sexta-feira, 13 de novembro de 2009

36


36 é o número de anos que completo hoje...
Um lapso de vida em meio a vastidão do universo.
Momentos que são eternos
Pois traduzem sentimentos de uma vida abençoada.
Agradeço a Deus pela vida que me deu
Pois no Livro dEle
Os meus dias estão registrados antes mesmo do meu nascimento.
Cada segundo que vivo
É pela grande misericórdia de um Deus soberano
Que soube me amar e cuidar
Mesmo eu não sendo merecedor desse cuidado.
Agradeço de coração pelos amigos que tenho
Pela familia maravilhosa
Pelo conhecimento que me proporcionou adquirir
E, por fim, por todas as coisas boas que aconteceram nesses 36 anos.
Creio que dias maravilhosos ainda estão por vir
E, confiando nessa Graça Maravilhosa
Sigo na esperança de uma vida sob o cuidado de um Deus que me ama.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Deus! Onde Estás?


"É possível encon¬trar cidades sem muralhas, sem ginásios, sem leis, sem moe¬das, sem cultura literária; mas um povo sem Deus, sem orações, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, jamais foi encontrado". (Plutarco 45-125 d.C – Moralista e Historiador Grego).

Um breve olhar na literatura mundial em busca de resposta para o ateísmo resulta em respostas claras e objetivas de que a existência de Deus é um fato explícito e patente aos olhos de quem quer que seja.
O ateísmo, defendidos por alguns, de fato não existe. Os homens que negam a simples existência de um criador não conseguem defender essa idéia e ela acaba sendo refutada por quem deseja de fato saber a verdade sobre um Deus Criador.
As palavras de Plutarco, escrita no inicio da era cristã pode ser usada hoje com certeza de que é possível encontrar muitas coisas sem uma estrutura qualquer, só não é possível encontrar uma mente humana que não tenha esperança em um Deus maior.

Texto: Odair

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Grande Elefante Branco Cacerense


Domingo passado fui até o Facão (região turística de Cáceres) passar um dia diferente no sítio e esquecer um pouco a agitação da cidade. Até ai tudo normal, qualquer pessoa pode fazer isso. Na volta observei o Portal Temático na entrada da cidade e não pude deixar de pensar no desperdício de dinheiro público ou, pelo menos, mal aplicado.
Lembrei-me do elefante branco. No antigo reino do Sião, hoje atual Tailândia, era costume o soberano presentear os cortesões em desgraça com um elefante branco, animal sagrado, que não podia ser posto para trabalhar. E como se tratava de presente real, o súdito era obrigado a tratar o animal com todo carinho. Devia dar-lhe o melhor alimento e enfeitá-lo com tecidos e fios de seda, pois o monarca fazia visitas surpresa ao proprietário do elefante para ver como ele estava sendo cuidado. E ai de quem recusasse o presente.
De forma semelhante, o povo cacerense recebeu esse presente das autoridades e tem que conviver com esse elefante. É certo que aquilo parece mais com uma aranha gigante, no entanto, não deixa de ser um mal investimento para uma cidade que tem mais da metade de suas ruas sem asfalto.
A pergunta que permanece sem resposta é a seguinte: que tamanho é a mentalidade de nossos legisladores e operadores do poder executivo. Mais uma vez me reporto a antiga Ponte Branca, símbolo de uma Cáceres antiga e inesquecível, que foi impiedosamente destruida.
Enquanto destroem o patrimôneo que poderia ser explorado para o turismo, constroem obras faraônicas de que a sociedade não precisa.

Texto: Odair
Imagem: Odair

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crimes de Fronteira


Na região da Grande Cáceres é um tanto complexo as questões envolvendo os crimes de fronteira. Evasão de divisas, Golpes de financiamento e o tão famigerado Tráfico de drogas são os principais crimes de fronteira utilizados nessa região e os que as policias civil, militar e federal vem combatendo.

Em uma abordagem bastante esclarecedora esse foi um dos destaques da XIII Semana Jurídica que aconteceu na semana passada aqui em Cáceres. O Dr. Rogers Elizandro, Delegado de Polícia Civil abordou, entre outras coisas, a questão de como é produzida e distribuida a cocaína boliviana (diga-se de passagem, a pior cocaína dos produtores sul-americanos e cosumida pelos brasileiros).

Entre os destaques dessa abordagem podemos destacar os maiores produtores de cocaína: a Colômbia produz cerca de 50% da droga e o mercado consumidor é os EUA. Em segundo lugar vem a cocaína peruana, cerca de 32% e o mercado consumidor é a Europa. Depois vem a cocaína boliviana e o principal mercado consumidor é o Brasil. Até ai tudo normal. O que assusta é que, nos últimos anos, a droga colombiana e a peruana sofreu uma queda enquanto a boliviana cresceu cerca de 6%. É um dado alarmante.
Por outro lado podemos visualizar o apoio do governo brasileiro a Evo Morales (conhecido por ser um dos maiores produtores de coca da bolivia) o que dificulta o combate que a própria polícia faz na fronteira. Outro detalhe interessante é a questão que a própria polícia enfrenta em seio meio a corrupção e desvio de comportamento. Os maus policiais acabam prejudicando o trabalho de combate ao tráfico de drogas.

A palestra serviu de informação que nos mostrou de forma precisa como é o trabalho da polícia e como é dificultoso trabalhar no combate aos crimes de fronteira com uma infra-estrutura policial bastante deficitária. O apelo aqui é que o governo brasileiro em vez de apoiar Evo Morales na costrução de estradas que facilitará ainda mais a entrada das drogas em nosso país invista mais recursos e armamento para os nossos policiais.

