sábado, 10 de outubro de 2009
Bicicleta pra quê te quero...
Texto: Odair
Fotos: Odair
Montagem: Odair
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Que Religião é Essa?

"Esta religião dos mortos parece ter sido a mais antiga entre os homens. Antes de conceber e de adorar Indra ou Zeus, o homem adorou os seus mortos; teve medo deles e dirigiu-lhes preces. Parece ser essa a origem do sentimento religioso. Foi talvez diante da morte que o homem, pela primeira vez, teve a idéia do sobrenatural e quis abarcar mais do que seus olhos humanos podiam lhe mostrar. A morte foi pois o seu primeiro mistério, colocando-o no caminho de outros mistérios. Elevou o seu pensamento do visível para o invisível, do transitório para o eterno, do humano para o divino".
A Cidade Antiga. Fustel de Coulanges.
Diante de uma infinidade de perguntas tais como de onde surgiu a religião e para que o homem tem que adorar alguma coisa, esse livro é uma indicação de respostas para algumas das perguntas sobre adoração e origem do culto.
Indico com muita propriedade a leitura dessa obra magnífica desse historiador.
Texto: Odair
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Cáceres 231 anos

Uma das mais belas e impávidas cidades do Brasil, com uma história incrível (mal contada, é certo), às margens do Rio Paraguai. Eis uma síntese do que é a cidade de Cáceres. Cheia de atrativos diversos e gente hospitaleira. Uma cidade mal administrada ao longo do tempo e que, mesmo assim, se mantêm em constante transformação.
Nasci e cresci aqui neste chão (para mim sagrado) e me preocupo com o seu desenvolvimento. Faço um apelo aos habitantes desse pequeno paraíso para que vejam e combatam as "sanguessugas" que surgem de 4 em 4 anos com promessas e ilusões enquanto a cidade permanece no descaso. Sai de um grupo político tradicional e caem em outro grupo que não se preocupa com a população em geral.
O povo, em sua maioria, estão se divertindo nos bares e bailes da vida (é dificil encontrar outra cidade onde a sua população faça festa 24 horas por dia 7 dias por semana e 31 dias por mês) não se preocupa com os ocupantes dos cargos públicos. Os ditos "representantes" da população.
Tem muita gente boa nessa cidade. Muita mesma. Gente que trabalha em prol da melhoria de vida dos menos favorecidos e gente que diverte. O cacerense é abençoado por Deus e tem que valorizar esse pedaço de chão.
Nesse dia especial deixo aqui minha singela homenagem a essa que é a melhor cidade do mundo para se viver. Existe um descaso com a cidade, isso é fato, mas está na hora de cada um de nós olharmos com atenção e escolhermos pessoas interessadas em transformar esse paraíso histórico em orgulho para todos cacerenses. Não podemos esperar mais 231 anos para que isso aconteça. A mudança começa agora!
Texto: Odair.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
ANTÍGONA

Nas portas de Tebas cairam
Os dois irmãos em uma luta fraticida
Pelo trono tebano lutavam
E por ele perderam a vida.
Eteócles não cumpriu seu trato
De após um ano dar o trono ao irmão
Polinice se refugiou em Argos
E a Tebas veio lutar com razão.
Cumprindo a maldição de seu pai
Os dois morreram ao fio da espada
O sangue jorrou no portão de Tebas
E dessa vida nem um levou nada.
Creonte, o tio dos dois, assumiu o trono
E a Eteócles enterrou com honra
Promulgando um edital contra Polinice
Que o lançava nas profundezas em desonra.
Desafiando ao edito do rei
Em uma prova de amor fraternal
Antígona, irmã de Polinice, resolveu sepultá-lo
Mesmo sabendo das consequências do edito real.
Avisado pelo adivinho Tirésias
De que estava errado em seu julgamento
Creonte condenou Antígona
Sem ligar para o seu sofrimento.
Condenada a ser emparedada
Para aos poucos morrer
Antígona resolveu suicidar-se
Para que não pudesse sofrer.
Ao ver a amada morta
Hêmon, filho do rei Creonte
Também suicida-se de forma cruel
Preferindo não mais ver o horizonte.
Mas, como uma trágedia é pouco
A mulher de Creonte, mãe de Hêmon, Euridice
Em desespero fatal tira sua própria vida
Não dando ouvido a crendice.
No auge de sua arrogância
Creonte rompe a barreira do Direito Natural
Enfrente, então, a revolta dos deuses
E sofre uma consequência infernal.
Não cabe a nós julgá-lo pelo seu destino
Do julgamento final de sua decisão
E sim tirar lições dessa tragédia
Para o futuro de nossa imaginação.
Poema: Odair
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
As Invasões Bárbaras

Hoje assisti no Juriscine (um projeto do professor Juliano), um daqueles filmes que nos fazem pensar. E por ser um filme bastante inteligente recomendo aos meus leitores que o assistam para terem as suas próprias conclusões.
As Invasões Bárbaras é daqueles filmes que possibilitam uma série de leituras. Por exemplo: o antiamericanismo, a eutanasia, a globalização, corrupção, sindicatos, saúde pública, religiosidade, holocausto indígena entre outros temas interessantes.
Os diálogos são ricos em argumentos sobre a importância da vida. E nos faz pensar o porque só valorizamos a vida na hora da morte. Minha dica é a seguinte: eis ai um filme que você deva assistir antes da morte!
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Nietzsche

