segunda-feira, 17 de março de 2014

Egito, Mesopotâmia e Hebreus




Resumo do conteúdo para a prova de História do 1º ano CNEC.

Obs. Leiam o conteúdo na apostila. 

Egito 

A importância do rio Nilo
Como a região é formada por um deserto (Saara), o rio Nilo ganhou uma extrema importância para os egípcios. O rio era utilizado como via de transporte (através de barcos) de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura.

Sociedade Egípcia
A sociedade egípcia estava dividida em várias camadas, sendo que o faraó era a autoridade máxima, chegando a ser considerado um deus na Terra. Sacerdotes, militares e escribas (responsáveis pela escrita) também ganharam importância na sociedade. Esta era sustentada pelo trabalho e impostos pagos por camponeses, artesãos e pequenos comerciantes. Os escravos também compunham a sociedade egípcia e, geralmente, eram pessoas capturadas em guerras.Trabalhavam muito e nada recebiam por seu trabalho, apenas água e comida.

Escrita no Egito Antigo 
A escrita egípcia também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação de idéias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas principais de escrita: a escrita demótica (mais simplificada e usada para assuntos do cotidiano) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamado papiro, que era produzido a partir de uma planta de mesmo nome, também era utilizado para registrar os textos.

Economia 
A economia egípcia era baseada principalmente na agricultura que era realizada, principalmente, nas margens férteis do rio Nilo. Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores rurais eram constantemente convocados pelo faraó para prestarem algum tipo de trabalho em obras públicas (canais de irrigação, pirâmides, templos, diques).

Religião no Egito Antigo: a vida após a morte
A religião egípcia era repleta de mitos e crenças interessantes. Acreditavam na existência de vários deuses (muitos deles com corpo formado por parte de ser humano e parte de animal sagrado) que interferiam na vida das pessoas. As oferendas e festas em homenagem aos deuses eram muito realizadas e tinham como objetivo agradar aos seres superiores, deixando-os felizes para que ajudassem nas guerras, colheitas e momentos da vida. Cada cidade possuía deus protetor e templos religiosos em sua homenagem.

Mumificação 
Como acreditavam na vida após a morte, mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os em pirâmides, com o objetivo de preservar o corpo. A vida após a morte seria definida, segundo crenças egípcias, pelo deus Osíris em seu tribunal de julgamento. O coração era pesado pelo deus da morte, que mandava para uma vida na escuridão aqueles cujo órgão estava pesado (que tiveram uma vida de atitudes ruins) e para uma outra vida boa aqueles de coração leve. Muitos animais também eram considerados sagrados pelos egípcios, de acordo com as características que apresentavam : chacal (esperteza noturna), gato (agilidade), carneiro (reprodução), jacaré (agilidade nos rios e pântanos), serpente (poder de ataque), águia (capacidade de voar), escaravelho (ligado a ressurreição).

Mesopotâmia 
Introdução 
A palavra mesopotâmia tem origem grega e significa " terra entre rios". Essa região localiza-se entre os rios Tigre e Eufrates no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque. Esta civilização é considerada uma das mais antigas da história.

Principais povos 
Vários povos antigos habitaram essa região entre os séculos V e I a.C. Entre estes povos, podemos destacar: babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas e acádios.

Características comuns
No geral, eram povos politeístas, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. No que se refere à política, tinham uma forma de organização baseada na centralização de poder, onde apenas uma pessoa ( imperador ou rei ) comandava tudo. A economia destes povos era baseada na agricultura e no comércio nômade de caravanas.
Sumérios 
Este povo destacou-se na construção de um complexo sistema de controle da água dos rios. Construíram canais de irrigação, barragens e diques. A armazenagem da água era de fundamental importância para a sobrevivência das comunidades. Uma grande contribuição dos sumérios foi o desenvolvimento da escrita cuneiforme, por volta de 4000 a.C. Usavam placas de barro, onde cunhavam esta escrita. Muito do que sabemos hoje sobre este período da história, devemos as placas de argila com registros cotidianos, administrativos, econômicos e políticos da época. Os sumérios, excelentes arquitetos e construtores, desenvolveram os zigurates. Estas construções eram em formato de pirâmides e serviam como locais de armazenagem de produtos agrícolas e também como templos religiosos. Construíram várias cidades importantes como, por exemplo: Ur, Nipur, Lagash e Eridu.
Babilônios 
Este povo construiu suas cidades nas margens do rio Eufrates. Foram responsáveis por um dos primeiros códigos de leis que temos conhecimento. Baseando-se nas Leis de Talião ( " olho por olho, dente por dente " ), o imperador de legislador Hamurabi desenvolveu um conjunto de leis para poder organizar e controlar a sociedade. De acordo com o Código de Hamurabi, todo criminoso deveria ser punido de uma forma proporcional ao delito cometido. Os babilônios também desenvolveram um rico e preciso calendário, cujo objetivo principal era conhecer mais sobre as cheias do rio Eufrates e também obter melhores condições para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observadores dos astros e com grande conhecimento de astronomia, desenvolveram um preciso relógio de sol. Além de Hamurabi, um outro imperador que se tornou conhecido por sua administração foi Nabucodonosor II, responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilônia (que fez para satisfazer sua esposa) e a Torre de Babel (zigurate vertical de 90 metros de altura). Sob seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo hebreu e a cidade de Jerusalém.
Assírios 
Este povo destacou-se pela organização e desenvolvimento de uma cultura militar. Encaravam a guerra como uma das principais formas de conquistar poder e desenvolver a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimigos que conquistavam. Impunham aos vencidos, castigos e crueldades como uma forma de manter respeito e espalhar o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que conquistavam.
Caldeus
Os caldeus habitaram a região conhecida como Baixa Mesopotâmia no primeiro milênio antes de Cristo. Eram de origem semita. O imperador caldeu mais importante foi Nabucodonosor II. Após a morte deste imperador, o império babilônico foi conquistado pelos Persas.

Hebreus 
História do povo hebreu 

A Bíblia é a referência para entendermos a história deste povo. De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 AC, Abraão recebeu uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver em Canaã ( atual Palestina). Isaque, filho de Abraão, tem um filho chamado Jacó. Este luta , num certo dia, com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze tribos que formavam o povo hebreu. Por volta de 1700 AC, o povo hebreu migra para o Egito, porém são escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos. A libertação do povo hebreu ocorreu por volta de 1300 AC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés, que recebeu as tábuas dos Dez Mandamentos no monte Sinai. Durante 40 anos ficaram peregrinando pelo deserto, até receberem um sinal de Deus para voltarem para a terra prometida, Canaã.
Jerusalém é transformada num centro religioso pelo rei Davi. Após o reinado de Salomão, filho de Davi, as tribos dividem-se em dois reinos : Reino de Israel e Reino de Judá. Neste momento de separação, aparece a crença da vinda de um messias que iria juntar o povo de Israel e restaurar o poder de Deus sobre o mundo.
Em 721 começa a diáspora judaica com a invasão babilônica. O imperador da Babilônia, após invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém e deporta grande parte da população judaica. No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém.
No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica. Após estes episódios, os hebreus espalham-se pelo mundo, mantendo a cultura e a religião. Em 1948, o povo hebreu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.

Fonte: www.suapesquisa.com

domingo, 16 de março de 2014

Brasil Colônia - Resumo



Resumo para a prova de História do 2º ano - CNEC 

Ciclo do pau-brasil (1500 a 1530)

- Chegada dos portugueses ao Brasil em 22 de abril de 1500.
- Portugueses começam a extrair o pau-Brasil da região litorânea, usando mão-de-obra indígena. A madeira era comercializada na Europa.
- Os portugueses construíram feitorias no litoral para servirem de armazéns de madeira.
- Nesta fase os portugueses não se fixaram, vinham apenas para explorar a pau-Brasil e retornavam.
- Época marcada por ataques estrangeiros (ingleses, franceses e holandeses) à costa brasileira.

Ciclo do açúcar (1530 até século XVII) 

 - Em 1530 chega ao Brasil a expedição de Martim Afonso de Souza com objetivo de dar início a colonização do Brasil e iniciar o cultivo da cana-de-açúcar.
- A região Nordeste é escolhida para o cultivo da cana-de-açúcar em função do solo e clima favoráveis.
 - Em 1534 a Coroa portuguesa cria o sistema de Capitanias Hereditárias para dividir o território brasileiro, facilitando a administração. O sistema fracassou e foi extinto em 1759.
- Em 1549 foi criado pela coroa portuguesa o Governo-Geral, que era uma representação do rei português no Brasil, com a função de administrar a colônia.
- A capital do Brasil é estabelecida em Salvador. A região nordeste torna-se a mais próspera do Brasil em função da economia impulsionada pela produção e comércio do açúcar.
- Nos engenhos de açúcar do Nordeste é usada a mão-de-obra escrava de origem africana.
- Invasão holandesa no Brasil entre os anos de 1630 e 1654, com a administração de Maurício de Nassau.
- Nos séculos XVI e XVII, os bandeirantes começam a explorar o interior do Brasil em busca de índios, escravos fugitivos e metais preciosos. Com isso, ampliam as fronteiras do Brasil além do Tratado de Tordesilhas.

