quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Menino da Praça da Feira


Ontem fui ao cinema com minha amada assistir ao filme Rede de Mentiras e após o filme paramos na praça da feira para comermos um espetinho. A Praça da Feira é uma praça no coração da cidade de Cáceres que oferece várias opções de alimentação durante a noite. É um local de feiras comerciais e agrícolas sempre as quintas e domingos. Durante o pouco tempo que ficamos ali pude observar uma infinidade de acontecimentos. Pessoas de todas as naturezas passam por aquela praça durante o dia e a noite, uma vez que a praça não dorme e nem as pessoas que habitualmente convivem em torno dela. É possível, numa rápida olhada, você encontrar michês, sapatões, lésbicas, homossexuais, cafetões, prostitutas e outras infinidades de pessoas dessa natureza. Claro que ali também freqüentam pessoas de boa índole (até porque eu estava lá) e, além disso, eu também não tenho nada contra a vida das pessoas e o que elas fazem ou deixam de fazer.
Dentre as inúmeras coisas que observei já com a intenção de escrever para esse blog eu pude notar as garotas que perambulavam em busca de recursos para preencher suas noites (de prazer e dinheiro). Tal como aves de rapina em volta das suas presas elas andavam a procura de homens que pudessem dar a elas algum dinheiro. Notei um senhor já de meia idade que chegou em uma moto já trombando em suas próprias pernas devido ao álcool na cabeça e logo rodeava uma das meninas e se esfregava nela. Não entendo como as pessoas se sujeitam ao ridículo dessa forma? A mulher em aceitar que um cara molambento daquele fique alisando ela e passando as mãos em suas partes intimas. O homem em se deixar dominar pela bebida a ponto de se tornar um molambo.
No entanto, nada me chamou mais a atenção do que o garoto que me pediu um dinheiro para comprar um baguncinha, segundo ele me disse. Estava esperando o garçom trazer o nosso pedido e observando o andamento das pessoas na praça além do sorriso de minha amada (ela fica linda nos dias em que está feliz) quando o menino apareceu e me pediu dinheiro para comprar o lanche. No momento disse a ele que não tinha e que não poderia ajudá-lo. Ele saiu de perto de mim e ficou próximo ao carrinho de lanche do outro lado da praça. Eu o observei durante algum tempo vendo o que ele faria. Ele estava em uma bicicleta e ficou um bom tempo parado ao lado do carrinho de lanche. Pediu dinheiro para duas mulheres que passou perto dele e elas deram-lhe alguns trocados que vi. Quando terminei de fazer meu lanche juntamente com minha amada disse a ela para me esperar que eu fosse dar o dinheiro do lanche para o menino.
Caminhei até onde ele estava e dei-lhe uma moeda de 1 real dizendo que era para ele completar e comprar o lanche dele. Ele me disse que precisava de mais 50 centavos para completar o valor do lanche. Dei-lhe os 50 centavos e conversei um pouco com ele. Magrinho e sujo ele me disse que morava na Cidade Nova. Quando voltei para a minha mesa vi que o menino foi embora. Fui conversando com minha amada sobre qual seria o destino do dinheiro que o menino arrecadou. Com certeza não era para o lanche porque ele simplesmente foi embora. Seria para ajudar seus pais? Seria para comprar drogas? Cola, quem sabe? Um ponto de interrogação permanece no ar com relação a isso.

O que é preciso fazer para que a infância não seja sacrificada dessa forma? A inocência é perdida e o futuro de nosso país é comprometido. Enquanto isso nos palácios em Brasília...


Texto: Odair José

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A irmã de Suelen... (Quarta Parte) - Por que o amor faz sofrer?


Ninguém da família entendeu bem a decisão de Suelen. Ela arrumou suas malas e foi embora de casa sem dizer exatamente para onde ia. Disse apenas que ia viver a sua vida em algum lugar longe de Cáceres. Os pais e amigos ainda tentaram convencê-la de terminar os seus estudos, mas ela não quis ouvir nenhum deles.


Dona Adelaide, dias depois, soube, por intermédio de uma pessoa, que Suzana estava tendo um caso com Beto. A princípio ela não acreditou na história e disse que era mais uma fofoca. Suzana estava morando com Henrique, como poderia ter um caso com Beto? Além disso, os dois quase não se conheciam. Pensou ela.


A paixão avassaladora que tomava conta de Beto e Suzana já não os deixava pensar nas conseqüências. Freqüentemente, os dois se encontravam e passavam horas e horas juntos. Viajavam para Mirassol e Quatro Marcos, cidades próximas de Cáceres e, normalmente, iam para a casa de campo de Beto que ficava em um paraíso ecológico no Pantanal a poucos km de Cáceres.


Exatamente por esses encontros na casa de campo que Cristina, esposa de Beto, ficou sabendo do caso do marido com a morena da cidade. Cristina era uma mulher vistosa, muito bonita por sinal. Era clara de cabelos negros cacheados e olhos castanhos envolvente. No entanto, deixava transparecer uma mulher amargurada. Ela sabia que o marido nunca tinha sido fiel com ela, mas sempre era um caso aqui, outro ali. Nunca um envolvimento amoroso da forma que estava sendo agora. Ela notava que seu casamento de mais de 7 anos estava se acabando. Beto já não importava mais com ela e dava pouca atenção para a filha do casal a pequena Michelle de 5 anos e meio.


Por outro lado, Henrique também descobriu que a esposa estava tendo um caso com o empresário. O fato foi curioso. Henrique foi fazer uma entrega de compras do supermercado na casa de umas universitárias. Estava colocando as mercadorias na mesa quando ouviu umas meninas que estavam em uma sala de computador conversando sobre Suelen e sua desistência da Universidade. Ouviu quando uma delas disse: ela foi embora porque descobriu que a irmã tem um caso com o homem que ela queria. As duas eram super amigas, mas Suelen não perdoou a irmã por ter dado o bolo nela.


O coração de Henrique quase saiu pela boca tamanha a sua decepção naquela hora. Ele sempre fora um cara apaixonado por Suzana e não entendia o porquê a esposa tinha feito isso. Agora ele percebia o distanciamento dela nos últimos meses. Então era isso! Mas Henrique era muito sereno e resolveu não comentar nada e ver até onde ia aquele negócio. Nessas horas cada pessoa tem uma atitude e nem sempre é a que tomaríamos.


Beto e Suzana, nos seus encontros, falavam muito sobre eles e a paixão que sentiam um pelo outro. Numa dessas tardes de amor, Beto disse a ela que gostaria muito de ter um filho com ela. Desejava ter um filho homem e que ele seria lindo se fosse filho de Suzana. Prometeu ainda que, caso ela tivesse esse filho ele ajudaria toda a família dela a começar pelo pai dela. Suzana disse a ele que não interessava a ajuda para os pais, até porque eles não mereciam por tudo que tinham feito para que ela e a irmã encontrassem um homem rico, mas que teria o filho porque o amava e era a intenção dela ter um filho dele.