Se existe uma realidade na vida
Quem discute isso é a filosofia
Quem me dera ter o dom
De transformar essas idéias em poesia.
De todos os grandes mestres
Que aventaram ideais de existência
Sempre há o que mais nos chama a atenção
E atiça nossa inteligência.
Tenho procurado ler todos os filósofos
Do qual minha mente é capaz
Para procurar ter minhas definições
E dos temas atuais não me tornar fugaz.
No entanto, teço aqui minha homenagem
A um dos filósofos que seduz minha imaginação
Com idéias tão contraditórias
Que espalha medo a mais profunda razão.
Nietzsche revoluciona o modo de pensar
Transformando a realidade e a moral
Desconstruindo mitos enraizados
Na memória do povo em geral.
Não que o tenha como fonte de inspiração
Até porque não concordo com todo seu juízo
Mas considero sua inteligência fugaz
Em mostrar novos olhares sem prejuízo.
Qual é o nosso conhecimento de verdade
E de onde vem essa noção?
Questionar os dogmas estabelecidos
É dar liberdade ao coração.
Poema: Odair
Veja em
http://www.worldartfriends.com/modules/publisher/article.php?storyid=11832
sábado, 12 de setembro de 2009
Anjos do sol

sábado, 29 de agosto de 2009
Parasitas Sociais

De sugar o sangue de quem quer viver
Causando a destruição de vidas
Que só sabem o que é sofrer .
Morcegos de hábitos noturnos
Causam mazelas na sociedade
Tirando o pão da boca de crianças
Que tentam sobreviver nas ruas da cidade.
Parasitas sociais eleitos pelo povo
Mas que deles só sabem sugar
Com promessas mirabolantes
Conseguem ao poder chegar.
Uma vez no poder
Exercem com dureza a dominação
Atacando as funções de seus hospedeiros
Deixando-os miseráveis no chão.
Concietizemo-nos dessa realidade
E reivindiquemos um novo realismo
Com pessoas que façam políticas verdadeiras
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Presságio - Algumas considerações a respeito do filme.

terça-feira, 11 de agosto de 2009
E agora, ANIMAL?

Seus olhos contemplaram apenas
A lenha para o seu barraco.
Ao navegar pelos rios
Sua ganância só contemplou
O peixe para o caldo de domingo.
No cerrado alado
Desfizestes os densos arbustos
Para os pastos de suas reses.
Nos mares navegados
Acabastes com as baleias
E das focas fizestes esportes.
Agora o inverno congela
No verão do tempo
E o verão escaldante
Derrete o gelo no inverno.
Agora sofres com as enchentes
Rastejas diante dos tsunamis
E choras diante do calor abrasador.
Derrubastes as arvores da floresta
Poluístes os rios e sufocaram os peixes
Plantastes suas lavouras no cerrado
E extinguiram os peixes dos mares.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Gênesis

A sala fria
A carteira solitária
A espera de você.
O sonho
O futuro a sorrir
Na espera de você.
O ar desligado
O silêncio
Esperando você falar.
O conhecimento
Os livros
Esperando seus olhos.
Então você rompe as barreiras
O vestibular
E chega até aqui.
O começo
O princípio da carreira
Que oferece sucesso.
Pessoas diferentes
Sonhos distintos
Caminhando juntos a partir de agora.
Que o tempo
Nos ajude a vencer
E a não nos esquecer
Que a vida deve ser compartilhada.
Ninguém é uma ilha
E o isolamento é prejudicial
Preciso de você
Assim como precisa de mim.
O sucesso é conquistado
Com companheirismo
Nos campos de batalha
Na qual iniciamos agora.
A sala já não está tão fria
Pois o calor de cada um
Dá-nos a idéia de vitória.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O Amor Vencendo a Discórdia

A conseqüência de uma discórdia que aconteceu
Iniciada nas bodas de casamento
Do panteão grego entre Tétis e Peleu.
Não convidaste Éris, a deusa da discórdia,
Que a si mesmo considerava um tesouro.
Então ela jogou sobre a mesa da cerimônia,
Para provocar dissensão, a maça de ouro.
Quem é a mais bela
Atena, Afrodite ou Hera?
A discórdia entre ambas começou
No momento em que Éris, a maça apontou...
Páris escolhe Afrodite
Como sendo a mais bela flor.
Para compensar essa dádiva alcançada
Ela promete a ele um grande amor.
A mais linda das mulheres
Ao jovem príncipe troiano ela prometeu.
Helena mulher de Menelau, rei de Esparta,
Nos braços de Páris amanheceu.
O ego do ser humano
Essa história ilustra bem.
Discórdia, egoísmo e inveja
Não pode tomar conta de nós também.
Pensando nesse tema tão atual
Compartilho com Ana Laura, amiga de alegria.
A inversão da discórdia que causou tanto mal
No amor de uma linda poesia.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Um demônio ameaçador agachado do lado de fora da porta