Texto: Odair.
Foto: Odair. Eu e o Delegado de Polícia Civil Dr. Rogers Elizandro

sábado, 10 de outubro de 2009

Bicicleta pra quê te quero...

Parado por meia hora no centro de Cáceres, com a câmera na mão foi possível visualizar porque a cidade é conhecida como a cidade das bicicletas. As imagens abaixo retrata essa exclusividade da cidade.



Texto: Odair
Fotos: Odair
Montagem: Odair

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Que Religião é Essa?



"Esta religião dos mortos parece ter sido a mais antiga entre os homens. Antes de conceber e de adorar Indra ou Zeus, o homem adorou os seus mortos; teve medo deles e dirigiu-lhes preces. Parece ser essa a origem do sentimento religioso. Foi talvez diante da morte que o homem, pela primeira vez, teve a idéia do sobrenatural e quis abarcar mais do que seus olhos humanos podiam lhe mostrar. A morte foi pois o seu primeiro mistério, colocando-o no caminho de outros mistérios. Elevou o seu pensamento do visível para o invisível, do transitório para o eterno, do humano para o divino".

A Cidade Antiga. Fustel de Coulanges.

Diante de uma infinidade de perguntas tais como de onde surgiu a religião e para que o homem tem que adorar alguma coisa, esse livro é uma indicação de respostas para algumas das perguntas sobre adoração e origem do culto.
Indico com muita propriedade a leitura dessa obra magnífica desse historiador.

Texto: Odair

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cáceres 231 anos


Uma das mais belas e impávidas cidades do Brasil, com uma história incrível (mal contada, é certo), às margens do Rio Paraguai. Eis uma síntese do que é a cidade de Cáceres. Cheia de atrativos diversos e gente hospitaleira. Uma cidade mal administrada ao longo do tempo e que, mesmo assim, se mantêm em constante transformação.
Nasci e cresci aqui neste chão (para mim sagrado) e me preocupo com o seu desenvolvimento. Faço um apelo aos habitantes desse pequeno paraíso para que vejam e combatam as "sanguessugas" que surgem de 4 em 4 anos com promessas e ilusões enquanto a cidade permanece no descaso. Sai de um grupo político tradicional e caem em outro grupo que não se preocupa com a população em geral.
O povo, em sua maioria, estão se divertindo nos bares e bailes da vida (é dificil encontrar outra cidade onde a sua população faça festa 24 horas por dia 7 dias por semana e 31 dias por mês) não se preocupa com os ocupantes dos cargos públicos. Os ditos "representantes" da população.
Tem muita gente boa nessa cidade. Muita mesma. Gente que trabalha em prol da melhoria de vida dos menos favorecidos e gente que diverte. O cacerense é abençoado por Deus e tem que valorizar esse pedaço de chão.
Nesse dia especial deixo aqui minha singela homenagem a essa que é a melhor cidade do mundo para se viver. Existe um descaso com a cidade, isso é fato, mas está na hora de cada um de nós olharmos com atenção e escolhermos pessoas interessadas em transformar esse paraíso histórico em orgulho para todos cacerenses. Não podemos esperar mais 231 anos para que isso aconteça. A mudança começa agora!

Texto: Odair.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ANTÍGONA


Nas portas de Tebas cairam
Os dois irmãos em uma luta fraticida
Pelo trono tebano lutavam
E por ele perderam a vida.

Eteócles não cumpriu seu trato
De após um ano dar o trono ao irmão
Polinice se refugiou em Argos
E a Tebas veio lutar com razão.

Cumprindo a maldição de seu pai
Os dois morreram ao fio da espada
O sangue jorrou no portão de Tebas
E dessa vida nem um levou nada.

Creonte, o tio dos dois, assumiu o trono
E a Eteócles enterrou com honra
Promulgando um edital contra Polinice
Que o lançava nas profundezas em desonra.

Desafiando ao edito do rei
Em uma prova de amor fraternal
Antígona, irmã de Polinice, resolveu sepultá-lo
Mesmo sabendo das consequências do edito real.

Avisado pelo adivinho Tirésias
De que estava errado em seu julgamento
Creonte condenou Antígona
Sem ligar para o seu sofrimento.

Condenada a ser emparedada
Para aos poucos morrer
Antígona resolveu suicidar-se
Para que não pudesse sofrer.

Ao ver a amada morta
Hêmon, filho do rei Creonte
Também suicida-se de forma cruel
Preferindo não mais ver o horizonte.

Mas, como uma trágedia é pouco
A mulher de Creonte, mãe de Hêmon, Euridice
Em desespero fatal tira sua própria vida
Não dando ouvido a crendice.

No auge de sua arrogância
Creonte rompe a barreira do Direito Natural
Enfrente, então, a revolta dos deuses
E sofre uma consequência infernal.

Não cabe a nós julgá-lo pelo seu destino
Do julgamento final de sua decisão
E sim tirar lições dessa tragédia
Para o futuro de nossa imaginação.

Poema: Odair

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Invasões Bárbaras


Hoje assisti no Juriscine (um projeto do professor Juliano), um daqueles filmes que nos fazem pensar. E por ser um filme bastante inteligente recomendo aos meus leitores que o assistam para terem as suas próprias conclusões.

As Invasões Bárbaras é daqueles filmes que possibilitam uma série de leituras. Por exemplo: o antiamericanismo, a eutanasia, a globalização, corrupção, sindicatos, saúde pública, religiosidade, holocausto indígena entre outros temas interessantes.

Os diálogos são ricos em argumentos sobre a importância da vida. E nos faz pensar o porque só valorizamos a vida na hora da morte. Minha dica é a seguinte: eis ai um filme que você deva assistir antes da morte!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Nietzsche


Se existe uma realidade na vida
Quem discute isso é a filosofia
Quem me dera ter o dom
De transformar essas idéias em poesia.

