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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O Diabo de Cada Dia

Assisti e recomendo!

    Ambientada entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, O Diabo de Cada Dia acompanha diversos personagens num canto esquecido de Ohio, os quais a vida acabam se conectando. Willard Russell (Bill Skarsgård) é um atormentado veterano, sobrevivente de uma carnificina, que não consegue salvar sua bela esposa de uma morte agonizante por conta de um câncer, mesmo com toda a oração e devoção de sua parte. Enquanto isso, Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keough), um casal de assassinos em série, percorrem as rodovias americanas em busca de modelos adequadas para fotografar e exterminar. E no meio disso tudo está Arvin Russell (Tom Holland), filho órfão de Willard e Charlotte (Haley Bennett), que cresceu para ser um homem bom mas começa a demonstrar comportamentos violentos quando passa a desconfiar que o líder religioso da cidade, Preston Teagardin (Robert Pattinson), é uma farsa. 

Odair José, Poeta Cacerense



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Ataque dos Cães

 

Assisti e recomendo! 
 
Ataque dos Cães conta a história de Phil (Benedict Cumberbatch) e George (Jesse Plemons), dois irmãos ricos e proprietários da maior fazenda de Montana. Enquanto o primeiro é brilhante, mas cruel, o segundo é a gentileza em pessoa. A relação dos dois vai do céu ao inferno quando George se casa secretamente com a viúva local Rose (Kirsten Dunst). O invejoso Phil fará de tudo para atrapalhá-los. 
 
Odair José, Poeta Cacerense

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

"Não Olhe Para Cima" | Quando nós somos os nossos maiores inimigos

    Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep e Jonah Hill estão juntos na mais nova comédia da Netflix: Não Olhe Para Cima. O filme, que chega ainda em dezembro à plataforma de streaming, conta uma história tão trágica que chega a ser cômica, e qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

    Mesmo que Adam McKay, diretor e roteirista do filme, tenha escrito o longa antes mesmo da pandemia, os acontecimentos dele fazem um paralelo com a atualidade. Isso, porque as questões abordadas no filme sempre estiveram presentes em nossa sociedade, faltando apenas um tapa nas bochechas para que pudéssemos acordar.

Desastre

    A premissa de Não Olhe Para Cima é desesperadora por si só: "Conta a história de dois astrônomos que participam de uma gigantesca cobertura de imprensa para alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que destruirá a Terra", diz a sinopse oficial.

    Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide se colidiu com o nosso planeta e extinguiu a maior parte dos seres vivos, inclusive os tão falados dinossauros. Por que, então, não há chances de isso acontecer novamente? Até o momento, não existe qualquer cometa que esteja colocando a Terra em risco, mas o planeta está, a cada ano, mais ameaçado por algo que vem sendo questionado pela população há bastante tempo: o aquecimento global.

    Por enquanto, ainda que com sacrifícios extremos, ainda há um mínimo de esperança de que as mudanças climáticas sejam contornadas, e a possibilidade de que os humanos, animais e plantas que existem hoje se extinguam ainda está a décadas (ou séculos?) de distância. E se, de repente, o fim do mundo não estiver tão longe assim? E se, de um dia para o outro, astrônomos viessem à mídia dizer que temos apenas seis meses de existência? É exatamente essa a questão abordada em Não Olhe Para Cima.

Tragicomédia

    O longa, baseado em "possíveis acontecimentos verdadeiros", como o próprio slogan diz, nos traz uma amostra de como a humanidade reage às más notícias. Antes disso, no mundo real, tivemos uma amostra dessa reação com a pandemia da covid-19, com muitas pessoas duvidando da gravidade do vírus e questionando a necessidade das vacinas. Talvez, isso faça com que o sentimento de desespero fique ainda maior quando vemos o que acontece no filme.

    Em Não Olhe Para Cima, Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) formam a dupla de astrônomos que descobriu que um cometa está em direção à Terra e que o tempo é extremamente curto para tentar alterar seu caminho. Para isso, eles precisam da ajuda das autoridades, principalmente a estadunidense, pois fazem parte da maior potência mundial. É quando a solução que parecia possível se torna cada vez mais desesperançosa.