- Onde esta o seu irmão?
- Como vou saber? Por acaso sou eu o tutor de meu irmão? Deve estar cuidando de suas ovelhas.
Meus olhos se fecham por um instante e antevejo a minha morte. Possivelmente um de meus irmãos vai querer vingar a morte dele. Porque não entendi que havia um demônio ameaçador agachado do lado de fora da porta? Ou será que sou o demônio?
Começo a compreender que a oferta não poderia ter sido feita de qualquer maneira. Deveria ter percebido que teria que ser uma oferta de sangue. Eu poderia ter trocado meus produtos por uma ovelha e tê-la oferecido como sacrifício. Não! Eu sou agricultor e Ele poderia muito bem ter aceitado a minha oferta. Escolhi as melhores frutas e verduras. Porque Ele não aceitou isso? Deve ser porque gostava mais mesmo dele do que de mim. Também, sempre fiz o que achava que tinha que fazer. Esse negócio de ficar obedecendo isso ou aquilo não é pra mim.
- O que você fez?
Droga de pergunta. O que eu fiz? Acho que fiz uma besteira sem tamanho na história. Porque ele não brigou comigo? Se tivesse reagido talvez eu não o tivesse matado. Lembro-me como foi.
Crescemos juntos. O que nos diferenciou foi o que escolhemos para as nossas vidas. Claro que fomos obrigados a trabalhar. Isso foi o castigo que meu pai conseguiu junto com minha mãe. Que herança! Pois bem, a partir do momento em que tínhamos que trabalhar, envolvi-me com a agricultura. Criei uma lavoura de inúmeras frutas e verduras. Ele optou por criar ovelhas. Tudo caminhava bem até aquele dia. O dia da oferta. Fui a minha propriedade e escolhi algumas frutas e verduras. Claro que não me preocupei em escolher, peguei as primeiras que encontrei e as ofereci. Até achei ridículo o trabalho que meu irmão teve ao ficar selecionando as ovelhas. Levou quase o dia todo escolhendo, olhando se não estava com algum defeito ou mancha. Pra que tudo isso? Perguntei-me.
Já era tarde do dia quando colocamos nossas ofertas no altar. Notei que a fumaça do altar dele subiu ao céu ao passo que a do meu altar ficou parada envolto do mesmo. Porque isso se o vento era o mesmo. Porque não agradaste da minha oferta? Isso me deixou injuriado. Fiquei muito magoado com essa situação.
_ Por que anda tão bravo?
Ainda me pergunta isso? Estou bravo com essa situação. O que ele fez de diferente? Por que não agradou da minha oferta? Por que a fumaça do meu altar não subiu ao céu? Isso me deixou irritado.
_ Por que o seu semblante está carregado?
Não consigo conter a minha ira. O meu coração não pensa em outra coisa que não seja um meio de tirar ele do meu caminho. Preciso fazer alguma coisa.
_ Não precisa ficar com raiva. Se você tivesse feito o que é certo, estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, a sua espera. A intenção dele é dominar você, mas cabe a você vencê-lo.
Dominar? Parece fácil. Mas não consigo controlar a raiva que tenho dessa situação. E isso precisa ter um fim. Foi pensando assim que o chamei para a minha lavoura. Enquanto caminhava com ele, mostrei-lhe algumas frutas e perguntei-lhe:
_ Por que você acha que Ele não agradou da minha oferta? Veja que frutas bonitas, e foi exatamente dessas que ofereci no altar.
_ Lembra das roupas que nossos pais fizeram assim que descobriram que estavam pelados no jardim?
_ Sim. O que elas têm haver com a nossa situação?
_ As roupas eram feitas de folhas e Ele as trocou por pele de um animal que foi sacrificado para aquele fim. Você poderia ter deduzido desse fato que o sacrifício deve conter o sangue. Isso deve ter algum significado que não sabemos agora.
Minha ira atingiu o ponto máximo. Segurava uma clava na mão e acertei a cabeça dele. Foi uma só e ele caiu estirado no chão. Uma poça de sangue logo se formou em volta da sua cabeça. Por uns instantes fiquei olhando aquele corpo ali estendido e uma mistura de alivio e revolta percorria meus pensamentos. Ali mesmo cavei um buraco e o enterrei.
_ Por que você fez isso?
Não tenho resposta para essa pergunta nem mesmo se eu quisesse. Fiz o que achei que tinha que ser feito. Acho que nasci para isso.
_ Da terra, o sangue do seu irmão está gritando, pedindo vingança. Por isso você será amaldiçoado e não poderá mais cultivar a terra. Pois, quando você matou o seu irmão, a terra abriu a boca e para beber o sangue dele. Quando você preparar a terra para plantar, ela não produzirá nada. Você vai andar pelo mundo sempre fugindo. Mesmo debaixo dessa árvore não encontro descanso. E o pior é que, com esse sinal, ninguém vai querer me matar.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sepultura Larga

quinta-feira, 11 de junho de 2009
O Viajante

Nesse sentido, a vida que caminho diz respeito ao que penso
e faço enquanto passo por esta vida.
O que levarei de tudo que vi e que ainda vou ver?
O que deixarei para a posteridade?
Como viajante não tenho parada fixa.
Minha caminhada não termina quando o sol se põe.
Ela continua durante a noite escura.
Mesmo naquelas em que o brilho da lua não aparece.
Viajante que contempla
O que o mundo estabelece como vida e sonhos.
Viajante que vive a magia do amor
Mesmo sem saber definí-lo.
Viajante que acaba de passar por este espaço
terça-feira, 19 de maio de 2009
Voando Alto

A cada manhã que acordo nos últimos dias tenho sentido uma sensação de alivio e paz na minha alma. Algumas de minhas decisões mais íntimas foram cruciais para que eu alcançasse esse patamar. Durante anos fui prisioneiro de minha incapacidade de viver sozinho e isso era o que eu mais precisava. Afinal de contas eu sou um sábio, um pensador. Tenho a mente privilegiada e, para uma boa qualidade de meus escritos, eu necessito dessa paz interior e do silêncio para melhor me expressar.
Acontece que acabamos caindo na rotina do dia-a-dia e esquecemos que temos uma vida para viver. Então comecei a pensar: afinal de contas quem sou eu: uma revigorante águia ou um simples corvo tolo?
O que dizer então daqueles que abandonam uma expectativa de vida futura para viver sem perspectiva de futuro? Não é possível entender e não é minha intenção julgar as decisões de outrem. Cada um faz da vida o que bem entender.
A solidão tem me ajudado a colocar meus textos reflexivos em dias e tem me possibilitado ajudar outras pessoas que passam por situação semelhante. Isso é um dom que Deus me deu e sei que o chamado dEle para minha vida é especial. As adversidades dos últimos dias me fizeram entender o propósito dEle na minha vida.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Um exemplo de vida

Jean-Paul Sartre
Então parei e me perguntei: o que estou fazendo de mim mesmo? Qual a expectativa tenho do meu futuro? E descobri, depois de longas noites de reflexão, que minha vida é importantíssima para ser interrompida por um deslize natural da vida. Se fizer da minha vida uma fonte de conhecimento e passar esse conhecimento para pessoas que merecem aprender alguma coisa já fiz boa parte do que a vida me proporcionou. Quero deixar para a posteridade e para os meus filhos, coisas que os farão terem orgulho do pai que tiveram, do amigo e do companheiro.
Quando José se viu diante da oferta da mulher de Potifar poderia muito bem ter aproveitado a ocasião e se deleitado na sensualidade que provavelmente ela tinha. Mas seria algo passageiro. Como ele optou por manter a sua integridade e caráter, teve que passar um bom tempo na cadeia. No entanto, hoje ele é visto e lembrado como um exemplo de caráter e perseverança. Se tivesse ficado com a mulher naquele dia, hoje ele estaria na galeria de mais um devasso e pederasta.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Regresso