Ciclo do ouro (século XVIII)

- Em meados do século XVIII começam a serem descobertas as primeiras minas de ouro na região de Minas Gerais. - O centro econômico desloca-se para a região Sudeste.
- A mão-de-obra nas minas, assim como nos engenhos, continua sendo a escrava de origem africana.
- A Coroa Portuguesa cria uma série de impostos e taxas para lucrar com a exploração do ouro no Brasil. Entre os principais impostos estava o quinto.
- Grande crescimento das cidades na região das minas, com grande urbanização, geração de empregos e desenvolvimento econômico.
- A capital é transferida para a cidade do Rio de Janeiro.
- No campo artístico destaque para o Barroco Mineiro e seu principal representante: Aleijadinho.

Fonte: http://www.historiadobrasil.net/colonia/

Questão:
7 - Dentre as primeiras medidas tomadas pela Coroa Portuguesa para a ocupação do Brasil, após 1530, não podemos incluir:
a) envio da expedição de Martim Afonso de Souza.
b) a decisão de desenvolver a produção de açúcar.
c) a criação do sistema de capitanias hereditárias.
d) a expulsão dos holandeses.
e) a tentativa de transferir para particulares o custo da defesa e da colonização.

Leiam a apostila e bons estudos!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Guerra de Canudos



Situação do Nordeste no final do século XIX (contexto histórico)

- Fome – desemprego e baixíssimo rendimento das famílias deixavam muitos sem ter o que comer;
- Seca – a região do agreste ficava muitos meses e até anos sem receber chuvas. Este fator dificultava a agricultura e matava o gado.
- Falta de apoio político – os governantes e políticos da região não davam a mínima atenção para as populações carentes;
- Violência – era comum a existência de grupos armados que trabalhavam para latifundiários. Estes espalhavam a violência pela região.
- Desemprego – grande parte da população pobre estava sem emprego em função da seca e da falta de oportunidades em outras áreas da economia.
- Fanatismo religioso: era comum a existência de beatos que arrebanhavam seguidores prometendo uma vida melhor. Dados da Guerra de Canudos:
- Período: de novembro de 1896 a outubro de 1897.
- Local: interior do sertão da Bahia
- Envolvidos: de um lado os habitantes do Arraial de Canudos (jagunços, sertanejos pobres e miseráveis, fanáticos religiosos) liderados pelo beato Antônio Conselheiro. Do outro lado as tropas do governo da Bahia com apoio de militares enviados pelo governo federal.

Causas da Guerra: 

O governo da Bahia, com apoio dos latifundiários, não concordavam com o fato dos habitantes de Canudos não pagarem impostos e viverem sem seguir as leis estabelecidas. Afirmavam também que Antônio Conselheiro defendia a volta da Monarquia.

Por outro lado, Antônio Conselheiro defendia o fim da cobrança dos impostos e era contrário ao casamento civil. Ele afirma ser um enviado de Deus que deveria liderar o movimento contra as diferenças e injustiças sociais. Era também um crítico do sistema republicano, como ele funcionava no período.

Os conflitos militares 

Nas três primeiras tentativas das tropas governistas em combater o arraial de Canudos nenhuma foi bem sucedida. Os sertanejos e jagunços se armaram e resistiram com força contra os militares. Na quarta tentativa, o governo da Bahia solicitou apoio das tropas federais. Militares de várias regiões do Brasil, usando armas pesadas, foram enviados para o sertão baiano. Massacraram os habitantes do arraial de Canudos de forma brutal e até injusta. Crianças, mulheres e idosos foram mortos sem piedade. Antônio Conselheiro foi assassinado em 22 de setembro de 1897.

Significado do conflito 

A Guerra de canudos significou a luta e resistência das populações marginalizadas do sertão nordestino no final do século XIX. Embora derrotados, mostraram que não aceitavam a situação de injustiça social que reinava na região.

Fonte: www.suapesquisa.com

quarta-feira, 12 de março de 2014

República Velha



República Velha (1889-1930) 

- Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. A monarquia é derrubada.
- Marechal Deodoro da Fonseca assume como primeiro presidente da República.
- Poder econômico e político nas mãos das oligarquias paulista e mineira.
- Após a renúncia de Deodoro em 1891, assume a presidência outro militar: Floriano Peixoto.
- Primeira Constituição Republicana Brasileira é promulgada em 1891: voto aberto, presidencialismo, manutenção de interesses das elites agrárias, exclusão das mulheres e dos analfabetos do direito de voto.
- Política do Café-com-Leite: alternância no poder de presidentes mineiros e paulistas.
- Região Sudeste é privilegiada nos investimentos federais, principalmente os setores agrícola e pecuário.
- O café é o principal produto brasileiro de exportação.
- Aumento da imigração europeia (italiana, alemã, espanhola) para servir de mão-de-obra nas lavouras de café do interior paulista.

Política dos Governadores 
Troca de favores políticos entre presidente da República e governadores para a manutenção do poder e garantia de governabilidade.

O coronelismo 
Poder político e econômico concentrado nas mãos dos coronéis (grandes latifundiários), que usavam o voto de cabresto, violência e fraudes para obter vantagens eleitorais para si e seus candidatos.

Golpe de 1930
Após a vitória de Júlio Prestes, políticos da Aliança Liberal afirmam que as eleições foram fraudulentas. Com a liderança de Getúlio Vargas, aplicam um golpe e colocam fim a República Velha. Vargas torna-se presidente da República.

Principais conflitos e revoltas durante a República Velha 
- Revolução Federalista: 1893-1895
- Guerra de Canudos: 1893-1897
- Revolta da Vacina: 1904
- Revolta da Chibata: 1910
- Guerra do Contestado: 1912-1916
- Greves Operárias: 1917-1919
- Revolução de 1930: 1930

Uma pincelada sobre a Era Vargas
A Era Vargas foi um período de modernização da Nação brasileira, mas também foi um período conturbado pela:

Revolução Constitucionalista de 1932.
Constituição de 1934.
Criação da Ação Integralista Brasileira (AIB) e Aliança Nacional Libertadora (ANL).
Política econômica e administrativa do Estado Novo. Política paternalista varguista.
Transformação social e política trabalhista com a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão responsável pela censura do período.
Constituição de 1937.
Consequência da Segunda Guerra Mundial.
Decadência do Estado Novo.

Questão: 

Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativa INCORRETA. 
A) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro.
B) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça e a miséria persistente na região.
C) Caracterizou-se como um movimento de caráter messiânico. D) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha.
E) Os revoltosos de Canudos receberam apoio incondicional dos coronéis da região.

Agora é só estudar.

sábado, 8 de março de 2014

A Felicidade - Uma Análise em Aristóteles e um Salmista



Um pobre moribundo arrojado pela sarjeta poderia ver a beleza nos olhos de um transeunte e contemplar a oportunidade de dias melhores. Seria o fulgor de uma luz que desponta no mais longínquo horizonte. Um fio de esperança para uma felicidade há tanto tempo desejada. Felicidade esta que permeia os olhos lacrimejantes de uma criança há tanto tempo doente que recebe a noticia da cura de seu mal. A vida pode ser um contraste. Na verdade, a vida é um contraste.

Os antigos filósofos procuravam interpretar o mundo e o que os moviam a buscar respostas era justamente o espanto diante de coisas até então desconhecidas. O que traz felicidade ao ser humano? O prazer, a riqueza ou a honra? Podemos perceber no prazer um paradoxo. De um lado está o libertino, isto é, aquele que vive do extremo do prazer. Do outro lado encontramos o insensível, isto é, aquele que não sente prazer em nada. Dentro de instante as pessoas mudam de aparência e os que cantavam e dançavam agora choram por algum motivo banal. De outro lado aqueles que choravam por alguma angústia agora sorriem do amanhecer brilhante em suas vidas.

Riqueza? De que adianta em situações em que o dinheiro não consegue dar a paz que o coração tanto almeja? Vidas e lares destruídos pelas drogas que solapam a sociedade moderna. As aparências de pessoas em seus pujantes veículos de luxo disfarçam os frangalhos das almas chorosas e sem esperança. Não raramente encontramos pessoas vivendo em casas humildes e sempre com um sorriso no rosto que revela uma alma tranqüila e livre do stress do dia-a-dia contemporâneo. Como isso é possível?

Honra. O que é um ato honroso? Em uma sociedade que boa parte não pensa mais no próximo como pensar em honra? Uma das definições de honra pode ser encontrada no Dr. Samuel Johnson. Segundo ele, um dos sentidos para honra seria “nobreza de alma, magnanimidade, e um desprezo a maldade”. Quanto contraste com as palavras de Morrissey ex-vocalista do The Smiths que declarou recentemente dizendo que “o suicídio é um ato honroso e de grande autocontrole”.