No início da gravidez foi que Henrique resolveu falar com Suzana. Havia se passado mais ou menos uns dois meses desde que ele havia descoberto a traição da esposa. Perguntou a ela porque a mais de cinco meses ela havia abandonado o serviço na livraria e o enganava sobre isso. Suzana pediu mil desculpas a ele e contou-lhe que tinha se envolvido com Beto e que não conseguia se livrar daquele sentimento. Contou, também, que o empresário a ajudava com o salário e que estava grávida dele. Henrique disse que a deixaria livre, mas que nunca a perdoaria por ter feito isso com ele. Suzana sabia que não merecia mesmo o perdão de Henrique.


Cristina ficou furiosa quando foi conversar com Beto a respeito de Suzana. O empresário deixou que ela falasse o que queria e não deu muita importância. Era totalmente diferente daquele homem amoroso que Cristina conhecera há anos atrás. Ele disse a Cristina que se ela não estivesse satisfeita com o casamento que fosse embora e o deixasse em paz. Foram muitas lágrimas que Cristina derramou depois daquele dia. Seu coração sentia um aperto. O que mais a magoava era o silêncio de Beto. Ele não falava sobre Suzana. Mas Cristina sabia que todos os dias ele saia com ela.


Após Suzana se separar de Henrique ela foi morar em um apartamento que Beto havia comprado para os dois. A gravidez de Suzana corria normalmente sob cuidados médicos e acompanhamento psicológico. Mas com o passar dos meses e conforme a barriga dela aumentava a visita de Beto ao apartamento foi ficando cada vez menor. No começo ele vinha todos os dias e agora vinha uma ou, no máximo, duas vezes na semana. Suzana começou a pensar coisas e a ficar preocupada. O que estava acontecendo. Ela ficou mais apreensiva ainda quando foram tirar a utrassonografia e, mesmo vendo que era um menino, Beto não esboçou reação de alegria.


Perto de ter filho, Suzana recebeu a visita de sua mãe. Dona Adelaide conversou com a filha durante alguns minutos e percebeu a tristeza nos olhos da filha. Perguntou a ela o que tinha acontecido. Suzana explicou que Beto havia mudado muito nos últimos dois meses e que ela ficava a maioria do tempo ali sozinha. Dona Adelaide olhou para a filha e falou com bastante tristeza: “Filha, acho que nunca seremos perdoados pelo que fizemos a vocês”. Suzana indagou a mãe do que ela estava falando e Dona Adelaide continuou: “Seu pai e seu tio por causa da ambição deles fizeram com que as minhas lindas filhas tivessem esse destino cruel”. Suzana olhou fixamente para a mãe e cada vez mais ficava sem entender nada. Solicitou que ela falasse logo de uma vez o que queria dizer. “Minha filha”, disse dona Adelaide, finalmente, “tem dois meses que Suelen voltou. Ela está totalmente mudada. Parece até outra mulher. Decidida, mais bonita e com uma personalidade forte. Dois dias depois que ela chegou Beto a procurou e disse que está apaixonado por ela”.


O mundo de Suzana desabou...


Texto: Odair José.

sábado, 17 de janeiro de 2009

A irmã de Suelen... (Terceira Parte) - O caso de Suzana.


Alguns dias depois Suzana e Suelen conversavam na casa da primeira comentando todo o acontecido e a decepção dos pais delas com a situação. Na verdade, Suelen deixava transparecer a sua decepção. No fundo ela tinha ficado muito excitada com a possibilidade de ficar com Beto. A dificuldade nos estudos fazia com que ela sonhasse com a possibilidade de conhecer alguém que pudesse dar a ela um conforto e status na sociedade. Sabia que Beto era casado, mas não importava em ser a amante dele desde que pudesse lucrar com isso. Suzana ouvia a irmã falar e sentiu uma ponta de ciúme pelos pensamentos da irmã. Não sabia por que, mas tinha ficado impressionada com o homem desde que ele tinha sussurrado em seus ouvidos que a desejava.
Seu relacionamento com Henrique era um relacionamento bastante simples. Henrique trabalhava em um supermercado da cidade e sempre chegava cansado em casa. Ela estava trabalhando em uma livraria e também chegava sempre cansada. Os dois pegavam o almoço e janta em um restaurante e depois de comer, assistiam um pouco de TV e iam dormir. O sexo, apesar de ser um casal novo, não era tão freqüente. Mas tinham uma relação boa entre ambos.
Naquela tarde o coração de Suzana quase parou quando ela ergueu os olhos e viu bem na sua frente à presença marcante de Beto. Ele sorriu para a moça e disse que estava querendo fazer um orçamento de materiais escolar e se ela poderia mostrar para ele. Suzana mal conseguia controlar suas pernas de tanto que tremia. Acompanhou ele mostrando-lhe os materiais. Beto fazia questão de olhar ela sempre nos olhos e sempre que podia ele tocava a sua pele fazendo os pelos subirem. Ele parecia que se divertia com isso. Em um dado momento ele passou a mão pela cintura dela e a puxou para um lugar da livraria onde não tinha ninguém e antes que ela pudesse fazer alguma coisa ele a beijou na boca com muita volúpia.
Foi rápido, mas foi o suficiente para Suzana ficar nas nuvens. “Como beija gostoso” pensou consigo enquanto via o homem sair da livraria e entrar no seu carro. “Que audácia”. Naquela noite ela não dormiu direito. Enquanto Henrique dormia como um anjo ela rolava na cama pensando no beijo de Beto. “Ai meu Deus! Perdoa-me por isso!”
Toda vez que as duas irmãs se encontravam Suelen sempre falava em Beto. Suzana percebeu que a irmã tinha ficado apaixonada pelo homem e que essa paixão crescia a cada dia. O que ela não disse é que ela também estava apaixonada por Beto. Ela sentia medo e ciúme ao mesmo tempo. Pensava muito em Henrique que era um cara bom e que não merecia aquilo da parte dela. Mas não conseguia mandar em seu coração. Passou alguns dias pensando na hipótese de contar tudo que acontecera. Mas sabia que nem Suelen e muito menos Henrique entenderia a situação.
Numa tarde quando chegava à livraria em sua bicicleta ela foi abordada pelo empresário que estava em uma camioneta de luxo. Ele pediu a ela que inventasse uma desculpa no serviço e fosse ao encontro dele que a esperaria do outro lado da pracinha que tinha próximo dali. Ela não sabe como conseguiu, mas quando deu por si já estava dentro da camioneta. Beto foi muito gentil com ela e a tratou com todo carinho. Foram para o melhor motel da cidade. Suzana nunca tinha sido tratada tão bem antes de fazer amor. Beto a fez sorrir contando umas histórias para ela. Comprou um champanhe e frutas e fez uma massagem. Enquanto as mãos de Beto tocavam seu corpo moreno suavemente, Suzana sentia o pulsar de seu coração. Foi ficando mais excitada a cada movimento que o homem fazia em seu corpo. Foram horas de pura paixão. Ela se sentiu amada e amou aquele momento. As visitas foram ficando freqüentes e os dois já não conseguiam mais disfarçar a ansiedade para o próximo encontro.
Foi numa dessas tardes que Suelen passou na livraria para pegar material escolar que ela viu quando Suzana saiu do carro de Beto no outro lado da rua...
Texto: Odair José.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A irmã de Suelen... (Segunda Parte) - O almoço!