Um dia bati asas e voei.
Distante do lar
Procurei viver minha vida.
Os sonhos de liberdade
Os anseios de felicidade
Motivaram-me a sair.
Entreguei-me a vida boemia,
Vivi os amores
As ilusões e os calores do mundo.
Vaguei sem rumo
A esperança se foi
E perdido fiquei.
A saudade de casa
Do abraço carinhoso do pai
O calor da família
Fazia-me lembrar do quanto era feliz.
Agora, abandonado na sarjeta,
Sem rumo na vida
Olho para a casa do pai.
Como voltar?
Com os passos trôpegos e indecisos
Ponho-me a caminhar.
Mesmo que seja tratado como um servo
A vida em casa será melhor do que essa que vivo.
O dia do regresso chegou.
Os olhos de meu pai se enchem de lágrimas.
Para minha surpresa
Ele me abraça e diz:
_ Que bom ver você de volta!
Poema: Odair.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
A FIGUEIRA
Do alto da figueira consegui observar que não havia movimento algum nas ruas da cidade. As pessoas dormiam. Apenas quatro jovens sem juízo perambulavam pelas ruas. Na verdade, tinham planejado um audacioso roubo naquela noite aproveitando que nada de diferente acontecia naquela pequena cidade no interior de Mato Grosso. O mercado do Batista era um estabelecimento comercial que ficava ao lado de uma das duas farmácias da cidade. Na frente do mercado erguia-se uma centenária figueira. Frondosa e aconchegante ela era o descanso de muitos durante os dias de sol quente. Seus enormes galhos cheios de folhas ofereciam sombra e descanso. Teve um dia em que vi um bêbado caído debaixo dela. Junto a ele estava umas laranjas que ele tinha comprado ou ganho de alguém. Passei e peguei o pacote de laranjas. Sacanagem. Não devia ter feito isso.
Durante a noite alguns casais aproveitavam para namorar embaixo da figueira que ofuscava ainda mais a fraca luz do poste próximo.A idéia tinha partido do mais novo. Vamos roubar o mercado Batista. Disse ele na reunião. Reuníamos quase todos os dias em uma cabana que havíamos construído nos arredores da cidade dentro da floresta e as margens de um riacho que por ali passava.
Naquelas reuniões falávamos de tudo um pouco e, volta-e-meia saia algumas pérolas que analisávamos para colocar em prática.
Houve uma vez em que fizemos umas máscaras de câmara de ar de pneus usados que pegamos em uma borracharia e fomos pra rua assustar as pessoas que vinham de noite da escola. Durante alguns dias fizemos muitas pessoas, principalmente as mulheres, correrem bastante. Algumas gritavam como loucas quando saiamos de dentro do mato com as máscaras e fazendo barulho. Paramos só no dia (ou noite) em que fomos assustar dois homens que desciam pela avenida principal e um deles arrancou uma arma e apontou para nós. Vocês irão morrer, seus desgraçados! Enfiamos no mato numa velocidade incrível e resolvemos parar com isso.
A idéia consistia na seguinte organização. Um de nós subiria na figueira e ficaria de olho no movimento. Um ficaria embaixo na porta do mercado enquanto um ficaria no telhado e outro desceria dentro do mercado. Encheria um embornal que fizemos de mercadoria: bolachas, leite condensado, leite ninho, achocolatados e outras coisas que surgissem na hora. Também olharia o caixa para ver se tinha algum dinheiro. Essas coisas seriam para suprir a cabana com alguns materiais de consumo.
Olhava atentamente, ora a parte de cima, ora a parte de baixo da rua, para me certificar de que nada atrapalhasse o nosso plano. Mas, tinha quase certeza que nada aconteceria. O povo daquela cidade dormia cedo e depois da meia-noite era quase impossível encontrar uma alma vivente andando pelas ruas. O colega que estava no telhado já havia descido boa parte de coisa para o que estava embaixo quando ouvimos um barulho enorme dentro do mercado.
O coração disparou. Desci como um foguete e junto com o que estava no telhado e o que estava do lado de fora corremos para um matagal a dois quarteirões abaixo e escondemos os produtos adquiridos naquela empreitada, enquanto esperávamos saber alguma novidade do nosso colega.Uma dúvida cruel perpassava a nossa cabeça. O que havia acontecido? Esperamos alguns minutos e então resolvemos levar os produtos para a cabana. Ficamos por lá até o dia amanhecer.
Cidade pequena sabe como é. Nas primeiras horas do dia já sabíamos que nosso colega havia tropeçado em uma pilha de latas vazias dentro do mercado o que despertou o proprietário. Antes que ele pudesse sair pelo telhado o dono do mercado o abordou com uma arma em punho. Desce daí, seu ladrão de araque, senão eu atiro em você. Não teve outro jeito. O coitado foi obrigado a descer e explicar o que estava fazendo dentro do mercado. Levado para a delegacia foi interrogado e se manteve em silêncio mesmo diante da ameaça do severo delegado.
O delegado e o dono do mercado resolveram liberar o larápio depois de dar-lhe uma boa surra. Na visão deles era possível capturar os outros comparsas se o deixasse livre. Ledo engano. Nunca mais vimos nosso colega.
Dias depois desse acontecimento ele se mudou da cidade. Segundo os pais, fora para a casa de uns tios em São Paulo. A única testemunha de tudo isso é a figueira, que segundo informações, foi cortada há pouco tempo.
Texto: Odair
quarta-feira, 15 de abril de 2009
OLHOS QUE SE FORAM EM UMA NOITE