    Ainda no trailer, vimos que Janie Orlean (Meryl Streep), a presidente dos Estados Unidos, não entende, ou escolhe não entender, o quão grave é ter um cometa em direção ao nosso planeta. A partir de então, uma sucessão de eventos desesperadores começa a acontecer, o que é contado com humor escrachado. Vemos Dibiaski surtando na televisão ao vivo e virando meme, a mídia mais preocupada com o término de um casal de influencers, a própria presidente pensando mais em sua reeleição (que não vai acontecer se o cometa cair na Terra) do que em salvar o mundo, entre outros. Por mais hilário que seja o filme, nos questionamos se essa reação é tão absurda assim.

    O grande empecilho para evitar o desastre também faz um comparativo com a realidade: a ganância dos bilionários. Quando finalmente os astrônomos conseguem a atenção e o investimento necessário para desviar o cometa da rota de colisão com a Terra, o bilionário Peter Isherwell (Mark Rylance), CEO da empresa espacial, de mídia e tecnologia BASH, decide que a melhor opção é deixar o cometa cair, pois ele conta com materiais caríssimos e escassos no planeta, e isso geraria mais riqueza para ele. Se ele fosse sobreviver.

    É quando a situação do filme se torna cada vez mais desesperadora, e todo esse caos consegue ser contado de uma forma surreal e possível ao mesmo tempo, em uma mistura agonizante de humor com, talvez, drama psicológico. Rimos porque é engraçado. Mas também rimos porque sabemos que é esse o mundo em que vivemos e que muitas pessoas pensam dessa forma, ou escolhem não ligar.

    O título do filme, então, Não Olhe Para Cima, é uma analogia ao fato de que se você não ver o cometa, ou não sentir as mudanças climáticas, está tudo bem. Como diz o ditado, a ignorância pode ser, de fato, uma benção. Rimos, mas o sentimento de mãos atadas traz um frio na barriga, fazendo com que o final do longa seja indigesto.

Tarde demais

    Assim como pode acontecer na vida real, as pessoas só começam a entender o que está acontecendo quando o cometa se torna visível no céu, porém já é tarde demais. A grande mensagem de Não Olhe Para Cima, então, é que as pessoas precisam acreditar e confiar na ciência, mas que isso está cada vez mais difícil porque nem sempre o que temos são respostas boas. E nós, como seres humanos, estamos acostumados a fechar os olhos para o que acontece para termos o que temos.

    O longa da Netflix cumpre, então, uma tarefa bastante difícil de criar uma boa produção com humor escrachado e caricato. As expectativas com o trio principal, composto por grandes vencedores do Oscar, já denunciavam o que estaria por vir. O filme se consagra como um dos maiores lançamentos do ano da plataforma de streaming, e não só pela qualidade do elenco, direção e efeitos visuais, mas também por abordar o fim do mundo com a reação humana mais provável de acontecer, independente de como isso irá acontecer.

Autora: Natalie Rosa

Fonte: https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-nao-olhe-para-cima-netflix-203739/ 

 

 

 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Missa da Meia-Noite - Análise Crítica


    Mike Flanagan não é um cara complicado. Criador de A Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, e um dos nomes de maior destaque do horror atual, ele cria obras que servem para reafirmar verdades fundamentais e simples, mas que esquecemos com facilidade no dia a dia. De Residência Hill a Missa da Meia-Noite, Flanagan interroga a inevitabilidade da morte, a futilidade cósmica da vida, a significância profunda das conexões que fazemos enquanto estamos por aqui.

    Em muitos sentidos, o diretor e roteirista resumiu sua filosofia muito bem na frase mais famosa de Residência Hill: “Eu te amei completamente, e você me amou da mesma forma. O resto é confete”. Missa da Meia-Noite é uma longa, tortuosa, angustiante, sangrenta, enervante jornada até essa realização - em palavras diferentes, é claro, mas a mesma realização. Difícil culpá-lo por se repetir, quando a mensagem é tão verdadeira, e tão tocante, todas as vezes que é reiterada.