Era um domingo diferente. O sol surgiu com um brilho mais intenso do que de costume e as flores dos ipês estavam mais coloridas do que de costume. Pelo menos essa foi a impressão de Suelen naquela manhã ao se levantar. Quase não dormira a noite devido à ansiedade. A família dela caprichou nos preparativos do almoço para oferecer ao ilustre visitante daquele dia.
Dona Adelaide tentava demonstrar um sorriso apesar de seu coração se revoltar com essa situação. Afinal, sua filha não era nem uma prostituta para ser oferecida como banquete principal a esse desconhecido. No entanto, ela conteve a sua revolta e caprichou no almoço. Enquanto Suzana ajudava a mãe nos preparativos, Suelen se arrumava no quarto. Tomou um banho caprichado, fez cabelo e unhas, além da depilação e banho perfumado. Estava deslumbrante quando por volta das 11 horas da manhã um carro esportivo parou em frente o portão da casa dela.
Beto era um homem alto e forte. Corpo bem definido e de porte atlético. Normalmente se encaixava no perfil da maioria das mulheres. No entanto, durante o almoço e as conversas, ele mostrou outra qualidade: sabia cativar as pessoas. De uma cultura superior ele conversou com todos na mesa e encantou a maioria das pessoas que ali estavam. Durante uma conversa e outra ele observava a jovem moça que havia sido “oferecida” a ele. Suelen estava linda e encantou o homem.
Houve um acidente quando um dos meninos que estavam na casa escorregou e caiu sobre Suelen que por sua vez tropeçou na mesa onde Dona Adelaide tinha acabado de colocar um bule de chá quente. O Bule foi jogado sobre o empresário e queimou sua mão. Durante alguns segundos ouve um momento de silêncio com a cena até que Suzana amparou o empresário e cuidou dos seus ferimentos. Ele, num misto de dor e revolta pelo acidente saiu como um louco da casa dos Almeida e foi embora cantando pneus.
Durante algum tempo a casa e todos os seus moradores ficaram estarrecido com o acontecimento. Rômulo e Otaviano não conseguiam nem olhar para Suelen como se ela fosse a culpada do acontecido. Suelen por sua vez não conseguia acreditar em tamanha falta de sorte. Como aquilo foi acontecer? Aos poucos foram se dispersando e cada um buscou um lugar para meditar e se perguntar como aconteceu tudo aquilo. Dona Adelaide, no fundo agradecia a Deus pelo acontecido enquanto que Otaviano e Rômulo saíram e foi para um bar beber e conversar a respeito do acontecido naquele dia fatídico. “Estava tudo caminhando tão bem” disse Otaviano. “Ela tinha que ser tão distraída assim?” comentou Rômulo demonstrando uma ponta de decepção com a sobrinha.
Enquanto Suelen chorava no quarto, Suzana foi e a abraçou com carinho. Tentou confortar a irmã dizendo que aquilo foi um acidente e que não era pra ser daquela forma. Que, com o tempo, tudo se resolveria. Além do mais o homem que demonstrava um grande conhecimento e cultura tinha sido um grosseiro e bárbaro com uma situação normal e que podia acontecer com qualquer um. No entanto, as palavras de Suzana não conseguiram consolar Suelen. Sua revolta não era nem pelo empresário em si. Era um homem bonito, rico e culto, mas era casado e tinha uma família. O que a deixava revoltada era o fato de esse azar acontecer justamente com ela. Ficou bastante decepcionada consigo mesma.O domingo que surgira bonito e florido acabou terminando escuro e sem graça para a jovem loira.
Suzana despediu-se dos seus familiares e foi embora com Henrique. Moravam em um bairro afastado daquele onde moravam seus pais. Caminhava de mãos dadas com o seu companheiro pela calçada quando foram abordados pelo carro de Beto. O empresário os parou na rua e disse que queria pedir desculpas pelo acontecido e agradecer a Suzana por ter o ajudado na hora da dor. Pediu mil desculpas por ter sido grosseiro e apertou a mão de Henrique dizendo que iria lá à casa dos Almeida pedir desculpas também e agradecer pelo almoço. Antes de sair, no entanto, ele abraçou Suzana como se fosse agradecer e falou no ouvido dela: “Me encantei por você e quero te ver”. Suzana ficou mais rubra do que de costume e seu coração acelerou. Engoliu em seco e ficou silenciosa enquanto o empresário se afastava e entrava no carro. Henrique percebeu que a fisionomia da sua jovem esposa tinha mudado, mas resolveu não fazer nenhum questionamento.


Texto: Odair José.

A irmã de Suelen... (Primeira Parte)