O bem que todos os homens buscam, de acordo com Aristóteles, é a felicidade. No entanto, para o filósofo a felicidade, porém, não é um sentimento que aparece, instala-se e vai embora; ao contrário, é obra de uma vida inteira. Sabemos, no entanto, e os céticos de plantão podem até me questionar, que a felicidade não é algo encontrado nas prateleiras de supermercado ou vitrines de shoppings. Nem algo palpável que se pode guardar e usar a hora que quiser. Então, onde encontrar a felicidade?

Deixando a filosofia humana de lado podemos encontrar a resposta em Deus. Ele diz através de um salmista anônimo no Salmo 1º que é bem-aventurado (feliz) o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores e nem se assenta na roda dos escarnecedores. Esse é o primeiro passo. Três ordenamentos explícitos e não fáceis de cumprir. Em seguida, Ele nos mostra o segredo da felicidade dizendo que o homem para ser feliz tem prazer na lei do Senhor, isto é, em seus mandamentos, e neles medita de dia e de noite. Seguindo esses passos não será necessário ter estantes cheias de livros de auto-ajuda.

Como sempre, há aqueles que questionam tudo e todos e podem até desdenhar dessas palavras. Eis ai a maravilha do livre arbítrio e a liberdade de discordar. No entanto, as experiências humanas não deixam dúvidas de que existem pessoas felizes vivendo entre nós. Se isto é possível então existe a felicidade. Conheço um homem que há mais de trinta anos é uma pessoa feliz. Inabalável em sua fé ele não deixa que nada, nem ninguém o afastem do ideal que delineou para sua vida. O mundo pode estar desabando a sua volta e ele sempre tem uma palavra de conforto e confiança. Ao olhar para ele posso compreender porque Aristóteles teve tanta dificuldade em definir a felicidade.

Texto: Odair

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma História de Cáceres



Uma das histórias de Cáceres aconteceu nos anos 70 na Rua dos Coqueiros. Conta-nos os registros que um menino nasceu sob as frondosas folhas de uma mangueira e foi amamentado por uma mãe de leite porque, por algum motivo, a mãe verdadeira não tinha leite para sustentá-lo. Cáceres é uma cidade bicentenária e carrega em si inúmeras histórias que, se contadas e registradas, poderia preencher diversas estantes de livros. A Rua dos Coqueiros era cascalhada e cheia de buracos naquela época como ainda é em diversas outras ruas da cidade nos dias atuais. No entanto, era nessa rua que nasceu e, anos depois, se tornou adulto esse plebeu morador que despertou para vida nessa humilde rua.

Ao olhar para aquele menino recém-nascido, poucas pessoas, creio eu, acreditaria que algum dia ele fosse ser alguma coisa. As pessoas dessa época viviam uma vida feliz e sem as preocupações que tomam conta da sociedade moderna. Mas, observando retroativamente para esse fato que remonta há quarenta anos, podemos vislumbrar um cidadão cacerense que dedica sua vida em desenvolver idéias e ações que transformem a sociedade. O lema ajudar e não atrapalhar é que perpassa a vida daquele menino que hoje é um homem feito.

Hoje a Rua dos Coqueiros é asfaltada. Tem uma pracinha na parte do fundo do Estádio Geraldão e outra na parte da frente, inclusive com aparelhos de ginásticas para a população. Ao olhar para as transformações que aconteceram nessa rua podemos constatar que o tempo sempre está em movimento. A sociedade existe antes do nosso nascer e continuara depois de nossa partida, já dizia Charon. Isso é uma lição de vida.

É possível observar nos meios de comunicação uma critica explicita sobre as deficiências da cidade. Na verdade, não há como negar que a cidade tem, e muitas, deficiências. Mas, não podemos deixar de considerar algumas questões que são cruciais para entendermos uma cidade como Cáceres. Primeiro a questão do tempo. Cáceres foi gerada em uma época onde não se preocupava em fazer um planejamento de cidade. Foi estabelecida como uma vila que serviria para estabelecer uma alternativa para as distantes cidades de Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade no longínquo Mato Grosso. O Rio Paraguai serviria como meio de navegação e encurtaria as distancias até Corumbá e outras vilas da região do Prata. Eis um contexto que muitos se esquecem (ou até mesmo desconhecem) quando preferem falar mal da cidade. Nessa época, as vilas nasciam nas margens dos rios e a preocupação básica desses primeiros habitantes eram construir uma praça e uma igreja. Não se pensava em saneamento, estrutura e coisas do planejamento atual. Logicamente que, sendo dessa forma a cidade cresceu e hoje tem as dificuldades que todos conhecemos.

Outra questão fundamental para tentarmos entender esse processo diz respeito aos administradores que passaram pelo governo da cidade. Desde os primeiros, podemos observar que a preocupação é com o imediatismo. Isto é, preciso resolver as questões emergenciais. Ao fazer isso, jogam-se os maiores problemas para serem resolvidos futuramente. Acontece que ninguém está disposto a resolver problemas que não resultam em votos. Nesse sentido, passa ano e entra ano, passa governante e entra governante e a situação vai sendo empurrada com a barriga. Depois de mais de duzentos anos a cidade já não comporta mais tanta incompetência administrativa. Mas, a culpa é só dos governantes? Quando eles eram indicados até que poderíamos culpá-los pelo descaso com a coisa pública. Mas, e hoje?

Podemos inferir diversos problemas que assolam a cidade. Falta de apoio político, descaso administrativo, abandono público, enfim. Mas, de uma coisa não podemos esquecer. Cáceres tem história. Uma história bonita. Não se deve, nem de longe, comparar as cidades recentes de Mato Grosso que crescem com planejamento e estrutura e que apresenta um Mato Grosso em ascensão com a princesinha do Rio Paraguai. As outras têm desenvolvimento, tem crescimento, tem planejamento. No entanto, Cáceres tem história. A forma em que se conta essa história é o que importa. Mas alguém pode questionar: não se vive só de história. De fato. No entanto, pode-se muito bem aproveitar esse fator histórico e transformar a cidade. Onde está à valorização daqueles que valoriza a cidade? Sanguessugas e parasitas vivem a custa do sangue cacerense e são bem tratados enquanto os verdadeiros filhos da terra são deixados de lado.

As imagens recentes de um belo pôr-do-sol às margens do Rio Paraguai caudaloso corre o mundo. São imagens que remonta as maiores obras primas da natureza e revela uma fascinante beleza que perpassa mais de duzentos anos. É preciso saber reconhecer que a cidade tem o seu encanto. Precisamos bater no peito e nos orgulharmos do lugar onde nascemos e vivemos. Além disso, é necessário cobrarmos das autoridades um cuidado maior do nosso patrimônio. E, muito mais do que isso, sabermos escolhermos os nossos futuros administradores e legisladores. Qual o valor que uma pessoa de fora vai dar à história de Cáceres? Pense nisso na hora de exercer o seu próximo voto.

Texto: Odair
Fotos: Joe

terça-feira, 4 de março de 2014

Desconhecido (???)



Nas aulas de Filosofia foi proposto aos alunos que falassem sobre o desconhecido e na avaliação, exigido um texto sobre esse tal desconhecido. A seguir as três melhores definições (em minha opinião) sobre o tema.
(Prof. Odair)

Como vamos falar de algo desconhecido? Como vamos lidar com algo desconhecido? Para podermos lidar com o desconhecido temos que torná-lo em algo conhecido para que possamos, dessa forma, lidar com ele. Mas, nem sempre o desconhecido pode se tornar conhecido. Na verdade, o conhecido e o desconhecido andam juntos e, as vezes, separados. Outras vezes fingimos que não conhecemos o desconhecido. Muitas vezes o desconhecido está dentro de nós. Isso porque ninguém conhece ninguém. Sabemos sim as consequências que possamos ter com os desconhecidos. Nós somos desconhecidos. Pensamos que somos conhecidos, mas ninguém nunca descobriu o que se passa na mente de outras pessoas. Então desconhecemos. Podemos até pensar que podemos nos dominar. Fisicamente até pode ser possível, mas psicologicamente não nos dominamos. Uma coisa engraçada. Pensamos que sabemos e não sabemos nada. Isso é conhecer o desconhecido? Nem todas as coisas têm respostas. Lidamos com o desconhecido a todo o momento e, às vezes, não percebemos isso. O desconhecido nos faz pensar que sem ele não haveria sentido, pois não o entendemos por se tratar de algo abstrato. E a pessoa só aprende quando descobre e descobrir é desvendar o desconhecido.

Antonio Marcos – 3º Ano – CNEC


O Filósofo é uma pessoa tão encabulada com a existência do ser humano que a todo o momento vai à busca do desconhecido. Procura ir atrás de novas teorias e práticas para provar algo que ninguém nunca imaginou que fosse existir. Não é sem importância que muitos são chamados de “loucos”. O seu modo de raciocínio é tão profundo que é preciso muita atenção e dedicação para entender o assunto tratado em questão.