De todos os grandes mestres
Que aventaram ideais de existência
Sempre há o que mais nos chama a atenção
E atiça nossa inteligência.

Tenho procurado ler todos os filósofos
Do qual minha mente é capaz
Para procurar ter minhas definições
E dos temas atuais não me tornar fugaz.

No entanto, teço aqui minha homenagem
A um dos filósofos que seduz minha imaginação
Com idéias tão contraditórias
Que espalha medo a mais profunda razão.

Nietzsche revoluciona o modo de pensar
Transformando a realidade e a moral
Desconstruindo mitos enraizados
Na memória do povo em geral.

Não que o tenha como fonte de inspiração
Até porque não concordo com todo seu juízo
Mas considero sua inteligência fugaz
Em mostrar novos olhares sem prejuízo.

Qual é o nosso conhecimento de verdade
E de onde vem essa noção?
Questionar os dogmas estabelecidos
É dar liberdade ao coração.

Poema: Odair

Veja em
http://www.worldartfriends.com/modules/publisher/article.php?storyid=11832

sábado, 12 de setembro de 2009

Anjos do sol


O texto de hoje é uma recomendação. Assisti um filme ontem chamado Anjos do sol, uma produção nacional que retrata a questão da prostituição infantil. O filme chama a atenção para esse fato. E foi justamente ontem que li uma noticia sobre um estupro aqui em Cáceres que realmente deixa-nos estarrecido. Até que ponto chega o ser humano. O pai, aproveitando que a mãe tinha saido, estuprou a filha de 13 anos violentamente.

Sugiro que assistem o filme e façam uma reflexão. Podemos, sim, fazer alguma coisa para que isso diminua no nosso país.


Texto: Odair

sábado, 29 de agosto de 2009

Parasitas Sociais


Como sanguessugas eles vivem
De sugar o sangue de quem quer viver
Causando a destruição de vidas
Que só sabem o que é sofrer .

Morcegos de hábitos noturnos
Causam mazelas na sociedade
Tirando o pão da boca de crianças
Que tentam sobreviver nas ruas da cidade.

Parasitas sociais eleitos pelo povo
Mas que deles só sabem sugar
Com promessas mirabolantes
Conseguem ao poder chegar.

Uma vez no poder
Exercem com dureza a dominação
Atacando as funções de seus hospedeiros
Deixando-os miseráveis no chão.

Concietizemo-nos dessa realidade
E reivindiquemos um novo realismo
Com pessoas que façam políticas verdadeiras
Para exterminarmos de vez o parasitismo.


Odair...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Presságio - Algumas considerações a respeito do filme.


Ontem assisti ao filme Presságio. Desde o seu lançamento nos cinemas vinha planejando assísti-lo por duas razões. A primeira pelo fato de ser um filme com Nicolas Cage. Quase todos os filmes que o cara faz tem uma idéia interessante. A segunda, e talvez mais importante, pelo fato de ser um filme com tema do fim do mundo. Uma das teorias que mais me cativa.

Pois bem, o filme é bem produzido, tem um desenrolar legal e faz bastante sentido. A filosofia e o determinismo presente na história é bastante intrigante. Um belo discurso. Até agora fico vendo as pedrinhas flutuando.

Creio em profecias e não creio que pessoas possam alterar os desígnios estabelecidos. O novo jardim do éden no final não me soa legal. Seria como começar tudo de novo. Mas essa é uma opinião minha.

Recomendo a quem ainda não assistiu dar uma olhada.


Texto: Odair.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

E agora, ANIMAL?


Ao adentrar a floresta
Seus olhos contemplaram apenas
A lenha para o seu barraco.

Ao navegar pelos rios
Sua ganância só contemplou
O peixe para o caldo de domingo.

No cerrado alado
Desfizestes os densos arbustos
Para os pastos de suas reses.

Nos mares navegados
Acabastes com as baleias
E das focas fizestes esportes.

Agora o inverno congela
No verão do tempo
E o verão escaldante
Derrete o gelo no inverno.

Agora sofres com as enchentes
Rastejas diante dos tsunamis
E choras diante do calor abrasador.

Derrubastes as arvores da floresta
Poluístes os rios e sufocaram os peixes
Plantastes suas lavouras no cerrado
E extinguiram os peixes dos mares.

E agora, animal?
Texto: Odair

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gênesis



A sala fria
A carteira solitária
A espera de você.
O sonho
O futuro a sorrir
Na espera de você.
O ar desligado
O silêncio
Esperando você falar.
O conhecimento
Os livros
Esperando seus olhos.
Então você rompe as barreiras
O vestibular
E chega até aqui.
O começo
O princípio da carreira
Que oferece sucesso.
Pessoas diferentes
Sonhos distintos
Caminhando juntos a partir de agora.
Que o tempo
Nos ajude a vencer
E a não nos esquecer
Que a vida deve ser compartilhada.
Ninguém é uma ilha
E o isolamento é prejudicial
Preciso de você
Assim como precisa de mim.
O sucesso é conquistado
Com companheirismo
Nos campos de batalha
Na qual iniciamos agora.
A sala já não está tão fria
Pois o calor de cada um
Dá-nos a idéia de vitória.
De sucesso!


Poema: Odair - Dedicado a turma 2009/2 de Direito da UNEMAT.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Amor Vencendo a Discórdia



O exército grego diante dos muros de Tróia
A conseqüência de uma discórdia que aconteceu
Iniciada nas bodas de casamento
Do panteão grego entre Tétis e Peleu.

Não convidaste Éris, a deusa da discórdia,
Que a si mesmo considerava um tesouro.
Então ela jogou sobre a mesa da cerimônia,
Para provocar dissensão, a maça de ouro.