Eram duas irmãs que cresceram sempre juntas e que tinham uma grande amizade. Com diferença de dois anos uma da outra aprenderam a se amar e a brincarem juntas sempre compartilhando seus segredos e anseios.
Suelen era a mais velha e tinha uma pela bem clara com cabelos que beirava o loiro. Suzana era mais nova e um pouco mais morena com cabelos ruivos e cacheados. Em questão de beleza as duas eram lindas e despertavam a admiração de todos que as viam sempre a brincar perto da rua onde morava nos finais de tarde. Além delas tinha o irmão mais velho da família que se chamava George.
Elas sempre viveram em um dos bairros mais carentes da grande Cáceres e a cidade, por ser bastante antiga, sempre priorizou os bairros mais próximos ao centro do que os da periferia. Os pais das meninas sempre tiveram pensamentos diferentes com relação ao futuro delas. O pai sempre foi influenciado pelo irmão e tio das meninas em preparar as duas para arranjar um casamento que lucrasse para toda a família. O tio sempre dizia que poderia arrumar uma forma de encontrar homens da alta sociedade para que vissem as meninas e as tivessem em troca de dar a família status e boa posição na sociedade.
A mãe por outro lado sempre educou as filhas para que aprendessem o básico das funções domesticas e que estudassem para ter um futuro melhor. Dizia sempre as meninas para que se casassem apenas depois de já terem um futuro garantido e com quem realmente elas amassem e fossem retribuídas nesse amor. “Não faça como eu, dizia sempre, que me casei com um homem que não tem decisão”.
Aos 17 anos Suelen terminou o Ensino Médio na escola e entrou na faculdade de Biologia na faculdade da cidade. Ao entrar na universidade muita coisa mudou na vida de Suelen. Ela passou a dedicar-se mais aos estudos e isso fazia com que se distanciasse um pouco mais da irmã. Mas mesmo assim as duas eram muito amigas e conversavam até altas horas da noite. Suzana sempre esperava a irmã chegar da faculdade.
Acontece que dois anos depois quando Suzana também terminou o Ensino Médio e ia prestar vestibular para Direito ela conheceu Henrique. Foi uma paixão avassaladora e ela acabou se entregando a ele. Suzana tinha se tornado uma morena muito bonita. Seus cabelos cacheados eram de uma formosura intensa.
O pai e o tio das meninas, no entanto, nunca deixaram de planejar o que poderiam fazer para que arrumassem uma pessoa importante para que conhecessem as meninas.
Naquela época um dos grandes nomes da cidade era de um grande empresário do ramo de pecuária que tinha uma influência muito grande na cidade. Ele possuía uma grande propriedade produtora de gado de corte e mantinha um enorme conjunto de leilões que trazia grandes divisas para o município. Norberto Rosseto, mais conhecido como Beto era mais influente que o prefeito e delegados da cidade. Era um homem nos seus 30 anos, casado e pai de uma menina.
Um belo dia à tarde Beto parou em um bar da cidade para tomar uma cerveja. Encostou sua camioneta última geração, ligou o som e sentou-se na mesa. Próximo dali estava Otaviano e Rômulo, pai e tio das meninas, respectivamente. Sem pestanejar, Rômulo se aproximou de Beto e pediu se podia falar com o empresário um assunto importante. Beto, a principio, pensou que se tratasse de mais alguém a procura de emprego. Após alguns minutos de conversa entre eles, Rômulo olhou para Otaviano que aguardava em outra mesa e o chamou para junto deles. Conversaram bastante e Beto pagou a conta e saiu.
Dona Adelaide ficou horrorizada quando ouviu o marido dizer que deveriam arrumar a casa porque no domingo uma pessoa importante ia almoçar na casa deles. Não concordava com a atitude do marido e do irmão dele. Mas não tinha muito que fazer. Sempre fora uma mulher bastante submissa, herança do aprendizado de família. Naquela noite quando Suelen chegou da faculdade o pai e o tio a esperava. Entraram para o quarto e o tio expôs o seu plano. Segundo ele, no domingo quando o empresário viria almoçar com a família, Suelen deveria seduzir o homem e alcançar dele a sua admiração. A menina ficou meio confusa e disse que não achava isso certo. No entanto, seu pai e seu tio a convenceram de que valia mais um casamento com uma pessoa importante, rica e poderosa do que viver a vida toda sem um futuro definido. E concluiu que ela deveria pensar nos benefícios que traria a toda a família.Suelen, naquela noite antes de dormir ficou bastante pensativa. Ela tinha se tornado uma moça muito linda com seus cabelos loiros e um visual moderno ela chamava a atenção.
No outro dia cedo ela encontrou com a irmã que estava morando com Henrique e contou a ela o plano do pai e do tio. Suzana a abraçou e disse que ela seguisse o seu coração. “Ele é casado, tem família, apesar de ser muito rico. Se caso amar você... não sei”. Suelen olhou para a irmã e comentou que estava chateada pela situação dela. “Veja você, tinha tudo pra seguir os estudos e largou por causa de seu namorado... não sei se isso foi bom... é isso que penso... não gosto muito de viver assim dependendo dos outros. Estou ralando para concluir minha faculdade enquanto vejo meninas se saindo bem com os carinhas que tem dinheiro apesar de saber que a maioria dos casos serem passageiros. Estou muito pensativa a esse respeito”. As duas se abraçaram longamente e ficaram em silêncio por um bom tempo. “Quem sabe ele é um homem bonito...” finalizou Suzana. Antes de sair Suelen perguntou a irmã se ela ia ao almoço. “Sim, mamãe pediu que eu fosse pra ajudar ela arrumar as coisas”.


Texto: Odair José...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Condenação


A Condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar”.
Um dos maiores homens, senão o maior, que passou por essa terra ao se deparar com um grupo de pessoas que queriam apedrejar uma mulher que havia sido apanhada em um ato de adultério (em uma sociedade que pregava o apedrejamento de tais atos) apenas disse: “aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Bastou para que aquelas pessoas saíssem, um por um, rumo aos seus afazeres.
O maior erro da humanidade, e isso sem exceção, é o julgamento. Condenamos as pessoas pelas suas atitudes e decisões sem notarmos que poderíamos, e às vezes, cometemos os mesmos erros. A frase acima citada, que me apossei do link de uma amiga de Messenger, mostra uma realidade que não paramos para pensar. Sempre que condenamos uma pessoa pelo seu ato normalmente achamos que estamos sendo honestos. Até que ponto isso é verdade?
É preciso parar para pensar nas nossas atitudes. Freqüentemente vejo pessoas preocupadas em não fazer isso ou aquilo porque “fulano vai pensar isso” ou “beltrano vai achar aquilo”. A sociedade em que estamos inseridos nos levou a esse patamar tão dilacerado a ponto de nos submetermos as vontades alheias. E onde estão nossas próprias vontades?Esse mesmo homem que livrou aquela pobre mulher, tempos depois acabou sendo condenado pela aquela turba, talvez os mesmos que largaram as pedras naquele dia. Isso mostra que a condenação pode parecer muito honesta, mas este é o tipo de honestidade que é melhor dispensar.


Texto: Odair José.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CÁCERES - PAIXÃO DE POETA


Cáceres, Princesinha do Rio Paraguai falada
Cidade de luzes e encanto
Feita de flores, calor e acalanto
Pelo sol brilhante sempre iluminada.

Banhada pelo Rio Paraguai caudaloso
Cercada de florestas pantaneiras;
Frondosos capins como esteiras,
Lagoas e animais lindos e formosos.

Capital Internacional da pesca
Região pantaneira do Turismo;
Conquistando espaço e patriotismo
Onde todos participam de festa.

Cidade de lindas garotas
D’aquelas que exalam perfume por onde passa;
Sua beleza encanta e realça
Por serem belas, meigas e marotas.

Cáceres, por ti tenho imenso amor,
Pois nesse silêncio que encontro em ti;
Escrevo minhas poesias, feitas aqui

E que um dia terá imenso valor.