Sabrina era uma menina linda. Sonho de felicidade de seus pais. Nunca havia sofrido na vida. Na verdade, sempre tivera uma vida maravilhosa. Seus pais, amigos e conhecidos a adoravam e, acima de tudo, a reverenciava pela sua capacidade intelectual. Era uma moça muito bonita. Pele morena clara de lindos olhos castanhos. Tinha um corpo escultural e cabelos sedosos e cacheados. Sempre fora uma garota dedicada nos estudos. Sempre era o destaque da sala. Com isso tinha muitos admiradores, mas também, muitos invejosos que não gostavam dela. Ela nem se importava com isso. Mantinha sempre os pés no chão e procurava tratar todo mundo com muita simpatia.
Nos seus 19 anos estava terminando o curso em bacharel em Direito e sonhava ser uma juíza. Ninguém duvidava do seu potencial para isso. Inteligente e dedicada nos estudos nada poderia impedir que seu sonho se realizasse.
Seus pais tinham o maior orgulho da filha única que tinham e que sempre fora um encanto de menina. Gabavam-se sempre com os amigos e comentavam os avanços que ela alcançava na vida a cada dia. Os amigos os parabenizavam pela grande vitória que tinham na vida. Poucos casais podiam ter essa felicidade, diziam sempre.
Jéssica era uma menina linda. Morena de lindos olhos negros, cabelos cacheados e corpo escultural que chamavam a atenção de todos os homens por onde passava. Com 19 anos não sabia o que era ter uma vida normal. Passava a maior parte do tempo ajudando a mãe que ficara deficiente após um inicio de derrame a cuidar dos quatro irmãos menores. Moravam em um bairro pobre da cidade e, por causa desse esforço, não tivera tempo de estudar. Foi na escola algumas vezes mais não havia aprendido muita coisa. Sonhava em encontrar alguém que a amasse e a tirasse daquela vida sofrida. Mas a maioria dos homens que se aproximava dela tinham outros interesses e ela, por mais que precisasse, nunca aceitou dinheiro para ir pra cama com nenhum deles.
Lira era um jovem escritor da cidade que sempre vivia a imaginar as situações das quais descrevia a que mais o interessava. Acalentava o sonho de publicar seus poemas e reflexões. Não tinha dinheiro, mas sempre batalhou pelo seu ganha pão. Nos seus 30 anos de existência tinha mantido uma relação de desconfiança com as mulheres. Sempre que conhecia uma em uma festa ou em um bar, costumava escrever sobre a impressão deixada por elas em sua vida. Quase nunca repassava isso a elas. Costumava guardar para si na esperança de deixar registrado nas paginas de um livro. Eternamente, pensava sempre.
Foi num sábado à noite, nas proximidades do cais as margens do Rio Paraguai que ele viu os olhos castanhos de Sabrina. Ela estava toda feliz junto com vários amigos e amigas. Pelo que Lira observou, eles estariam se concentrando para uma festa que aconteceria no clube próximo dali. Quando o jovem escritor fixou os seus olhos naquele rosto angelical ele imaginou o poema que descreveria aquela coisa linda. Os olhos castanhos vivos daquela garota representavam a felicidade da vida. Neles era possível notar que não existia sofrimento. Aqueles olhos demonstravam o amor e a felicidade que a vida proporciona.
Não costumava abordar as pessoas na rua, mas dessa vez ele teve essa ousadia. Entrou no meio do pessoal que faziam uma algazarra total enquanto bebiam e dançavam ao som de um dos carros de som automotivo estacionado ali na Praça Barão do Rio Branco. Chegou diante dela e parou em sua frente. Gostaria de escrever-te um poema sobre o que vi em seus olhos, disse. Ela sorriu e, bastante confusa com a abordagem indagou ao moço: e porque não escreve? Preciso saber o seu nome para isso, disse ele. Sabrina, respondeu ela. Lira saiu dali e ainda ouviu um carinha perguntando a ela o que tinha sido aquilo. Ah, o cara disse que queria escrever um poema sobre os meus olhos.
Já passava da meia noite quando ele parou em um bar nas proximidades da Avenida São Luiz, próximo ao estádio de futebol, o Geraldão. Sentou-se e pediu uma cerveja. Enquanto ingeria a bebida compassadamente ele começou a escrever o poema para os olhos de Sabrina. Foi nesse momento que ele notou a presença da garota na mesa ao lado. Estava acompanhada de outras duas e, com certeza, pensou ele, esperavam por algum homem. Não pode deixar de fitar os olhos negros da menina. Admirou, também, o seu belo corpo que estava a mostra cuidadosamente por um decote e uma mini-saia. Ainda não havia terminado o poema sobre o olhar de Sabrina quando decidiu ir até a mesa e repetir a frase que tinha falado para a morena na Praça Barão.
Jéssica olhou para ele com um sorriso maroto e falou seu nome. Quando ele voltou para sua mesa começou a escrever. A diferença, para ele era patente. Aqueles olhares, apesar de lindos e sedutores, demonstravam um contraste sem igual. Neles o escritor viu alegria e tristeza, felicidade e sofrimento. Não sabia o porque, mas ficou bastante confuso. Escreveu os poemas e não sabia se algum dia encontraria as meninas para entregar-lhes o que escrevera. Caminhou a passos lentos para casa naquele fim de noite. Imaginou aqueles olhares e não sabia ao certo, qual dos dois chamava mais sua atenção.
Acordou por volta das dez horas da manha do domingo e ligou o rádio. Foi quando ouviu a noticia de que um acidente gravíssimo havia acontecido naquela madrugada na cidade e duas jovens haviam sido mortas. Ficou parado por algum tempo refletindo sobre aquilo e fez um propósito de ir ao velório das meninas.
Seu coração quase disparou quando olhou a moça deitada no caixão que estava sendo velado na Igreja Matriz. O número enorme de carros e motos denunciava que a pessoa era importante na sociedade. O rosto ficou patente aos seus olhos. Sabrina tinha os olhos fechados naquele momento. Uma tragédia sem proporção. Saiu dali com uma tremedeira nas pernas e quase não vai até o outro velório.
Texto: Odair.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O Menino da Praça da Feira