Quem é a mais bela
Atena, Afrodite ou Hera?
A discórdia entre ambas começou
No momento em que Éris, a maça apontou...

Páris escolhe Afrodite
Como sendo a mais bela flor.
Para compensar essa dádiva alcançada
Ela promete a ele um grande amor.

A mais linda das mulheres
Ao jovem príncipe troiano ela prometeu.
Helena mulher de Menelau, rei de Esparta,
Nos braços de Páris amanheceu.

O ego do ser humano
Essa história ilustra bem.
Discórdia, egoísmo e inveja
Não pode tomar conta de nós também.

Pensando nesse tema tão atual
Compartilho com Ana Laura, amiga de alegria.
A inversão da discórdia que causou tanto mal
No amor de uma linda poesia.



Obs: Este poema nasceu dos diálogos entre dois poetas...

Agradeço as idéias maravilhosas da Ana Laura.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um demônio ameaçador agachado do lado de fora da porta


A sombra da árvore foi o lugar de descanso que encontrei neste momento crucial de minha vida. Como poderia imaginar que tudo aconteceria tão repentinamente. Será que não pensei que poderia me meter nessa confusão terrível. O que faltou na minha oferta? Porque a oferta dele foi aceita e a minha não?
- Onde esta o seu irmão?
- Como vou saber? Por acaso sou eu o tutor de meu irmão? Deve estar cuidando de suas ovelhas.
Meus olhos se fecham por um instante e antevejo a minha morte. Possivelmente um de meus irmãos vai querer vingar a morte dele. Porque não entendi que havia um demônio ameaçador agachado do lado de fora da porta? Ou será que sou o demônio?
Começo a compreender que a oferta não poderia ter sido feita de qualquer maneira. Deveria ter percebido que teria que ser uma oferta de sangue. Eu poderia ter trocado meus produtos por uma ovelha e tê-la oferecido como sacrifício. Não! Eu sou agricultor e Ele poderia muito bem ter aceitado a minha oferta. Escolhi as melhores frutas e verduras. Porque Ele não aceitou isso? Deve ser porque gostava mais mesmo dele do que de mim. Também, sempre fiz o que achava que tinha que fazer. Esse negócio de ficar obedecendo isso ou aquilo não é pra mim.
- O que você fez?
Droga de pergunta. O que eu fiz? Acho que fiz uma besteira sem tamanho na história. Porque ele não brigou comigo? Se tivesse reagido talvez eu não o tivesse matado. Lembro-me como foi.
Crescemos juntos. O que nos diferenciou foi o que escolhemos para as nossas vidas. Claro que fomos obrigados a trabalhar. Isso foi o castigo que meu pai conseguiu junto com minha mãe. Que herança! Pois bem, a partir do momento em que tínhamos que trabalhar, envolvi-me com a agricultura. Criei uma lavoura de inúmeras frutas e verduras. Ele optou por criar ovelhas. Tudo caminhava bem até aquele dia. O dia da oferta. Fui a minha propriedade e escolhi algumas frutas e verduras. Claro que não me preocupei em escolher, peguei as primeiras que encontrei e as ofereci. Até achei ridículo o trabalho que meu irmão teve ao ficar selecionando as ovelhas. Levou quase o dia todo escolhendo, olhando se não estava com algum defeito ou mancha. Pra que tudo isso? Perguntei-me.
Já era tarde do dia quando colocamos nossas ofertas no altar. Notei que a fumaça do altar dele subiu ao céu ao passo que a do meu altar ficou parada envolto do mesmo. Porque isso se o vento era o mesmo. Porque não agradaste da minha oferta? Isso me deixou injuriado. Fiquei muito magoado com essa situação.
_ Por que anda tão bravo?
Ainda me pergunta isso? Estou bravo com essa situação. O que ele fez de diferente? Por que não agradou da minha oferta? Por que a fumaça do meu altar não subiu ao céu? Isso me deixou irritado.
_ Por que o seu semblante está carregado?
Não consigo conter a minha ira. O meu coração não pensa em outra coisa que não seja um meio de tirar ele do meu caminho. Preciso fazer alguma coisa.
_ Não precisa ficar com raiva. Se você tivesse feito o que é certo, estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, a sua espera. A intenção dele é dominar você, mas cabe a você vencê-lo.
Dominar? Parece fácil. Mas não consigo controlar a raiva que tenho dessa situação. E isso precisa ter um fim. Foi pensando assim que o chamei para a minha lavoura. Enquanto caminhava com ele, mostrei-lhe algumas frutas e perguntei-lhe:
_ Por que você acha que Ele não agradou da minha oferta? Veja que frutas bonitas, e foi exatamente dessas que ofereci no altar.
_ Lembra das roupas que nossos pais fizeram assim que descobriram que estavam pelados no jardim?
_ Sim. O que elas têm haver com a nossa situação?
_ As roupas eram feitas de folhas e Ele as trocou por pele de um animal que foi sacrificado para aquele fim. Você poderia ter deduzido desse fato que o sacrifício deve conter o sangue. Isso deve ter algum significado que não sabemos agora.
Minha ira atingiu o ponto máximo. Segurava uma clava na mão e acertei a cabeça dele. Foi uma só e ele caiu estirado no chão. Uma poça de sangue logo se formou em volta da sua cabeça. Por uns instantes fiquei olhando aquele corpo ali estendido e uma mistura de alivio e revolta percorria meus pensamentos. Ali mesmo cavei um buraco e o enterrei.
_ Por que você fez isso?
Não tenho resposta para essa pergunta nem mesmo se eu quisesse. Fiz o que achei que tinha que ser feito. Acho que nasci para isso.
_ Da terra, o sangue do seu irmão está gritando, pedindo vingança. Por isso você será amaldiçoado e não poderá mais cultivar a terra. Pois, quando você matou o seu irmão, a terra abriu a boca e para beber o sangue dele. Quando você preparar a terra para plantar, ela não produzirá nada. Você vai andar pelo mundo sempre fugindo. Mesmo debaixo dessa árvore não encontro descanso. E o pior é que, com esse sinal, ninguém vai querer me matar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sepultura Larga


Ouvi uma música antiga que gostaria de compartilhar com os leitores desse blog. A letra da música, apesar de ser antiga, reflete uma reflexão dos dias atuais.