Poesia: Odair José. Reg. 052/2008.

sábado, 22 de novembro de 2008

Observar e Pensar


O primeiro passo para aprender a pensar, curiosamente, é aprender a observar. Só que isso, infelizmente, não é ensinado. Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade. Nossas escolas nos obrigam a estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca.
Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do passado observaram – gente como Rousseau, Platão ou Keynes. Só que esses grandes pensadores seriam os primeiros a dizer “esqueçam tudo o que escrevi”, se estivessem vivos. Na época não existia internet nem computadores, o mundo era totalmente diferente. Eles ficariam chocados se soubessem que nossos alunos são impedidos de observar o mundo que os cerca e obrigados a ler teoria escrita 200 ou 2000 anos atrás – o que leva os jovens de hoje a se sentir alienados, confusos e sem respostas coerentes para explicar a realidade.
Não que eu seja contra livros, muito pelo contrário. Sou a favor de observar primeiro, ler depois. Os livros, se forem bons, confirmarão o que você já suspeitava. Ou porão tudo em ordem, de forma esclarecedora. Existem livros antigos maravilhosos, com fatos que não podem ser esquecidos, mas precisam ser dosados com o aprendizado da observação.
Ensinar a observar deveria ser a tarefa número 1 da educação. Quase metade das grandes descobertas científicas surgiu não da lógica, do raciocínio ou do uso de teoria, mas da simples observação, auxiliada talvez por novos instrumentos, como o telescópio, o microscópio, o tomógrafo, ou pelo uso de novos algoritmos matemáticos. Se você tem dificuldade de raciocínio, talvez seja porque não aprendeu a observar direito, e seu problema nada tem a ver com sua cabeça.
Ensinar a observar não é fácil. Primeiro você precisa eliminar os preconceitos, ou pré-conceitos, que são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam e nos impedem de enxergar o verdadeiro mundo. Há tanta coisa que é escrita hoje simplesmente para defender os interesses do autor ou grupo que dissemina essa idéia, o que é assustador. Se você quer ter uma visão independente, aprenda correndo a observar você mesmo.
Quantas vezes não participamos de uma reunião e alguém diz “vamos parar de discutir”, no sentido de pensar e tentar “ver” o problema de outro ângulo? Quantas vezes a gente simplesmente não “enxerga” a questão? Se você realmente quiser ter idéias novas, ser criativo, ser inovador e ter uma opinião independente, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho certo para começar a pensar.
(Stephen Kanitz, Observar e pensar. Veja, 04.08.2004. Adaptado)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

As Guerras Púnicas


Cartago, colônia fundada pelos fenícios no século VIII a.C., era grande rival de Roma na região do Mediterrâneo Ocidental. Os mercadores cartagineses dominavam o comércio, transformando Cartago num grande entreposto, que contava com uma poderosa força naval e um exército composto de mercenários.
Primeira Guerra Púnica: Os cartagineses ocupavam parte da Sicília. Aproveitando-se de uma disputa que envolveu piratas italiotas e habitantes cartagineses da Sicília, Roma entrou em guerra contra Cartago em 264 a.C. Depois de várias lutas, que duraram 23 anos, Roma venceu a batalha decisiva, realizada na ilha de Égales. Lideradas por Amílcar Barca, as forças cartaginesas tiveram que pagar um pesado tributo aos vencedores e entregar a Roma as ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha.
Segunda Guerra Púnica: Para compensar as perdas no mar Tirreno, Cartago passou a explorar intensamente as minas de prata da Espanha. Era uma forma de conseguir recursos para a desforra. Na tentativa de evitar novas guerras, uma delegação romana chegou a ser enviada a Cartago, com o objetivo de delimitar as áreas de influência dos dois contendores. Mas a iniciativa não obteve êxito e, em 216 a.C., Aníbal Barca, filho de Amílcar, partiu de Cartago com uma formidável força de sessenta mil homens, mais de dez mil cavalos e grande número de elefantes.
O Exército cartaginês rumou na direção norte e, depois de atravessar os Alpes, derrotou os romanos, conseguindo chegar perto de Roma. Entretando, a rebelião das cidades gregas contra a Macedônia privou Aníbal de um precioso aliado. Aos poucos, o Exército romano foi reconquistando posições até que, na Batalha de Zama. Em 202 a.C., os cartagineses foram finalmente vencidos.
O resultado da guerra foi doloroso para os cartagineses: perderam a Espanha e o resto da Península Ibérica e tiveram que entregar sua esquadra naval aos romanos.
Terceira Guerra Púnica: Na terceira e última guerra (150-146 a.C.), um exército de oitenta mil homens, liderados pelo general Cipião Emiliano, foi enviado à África e reduziu Cartago a uma simples província. A cidade foi totalmente destruída, seus quarenta mil habitantes escravizados e as terras conquistadas divididas entre os invasores. Assim, Roma completou seu domínio sobre todo o Mediterrâneo Ocidental.

Fonte: http://www.geocities.com/icaro32/roma.html

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ser livre é...


Hoje estava pensando nessa tal liberdade.
Daí me veio a mente os diversos questionamentos que ouço todos os dias a minha volta.
Um dos mais paradoxal diz respeito ao amor: enquanto uns dizem saber o que é ele outros afirmam, categoricamente, não saber explicá-lo.
Na verdade é difícil expressar algo que não vemos.
As pessoas não entendem o que é estar preso a um sentimento onde, por mais que você não queira, não consegue se livrar.
Liberdade é quando você pode sonhar e realizar aquele sonho.
Mais daí entra outra questão pertinente: ora, um sonho já se explica automaticamente...sonho é sonho.
O que se realiza não é sonho é realidade.
Pois bem, voltando a liberdade.
Nas encruzilhadas da vida, cansados de tanto caminhar pela longa estrada, derrepente nos deparamos com o olhar de uma pessoa que acaba de chegar ali naquele exato momento.
O que eu procuro ela procura.
Não existe palavras, apenas a troca de um olhar e isso é suficiente para desestabilizar todo um planejamento.
A partir daquele momento já não podemos andar mais sozinho, a liberdade se foi...somos prisioneiros.
Que coisa mais complicada.
Acontece que, por passar situações semelhantes, as pessoas querem dar palpites dizendo que sabe o que estamos passando...sabe nada.
Nem a outra pessoa sabe.
Só nós sabemos o que realmente passamos (ou também não sabemos coisa alguma).
A agonia de querer ser livre e fazer o que bem queremos.
Mas não temos nem a liberdade de escolher no que pensar.
Outra coisa fundamental nessa questão é o "pré-julgamento" que os externos fazem da nossa situação.
Observam o nosso semblante é, no ato, dizem saber o que estamos sentindo: "Nossa, você viu o passarinho verde? Está tão feliz!". Ou: "Poxa vida, por quem você está apaixonado?"...Caramba, quem disse que estou apaixonado? E se estou, quem disse que é por uma mulher? Pode ser que esteja feliz por que passo por um momento bom de minha vida onde consigo escrever o que gosto.
Adoro falar de sentimento...adoro escrever sobre o mundo, sobre as divagações de um coração anelante pelo prazer de ver as letras surgindo como se fossem automáticas... Sim, é isso! A liberdade que tanto almejo é aquela de poder dizer, sentir e escrever o que quero sem ter que lidar com esse "pré-julgamento" ridículo que prejudica uma alma livre como a minha.
Notaram o paradoxo? Eu falo de alma livre e questiono a liberdade de expressão.