Dentre as inúmeras coisas que observei já com a intenção de escrever para esse blog eu pude notar as garotas que perambulavam em busca de recursos para preencher suas noites (de prazer e dinheiro). Tal como aves de rapina em volta das suas presas elas andavam a procura de homens que pudessem dar a elas algum dinheiro. Notei um senhor já de meia idade que chegou em uma moto já trombando em suas próprias pernas devido ao álcool na cabeça e logo rodeava uma das meninas e se esfregava nela. Não entendo como as pessoas se sujeitam ao ridículo dessa forma? A mulher em aceitar que um cara molambento daquele fique alisando ela e passando as mãos em suas partes intimas. O homem em se deixar dominar pela bebida a ponto de se tornar um molambo.
No entanto, nada me chamou mais a atenção do que o garoto que me pediu um dinheiro para comprar um baguncinha, segundo ele me disse. Estava esperando o garçom trazer o nosso pedido e observando o andamento das pessoas na praça além do sorriso de minha amada (ela fica linda nos dias em que está feliz) quando o menino apareceu e me pediu dinheiro para comprar o lanche. No momento disse a ele que não tinha e que não poderia ajudá-lo. Ele saiu de perto de mim e ficou próximo ao carrinho de lanche do outro lado da praça. Eu o observei durante algum tempo vendo o que ele faria. Ele estava em uma bicicleta e ficou um bom tempo parado ao lado do carrinho de lanche. Pediu dinheiro para duas mulheres que passou perto dele e elas deram-lhe alguns trocados que vi. Quando terminei de fazer meu lanche juntamente com minha amada disse a ela para me esperar que eu fosse dar o dinheiro do lanche para o menino.
Caminhei até onde ele estava e dei-lhe uma moeda de 1 real dizendo que era para ele completar e comprar o lanche dele. Ele me disse que precisava de mais 50 centavos para completar o valor do lanche. Dei-lhe os 50 centavos e conversei um pouco com ele. Magrinho e sujo ele me disse que morava na Cidade Nova. Quando voltei para a minha mesa vi que o menino foi embora. Fui conversando com minha amada sobre qual seria o destino do dinheiro que o menino arrecadou. Com certeza não era para o lanche porque ele simplesmente foi embora. Seria para ajudar seus pais? Seria para comprar drogas? Cola, quem sabe? Um ponto de interrogação permanece no ar com relação a isso.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A irmã de Suelen... (Quarta Parte) - Por que o amor faz sofrer?

Dona Adelaide, dias depois, soube, por intermédio de uma pessoa, que Suzana estava tendo um caso com Beto. A princípio ela não acreditou na história e disse que era mais uma fofoca. Suzana estava morando com Henrique, como poderia ter um caso com Beto? Além disso, os dois quase não se conheciam. Pensou ela.
A paixão avassaladora que tomava conta de Beto e Suzana já não os deixava pensar nas conseqüências. Freqüentemente, os dois se encontravam e passavam horas e horas juntos. Viajavam para Mirassol e Quatro Marcos, cidades próximas de Cáceres e, normalmente, iam para a casa de campo de Beto que ficava em um paraíso ecológico no Pantanal a poucos km de Cáceres.
Exatamente por esses encontros na casa de campo que Cristina, esposa de Beto, ficou sabendo do caso do marido com a morena da cidade. Cristina era uma mulher vistosa, muito bonita por sinal. Era clara de cabelos negros cacheados e olhos castanhos envolvente. No entanto, deixava transparecer uma mulher amargurada. Ela sabia que o marido nunca tinha sido fiel com ela, mas sempre era um caso aqui, outro ali. Nunca um envolvimento amoroso da forma que estava sendo agora. Ela notava que seu casamento de mais de 7 anos estava se acabando. Beto já não importava mais com ela e dava pouca atenção para a filha do casal a pequena Michelle de 5 anos e meio.
Por outro lado, Henrique também descobriu que a esposa estava tendo um caso com o empresário. O fato foi curioso. Henrique foi fazer uma entrega de compras do supermercado na casa de umas universitárias. Estava colocando as mercadorias na mesa quando ouviu umas meninas que estavam em uma sala de computador conversando sobre Suelen e sua desistência da Universidade. Ouviu quando uma delas disse: ela foi embora porque descobriu que a irmã tem um caso com o homem que ela queria. As duas eram super amigas, mas Suelen não perdoou a irmã por ter dado o bolo nela.
O coração de Henrique quase saiu pela boca tamanha a sua decepção naquela hora. Ele sempre fora um cara apaixonado por Suzana e não entendia o porquê a esposa tinha feito isso. Agora ele percebia o distanciamento dela nos últimos meses. Então era isso! Mas Henrique era muito sereno e resolveu não comentar nada e ver até onde ia aquele negócio. Nessas horas cada pessoa tem uma atitude e nem sempre é a que tomaríamos.
Beto e Suzana, nos seus encontros, falavam muito sobre eles e a paixão que sentiam um pelo outro. Numa dessas tardes de amor, Beto disse a ela que gostaria muito de ter um filho com ela. Desejava ter um filho homem e que ele seria lindo se fosse filho de Suzana. Prometeu ainda que, caso ela tivesse esse filho ele ajudaria toda a família dela a começar pelo pai dela. Suzana disse a ele que não interessava a ajuda para os pais, até porque eles não mereciam por tudo que tinham feito para que ela e a irmã encontrassem um homem rico, mas que teria o filho porque o amava e era a intenção dela ter um filho dele.
No início da gravidez foi que Henrique resolveu falar com Suzana. Havia se passado mais ou menos uns dois meses desde que ele havia descoberto a traição da esposa. Perguntou a ela porque a mais de cinco meses ela havia abandonado o serviço na livraria e o enganava sobre isso. Suzana pediu mil desculpas a ele e contou-lhe que tinha se envolvido com Beto e que não conseguia se livrar daquele sentimento. Contou, também, que o empresário a ajudava com o salário e que estava grávida dele. Henrique disse que a deixaria livre, mas que nunca a perdoaria por ter feito isso com ele. Suzana sabia que não merecia mesmo o perdão de Henrique.
Cristina ficou furiosa quando foi conversar com Beto a respeito de Suzana. O empresário deixou que ela falasse o que queria e não deu muita importância. Era totalmente diferente daquele homem amoroso que Cristina conhecera há anos atrás. Ele disse a Cristina que se ela não estivesse satisfeita com o casamento que fosse embora e o deixasse em paz. Foram muitas lágrimas que Cristina derramou depois daquele dia. Seu coração sentia um aperto. O que mais a magoava era o silêncio de Beto. Ele não falava sobre Suzana. Mas Cristina sabia que todos os dias ele saia com ela.
Após Suzana se separar de Henrique ela foi morar em um apartamento que Beto havia comprado para os dois. A gravidez de Suzana corria normalmente sob cuidados médicos e acompanhamento psicológico. Mas com o passar dos meses e conforme a barriga dela aumentava a visita de Beto ao apartamento foi ficando cada vez menor. No começo ele vinha todos os dias e agora vinha uma ou, no máximo, duas vezes na semana. Suzana começou a pensar coisas e a ficar preocupada. O que estava acontecendo. Ela ficou mais apreensiva ainda quando foram tirar a utrassonografia e, mesmo vendo que era um menino, Beto não esboçou reação de alegria.
Perto de ter filho, Suzana recebeu a visita de sua mãe. Dona Adelaide conversou com a filha durante alguns minutos e percebeu a tristeza nos olhos da filha. Perguntou a ela o que tinha acontecido. Suzana explicou que Beto havia mudado muito nos últimos dois meses e que ela ficava a maioria do tempo ali sozinha. Dona Adelaide olhou para a filha e falou com bastante tristeza: “Filha, acho que nunca seremos perdoados pelo que fizemos a vocês”. Suzana indagou a mãe do que ela estava falando e Dona Adelaide continuou: “Seu pai e seu tio por causa da ambição deles fizeram com que as minhas lindas filhas tivessem esse destino cruel”. Suzana olhou fixamente para a mãe e cada vez mais ficava sem entender nada. Solicitou que ela falasse logo de uma vez o que queria dizer. “Minha filha”, disse dona Adelaide, finalmente, “tem dois meses que Suelen voltou. Ela está totalmente mudada. Parece até outra mulher. Decidida, mais bonita e com uma personalidade forte. Dois dias depois que ela chegou Beto a procurou e disse que está apaixonado por ela”.
sábado, 17 de janeiro de 2009
A irmã de Suelen... (Terceira Parte) - O caso de Suzana.