A estrada da vida é um palco

Onde as cenas são todas reais

Muitos gozam e outros padecem

Resgatando seus erros fatais

São pessoas igual a criança

Que ainda não sabe o que faz

Que aquilo que não alcança

Quando alcança já não quer mais

Vejam bem quanto homem que casa

E ao lar ele nunca se apega

Abandona a esposa por outra

Mas acaba levando uma esfrega

Ele esquece que alguém tá de boca

Na esposa que ele venera

Pois mulher e alça de caixão

Quando um larga tem outro que pega

Também tem a mulher sem juízo

Que seu lar ela não considera

O amor, o respeito, a decência

Isso tudo pra ela já era

Ela esquece que todo marido

Quando ama, respeita e venera

A riqueza maior para ele

É o carinho da mulher sincera

Também tem o que só por preguiça

Um brilhante futuro empalha

Depois fica tramando da sorte

E dizendo que a vida é amarga

E se esquece que tem muita gente

Que trabalha qual burro de carga

Mas prefere uma vida apertada

Do que uma sepultura larga


Música de Sulino e Marrueiro.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Viajante


Sou viajante neste mundo e não um hóspede dele.
Nesse sentido, a vida que caminho diz respeito ao que penso
e faço enquanto passo por esta vida.
O que levarei de tudo que vi e que ainda vou ver?
O que deixarei para a posteridade?
Como viajante não tenho parada fixa.
Minha caminhada não termina quando o sol se põe.
Ela continua durante a noite escura.
Mesmo naquelas em que o brilho da lua não aparece.
Viajante que contempla
O que o mundo estabelece como vida e sonhos.
Viajante que vive a magia do amor
Mesmo sem saber definí-lo.
Viajante que acaba de passar por este espaço

Mas que segue firme sua jornada!


Poema: Odair


Obs: Esses poemas estão expostos no site http://www.worldartfriends.com/

Obrigado pela visita.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Voando Alto


“A águia voa sozinha, os corvos voam em bando, o tolo tem necessidade de companhia, e o sábio necessidade de solidão”. (Friedrich Rückert)

A cada manhã que acordo nos últimos dias tenho sentido uma sensação de alivio e paz na minha alma. Algumas de minhas decisões mais íntimas foram cruciais para que eu alcançasse esse patamar. Durante anos fui prisioneiro de minha incapacidade de viver sozinho e isso era o que eu mais precisava. Afinal de contas eu sou um sábio, um pensador. Tenho a mente privilegiada e, para uma boa qualidade de meus escritos, eu necessito dessa paz interior e do silêncio para melhor me expressar.


Acontece que acabamos caindo na rotina do dia-a-dia e esquecemos que temos uma vida para viver. Então comecei a pensar: afinal de contas quem sou eu: uma revigorante águia ou um simples corvo tolo?


A águia nos dá um exemplo bastante interessante. Vive nas alturas e isso faz com que elas enxerguem melhor e mais longe. Isso possibilita que elas tenham uma visão da vida acima dos demais pássaros da natureza. Por outro lado, os corvos só andam em bandos e representa os tolos que precisam de companhia para estar jogando conversa fora. Quem são os cultos dessa vida: os que estudam para chegar alcançar um patamar de vida melhor ou aqueles que passam horas nas mesas de bar jogando conversa fora?

Qual é o futuro mais cômodo lá na frente? É só parar e perceber o que essa vida passageira oferece.


O que dizer então daqueles que abandonam uma expectativa de vida futura para viver sem perspectiva de futuro? Não é possível entender e não é minha intenção julgar as decisões de outrem. Cada um faz da vida o que bem entender.

Quanto a mim vou seguindo a minha jornada. Às vezes incompreendido e esnobado, mas sei do que sou capaz. As criticas apenas me ajudam a crescer cada vez mais porque sei que só atiram pedras na árvore que tem frutos.


A solidão tem me ajudado a colocar meus textos reflexivos em dias e tem me possibilitado ajudar outras pessoas que passam por situação semelhante. Isso é um dom que Deus me deu e sei que o chamado dEle para minha vida é especial. As adversidades dos últimos dias me fizeram entender o propósito dEle na minha vida.


Assim como a águia pretendo voar o mais alto possível e viver uma vida de sentidos e valores. Para isso nasci e para isso vou viver.

Quanto a você que me lê nesse momento a minha indagação para ti é a seguinte: o que você pretende ser: uma águia e ter vôos altos ou ser um tolo corvo e ficar na companhia de gente vazia e sem futuro?

Responda pra você mesmo.


Texto: Odair José.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um exemplo de vida


"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo” ·
Jean-Paul Sartre

Então parei e me perguntei: o que estou fazendo de mim mesmo? Qual a expectativa tenho do meu futuro? E descobri, depois de longas noites de reflexão, que minha vida é importantíssima para ser interrompida por um deslize natural da vida. Se fizer da minha vida uma fonte de conhecimento e passar esse conhecimento para pessoas que merecem aprender alguma coisa já fiz boa parte do que a vida me proporcionou. Quero deixar para a posteridade e para os meus filhos, coisas que os farão terem orgulho do pai que tiveram, do amigo e do companheiro.
Naturalmente que nem todas as manhãs são iguais. Tem dias e dias. Dias que amanhece com um sol radiante e ficamos felizes por isso. Mas, tem dias que o sol não aparece e nem por isso devemos desanimar. A vida segue o seu rumo e não podemos deixar que o desânimo ou uma frustração venha interromper a nossa trajetória.