Texto: Odair José.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Reflexões Sobre o Mundo


O mundo nunca é o mesmo um dia depois. Porque?
Os dias nunca retornam, como nunca vão embora...
O mundo não é o que conhecemos,
O que podemos ver prossegue infinitamente,
Nada acaba quando queremos...
Nem mesmo todas as eternidades do mundo
Poderão apagar o seu dia ruim...
Mais, o homem pode voar algumas vezes,
Escrevendo histórias na sua história...
O mundo é um local de brincadeiras a ser conquistado
E, nós somos muito mais do que pensamos ser
E viver é diferente de todas as coisas...

Odair J. Silva

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Diamante de Sangue - Um comentário!


Quando comecei a assistir ao filme, nas primeiras cenas imaginei que era mais um filme idiota que eu iria assistir que seria mais um filme que não mostrava a realidade da vida. Mas no decorrer do filme, conforme as cenas foram passando, então percebi que estava enganada em relação ao conteúdo do filme.
“Diamante de sangue” é um filme que mostra a realidade, mostra como é a vida das pessoas no continente africano. A pobreza, miséria, assassinatos, guerras, a realidade realmente foi mostrada nesse filme.
Tudo que nas cenas foram mostradas é a dura realidade que muitas vezes não sabemos que existe, mas as pessoas que lá moram passam por isso todos os dias.Crianças que deveriam estar na escola, aprendendo o melhor caminho para a vida, estão nas mãos de guerrilheiros. Crianças que são obrigadas a matar, a consumir drogas, a participar de guerras. Aprender geografia assim é interessante...

Leticia - aluna da 8ª série do Centro Educacional Geração 2000.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Falando sobre cinema


Três garotos brincam inocentemente na rua quando são abordados por um carro. Dois homens já de idades e aparentando ser policiais abordam os garotos e os intimidam. Os dois mais espertos conseguem se livrar dos homens enquanto que o mais tímido é colocado dentro do carro e levado para um porão no meio do mato onde é violentado. A vida deles nunca mais será a mesma.


Um homem que trabalha com dinheiro de investidores ouve escondido no banheiro, sobre uma possível barbada numa corrida de cavalos. Com o dinheiro do investidor ele vai até o local e aposta uma grana alta no cavalo que sai na frente da corrida mais sofre uma queda na reta final frustrando o apostador. Acontece que o investidor agora quer receber o dinheiro. Fazer o que pra pagar uma divida dessas?


A mulher vive um momento de dificuldade na vida amorosa e o casamento passa por uma fase de frieza constante. Ao sair num dia chuvoso de casa ela se depara com um homem que a ajuda a pegar os papéis que voaram de suas mãos durante o vendaval. Ao se levantar o seu olhar cruza com o do jovem a sua frente e ali surge um lance que a conduz até a cama do rapaz.


Essas cenas descritas nos parágrafos acima estão, respectivamente, nos filmes Sobre Meninos e Lobos, Ligados pelo Crime e Infidelidade e mostram cotidiano da vida das pessoas que poderiam acontecer com qualquer pessoa.

O cinema, ou melhor, os filmes produzidos pelo cinema e para a televisão mostram cotidianos que não acontece necessariamente com todo mundo, como afirma Cabrera, mas que poderiam acontecer com qualquer um. Esse ponto faz com que paremos e pensamos na realidade constante da vida das pessoas.

O cinema nos possibilita uma visualização de acontecimentos que paramos para refletir. Essa função do cinema é que muitas pessoas ainda não se deram conta da sua importância para o aprendizado dos alunos. Nesse sentido, o cinema é universal e por isso, pensa.

No Projeto que desenvolvo sobre o Cinema na Sala de Aula é esse o ponto crucial para a compreensão dos alunos. A reflexão dos alunos sobre o filme que assistiram deve ser exigida, estimulada e capacitada a ponto deles entender os acontecimentos. A partir desse entendimento passamos a entender a pretensão dos filmes.


Texto: Odair José.


Referência Bibliográfica:
CABRERA, Júlio. O Cinema Pensa. Uma introdução à filosofia através dos filmes. Rocco. São Paulo, SP, 2006.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

V Encontro Regional de História


A ANPUH - Associação Nacinal de História Seção Regional de Mato Grosso estará realizando em parceria com a UNEMAT no Campus de Cáceres o V Encontro Regional de História "Escrita da História" nos dias 10 a 14 de Novembro. No dia 10 as 14:00 é minha apresentação do trabalho "A Vila - O Filme: Ideologia e A Ordem do Discurso" no grupo temático 07: Ensino de História: Temática & Linguagens. Todos estão convidados a assistirem.

Quem tiver mais interesse na programação é só acessar o link: http://www.unemat.br/

Texto: Odair José.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A mulher não é fruta nem flor


Um texto que merece reflexão...


Estamos na época das mulheres-fruta. Nunca se associou tanto a mulher às frutas como agora. O ser humano tem uma necessidade premente de se satisfazer de alguma forma, mesmo que isto seja estranho, anormal e até ridículo. E ninguém melhor do que certas mulheres para resolver este problema nutricional. Frutas, legumes e verduras são alimentos básicos para qualquer pessoa em qualquer situação, daí a associação desses alimentos às mulheres. Comer, na linguagem comum é muito mais do que alimentar: é uma metáfora, uma palavra com duplo sentido que pode significar muita coisa. E isto acaba se tornando um hábito no dia a dia.

O homem, cheio de criatividade, inventa suas histórias, suas brincadeiras e sempre a mulher está presente neste linguajar comum e rasteiro que ouvimos por aí. As músicas, as danças, as piadas sempre envolvem esta criatura extremamente importante a quem devemos a vida. Quanta brincadeira de mau gosto, quanto desrespeito nas rodinhas de amigos comentando nuances da vida alheia em qua a figura sublime da mulher é o "prato do dia". Os meios de comunicação, em geral, divulgam com vivo interesse essas histórias, anedotas e gozações. Tudo feito com muito bom humor e sarcasmo - e muita gente fatura alto em cima disto.

