecer para outros. Ele frequentemente deixa a vida ou a morte de alguém ao acaso de uma moeda, desafiando noções convencionais de justiça e moralidade. 
 
    2. A inevitabilidade do destino: O uso recorrente da moeda por Chigurh para decidir o destino dos outros sugere que o acaso e o destino têm um papel preponderante no universo do filme. Ele propõe a questão: somos realmente donos de nosso destino ou estamos à mercê de forças aleatórias? 
 
    3. Natureza do Mal e Moralidade: Anton Chigurh, interpretado por Javier Bardem, é frequentemente considerado uma encarnação do mal. Seu código moral, estranhamente estrito e imprevisível, levanta questões sobre a natureza do mal e da moralidade. Chigurh vê suas ações não como escolhas, mas como consequências inevitáveis do destino. Isso nos leva a refletir sobre até que ponto o mal é uma força autônoma ou uma construção humana. 
 
    4. Fatalismo e Livre-Arbítrio: Chigurh frequentemente permite que suas vítimas escolham seu próprio destino com o lançar de uma moeda, o que nos leva a questões sobre determinismo e livre arbítrio. A moeda simboliza a ideia do acaso, mas, ao mesmo tempo, a decisão de lançá-la é muito intencional. O filme explora a tensão entre essas duas forças: o inevitável e o escolhido. 
 
    5. Decadência do Sonho Americano: A história se desenrola no Texas dos anos 1980, retratando uma América que não parece mais promissora ou justa. A busca pelo dinheiro (da venda de drogas) serve como metáfora para a perseguição implacável do Sonho Americano, que muitas vezes leva a consequências mortais. 
 
    6. Nostalgia e Mudança: Através do xerife Ed Tom Bell, interpretado por Tommy Lee Jones, o filme contempla a noção de mudança e a nostalgia por tempos mais simples. Bell se sente deslocado em um mundo que percebe como cada vez mais violento e incompreensível. Sua jornada é tanto sobre aceitar a natureza mutável da vida quanto sobre reconhecer suas próprias limitações. 
 
    7. Isolamento e Conexão Humana: Embora o filme tenha uma quantidade significativa de violência, ele também apresenta momentos de profunda humanidade e conexão. No entanto, a prevalência do isolamento e da desconfiança permeia a narrativa, lembrando-nos da fragilidade das relações humanas em um mundo cada vez mais caótico. 
 
    Dessa forma, o filme "Onde os Fracos Não Têm Vez" não é apenas uma narrativa sobre crime e castigo, mas uma reflexão profunda sobre a natureza do mal, o significado da vida e a busca humana por propósito e conexão. Os irmãos Coen, através de sua direção meticulosa e da colaboração com a prosa de McCarthy, apresentam um filme que desafia o espectador a enfrentar as questões mais perturbadoras da existência. 
 
Análise: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Midsommar - O Mal Não Espera a Noite

    "Midsommar - O Mal Não Espera a Noite" é um filme de terror psicológico lançado em 2019, com direção de Ari Aster que assisti esse final de semana. A trama acompanha um grupo de amigos que viaja para a Suécia para participar de um festival de verão em uma comunidade pediátrica. No entanto, eles rapidamente descobrem que os trajes e rituais do festival são muito mais sinistros do que imaginavam, mergulhando-os em uma experiência perturbadora e macabra. 

    Uma das principais características do filme é sua atmosfera opressiva e perturbadora. A fotografia é brilhante e vívida, contrastando com os acontecimentos sombrios que ocorrem ao longo da história. A luz do sol constante e a falta de escuridão durante o festival criam uma sensação de inquietação, já que o horror se desenrola em plena luz do dia. 

    O filme também aborda temas complexos e perturbadores, como o luto, a maturidade dos relacionamentos e o isolamento emocional. A personagem principal, interpretada por Florence Pugh, está passando por uma tragédia pessoal e sua jornada emocional é explorada de maneira intensa ao longo do filme. "Midsommar" mergulhou nas emoções da psique humana, explorando os medos, ansiedades e vulnerabilidade de seus personagens. 