Quando José se viu diante da oferta da mulher de Potifar poderia muito bem ter aproveitado a ocasião e se deleitado na sensualidade que provavelmente ela tinha. Mas seria algo passageiro. Como ele optou por manter a sua integridade e caráter, teve que passar um bom tempo na cadeia. No entanto, hoje ele é visto e lembrado como um exemplo de caráter e perseverança. Se tivesse ficado com a mulher naquele dia, hoje ele estaria na galeria de mais um devasso e pederasta.

Não é fácil mantermos um padrão elevado em meio uma sociedade tão corrompida como a nossa, mas é necessário que isso aconteça. Tenho minha formação própria de que é preciso ter uma visão diferenciada no mundo moderno de hoje. Por isso, caminho com os olhos abertos em direção a fazer da minha vida um exemplo para as gerações posteriores.


Texto: Odair José.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Regresso


Um dia bati asas e voei.
Distante do lar
Procurei viver minha vida.
Os sonhos de liberdade
Os anseios de felicidade
Motivaram-me a sair.
Entreguei-me a vida boemia,
Vivi os amores
As ilusões e os calores do mundo.
Vaguei sem rumo
A esperança se foi
E perdido fiquei.
A saudade de casa
Do abraço carinhoso do pai
O calor da família
Fazia-me lembrar do quanto era feliz.
Agora, abandonado na sarjeta,
Sem rumo na vida
Olho para a casa do pai.
Como voltar?
Com os passos trôpegos e indecisos
Ponho-me a caminhar.
Mesmo que seja tratado como um servo
A vida em casa será melhor do que essa que vivo.
O dia do regresso chegou.
Os olhos de meu pai se enchem de lágrimas.
Para minha surpresa
Ele me abraça e diz:
_ Que bom ver você de volta!

Poema: Odair.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A FIGUEIRA


Do alto da figueira consegui observar que não havia movimento algum nas ruas da cidade. As pessoas dormiam. Apenas quatro jovens sem juízo perambulavam pelas ruas. Na verdade, tinham planejado um audacioso roubo naquela noite aproveitando que nada de diferente acontecia naquela pequena cidade no interior de Mato Grosso. O mercado do Batista era um estabelecimento comercial que ficava ao lado de uma das duas farmácias da cidade. Na frente do mercado erguia-se uma centenária figueira. Frondosa e aconchegante ela era o descanso de muitos durante os dias de sol quente. Seus enormes galhos cheios de folhas ofereciam sombra e descanso. Teve um dia em que vi um bêbado caído debaixo dela. Junto a ele estava umas laranjas que ele tinha comprado ou ganho de alguém. Passei e peguei o pacote de laranjas. Sacanagem. Não devia ter feito isso.
Durante a noite alguns casais aproveitavam para namorar embaixo da figueira que ofuscava ainda mais a fraca luz do poste próximo.A idéia tinha partido do mais novo. Vamos roubar o mercado Batista. Disse ele na reunião. Reuníamos quase todos os dias em uma cabana que havíamos construído nos arredores da cidade dentro da floresta e as margens de um riacho que por ali passava.
Naquelas reuniões falávamos de tudo um pouco e, volta-e-meia saia algumas pérolas que analisávamos para colocar em prática.
Houve uma vez em que fizemos umas máscaras de câmara de ar de pneus usados que pegamos em uma borracharia e fomos pra rua assustar as pessoas que vinham de noite da escola. Durante alguns dias fizemos muitas pessoas, principalmente as mulheres, correrem bastante. Algumas gritavam como loucas quando saiamos de dentro do mato com as máscaras e fazendo barulho. Paramos só no dia (ou noite) em que fomos assustar dois homens que desciam pela avenida principal e um deles arrancou uma arma e apontou para nós. Vocês irão morrer, seus desgraçados! Enfiamos no mato numa velocidade incrível e resolvemos parar com isso.
A idéia consistia na seguinte organização. Um de nós subiria na figueira e ficaria de olho no movimento. Um ficaria embaixo na porta do mercado enquanto um ficaria no telhado e outro desceria dentro do mercado. Encheria um embornal que fizemos de mercadoria: bolachas, leite condensado, leite ninho, achocolatados e outras coisas que surgissem na hora. Também olharia o caixa para ver se tinha algum dinheiro. Essas coisas seriam para suprir a cabana com alguns materiais de consumo.
Olhava atentamente, ora a parte de cima, ora a parte de baixo da rua, para me certificar de que nada atrapalhasse o nosso plano. Mas, tinha quase certeza que nada aconteceria. O povo daquela cidade dormia cedo e depois da meia-noite era quase impossível encontrar uma alma vivente andando pelas ruas. O colega que estava no telhado já havia descido boa parte de coisa para o que estava embaixo quando ouvimos um barulho enorme dentro do mercado.
O coração disparou. Desci como um foguete e junto com o que estava no telhado e o que estava do lado de fora corremos para um matagal a dois quarteirões abaixo e escondemos os produtos adquiridos naquela empreitada, enquanto esperávamos saber alguma novidade do nosso colega.Uma dúvida cruel perpassava a nossa cabeça. O que havia acontecido? Esperamos alguns minutos e então resolvemos levar os produtos para a cabana. Ficamos por lá até o dia amanhecer.
Cidade pequena sabe como é. Nas primeiras horas do dia já sabíamos que nosso colega havia tropeçado em uma pilha de latas vazias dentro do mercado o que despertou o proprietário. Antes que ele pudesse sair pelo telhado o dono do mercado o abordou com uma arma em punho. Desce daí, seu ladrão de araque, senão eu atiro em você. Não teve outro jeito. O coitado foi obrigado a descer e explicar o que estava fazendo dentro do mercado. Levado para a delegacia foi interrogado e se manteve em silêncio mesmo diante da ameaça do severo delegado.
O delegado e o dono do mercado resolveram liberar o larápio depois de dar-lhe uma boa surra. Na visão deles era possível capturar os outros comparsas se o deixasse livre. Ledo engano. Nunca mais vimos nosso colega.
Dias depois desse acontecimento ele se mudou da cidade. Segundo os pais, fora para a casa de uns tios em São Paulo. A única testemunha de tudo isso é a figueira, que segundo informações, foi cortada há pouco tempo.