Seu relacionamento com Henrique era um relacionamento bastante simples. Henrique trabalhava em um supermercado da cidade e sempre chegava cansado em casa. Ela estava trabalhando em uma livraria e também chegava sempre cansada. Os dois pegavam o almoço e janta em um restaurante e depois de comer, assistiam um pouco de TV e iam dormir. O sexo, apesar de ser um casal novo, não era tão freqüente. Mas tinham uma relação boa entre ambos.
Naquela tarde o coração de Suzana quase parou quando ela ergueu os olhos e viu bem na sua frente à presença marcante de Beto. Ele sorriu para a moça e disse que estava querendo fazer um orçamento de materiais escolar e se ela poderia mostrar para ele. Suzana mal conseguia controlar suas pernas de tanto que tremia. Acompanhou ele mostrando-lhe os materiais. Beto fazia questão de olhar ela sempre nos olhos e sempre que podia ele tocava a sua pele fazendo os pelos subirem. Ele parecia que se divertia com isso. Em um dado momento ele passou a mão pela cintura dela e a puxou para um lugar da livraria onde não tinha ninguém e antes que ela pudesse fazer alguma coisa ele a beijou na boca com muita volúpia.
Foi rápido, mas foi o suficiente para Suzana ficar nas nuvens. “Como beija gostoso” pensou consigo enquanto via o homem sair da livraria e entrar no seu carro. “Que audácia”. Naquela noite ela não dormiu direito. Enquanto Henrique dormia como um anjo ela rolava na cama pensando no beijo de Beto. “Ai meu Deus! Perdoa-me por isso!”
Toda vez que as duas irmãs se encontravam Suelen sempre falava em Beto. Suzana percebeu que a irmã tinha ficado apaixonada pelo homem e que essa paixão crescia a cada dia. O que ela não disse é que ela também estava apaixonada por Beto. Ela sentia medo e ciúme ao mesmo tempo. Pensava muito em Henrique que era um cara bom e que não merecia aquilo da parte dela. Mas não conseguia mandar em seu coração. Passou alguns dias pensando na hipótese de contar tudo que acontecera. Mas sabia que nem Suelen e muito menos Henrique entenderia a situação.
Numa tarde quando chegava à livraria em sua bicicleta ela foi abordada pelo empresário que estava em uma camioneta de luxo. Ele pediu a ela que inventasse uma desculpa no serviço e fosse ao encontro dele que a esperaria do outro lado da pracinha que tinha próximo dali. Ela não sabe como conseguiu, mas quando deu por si já estava dentro da camioneta. Beto foi muito gentil com ela e a tratou com todo carinho. Foram para o melhor motel da cidade. Suzana nunca tinha sido tratada tão bem antes de fazer amor. Beto a fez sorrir contando umas histórias para ela. Comprou um champanhe e frutas e fez uma massagem. Enquanto as mãos de Beto tocavam seu corpo moreno suavemente, Suzana sentia o pulsar de seu coração. Foi ficando mais excitada a cada movimento que o homem fazia em seu corpo. Foram horas de pura paixão. Ela se sentiu amada e amou aquele momento. As visitas foram ficando freqüentes e os dois já não conseguiam mais disfarçar a ansiedade para o próximo encontro.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
A irmã de Suelen... (Segunda Parte) - O almoço!