Hoje, muitas músicas são ridículas: não têm nenhum conteúdo útil, são apenas movimentos, danças e apelações. Ninguém sabe a letra da música e nem precisa saber - a órdem é requebrar fazendo insinuações e "usando" a mulher como motivo de chacota. Todo tipo de insinuação é válido, não há limites para este desatino, para esta anomalia. Depois do "tapinha não dói" veio a "eguinha pocotó" e agora é a "dança do créu". Qual será a próxima invenção? Cada vez, mais pessoas aderem a esse tipo de música que é cheia de movimentos corporais e vazia de qualquer sentido ou conteúdo. Sem dúvida, não há nenhum senso crítico - o que há é uma loucura coletiva que não obedece a nenhuma regra ou limite. A mulher está presente nesse ritmo como vocalista ou dançarina e principalmente nas letras pobres, horríveis e de duplo sentido.

Estamos na época da colheita das mulheres-fruta. Laranja, abacaxi, melão, melancia, banana, jaca, jabuticaba, manga, maçã, pera...Têm frutas para todos os gostos. Isto seria até romântico não fosse o desrespeito na forma em que a mulher é vista e tratada. Houve um tempo em que a mulher era representada por flores ou elementos da natureza; agora ela é fruta que é comida, chupada e depois jogada no lixo. E a fruta do momento, ou melhor, a mulher do momento é a garota-melancia. Ela está em alta, porém como sempre acontece, ela será degustada e depois terá como destino a lata de lixo.

A mulher, com certeza, merece muito mais do que este triste e humilhante destino. É preciso respeitar mais a mulher, entretanto é necessário que ela também faça a sua parte e se dê ao respeito como convém.


Cícero Alvernaz.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sobre Violência Infantil



O olhar de tristeza rompeu a noite de alegria dos moradores da vila.


Durante dias os maradores haviam preparado as festividades para comemorarem o início das chuvas que possibilitavam o plantio das sementes. Aquele ano foi atípico porque as chuvas demoraram cair. Então quando se formaram as primeiras chuvas e os anciões afirmaram que eram nuvens de chuvas toda a comunidade se regozijou.


Quando cairam as primeiras chuvas toda a comunidade agradeceu aos deuses pela ajuda divina e se prepararam para fazer o plantio das sementes. Durante aquele dia os homens prepararam os festejos da festa enquanto as mulheres preparavam as bebidas. Alguns porcos eram assados numa grande fogueira acesa no pátio da vila. Quando os tambores estavam em ponto serem tocados um dos anciões viu a menina chegando.


Seus olhos pequenos e inocentes refletiam o terror. Um medo assustador pairavam sobre o seu rosto mostrando que coisas terríveis aconteceram com ela. Rapidamente o ancião aproximou-se dela e a segurou pelo braço com ternura. Sua linda criança havia sido cruelmente violentada. Com os olhos em um misto de compaixão e revolta indagou a pequena o que tinha acontecido com ela e quem tinha feito tamanha barbaridade. Os olhos cheios de lágrimas da pequena levantou-se e começou a procurar o seu agressor. Todas as pessoas da comunidade agora estavam ao redor da menina. O ancião tentava, ao acompanhar o olhar da pequena, decifrar o enigma. Não foi possível descobrir. Assustada a menina não delatou o seu agressor. O ancião sabia que ele estava entre eles e que mais cedo ou mais tarde descobriria quem roubou a inocência da pequena flor.

Esta história é uma ficção, mas que tem muita semelhança com a vida real. Estou na campanha contra a violência infantil.

Texto: Odair José.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Acontecimentos da Vida


Vou contar uma história de minha vida que aconteceu no ano de 1988 quando tinha 14 anos de idade. Esse relato faz parte da minha autobiografia que estou escrevendo à algum tempo. O tempo cronológico aqui não é fundamental. Conforme vou me lembrando dos detalhes vou repassando. Nós morávamos em Lambari, (que naquela época ainda era distrito de Rio Branco). Meus pais eram separados, eu e meu irmão morávamos com meu pai. Como acontece, meu pai tinha que trabalhar para sustentar-nos, uma vez que ele fazia o papel de pai e mãe ao mesmo tempo.

Meu irmão, márcio, na época estava com 10 anos. Foi uma fase ruim que aconteceu em nossas vidas mas que me ajudou a crescer como homem que sou. Com a separação, meu pai teve muitos altos e baixos. Tinha época em que ele estava com muito dinheiro, outras épocas não tinha nada. Erámos muito inconstantes em relação a parte financeira. Pois nesse ano as coisas não estavam boas. Foi então que meu pai conseguiu um emprego para trabalhar em uma fazenda próximo ao Panorama, um vilarejo que existia entre Lambari e Rio Branco, cerca de uns 10 Km da primeira cidade.

Fomos para a fazenda e meu pai preferiu trabalhar primeiro para receber. Creio que na época ele fez o que achava certo. Se fosse eu hoje faria diferente. Não tínhamos nada para comer a não ser arroz. Foi um período de vacas magras mesmo. Na fazenda (na verdade, uma pequena fazendinha encravada entre outras) tinha uma casa de madeira onde ficamos. O trabalho de meu pai era gradiar a terra e plantar braquiara (capim para pasto). Durante alguns dias ficamos nessa labuta na fazenda.

Sabe quando você não tem nada mas mesmo assim é feliz? Pois bem, posso afirmar isso desse período. Eu corria na terra arada nos finais de tarde olhando o pôr-do-sol e imaginando o que seria da minha vida quando ficasse adulto. Sempre fui um sonhador. Desde pequeno as histórias de aventuras me fascinavam. Eu imaginava vários cenários para a minha vida futura.

Lá foi onde eu dirigi pela primeira vez. Sim foi um tratorzinho Valmet, se não me engado, 65. Uma tarde enquanto jogava a semente na terra arada meu pai me chamou e mandou que eu subisse no trator e o observasse. Ele deu uma volta no terreno onde gradiava naquela tarde e quando deu a volta completa ele parou, desceu do trator e falou:

_ Agora é com você.

Claro que fiz um zigue-zague nas primeiras voltas mais consegui dirigir e gradiar. Depois disso trabalhei com Trator grande de todas as marca, desde Valmet até o CBT. Inclusive até com Motocana.

No entanto, a vida ali naqueles dias não era uma maravilha. Conforme os dias iam passando, o arroz puro, as vezes com mandioca, não sustentava. Não sei quantos dias exatos passamos ali, mas creio que mais de 20 dias foram. Um dia, acho que era um sábado de manhã estava com meu irmão, sei lá, acho que brincando, quando observamos um mangueiral que tinha cerca de uns 2.000 metros de distãncia. Não sei o que, mais alguma coisa nos instigou air lá. Claro que já tínhamos visto aquele pomar várias vezes, mas tínhamos receio de cachorros ou de pessoas ruins. Quem vai saber. Como que combinássemos caminhamos até lá. Era uma casa onde morava um pessoal e que nos deu algumas coisas como laranja, ovos e...inesquecível, um queijo!