Texto: Odair

quarta-feira, 15 de abril de 2009

OLHOS QUE SE FORAM EM UMA NOITE


Sabrina era uma menina linda. Sonho de felicidade de seus pais. Nunca havia sofrido na vida. Na verdade, sempre tivera uma vida maravilhosa. Seus pais, amigos e conhecidos a adoravam e, acima de tudo, a reverenciava pela sua capacidade intelectual. Era uma moça muito bonita. Pele morena clara de lindos olhos castanhos. Tinha um corpo escultural e cabelos sedosos e cacheados. Sempre fora uma garota dedicada nos estudos. Sempre era o destaque da sala. Com isso tinha muitos admiradores, mas também, muitos invejosos que não gostavam dela. Ela nem se importava com isso. Mantinha sempre os pés no chão e procurava tratar todo mundo com muita simpatia.

Nos seus 19 anos estava terminando o curso em bacharel em Direito e sonhava ser uma juíza. Ninguém duvidava do seu potencial para isso. Inteligente e dedicada nos estudos nada poderia impedir que seu sonho se realizasse.

Seus pais tinham o maior orgulho da filha única que tinham e que sempre fora um encanto de menina. Gabavam-se sempre com os amigos e comentavam os avanços que ela alcançava na vida a cada dia. Os amigos os parabenizavam pela grande vitória que tinham na vida. Poucos casais podiam ter essa felicidade, diziam sempre.

Jéssica era uma menina linda. Morena de lindos olhos negros, cabelos cacheados e corpo escultural que chamavam a atenção de todos os homens por onde passava. Com 19 anos não sabia o que era ter uma vida normal. Passava a maior parte do tempo ajudando a mãe que ficara deficiente após um inicio de derrame a cuidar dos quatro irmãos menores. Moravam em um bairro pobre da cidade e, por causa desse esforço, não tivera tempo de estudar. Foi na escola algumas vezes mais não havia aprendido muita coisa. Sonhava em encontrar alguém que a amasse e a tirasse daquela vida sofrida. Mas a maioria dos homens que se aproximava dela tinham outros interesses e ela, por mais que precisasse, nunca aceitou dinheiro para ir pra cama com nenhum deles.

Lira era um jovem escritor da cidade que sempre vivia a imaginar as situações das quais descrevia a que mais o interessava. Acalentava o sonho de publicar seus poemas e reflexões. Não tinha dinheiro, mas sempre batalhou pelo seu ganha pão. Nos seus 30 anos de existência tinha mantido uma relação de desconfiança com as mulheres. Sempre que conhecia uma em uma festa ou em um bar, costumava escrever sobre a impressão deixada por elas em sua vida. Quase nunca repassava isso a elas. Costumava guardar para si na esperança de deixar registrado nas paginas de um livro. Eternamente, pensava sempre.

Foi num sábado à noite, nas proximidades do cais as margens do Rio Paraguai que ele viu os olhos castanhos de Sabrina. Ela estava toda feliz junto com vários amigos e amigas. Pelo que Lira observou, eles estariam se concentrando para uma festa que aconteceria no clube próximo dali. Quando o jovem escritor fixou os seus olhos naquele rosto angelical ele imaginou o poema que descreveria aquela coisa linda. Os olhos castanhos vivos daquela garota representavam a felicidade da vida. Neles era possível notar que não existia sofrimento. Aqueles olhos demonstravam o amor e a felicidade que a vida proporciona.

Não costumava abordar as pessoas na rua, mas dessa vez ele teve essa ousadia. Entrou no meio do pessoal que faziam uma algazarra total enquanto bebiam e dançavam ao som de um dos carros de som automotivo estacionado ali na Praça Barão do Rio Branco. Chegou diante dela e parou em sua frente. Gostaria de escrever-te um poema sobre o que vi em seus olhos, disse. Ela sorriu e, bastante confusa com a abordagem indagou ao moço: e porque não escreve? Preciso saber o seu nome para isso, disse ele. Sabrina, respondeu ela. Lira saiu dali e ainda ouviu um carinha perguntando a ela o que tinha sido aquilo. Ah, o cara disse que queria escrever um poema sobre os meus olhos.

Já passava da meia noite quando ele parou em um bar nas proximidades da Avenida São Luiz, próximo ao estádio de futebol, o Geraldão. Sentou-se e pediu uma cerveja. Enquanto ingeria a bebida compassadamente ele começou a escrever o poema para os olhos de Sabrina. Foi nesse momento que ele notou a presença da garota na mesa ao lado. Estava acompanhada de outras duas e, com certeza, pensou ele, esperavam por algum homem. Não pode deixar de fitar os olhos negros da menina. Admirou, também, o seu belo corpo que estava a mostra cuidadosamente por um decote e uma mini-saia. Ainda não havia terminado o poema sobre o olhar de Sabrina quando decidiu ir até a mesa e repetir a frase que tinha falado para a morena na Praça Barão.