    É claro que Flanagan tempera sua nova obra com ângulos diferentes de reflexão, cores diferentes de humanidade. Missa da Meia-Noite, pela própria natureza de sua trama, dedica muito tempo a uma meditação cuidadosa sobre fé, e como ela é capaz de desenterrar, nos seres humanos, a bondade mais pura e a amargura mais profunda da nossa natureza. A minissérie não é “anti-fé”, mas alerta sobre a forma como a retórica religiosa pode ser facilmente transformada em arma de opressão. Uma opressão banal, mesquinha, e ainda mais enfurecedora por isso.

    Nosso protagonista aqui é Riley Flynn (Zach Gilford), que retorna para a minúscula ilha onde nasceu após passar quatro anos na prisão por atropelar e matar uma mulher enquanto dirigia embriagado. Sua chegada coincide com a do padre Paul (Hamish Linklater), que substitui, em circunstâncias para lá de suspeitas, o monsenhor que comandava a paróquia local há décadas. Quando o novo sacerdote se mostra capaz de feitos aparentemente milagrosos, o delicado tecido social da ilha começa a se desfazer.

    No desenrolar desse mistério, o horror é mais ferramenta do que objetivo. Flanagan, que dirige a série toda e coescreve os episódios com vários parceiros diferentes, lança mão de imagens recorrentes do gênero (sobre as quais é impossível se estender sem dar grandes spoilers da trama), e demonstra mais vontade de se aproximar do kitsch do que demonstrou em qualquer uma das temporadas de A Maldição, mas suas incursões pelo horror explícito, confrontador, são breves e incidentais.

    Ao invés disso, para segurar a atenção do espectador, a minissérie se apóia em um elenco tão preciso em suas construções individuais quanto entrosado, fluente em uma linguagem comum. Hamish Linklater articula com particular brilhantismo as contradições do padre Paul, fundando-o em um exaspero existencial muito comum, que explode em frustração e fúria em momentos chave da trama. Sempre um coadjuvante confiável, mas quase nunca excepcional, Linklater ganha em Missa da Meia-Noite um espaço quase inédito em sua carreira, e mostra que pode fazer milagres (trocadilho totalmente intencional) com esse espaço.

    Enquanto isso, Samantha Sloyan vibra com o mais puro desdém em tela na pele da “carola” local, Bev Keane, a grande vilã da história; Kate Siegel (esposa de Flanagan) mais uma vez carrega o centro nervoso e emocional de uma obra do marido com dignidade; Zach Gilford expressa dor e culpa profundas com seu protagonista machucado; e Rahul Kohli coopta de forma inteligente a gentileza e carisma que já havia demonstrado em Mansão Bly para um papel muito mais significativo, e representativo, do que aquele.

    E ainda bem que o elenco é tão brilhante, porque Missa da Meia-Noite deriva a maior parte de sua tensão das relações entre os personagens. Quando não estão se estendendo em belos e intrincados monólogos literários, Flanagan e cia. apostam em interações breves que exploram a eletricidade própria de uma comunidade pequena, que compartilha histórias, moralidades e julgamentos com muito mais intensidade. Os subtextos de cada relação saltam aos ouvidos nesses diálogos, especialmente para quem já viveu em um lugar assim.

    E é desses subtextos que nasce o horror humano da minissérie. Na forma como escreve, dirige e edita Missa da Meia-Noite, Flanagan cria um desconforto elemental, muito mais profundo e identificável do que poderia ser em uma abordagem mais tradicional do gênero. A coisa mais aterrorizante que uma obra de ficção pode fazer, no fim das contas, é muito simples: nos dar um espelho para que enxerguemos quem somos, ou podemos ser, quando esquecemos o que realmente importa.

Artigo: Caio Coletti

Fonte: https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/missa-da-meia-noite