Tamires Pansera – 3º Ano – CNEC 

O que é isso? De acordo com o que todos nós aprendemos na escola isto são pontos de interrogação. No entanto, são apenas ideias, conhecimento que todos nós possuímos e se retirarmos este conhecimento que possuímos não haveria como dizer que isto são três pontos de interrogação. Tudo o que possuímos hoje em dia de conhecimento é o que nós achamos que esteja certo e que diante daquilo, nós sempre sabemos que para isso existe apenas uma resposta. [...] não podemos ter certeza de nada. Sempre teremos apenas ideias de que algo possa ser ou não uma certeza. A única certeza que podemos ter é de que existimos. Isso porque pensamos. Tudo o que está fora de você, tudo o que você vê, sente, cheira, ouve ou experimenta não passa de sensações que você acha que existe. Mas, até delas mesmo temos que duvidar.

Gustavo A. Carvalho – 3º Ano - CNEC

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ideologia e formas de dominação



Eis um tema a ser abordado nas aulas de sociologia que mexe com nossa imaginação. As perguntas são postas de forma a questionar nossa forma de ver as coisas que acontecem a nossa volta. De que forma somos dominados? Ou será que não somos dominados? Talvez possamos pensar que, na verdade, somos dominadores.

Diante de olhos atentos observo as imagens que são expostas mostrando um mundo em ebulição. Guerras, conflitos, revoluções, tecnologia e inovações que moldaram a forma do ser humano ver o mundo. As imagens em comento são relatos gritantes do breve século XX. O documentário Nós que aqui estamos por vós esperamos apresenta cenas e personagens que fizeram os acontecimentos. Os personagens são conhecidos e outros nem tanto, mas cada um contribuiu para a construção da sociedade em que estamos inseridos. A pergunta se este modelo de sociedade é bom ou ruim é que está em jogo. A resposta para essa pergunta não cabe a mim responder. Mas o que é ideologia? A ideologia é constituída como um conjunto de idéias produzida por uma classe, vista como dominante, que terá o papel de levar suas idéias para o maior número possível de pessoas, numa tentativa de convencer a todos de que a sua proposta de estrutura social é a melhor e a única confiável. Em outras palavras, a tentativa de provar que esse e não aquele sistema é o melhor. Convivemos com o Capitalismo que dita às regras na nossa sociedade. E as perguntas são: vivemos o melhor dos mundos?

Através das imagens e histórias desses personagens que fez o século XX e nos possibilitaram chegar ao século XXI é preciso analisar essa ideologia dominante. Questionar esse modelo? Não sei. Eis um grande ponto de interrogação.

Texto: Odair

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Sala de Aula CNEC



Ali estão os olhos atentos e ansiosos
Querem logo saber
De onde vem e como vêm as novas lições.
São mentes que desejam alçar novos vôos
E navegar os oceanos de novos conhecimentos
Que os farão desvendar o infinito.
Bombardeados pela informação instantânea
Almejam pelo conhecimento
Que, de fato, enche a alma.
A sala de aula está cheia de jovens
Que sonham com o sucesso
E querem alçar vôos nunca dantes alçados.
Querem saber como funciona as engrenagens da vida
As cores do arco-íris
E as façanhas de Napoleão Bonaparte.
São esses olhares a contemplar-me
Que dá motivação a seguir esse caminho.
Saber que aprendo a cada dia
Que a vida é um eterno aprendizado.

Conhecer é abrir-se para o novo
Nascer para uma nova vida de amor;
Escolher o caminho certo
Com a alma livre do rancor.

Poema: Odair

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O que é isso, Companheiro?



Este pequeno ensaio tem o objetivo de problematizar uma questão relevante para os nossos estudos. Os filmes são capazes de nos apresentar novas idéias? Ou as situações são as mesmas de sempre? Algo novo no front?

Os trailers têm a capacidade de nos enganar e a crítica nem sempre tem razão. Nestas férias assisti alguns filmes para análise aqui nesse espaço e o objetivo esse ano é trabalhar um pouco mais. Não que eu não tenha trabalhado o bastante no último ano, mas publiquei muito pouco e, nesse sentido, este ano pretendo problematizar um pouco mais as análises trabalhadas com os alunos.

Fui enganado pelo trailer de Wolverine – Imortal, Vai que dá certo, entre outros. Mas me surpreendi com os excelentes (em minha opinião) “Os Suspeitos”, “Rota de Fuga”, “Frozen – Uma aventura congelante”, “Detona Ralph”, “Serra Pelada”, e “O Último Desafio”. Assisti alguns filmes antigos como, “Davi e Batseba”, “Os Bárbaros Tártaros” e o incrivelmente belo filme “Ben-Hur”.

Destaco as boas atuações de Schwarzenegger nos filmes “Rota de Fuga” e “O Último Desafio”. Os filmes ficaram bons, em minha opinião, porque as histórias são inteligentes e capazes de prender a atenção até o final. Eu e minha esposa demos boas gargalhadas com O Último Desafio. Outro destaque positivo é o filme “Serra Pelada”. Além do contexto histórico, o filme retrata questões de amizade e ambição e demonstra o quanto o ser humano pode ser corrompido pela ambição e poder.

No entanto, de todos os filmes que assisti nas férias, “Os Suspeitos”, em minha opinião foi o melhor. Ouso afirmar que não assistia a um filme bem intrigante assim desde “Sobre Meninos e Lobos”.

Mas, qual o objetivo do título? Explico. “O que é isso, Companheiro?” É um filme que tinha ouvido muito falar dele desde meus tempos de faculdade, já tinha lido inúmeros comentários sobre ele. No entanto, nunca havia o assistido. E o fiz isso. Tiro o chapéu para a produção do filme e todo o contexto histórico da Ditadura Militar. Muito bom o filme. Pretendo trabalhar com ele para minhas turmas do 9º ano e 3º ano do Ensino Médio.

Texto: Odair

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quarenta Anos



Amanhece o dia e percebo as horas que continuam a passar. Lá se vão anos de caminhada pela vida que me faz refletir sobre a minha existência. Quarenta anos o povo de Israel peregrinou pelo deserto na busca pela Terra Prometida. E agora imagino como esse tempo passou. Uma dualidade: São milhares de dias vividos e centenas de experiências aprendidas e compartilhadas. Ao mesmo tempo, parece que foi ontem que dei os primeiros passos rumo a minha vida. Sonhos de infância confundem-me com a realidade dos dias conquistados. Como nuvens passageiras alguns sonhos se desfez com o tempo e aprendi que a realidade, às vezes, é mais cruel do que a fantasia.

Numa bela manhã de verão eu acordo e me vejo pronto para começar minha vida. Afinal, a vida começa aos quarenta e aqui estou eu. Vivendo em uma verdadeira encruzilhada. É uma fase da vida em que, ao mesmo tempo em que me sinto um jovem, também me sinto um velho. Em determinada situação eu ainda sou um jovem com ideais e planos para o futuro em outras eu já me sinto velho para pensar outros projetos. No entanto, a vida continua e sei que a caminhada ainda é longa pela frente.

Quarenta é um número abençoado e Deus tem me protegido e sei que continuará me abençoando para que realize os seus propósitos.

Texto: Odair

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Colateral



Colateral no sentido estrito da palavra é quem está do lado e numa direção aproximadamente paralela. E ai posso pensar qualquer coisa e tudo é válido nos meus questionamentos. Pergunto-me sobre o trabalho e penso, consequentemente, nas mudanças que o mesmo exerce na vida das pessoas. Qual o trabalho mais importante para o homem? O trabalho realmente dignifica o ser humano? Nosso esforço é melhor do que o esforço de uma formiga ou uma abelha? Os escravos que carregaram enormes blocos de pedras para construirem as pirâmides do Egito são menos importantes que os Faraós que nelas foram sepultados?

Pois bem, antes de me alongar nessas inumeras perguntas sem respostas plausíveis, deixe-me situar o leitor sobre minhas indagações. Todo esse questionamento perpassaram minha mente nas aulas de Sociologia (Trabalho) e nas de Filosofia (Poder e Estado) com as articulações sobre Liberdade. Como se fossem frutas jogadas dentro de um liquidificador e misturada ao leite que me produzissem um suco delicioso de sabores diversos. Uma viagem.

Não tenho a conta exata de quantas vezes assisti o filme Colateral e, cada vez que o assisto, descubro coisas novas. Dessa vez analisei-o dentro da ótica do trabalho.

Qual trabalho é o mais importante? Taxista, Policial, Promotor ou Matador de Aluguel? Dentro da conotação capitalista poderia inverter a pergunta e indagar qual desses trabalhos apresentados no filme é o mais rentável? Difícil é responder essas questões, uma vez que as habilidades e as escolhas nem sempre são fáceis de serem tomadas. O que importa, realmente, são os sonhos das pessoas. É interessante os questionamentos que Vincent (o Matador de Aluguel) faz a Max (Taxista) a todo instante. Suas incursões pelo subconsciente do trabalhador é algo a ser pensado. Por que trabalha a noite? Porque o trânsito é menos estressante e as gorjetas são melhores, entre outras coisas. Sempre vamos estar pensando no melhor para nós.