    O Diretor utiliza simbolismos de maneira habilidosa para transmitir uma sensação constante de inquietação. Os rituais e costumes peculiares da comunidade sueca são estranhos e bizarros, mas também carregam significados mais profundos, relacionados à morte, renascimento e conexão com a natureza. O diretor constrói uma narrativa que lentamente revela detalhes perturbadores e leva o espectador a um estado de desconforto crescente. 

    Além disso, "Midsommar" é um filme visualmente impactante. A direção de arte é excepcional, com cenários panorâmicos e detalhes meticulosos que criaram para uma atmosfera única do filme. A trilha sonora também desempenha um papel importante, com músicas folk e rituais vocais que amplificam a sensação de estranheza e horror. 

    No entanto, "Midsommar" é um filme extremamente perturbador e gráfico em sua representação da violência e do horror. Algumas cenas são extremamente chocantes e podem ser difíceis de assistir para algumas pessoas. O filme também aborda temas controversos e perturbadores, o que pode afetar emocionalmente os espectadores mais sensíveis. 

    Em resumo, "Midsommar" é um filme de terror psicológico perturbador e visualmente impressionante. Ari Aster constrói uma narrativa que explora temas profundos e complexos, envolvendo o público em uma experiência intensa e inquietante. No entanto, sua natureza gráfica e os temas sombrios vistos fazem com que seja um filme não recomendado para todos os espectadores. 

Texto: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O Pálido Olho Azul


SINOPSE 

Não recomendado para menores de 16 anos 

O Pálido Olho Azul é baseado no romance best-seller de Louis Bayard, e é um thriller gótico que gira em torno de uma série de assassinatos fictícios que ocorreram em 1830 na Academia Militar dos Estados Unidos, envolvendo um jovem cadete que o mundo viria a conhecer futuramente como Edgar Allan Poe (Harry Melling). O detetive aposentado Augustus Landor (Christian Bale) fica encarregado de investigar os assassinatos. 

Sugestão 
Eu amei o filme. Portanto, recomendo! 

Postagem: Odair José, Poeta Cacerense




quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Amsterdam (2022)


Assisti e recomendo. Muito bom o filme! 

Sinopse 

Amsterdam (2022) é ambientado na década de 1930 e conta a história de uma grande amizade e um assassinato que pode ameaçar a vida dos protagonistas e abalar toda uma sociedade. A trama policial segue três amigos íntimos: dois soldados e uma enfermeira (Christian Bale, John David Washington e Margot Robbie), que fizeram um pacto no passado, de sempre se protegerem enquanto trio, não importa o que aconteça. Mas, eles se perdem no centro do caso de um assassinato, do qual se tornam os principais suspeitos. Para provar que não estão envolvidos na morte, o grupo contará com a ajuda de aliados para tentar investigar o crime, e assim se proteger e enfrentar o verdadeiro assassino. Mas, novamente por acaso, os três amigos descobrem uma das tramas mais surpreendentes da história norte-americana, que em parte, é baseada em uma história real. Do mesmo diretor de O Lado Bom da Vida, David O. Russell.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Ben-Hur (1959)

    Um clássico é um clássico. Assisti pela 3ª vez o filme Ben-Hur, o original de 1959 e digo com toda a certeza. É um daqueles clássicos inesquecíveis do cinema. Vale a pena assistir. É longo, muito longo, mas vale muito  pena.

    Deixo aqui, além da recomendação para assisti-lo, uma breve sinopse do filme.

    Longa-metragem americana, de grande sucesso mundial, com a duração de cerca de três horas e meia, realizada por William Wyler, em 1959. Filme de ação e drama, onde se misturam sentimentos de amor, sofrimento, rancor e fé religiosa, contou com a participação de um vasto elenco tendo como protagonista Charlton Heston no papel de Judah Ben-Hur.