Beto era um homem alto e forte. Corpo bem definido e de porte atlético. Normalmente se encaixava no perfil da maioria das mulheres. No entanto, durante o almoço e as conversas, ele mostrou outra qualidade: sabia cativar as pessoas. De uma cultura superior ele conversou com todos na mesa e encantou a maioria das pessoas que ali estavam. Durante uma conversa e outra ele observava a jovem moça que havia sido “oferecida” a ele. Suelen estava linda e encantou o homem.
Houve um acidente quando um dos meninos que estavam na casa escorregou e caiu sobre Suelen que por sua vez tropeçou na mesa onde Dona Adelaide tinha acabado de colocar um bule de chá quente. O Bule foi jogado sobre o empresário e queimou sua mão. Durante alguns segundos ouve um momento de silêncio com a cena até que Suzana amparou o empresário e cuidou dos seus ferimentos. Ele, num misto de dor e revolta pelo acidente saiu como um louco da casa dos Almeida e foi embora cantando pneus.
Enquanto Suelen chorava no quarto, Suzana foi e a abraçou com carinho. Tentou confortar a irmã dizendo que aquilo foi um acidente e que não era pra ser daquela forma. Que, com o tempo, tudo se resolveria. Além do mais o homem que demonstrava um grande conhecimento e cultura tinha sido um grosseiro e bárbaro com uma situação normal e que podia acontecer com qualquer um. No entanto, as palavras de Suzana não conseguiram consolar Suelen. Sua revolta não era nem pelo empresário em si. Era um homem bonito, rico e culto, mas era casado e tinha uma família. O que a deixava revoltada era o fato de esse azar acontecer justamente com ela. Ficou bastante decepcionada consigo mesma.O domingo que surgira bonito e florido acabou terminando escuro e sem graça para a jovem loira.
A irmã de Suelen... (Primeira Parte)

Suelen era a mais velha e tinha uma pela bem clara com cabelos que beirava o loiro. Suzana era mais nova e um pouco mais morena com cabelos ruivos e cacheados. Em questão de beleza as duas eram lindas e despertavam a admiração de todos que as viam sempre a brincar perto da rua onde morava nos finais de tarde. Além delas tinha o irmão mais velho da família que se chamava George.
Elas sempre viveram em um dos bairros mais carentes da grande Cáceres e a cidade, por ser bastante antiga, sempre priorizou os bairros mais próximos ao centro do que os da periferia. Os pais das meninas sempre tiveram pensamentos diferentes com relação ao futuro delas. O pai sempre foi influenciado pelo irmão e tio das meninas em preparar as duas para arranjar um casamento que lucrasse para toda a família. O tio sempre dizia que poderia arrumar uma forma de encontrar homens da alta sociedade para que vissem as meninas e as tivessem em troca de dar a família status e boa posição na sociedade.
A mãe por outro lado sempre educou as filhas para que aprendessem o básico das funções domesticas e que estudassem para ter um futuro melhor. Dizia sempre as meninas para que se casassem apenas depois de já terem um futuro garantido e com quem realmente elas amassem e fossem retribuídas nesse amor. “Não faça como eu, dizia sempre, que me casei com um homem que não tem decisão”.
Aos 17 anos Suelen terminou o Ensino Médio na escola e entrou na faculdade de Biologia na faculdade da cidade. Ao entrar na universidade muita coisa mudou na vida de Suelen. Ela passou a dedicar-se mais aos estudos e isso fazia com que se distanciasse um pouco mais da irmã. Mas mesmo assim as duas eram muito amigas e conversavam até altas horas da noite. Suzana sempre esperava a irmã chegar da faculdade.
Acontece que dois anos depois quando Suzana também terminou o Ensino Médio e ia prestar vestibular para Direito ela conheceu Henrique. Foi uma paixão avassaladora e ela acabou se entregando a ele. Suzana tinha se tornado uma morena muito bonita. Seus cabelos cacheados eram de uma formosura intensa.
O pai e o tio das meninas, no entanto, nunca deixaram de planejar o que poderiam fazer para que arrumassem uma pessoa importante para que conhecessem as meninas.
Naquela época um dos grandes nomes da cidade era de um grande empresário do ramo de pecuária que tinha uma influência muito grande na cidade. Ele possuía uma grande propriedade produtora de gado de corte e mantinha um enorme conjunto de leilões que trazia grandes divisas para o município. Norberto Rosseto, mais conhecido como Beto era mais influente que o prefeito e delegados da cidade. Era um homem nos seus 30 anos, casado e pai de uma menina.
Um belo dia à tarde Beto parou em um bar da cidade para tomar uma cerveja. Encostou sua camioneta última geração, ligou o som e sentou-se na mesa. Próximo dali estava Otaviano e Rômulo, pai e tio das meninas, respectivamente. Sem pestanejar, Rômulo se aproximou de Beto e pediu se podia falar com o empresário um assunto importante. Beto, a principio, pensou que se tratasse de mais alguém a procura de emprego. Após alguns minutos de conversa entre eles, Rômulo olhou para Otaviano que aguardava em outra mesa e o chamou para junto deles. Conversaram bastante e Beto pagou a conta e saiu.
Dona Adelaide ficou horrorizada quando ouviu o marido dizer que deveriam arrumar a casa porque no domingo uma pessoa importante ia almoçar na casa deles. Não concordava com a atitude do marido e do irmão dele. Mas não tinha muito que fazer. Sempre fora uma mulher bastante submissa, herança do aprendizado de família. Naquela noite quando Suelen chegou da faculdade o pai e o tio a esperava. Entraram para o quarto e o tio expôs o seu plano. Segundo ele, no domingo quando o empresário viria almoçar com a família, Suelen deveria seduzir o homem e alcançar dele a sua admiração. A menina ficou meio confusa e disse que não achava isso certo. No entanto, seu pai e seu tio a convenceram de que valia mais um casamento com uma pessoa importante, rica e poderosa do que viver a vida toda sem um futuro definido. E concluiu que ela deveria pensar nos benefícios que traria a toda a família.Suelen, naquela noite antes de dormir ficou bastante pensativa. Ela tinha se tornado uma moça muito linda com seus cabelos loiros e um visual moderno ela chamava a atenção.
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