Quando pensamos no Estado pensamos que o mesmo deveria dar proteção as testemunhas que são assassinadas por Vincent e, então, percebemos que o Estado é incapaz de proteger seus cidadãos. Liberdade? Onde existe liberdade? Max é uma prova cabal do quanto somos reféns dessa tal liberdade. Podemos pensar na sua situação ao descobrir que seu passageiro é um assassino profissional. Qual decisão tomar?

Por último, penso no Poder. Poder que é exercido em todos os lugares. Quem tem o poder de controlar sua vida? Somos capazes dessa potência? E, até que ponto somos controlado pelo poder do Estado?

Essas e outras questões devem ser problematizadas a partir da leitura e analise de Colateral.

Texto: Odair

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Inimigo do Estado: Temos ou não temos Liberdade?



A pergunta que fiz hoje era a seguinte: no Estado em que vivemos temos liberdade? Pode parecer uma pergunta desconexa na atual conjuntura em que vivemos. No entanto, o objetivo era fazer uma reflexão sobre Trabalho, Poder e Estado. Uma mescla de Filosofia e Sociologia. As respostas, na sua maioria muito boas me fez rever alguns conceitos fundamentais. Primeiro que não importa se minha resposta seja sim ou não. A pergunta é muito complexa e a verdade, neste caso, relativa. Para Hegel liberdade não é poder fazer o que se quer fazer, sem limitações, mas sim agir de acordo com princípios de validade universal e, assim promovê-los. Ainda de acordo com o filósofo o Estado é a mais cabal expressão da racionalidade.

Partindo desse pressuposto, a indagação sobre se temos ou não liberdade no Estado em que vivemos me veio a mente o filme Inimigo do Estado. Na trama, percebemos claramente que somos vigiados e controlados pelo Estado que tenta a todo custo ter o controle das pessoas. Nesse sentido as perguntas se desdobram: Se somos livres por que temos que cumprir as leis? Por que não podemos fazer as coisas da forma que pensamos? Por que todo um controle estatal nas ações que fazemos? E as perguntas poderiam partir para outros princípios tais como: se não sou livre por que não faço uma revolução? Por que permanecemos presos ao sistema que nos prende? As perguntas estão expostas e as respostas cabe a cada cidadão que tem a capacidade de pensar.

O meu desdobramento sobre o tema de Poder, Estado também perpassa o Trabalho. Afinal, o objetivo final do ser humano (capitalista) é a realização do sonho de ter uma vida feliz e construir algo para deixar à posteridade. Qual o sentido de Trabalho nos dias atuais? Será que o Trabalho faz parte do poder do Estado?

Assistam o filme, leia Hegel e Marx e tente responder essas questões.

Texto: Odair

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Nós que aqui estamos...



“Nós que aqui estamos por vós esperamos” é um filme brasileiro de 1999 sob a direção de Marcelo Massagão. Ele traz o filme como memórias do século XX. O filme retrata uma verdadeira volta ao mundo no seu contexto histórico, econômico e cultural.

Leitura cinematográfica da obra Era dos Extremos, do historiador britânico Eric Hobsbawm, a produção mostra, através da montagem das imagens produzidas no século XX e da música composta por Wim Mertens, o período de contrastes entre um mundo que se envolve em dois grandes conflitos internacionais, a banalização da violência, o desenvolvimento tecnológico, a esperança e a loucura das pessoas.

O filme usa imagens de arquivo de filmes clássicos (Chelovek’s kinoapparatom, Un Chien Andalou, The General, Le voyage dans la lune, Berlin: Die Sinfonie der Grosstadt), fotos, pinturas, textos, etc. O filme é considerado um documentário ficcional, segundo o diretor um “filme-memória”, com imagens reais e textos criados por Masagão. Logo no começo vemos cenas de “O Homem com a Câmera” e “Berlim: Sinfonia da Metrópole”.

O título do filme vem do letreiro disposto em um cemitério localizado na cidade de Paraibuna, no interior do Estado de São Paulo, onde se lê a mesma frase.

Foi premiado no Festival de Gramado em 2000 por sua montagem[1] e no Festival do Recife como melhor filme, melhor roteiro e melhor montagem. Sua produção custou cerca de 140 mil reais, sendo 80 mil direcionados somente para o pagamento de direitos autorais de imagens e fragmentos de vídeos.

Após ver o documentário escolha um dos temas abaixo e disserte suas conclusões.

Tema 01 - Grandes Conflitos Internacionais.
Tema 02 - A Banalização da Violência.
Tema 03 - Desenvolvimento Tecnológico.
Tema 04 - A Esperança e a Loucura das Pessoas.

Prof. Odair

Bolivarismo







José de San Martín e Simon Bolívar foram importantes líderes na independência dos vice-reinos do Prata, Nova Granada, do Peru e das capitanias gerais do Chile e da Venezuela.


Partindo da Argentina, que havia declarado sua independência em 1816, o general San Martín libertou o Chile e comandou seus homens, cerca de 5 mil soldados, para o vice-reino do Peru, o mais fiel à coroa espanhola e o mais difícil de ser derrotado.

Simon Bolívar, com apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos, junto com seus solados, libertou a Venezuela, a Colômbia, o Equador e encontrou o exército de San Martín no vice-reino do Peru. A ação de ambos os exércitos acabou derrotando as forças leais à Espanha no vice-reino do Peru, que também declarou sua independência em 1824.

Embora a história chame Bolívar e San Martín de “Líderes da Independência”, é importante lembrar que estes homens tinham projetos políticos diferentes. San Martín defendia um governo monárquico, enquanto Simon Bolívar defendia um governo republicano.

O BOLIVARISMO

Em 1826, no Congresso do Panamá, Simon Bolívar propõe um projeto ambicioso: a união dos territórios da América espanhola num só país republicano e independente. O sonho de uma América Latina unida, republicana e solidária ficou conhecido como bolivarismo, o primeiro exemplo de pan-americanismo do continente. Apesar de os países formados a partir das colônias espanholas da América terem adotado o sistema republicano de governo, o bolivarismo, contudo, fracassou. Veja, abaixo, porquê.

Os líderes criollos tinham interesses divergentes e muitas vezes opostos. Os criollos da Venezuela, por exemplo, defendiam um modelo de economia mais aberta, sem protecionismo, o que desagradava os criollos do Equador que queriam uma economia mais fechada, com protecionismo. Enfim, interesses econômicos divergentes foram um dos motivos para o fracasso do bolivarismo. No entanto, houve outros.

Tanto a Inglaterra quanto os Estados Unidos, países que apoiaram a independência das colônias, não apoiavam o projeto do bolivarismo, pois temiam que uma América Latina unida poderia se transformar num obstáculo para a dominação econômica que esses países pretendiam impor aos países recém- independentes.

Perguntas e Respostas.

01) Qual a principal diferença no projeto político de independência do general San Martín e do general Simon Bolívar?

02) Defina o bolivarismo e, em seguida, apresente três razões para o seu fracasso.

Agradecimentos:
http://zepauloblog.blogspot.com.br/2008/07/san-martn-bolvar-e-o-bolivarismo.html

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Temporais e Tempestades




O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte. 
Friedrich Nietzsche

Ainda não tive a curiosidade em saber onde e porque Nietzsche falou essas palavras. Na verdade, como ele mesmo disse, suas palavras eram como golpes de marreta. E, analisando as ideias do Filósofo podemos deduzir que os tijolos da sociedade de sua época eram bem frágeis. O interessante de tudo isso é que não mudou muita coisa de lá pra cá. Nos dias atuais é perigoso você falar o que pensa porque, na maioria das vezes, vai ser mal interpretado. O mesmo filósofo acrescentou que “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”. Parece-me que há um abismo enorme entre o que se fala e o que se vive. Falamos em normas, regras a serem cumpridas e onde está o respeito? Que atire a primeira pedra aquele que puder.

Não posso bradar contra a pequenez do ser humano diante das situações impostas por uma sociedade capitalista, machista e preconceituosa porque incorro no risco de ter minha cabeça espetada em uma estaca. O meu protesto não pode ser escondido debaixo do tapete. Prove-me o contrário. Se sabe, então me mostre isso. Faça-me sentir o conhecimento e eu me calarei. Mas não me venha com desculpas.

Já dizia Rubens Alves que “nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si”. Na verdade, a pergunta é a seguinte: o que estamos vendo do mundo? Continuo afirmando que acredito nas pessoas. Acredito no ser humano e nas mudanças de atitude. Vejo potencial quando as pessoas tem coragem de olhar nos meus olhos e espero que isso aconteça com aqueles em quem coloco toda minha confiança de futuro. Não posso ser simplesmente alguém que deixe a vida passar em branco. Tenho uma função social nessa sociedade e espero cumprir o meu papel. O que não posso fazer é deixar que permaneçam na zona de conforto. O enfrentamento é necessário. Como já dizia Willian Shed “um barco pode estar seguro no porto, mas não é pra ficar no porto que barcos são feitos”. Nesse sentido, é que espero grandes coisas daqueles que buscam o conhecimento.