Jéssica olhou para ele com um sorriso maroto e falou seu nome. Quando ele voltou para sua mesa começou a escrever. A diferença, para ele era patente. Aqueles olhares, apesar de lindos e sedutores, demonstravam um contraste sem igual. Neles o escritor viu alegria e tristeza, felicidade e sofrimento. Não sabia o porque, mas ficou bastante confuso. Escreveu os poemas e não sabia se algum dia encontraria as meninas para entregar-lhes o que escrevera. Caminhou a passos lentos para casa naquele fim de noite. Imaginou aqueles olhares e não sabia ao certo, qual dos dois chamava mais sua atenção.

Acordou por volta das dez horas da manha do domingo e ligou o rádio. Foi quando ouviu a noticia de que um acidente gravíssimo havia acontecido naquela madrugada na cidade e duas jovens haviam sido mortas. Ficou parado por algum tempo refletindo sobre aquilo e fez um propósito de ir ao velório das meninas.

Seu coração quase disparou quando olhou a moça deitada no caixão que estava sendo velado na Igreja Matriz. O número enorme de carros e motos denunciava que a pessoa era importante na sociedade. O rosto ficou patente aos seus olhos. Sabrina tinha os olhos fechados naquele momento. Uma tragédia sem proporção. Saiu dali com uma tremedeira nas pernas e quase não vai até o outro velório.

Antes não tivesse ido mesmo. Ficou mais aterrorizado ao ver o caixão, esse mais simples um pouco do que o anterior, mas dentro dele o corpo estendido era de Jéssica. Os olhos negros, também, estavam fechados. Olhou para o corpo estendido e se perguntou qual era aquele propósito na sua vida. Em seu bolso estavam os dois poemas. Coincidência? Destino? Não soube definir no momento. Soube apenas que durante a madrugada um motoqueiro atropelou Sabrina e bateu em um poste na frente do Banco do Brasil. Na garupa da moto estava Jéssica. No acidente as duas meninas acabaram tendo suas vidas ceifadas. Para Lira, aqueles eram olhos que se foram em uma noite.

Texto: Odair.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Menino da Praça da Feira


Ontem fui ao cinema com minha amada assistir ao filme Rede de Mentiras e após o filme paramos na praça da feira para comermos um espetinho. A Praça da Feira é uma praça no coração da cidade de Cáceres que oferece várias opções de alimentação durante a noite. É um local de feiras comerciais e agrícolas sempre as quintas e domingos. Durante o pouco tempo que ficamos ali pude observar uma infinidade de acontecimentos. Pessoas de todas as naturezas passam por aquela praça durante o dia e a noite, uma vez que a praça não dorme e nem as pessoas que habitualmente convivem em torno dela. É possível, numa rápida olhada, você encontrar michês, sapatões, lésbicas, homossexuais, cafetões, prostitutas e outras infinidades de pessoas dessa natureza. Claro que ali também freqüentam pessoas de boa índole (até porque eu estava lá) e, além disso, eu também não tenho nada contra a vida das pessoas e o que elas fazem ou deixam de fazer.
Dentre as inúmeras coisas que observei já com a intenção de escrever para esse blog eu pude notar as garotas que perambulavam em busca de recursos para preencher suas noites (de prazer e dinheiro). Tal como aves de rapina em volta das suas presas elas andavam a procura de homens que pudessem dar a elas algum dinheiro. Notei um senhor já de meia idade que chegou em uma moto já trombando em suas próprias pernas devido ao álcool na cabeça e logo rodeava uma das meninas e se esfregava nela. Não entendo como as pessoas se sujeitam ao ridículo dessa forma? A mulher em aceitar que um cara molambento daquele fique alisando ela e passando as mãos em suas partes intimas. O homem em se deixar dominar pela bebida a ponto de se tornar um molambo.
No entanto, nada me chamou mais a atenção do que o garoto que me pediu um dinheiro para comprar um baguncinha, segundo ele me disse. Estava esperando o garçom trazer o nosso pedido e observando o andamento das pessoas na praça além do sorriso de minha amada (ela fica linda nos dias em que está feliz) quando o menino apareceu e me pediu dinheiro para comprar o lanche. No momento disse a ele que não tinha e que não poderia ajudá-lo. Ele saiu de perto de mim e ficou próximo ao carrinho de lanche do outro lado da praça. Eu o observei durante algum tempo vendo o que ele faria. Ele estava em uma bicicleta e ficou um bom tempo parado ao lado do carrinho de lanche. Pediu dinheiro para duas mulheres que passou perto dele e elas deram-lhe alguns trocados que vi. Quando terminei de fazer meu lanche juntamente com minha amada disse a ela para me esperar que eu fosse dar o dinheiro do lanche para o menino.
Caminhei até onde ele estava e dei-lhe uma moeda de 1 real dizendo que era para ele completar e comprar o lanche dele. Ele me disse que precisava de mais 50 centavos para completar o valor do lanche. Dei-lhe os 50 centavos e conversei um pouco com ele. Magrinho e sujo ele me disse que morava na Cidade Nova. Quando voltei para a minha mesa vi que o menino foi embora. Fui conversando com minha amada sobre qual seria o destino do dinheiro que o menino arrecadou. Com certeza não era para o lanche porque ele simplesmente foi embora. Seria para ajudar seus pais? Seria para comprar drogas? Cola, quem sabe? Um ponto de interrogação permanece no ar com relação a isso.

O que é preciso fazer para que a infância não seja sacrificada dessa forma? A inocência é perdida e o futuro de nosso país é comprometido. Enquanto isso nos palácios em Brasília...


Texto: Odair José