    A história passa-se na época do Império Romano, na província da Judeia, onde havia a perseguição aos judeus, que deixaria marcas profundas na História da Humanidade. Esta longa-metragem foi realizada por William Wyler e tem como ator principal Charlton Heston, que fez o papel do príncipe judeu Ben-Hur. Uma das cenas mais famosas desta obra cinematográfica é a corrida de quadrigas cujos planos de filmagem bem conseguidos não passaram despercebidos nem ao público nem à crítica. Segundo esta, na altura, Ben-Hur foi considerado o exemplo a seguir para a realização de filmes épicos. Ben-Hur era um mercador rico que vivia em Jerusalém com a mãe e a irmã e era uma figura respeitada pelo poder romano. Era amigo do governador Messala, embora, devido a divergências políticas, a amizade tivesse esfriado. Em consequência disso, um dia, um mal-entendido causado por um pequeno incidente provoca a indignação do governador, que, apesar de saber da inocência de Ben-Hur, o manda para as galés e prende a sua família. 

    A partir daqui, desenrola-se toda a ação dramática do filme, quando Ben-Hur decide vingar-se. Para além da ação, que predomina no filme, há uma questão religioso que serve de pano de fundo a todo o enredo e que pressupõe a salvação de Ben-Hur. Jesus Cristo aparece como uma personagem secundária (todos os planos de câmara ocultam o Seu rosto) mas indispensável para o desfecho da ação. Foi um dos filmes nomeados pela Academia de Hollywood para os Óscares, tendo conseguido obter onze galardões: Melhor Filme, Realizador, Ator (Heston), Ator Secundário (para o ator britânico Hugh Griffith, que compôs um xeque árabe), Direção Artística (G. Davis), Fotografia (Robert Surtees), Som (Franklin Milton), Montagem (John Dunning), Banda Sonora (Miklos Rozsa), Guarda Roupa (Elizabeth Haffenden) e Efeitos Especiais (Ronald MacDonald). Curiosamente, Charlton Heston não foi a primeira escolha de Wyler para o papel de Ben-Hur, visto Paul Newman e Rock Hudson terem declinado o convite.

Odair José, Poeta Cacerense

Fonte: https://www.infopedia.pt/$ben-hur 




terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O Diabo de Cada Dia

Assisti e recomendo!

    Ambientada entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, O Diabo de Cada Dia acompanha diversos personagens num canto esquecido de Ohio, os quais a vida acabam se conectando. Willard Russell (Bill Skarsgård) é um atormentado veterano, sobrevivente de uma carnificina, que não consegue salvar sua bela esposa de uma morte agonizante por conta de um câncer, mesmo com toda a oração e devoção de sua parte. Enquanto isso, Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keough), um casal de assassinos em série, percorrem as rodovias americanas em busca de modelos adequadas para fotografar e exterminar. E no meio disso tudo está Arvin Russell (Tom Holland), filho órfão de Willard e Charlotte (Haley Bennett), que cresceu para ser um homem bom mas começa a demonstrar comportamentos violentos quando passa a desconfiar que o líder religioso da cidade, Preston Teagardin (Robert Pattinson), é uma farsa. 

Odair José, Poeta Cacerense



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Ataque dos Cães

 

Assisti e recomendo! 
 
Ataque dos Cães conta a história de Phil (Benedict Cumberbatch) e George (Jesse Plemons), dois irmãos ricos e proprietários da maior fazenda de Montana. Enquanto o primeiro é brilhante, mas cruel, o segundo é a gentileza em pessoa. A relação dos dois vai do céu ao inferno quando George se casa secretamente com a viúva local Rose (Kirsten Dunst). O invejoso Phil fará de tudo para atrapalhá-los. 
 
Odair José, Poeta Cacerense