Para finalizar meu texto e tentar deixar uma mensagem de otimismo para aqueles que ouvem minhas palavras acrescento o pensamento lapidar de Epicuro “os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”.

Texto: Odair

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Professor disserta e o Aluno Dorme




Abro a página de um jornal da região e destaco as cinco primeiras noticias do dia: greve dos professores; homem morto a facada é encontrado a margem da rodovia; motorista fica ferido entre colisão de carro e bitrem; vento forte destelha casa em sorriso; candidatas do nortão participam de desfile. 80% das noticias de um jornal no dia, quando não mais, é sobre coisas ruins que acontecem no dia a dia da sociedade moderna. E pensar que os povos que não habitavam as muralhas romanas eram bárbaros. Logicamente que podemos deduzir, se quisermos, que os veículos de comunicação não veiculam noticias boas. Sim, isso pode ser uma verdade. Mas então fica a pergunta: o porquê isso acontece? Talvez porque a sociedade já se acostumou com as noticias ruins. Esperam por elas. As desejam.

Não sou pessimista. De forma nenhuma. Na verdade, sou até muito otimista e creio sim, em um mundo melhor. Só que para se ter um mundo melhor na conjuntura da sociedade capitalista desumana é necessário uma mudança radical. Não manifestações sem objetivos pelas ruas da cidade onde só aparecem os vândalos exercendo quebradeiras. Falo de atitude interna. Mudança radical na vida de cada ser humano nesse planeta. O dia em que o companheirismo falar mais alto do que o egoísmo, então alcançaremos uma sociedade mais humana. Quem sabe nossos netos alcancem esse objetivo. Porque, na conjuntura atual de corrupção, idealismo capitalista, e falta de amor estamos caminhando a passos largos para a extinção do ser humano. O homem é o lobo do próprio homem, já afirmava o Filósofo e com razão. Se ele vivesse na atual modernidade estaria estarrecido. Alguém pode afirmar que pensa no próximo e que estaria disposto a abrir mãos de sua vida em favor do próximo. Isso acontece todos os dias. Mas, mesmo assim os presídios estão superlotados, os abrigos de idosos não suportam mais tantas pessoas desprezadas, os orfanatos idem e todas as casas possuem cerca elétrica e monitoramento.


Se observarmos uma sala cheia de alunos e nos perguntarmos qual o objetivo do aprendizado, em alguns casos ficaremos estarrecidos. São o futuro da nação. Com exceção, seus olhares demonstram desprezo pelo conteúdo estudado. A História é chata. Qual a importância de saber sobre o Brasil Colônia? O que isso acrescentará nos meus conhecimentos. O que importa é as novas postagens do face. Esquecem-se eles do principio básico de qualquer ser humano que é saber sua própria História. Conheça-te a ti mesmo. Em dado momento é possível ver o deboche em seus sorrisos. Do lado alguns dorme o sono que lhe foi roubado a noite quando ficou até altas horas nos jogos. Como poetizou Bandeira:

“O professor disserta
Sobre ponto difícil do programa
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz
Com medo de acordá-lo”.

E eis o futuro de nossa nação. Nas mãos de pessoas dessa forma. No entanto, eu ainda acredito naqueles que são puros de coração e que desejam uma sociedade melhor. Eles estão por ai. Talvez estejam cansados, desanimados ou mesmo feridos, mas estão por ai. Vamos sacudir nossa sociedade e caminhar rumo à esperança desses jovens que querem um mundo melhor. Basta a inércia!

Texto: Odair

sábado, 20 de julho de 2013

O Homem de Aço



A invasão dos quadrinhos no cinema foi implacável e, ironia, os bons resultados financeiros acabaram se tornando uma espécie de vilão. Com eles, o universo da sala escura parece ter ficado reduzido a uma explosão de cores e histórias, nem sempre, fáceis de entender ou atraentes para o espectador que não praticou o virar das páginas de um gibi. Aí, veio o pulo do gato: entregar filmes "destes mundos" com tramas envolventes e inteligíveis, conquistando multidões. Nem todos conseguem (existem grandes fiascos), mas tem uma turma aí que já pegou a manha e tem gente deste time em O Homem de Aço.

 Em um planeta distante, o pai (Russell Crowe) de uma criança resolve salvá-la de um apocalipse e programa o envio dela para a Terra, levando consigo uma importante herança genética do seu povo, embora o frio General Zod (Michael Shannon) não se conforme com essa decisão. Já em seu novo lar, criado por pais "adotivos" (Kevin Costner e Diane Lane), a criança cresceu. Mas Clark (Henry Cavill) tornou-se um homem preocupado, principalmente, com suas origens e seu verdadeiro destino. Até que este passado retorna na figura de Zod, ainda mais poderoso, e o futuro da humanidade vai depender do confronto entre essas duas forças.

Caso você ainda não tenha sacado, o herói em questão é o bom e velho Super-Homem, repaginado, com novo intérprete, nova (e alucinante) roupa, mas com dilemas comuns ao mais reles dos mortais, do tipo "de onde venho, quem sou eu?". Escrito por David S. Goyer (Batman - O Cavaleiro das Trevas), o roteiro capricha nas explicações, é extremamente didático e isso não é demérito, pois é o que permite aos não iniciados um melhor entendimento. Agora, se os fãs das revistas vão curtir, aí já são outros quinhentos. Vão achar muito blábláblá, dizer que não foi fiel a isso ou aquilo... Porém, esquecem esses notáveis leitores (e são!), que uma adaptação é - e sempre será - uma versão e, como tal, poderá fazer uso de licenças para "sobreviver" em outro "meio". Aliás, licenças não faltam nas páginas coloridas da imaginação.

Com um discurso ecologicamente correto bem claro, bons diálogos ("Se você ama tanto essas pessoas, pode chorar a morte delas.") e efeitos especiais de cair o queixo, essa produção de Christopher Nolan sob a batuta de Zack Snyder tem elementos de sobra para conquistar o grande público. Desde boas atuações do elenco já citado até o auxílio luxuoso de coadjuvantes de peso (Amy Adams e Laurence Fishburne), além de um merecido destaque para Antje Traue e Christopher Meloni, que profere a emocionante frase: "Esse homem não é nosso inimigo".

Pra fechar a tampa, a trilha do premiado Hans Zimmer faz uma senhora cozinha para os quitutes pow!, bam!, tum! ganharem forma nas sequências insanas (quase intermináveis) de pancadaria entre o herói e seus algozes. A destruição, aliás, é grande e sem o menor pudor de deixar evidente a escola Michael Bay e Roland Emmerich, remetendo também a um momento do arrasa quarteirão Os Vingadores (2012). Assim, não é um pássaro... não é um avião... é um super filme (poderia ser mais curto), cuja missão de proteger o entretenimento foi plenamente garantida. Para o bem dos simples mortais, como o autor dessas mal traçadas linhas, e para o mal daqueles que defendem a ideia de que deveria ser fiel ao original blábláblá... Agora, é contigo mesmo!

Roberto Cunha

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-123348/criticas-adorocinema/

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cinema e Televisão



Num meio-dia de fim de primavera Fernando Pessoa teve "um sonho como uma fotografia". Até o século dezenove sonhava-se como pintura. A fotografia tornou-se a mais convincente representação da realidade. Muita gente disse, cedo demais, que a pintura não lhe iria sobreviver. A aparente neutralidade da máquina e a perfeita representação visual de uma fração de segundo estabeleceram os novos padrões da ilusão. Até surgir o cinema.

Muita gente disse, cedo demais, que o século vinte foi o século do cinema. Ainda hoje podemos imaginar o espanto provocado pelas imagens em movimento. O Jornal do Comércio de 9 de julho de 1896 registra com assombro a primeira projeção de cinema no Rio de Janeiro, com sua imagens "nítidas, firmes, acusando-se em um relevo extraordinário, dando magnífica impressão de vida real. O espetáculo é curioso e merece ser visto". Todo mundo foi ver e era ver para crer. Mudando todos os costumes, exportando idéias e padrões de consumo, o cinema reinou absoluto na primeira metade do século. Até surgir a televisão.

Muita gente disse, sempre cedo demais, que a televisão terminaria com o cinema. Como competir com o caleidoscópio de imagens que invadia todas as casas? A televisão se apoderou da linguagem audiovisual, com sua "magnífica impressão de vida real" e, melhor, ao vivo! A televisão transformou o espectador em testemunha.

A pintura sobreviveu, não como escrava do real mas quase como seu oposto. O ponto de vista único do artista, representado em forma e cor, continua surpreendendo seis séculos depois de Giotto. A fotografia sobreviveu ao cinema, e o cinema à televisão. As formas que o homem inventa para criar ilusão, para compartilhar suas visões de mundo, seus medos e desejos, se transformam e se aglutinam. Procriam, mas não se desinventam. Na arte, que é tudo que a natureza não é, também nada se perde.

Muita gente ainda fala, tarde demais, das diferenças entre a linguagem cinematográfica e televisiva. São a mesma linguagem, com os mesmos signos, a mesma força da fotografia, a mesma ilusão de volume provocada pelas imagens que se movem em planos sobrepostos, música, palavras, luz e movimento. A diferença não está na linguagem em que se constrói a narrativa no cinema ou na televisão e sim na maneira como uma e outra são apreendidas. A diferença não é como se faz mas sim como se vê. Uma sala iluminada apenas pelas imagens que por algum tempo numa grande tela se movimentam, sem que sobre elas tenhamos qualquer controle, é cinema. Uma pequena tela se esforçando para chamar atenção o tempo que for possível, sempre e enquanto nós deixarmos, é televisão.

É natural que a diferença de atenção do público de cinema e de televisão provoquem diferentes usos da mesma linguagem. O cinema, como disse Jean Claude Carriére, "ama o silêncio". A sensação de ver, numa grande tela, no escuro, é mais que suficiente para causar encantamento. A televisão odeia o silêncio. A imagem na televisão precisa constantemente da muleta do som e quase sempre da palavra. Não basta mostrar a faca, é preciso dizer, "Olhe, uma faca! Aqui! Na mesinha da sala, ao lado do vaso, está vendo? É uma faca! Não mude de canal! Não desligue, por favor!" A televisão não cala a boca. O cinema é um pescador, joga sua isca no meio do lago e espera pacientemente que a vítima deixe o seu refúgio entre os juncos, estacione o carro e compre ingressos. A televisão vai a caça, busca o tatu na toca enfiando-lhe o dedo onde for preciso.

Desde o momento em que alguém tem a idéia para um filme até que você o veja na tela de um cinema passam-se muitos anos. Tudo que chega ao filme foi visto muitas vezes por muitas pessoas. Você vê um filme sabendo que nada está ali por acaso. Na televisão tudo pode acontecer. Mesmo um filme na televisão pode ser interrompido a qualquer momento pela queda de um ministro ou de um avião. Televisão é sempre ao vivo.

Tem gente dizendo, cedo demais, que o século vinte um será da internet. A estréia é boa: a internet trouxe o texto de volta ao dia-a-dia de milhões de pessoas e só isso já é mais que suficiente para que seja recebida com vivas e tapinhas nas costas. Os e-mails anunciam uma nova era epistolar e quem quiser diz o que quer a quem quiser ouvir. Na internet a tela também é câmera.

Sentindo escapar do seu controle os meios de produção de imagens e informações, os doninhos de sempre se apoderam cada vez mais da mídia. Você pode até clicar suas imagens por aí mas só consegue mostrar para muita gente pagando pedágio para o distribuidor do filme/livro/programa de tv/site. Os donos da mídia estão cada vez mais no poder. Mas o século ainda nem começou. A luta continua.

Texto: Jorge Furtado

http://www.nao-til.com.br/nao-74/furtado2.htm

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Não adianta manifestar como um LEÃO e votar como um JUMENTO



“Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política”.

Ernest Renan

Este artigo tem como finalidade expressar argumentos sobre as manifestações pelo país que tem demonstrado uma parcela da indignação dos brasileiros com os descasos políticos no qual estamos inseridos a milhares de anos. Logicamente que falar, principalmente em meio a tantos protestos não é difícil, o difícil é realizar as mudanças de que necessitamos. É até bonito ver as diferentes faixas e cartazes de reivindicações espalhados pelas inúmeras cidades do Brasil. Parece mesmo que o gigante acordou, que o povo despertou da alienação e que agora a coisa anda. Será mesmo? Será que tudo não passa de uma onda de entusiasmo?

Antes de me lançarem pedras deixem-me explicar minha intenção com esse artigo. Aqueles que me acompanham nos meus escritos sabem muito bem que há tempos venho cobrando de meus caros compatriotas um maior envolvimento político porque, querendo ou não, é a política que rege as nossas vidas. Nesse sentido, é necessária uma maior participação de nossa parte para não sermos ludibriados pelos políticos aproveitadores de plantão que desvia milhões da educação e da saúde para não mencionar as outras pastas.

Ernest Renan foi preciso quando afirmou que para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. De acordo com o pensador, a revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política. Penso com o autor e acredito que a revolução do nosso país começou com esses protestos. Uma revolução que deverá culminar com uma mudança radical de nossos políticos nas próximas eleições. Creio muito nesse movimento e no futuro da nossa nação pelo clamor que vemos pelas ruas. E, para que esse pensamento revolucionário seja concretizado é preciso levar a risca o que diz Gilbert Cesbron de que a verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores.

Dentre os inúmeros cartazes espalhados pelo Brasil cobrando atitudes, lançando impropérios, apontando as mazelas da sociedade, um me chamou a atenção porque vem de encontro com aquilo que comento há muito tempo. O cartaz em epigrafe dizia: “Não adianta manifestar como um leão se for votar como um jumento”. Uma frase que simplifica toda essa luta. Se quisermos uma mudança no Brasil ela começa com cada um de nós. E essa mudança começa quando sabemos, pelo menos, em quem votamos na última eleição. Não é ser Caxias não, mas tenho certeza de que muitos desses manifestantes que estão nas ruas nem sabem direito em quem votaram na última eleição. Espero que na próxima saibam. Vamos aproveitar a lei da ficha limpa e extirpar essa corja de políticos que se perpetuam no poder sem nada fazer para o povo.

Para finalizar meus comentários sobre essa manifestação no Brasil quero tecer duas conclusões: a primeira de que me sinto um pouco mais aliviado do fardo de sempre estar cobrando das pessoas uma maior participação política. E, quando digo política é política e não politicagem. Uma coisa é diferente da outra. Pelo movimento das ruas (com exceção dos excessos, é claro) acreditamos que o povo brasileiro vai mudar o cenário do país já nas próximas eleições (os caciques políticos que coloquem suas barbas de molho). A segunda é que acredito nessa força do povo e creio profundamente na mudança. Para aqueles que ainda permanecem alienados termino parafraseando Platão que já nos alertava a milhares de anos atrás. Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.

Texto: Odair

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O que são 20 centavos?



Precisa tanto para demonstrar uma insatisfação por causa de mśeros 20 ccentavos? Afinal, o que são 20 centavos? Na verdade, não dá nem pra comprar duas balas de menta. Então, porque toda essa movimentação por caisa de tão pouco? Pois bem. Eis que os 20 centavos na tarifa das passagens de ônibus nada mais é do que o estopim de um descaso que a população, principalmente a mais jovem do Brasil não aguenta mais. Não adianta dizer que essa geração não tem futuro porque as escolas estão acabadas, a educação esquecida e os professores desiludidos. Eis que o brado dessa geração que sofre as mazelas de governos corruptos explodem agora pelas ruas e avenidades de todo o país. Como atalaias eles soltam as vozes de protesto pelo mau uso do dinheiro público, pelo descaso com a educação e pela saúde.
Ninguém consegue mais ficar calado diante das propagandas governamentais de que o país está crescendo e desenvolvendo. Ninguém acredita em PAC ou outros planos mirabolantes de propaganda enganosa. O povo sabe que o que mais acontece no dia a dia são os descontos absurdos de impostos que pagamos. Obras paralisadas, dinheiro jogado no lixo e o povo paga a conta do desperdicio. Ninguém consegue mais aturar um país onde os políticos ganham muito dinheiro para não fazerem nada e professores ganham tão pouco para se matarem em sala de aulas sem nenhuma estrutura física. Estava na hora de eclodir o grito de liberdade. Na hora de despertar o gigante adormecido. Na hora de soltar o brado de um país melhor. Não somos a geração que fica só nas redes sociais escrevendo asneiras. Muito pelo contrário, as redes sociais são os meios de convocar as pessoas para as ruas. Brasil: ame-o!
Está na hora desses políticos, gestores e lideranças saberem que o povo já não mais se deixa engabelar com o circo da bolsa miséria. Não é mais possível conviver com os descasos políticos e desvios de verbas da educação e da saúde. Queremos um transporte de qualidade, uma educação de qualidade, uma saúde de qualidade. Queremos respeito. Uma sociedade digna da grandeza que é o nosso país e nossa gente. Vamos as raías da revolução. Vamos as ruas reivindicar o que é de direito a cada cidadão brasileiro que é a sua dignidade. Não dá mais para viver no ostracismo que os políticos acreditavam que viviam os brasileiros. A realidade é essa. Queremos um país melhor.
O que são 20 centavos? Para algumas pessoas nesse país de beleza natural, gente alegre e feliz, é a conta de comprar um pão para alimentar os filhos. E, as vezes, nem 20 centavos esse pai de família têm para alimentar seus filhos. E, então vemos estádios construídos pela bagatela de 1 bilhão e 300 milhões de reais. Para quem e para quê? Ainda bem que os jovens do Brasil acordou. Antes tarde do que nunca. Agora o Brasil entra nos trilhos ou acaba-se de uma vez. Parafraseando um recente político brasileiro: Pior do que está não fica.

Texto: Odair

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Sinuosidade da vida


Por mais que me esforce em acreditar no impossível ele parece não acontecer. Pelo menos da forma que desejava. Observo a escrita de um amigo e vejo nela as suas idéias fluindo como uma fonte de energia solar. Sei da sua capacidade e admiro sua forma de ver o mundo. Cada pessoa tem uma forma de ver o mundo. Cada olhar tem uma admiração particular.

O homem maltrapilho com um saco nas costas parado em frente à escola contrasta-se com os alunos bem arrumados saindo de carrões em direção a sala de aula. Aquele homem não teve uma oportunidade? Observo, também, o garoto do vizinho que corre até um catador de lixo para levar-lhe uma garrafa pet vazia para ajudá-lo na sua jornada. O pensamento do dia chega até aquela senhora estendida no chão com vários ferimentos causados pelo impacto no veículo que, por estar, provavelmente falando no celular, não viu a placa de pare e interrompeu minha trajetória, acidentando-se.

A vida é como um rio sinuoso que contorna as montanhas. Você navega nesse rio sem saber o que acontecerá na próxima curva. A surpresa será coisas boas ou más? Não é possível saber. E o destino é seguir a incógnita que a vida nos oferece.

Ao meu amigo, meus parabéns pelo excelente texto. Comprova sua dedicação as leituras, como fazem os intelectuais reclusos em suas salas de introspecção. Ao homem maltrapilho um desejo de que seus pensamentos, um dia, sejam expostos para a sociedade fria e injusta a qual nos rendemos. Aos alunos, desejo de que consigam galgar os umbrais do conhecimento e não fiquem apenas na aparência de um mundo fadado à mediocridade. A senhora afetada pelo acidente, votos de melhoras e mais atenção da próxima vez.

Quanto a mim, lamento os gastos decorrentes do infortúnio, mas contento-me com a vida poupada dessa lastimável situação e do aprendizado suscitado pelo mesmo. Sigo meu caminho pela sinuosidade do rio da vida em meu barquinho esperando as surpresas da próxima curva.

Texto: Odair

Obs. O amigo de que falo no texto é Gimerson.
www.digoeunaoosenhor.blogspot.com

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sonhos de uma manhã de inverno



E eu que sonhava com uma vida maravilhosa
Imaginava as flores
Exalando seu perfume em um jardim florido.
Sonhava com as pétalas voando pelo ar
Sendo carregadas pelos ventos até minha janela.
Os pássaros serelepavam pelas árvores do bosque
E as tristezas não existiam.
Meus olhos contemplavam o horizonte
E, na manhã gélida um brilho do sol insistia em ofuscar minha visão.
Desejava me aquecer no seu calor
E correr pelas avenidas desertas da cidade.
Mas não existia calor,
Só o frio da solidão dos dias solitários.
A chuva fina insistia em cair de mansinho
E o sol foi encoberto pelas nuvens.
Não haveria calor no inverno da alma.
Estou sozinho mais uma vez e vejo você caminhar lentamente
Seus passos são conduzidos pelas incertezas da vida
E conduzem-te para encruzilhadas.
Não há esperança para esse amor.
Por mais que o coração te deseja
Seu olhar já não brilha mais com o meu.
Se não há como compartilhar os momentos
Não há como viver esse amor.
Os sonhos são dissipados
Assim como as flores do jardim soltas pelo ar.
Viro as costas para não ver seus passos
E preciso partir para procurar abrigo.
Meu corpo sente frio
E a solidão corrói minha alma a ponto de deixar-me fatigado
Quero calor para aquecer minhas lembranças
E sufocar minhas angústias.
Os sonhos da manhã de inverno
São desfeitos pela chuva que desce de mansinho
As aguas levam as últimas esperanças
De um tempo que não volta mais.

Poema: Odair

terça-feira, 13 de novembro de 2012

E a vida começa



As flores me parecem ter mais cores
Assim como perfumes mais deliciosos;
Caminho pelo jardim e sinto o frescor da brisa
Sinto o sabor do vento a soprar o meu rosto.
As rugas já aparecem
E o cansaço da lida quer me dominar,
Mas não deixo que isso aconteça.
Hoje é um dia especial
Recebo mensagens, parabéns e desejo de felicidade
Então reflito sobre a vida
E a vida começa outra vez.
Penso no que passou
Tantas aventuras, tantos desafios
E vejo onde estou.
Poderia ser melhor? Talvez.
Poderia ser pior? Quem sabe.
O importante é que tenho novas oportunidades.
A vida me mostra que minha jornada continua.
Tenho muitas coisas a fazer
O amor me convida a estender minhas mãos e sentir o seu aroma
A caminhada se estende diante de mim
O sorriso e os abraços me comovem
Faz-me saber o quanto sou importante para as pessoas
E o quanto necessito do carinho dessas pessoas.
Amo a vida de forma mais completa
As coisas boas se apresentam no momento em que mais precisamos.
Sou feliz com o que tenho
E busco viver os meus sonhos em cada novo amanhecer.
E a vida começa outra vez
Uma nova etapa a ser cumprida.
Os anos ensinam-me a ser mais compreensivo,
Paciente,
Perseverante.
E assim vou vivendo.
Que venham mais outros tantos anos
E que eu possa aproveitar cada segundo de existência
Para produzir e reproduzir o amor.

Poema: Odair
Homenagem ao meu aniversário nessa data.

sábado, 27 de outubro de 2012

Profanação



A redoma de vidro quebrou-se facilmente ao tocar o chão duro e escorregadio da sala escura e gélida naquela manhã chuvosa de fevereiro. Há muito tempo guardada dentro do vidro a imagem santa da menina rompeu um silencio sepulcral que a envolvera durante longos meses ali. Se pudesses prever o futuro com certeza não trilharia aquele caminho a partir daquela fatídica manhã sombria. Mas, não temos o dom de adivinhar o futuro e nem de reescrevê-lo. Da forma que está traçado ele cumprirá sua função de sacudir a mente humana e transformá-la em seu súdito.

Uma força sobre humana a empurrou para fora e aplausos soaram como se aquilo fosse uma boa coisa acontecendo. Mal sabiam os presentes que o destino tinha lhe traçado caminhos espinhosos e que sangue correria de suas veias incessantemente. Fagulhas de sofrimento e dor a faria chorar todas as noites. Nem mesmo o brilho das estrelas poderia ser apreciado pelos seus olhos inocentes e singelos.

Envolta em mistérios ela começou sua caminhada e logo descobriu que as situações da vida a deixaria sempre inconformada. Seu modo de pensar, suas atitudes sempre iam à contramão de seus semelhantes. E isso a fez sofrer cotidianamente. Silenciosa e solitária buscava uma forma de não profanar seus ideais.

Mas aquilo foi uma profanação. Taparam sua boca. Amordaçaram suas idéias e apagaram suas esperanças. Tudo que ela havia planejado para sua vida foi sorrateiramente tirado dela. Até o seu sorriso foi levado pelo vento da maldade e ela se viu mais uma vez prisioneira de seu cruel destino.

Quantas primaveras já se passaram. Quantos fevereiros em sua vida sofrida ainda vão se apresentar? Será ela capaz de suportar tamanho sofrimento em sua longa caminhada? Os poucos momentos de alegria que esporadicamente surgem em sua vida são subitamente dissipados pelos longos momentos de frustrações, decepções e ilusões que a cerca constantemente.

Seus olhos já não conseguem esconder suas angustias e deixam-se revelar nas lágrimas que insistem em rolar na sua face já cansada da vida. Algumas pessoas são destinadas a sofrerem mais que outras. E isso não é uma escolha.

Se fosse hoje aqueles aplausos não seriam ouvidos e sim o triste lamento por uma vida que carrega em si uma sina cruel de existir para sofrer. Nem mesmo a liberdade de escolha lhe é garantida e confiável. Sabe que tens a obrigação de trilhar esse caminho. Só não sabe como vai conseguir. No entanto, pela sua força e coragem tem superado cada dia mal e no sorriso das crianças que a admira vai vencendo essa tristeza.

Ela segue o seu destino como se ainda estivesse presa na redoma de vidro. Na verdade, ela ainda é prisioneira da redoma de vidro. Suas palavras, seus atos são como se não pudesse fazer muita coisa para mudar o mundo. Chora por ver a miséria de vidas ao seu redor que preferem caminhar sem expectativas e sem sentido. Gostaria de ajudá-los, mas eles mesmos não querem ajuda nenhuma e sim continuar sua existência dessa forma.

Texto: Odair