Eu nunca mais comi um queijo tão gostoso como aquele. Saboroso. Sabe quando você coloca um queijo frito com arroz? Uma delicia.

Aquelas pessoas naquele dia foi como uma salvação para nós. Não esqueço jamais, mesmo não sabendo quem são. Acho que dias depois o dono da fazenda apareceu por lá com uma compra que meu pai tinha pedido, mas aquele queijo...

Pois bem, na fazenda tinha um riacho que passava bem no fundo do quintal da casa. Dois fatos curiosos aconteceu nesse período ali...os quais contarei em breve. Não percam os próximos capítulos!!!
Texto: Odair José.

domingo, 19 de outubro de 2008

Religião e Política


Engraçado como vivemos em um mundo hipócrita mesmo. Fiquei admirado vendo os comentários de alguns "religiosos" do Brasil em oposição a um projeto de lei que tramita no congresso nacional.

O PL 2623/2007 é, de fato, polêmico por que atinge o orgulho de religiosos no Brasil. Segundo o projeto é preciso alterar a nomenclatura de "padroeira dos brasileiros" e deixar apenas "padroeira dos católicos". Claro que os católicos se arrepiaram logo, logo. Andei vendo alguns dos comentários e críticas das principais redes de comunicação do Brasil. O que eu não concordo é quando dizem que o deputado está errado. Tem uns que até questionam o fato de o autor do PL ser professor. Pois eu venho aqui, defender algumas idéias com relação a esse fato:

Primeiro. Considero o autor do PL um homem de caráter. O Professor Victório Galli Filho foi meu professor de Teologia e, antes de chegar ao Congresso ele já defendia essa visão. O que concordo com ele. Não se pode denominar uma "padroeira" para a nação uma vez que nem todos compartilham com essa idéia.

O Brasil foi colonizado, de fato, pelos católicos, aprendeu a alfabetização pelos jesuítas e se considera a maior nação católica do mundo. Acontece que aqui também vieram os holandeses e ensinaram o protestantismo na época da colônia. A partir do início dos anos 1910 o Brasil recebeu uma leva de missionários protestantes que disseminaram uma nova religião. O fato concluso é que, a cada ano, o catolicismo perde grande parte dos seus fiéis. Sem contar que boa parte dos que se dizem católicos, nunca foram em uma igreja. Não estou aqui combatendo religião. Estou revelando dados e mostrando a História.

Segundo: O PL do Professor Victório é apenas para que mude a denominação. Ou seja, para aqueles que crêem na santa, ela continuará sendo a padroeira deles. Para aqueles que não crêem e nem compartilha com a idéia (como eu) as coisas continuam normais. Não vejo polêmica no PL. Acontece que pessoas fanáticas acham que o PL atinge os seus princípios e questionam...Por que não questionaram os outros projetos do Deputado. Aliás, ele tem outros projetos bastante interessante. O que deveriam fazer é acompanhar o que o seu representante faz no Parlamento. Sim, eu votei em Victório Galli Filho e fico feliz em ver que ele está fazendo alguma coisa. Acompanho os seus projetos e estou vendo que o meu voto não foi jogado fora.

Para finalizar, quero deixar bem claro que respeito toda forma de religião apesar de não concordar com nenhuma. Assim como afirmou Marx, dizendo que a religião era o ópio do povo na época dele, creio que continua sendo a cocaína do povo. Religião nunca salvou ninguém, não salva e, ao longo dos tempos, é a causa de todos os conflitos na Terra. Felipe II da Espanha confiava no catolicismo para derrotar Elizabeth da Inglaterra porque ela era protestante e considerada bastarda. Suas naus, (a maior da época) sucumbiram próximo a ilha da Bretanha. Deus era protestante e apoiava Elizabeth? Não. Creio que ele combateu o prepotente Felipe II.


Texto: Odair José.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dominação


Neste espaço quero parodiar uma canção antiga que, creio fazer sentido neste momento. Ao longo da trajetória humana em estabelecer verdades e planejamento de melhora o que vemos é a caminhada rumo aos mesmos procedimentos. Existe um cinismo que tenta nos enganar do decorrer do dia-a-dia, confesso que estou cansado disso. O regime das oferendas capitalista está levando ao abismo e eu não quero ser parte integrante desse crime. Durante o Regime Militar instaurado no Brasil nos anos 60 e 70 houve uma série de atos institucionais que foi o cúmulo da incompetência. O mesmo acontece nos dias de hoje onde vemos atos insanos acontecerem a todo instante. Esses atos acabam revelando as margens do incerto. As paródias e falação dos políticos que prometem, prometem e nada fazem continua a fazer parte da cultura brasileira. E acreditamos. Eles falam e não vemos nada de novo acontecer. O povo caminha para a grande falência!
O grito de guerra é esse...
Não aborte os seus ideais
No ventre da covardia
Vá a luta empunhando a verdade
Que a liberdade não é utopia!
As pessoas querem se esconder e ninguém ousa desafiar o sistema. Os camuflados e os samaritanos levam-nos a fatalidade. Ignoram o holocausto da fome, das crianças abandonadas a própria sorte nas ruas das grandes cidades tiram do futuro a prioridade, isto é, o sonho de uma vida digna em um país mais justo. Os trabalhadores, cada vez mais sugados e escravizados pelo sistema não conhece os lucros pois esses não são repassados a eles. Acontece que se entrarmos nesse jogo político seremos, de fato, síndicos dessa massa falida.
Não aborte os seus ideais.
Existe uma vontade imensa de setores da sociedade em combater essa mediocridade tão corrosiva. Pessoas que pensam em liberdade de vida como eu. Pessoas que querem mudar o rumo da nação. Junte-se a nós: Solte o grito de guerra. Vamos lutar contra esse sistema cruel e sanguinolento...Os seus ideais é a base para a vitória contra a dominação capitalista e a liberdade não é utopia.

Texto: Odair José.

Fonte: Música: Massa Falida - Duduca e Dalvam.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Professor


Olhando pela janela tentando contemplar aquela que iria me orientar... Me falaram tanto dela... Olhos claros sob um óculos fino em um rosto de anjo, A visão que me ensinaram a esperar. A turma anterior tinha afirmado que ela era uma excelente professora. No meu primeiro dia de aula fiquei imaginando como seria. Na escola a maioria era professoras. A turma, assim como eu, estavam todos ansiosos. Afinal, era o primeiro dia de aula. Derrepente ouvimos os passos. Um pouco diferente dos passos macios que os colegas nos informaram... Um jovem senhor adentrou a sala sob o olhar de surpresa de toda turma. - Bom dia turminha!











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O tempo passou, Hoje sou um professor. Vida nada fácil. Enquanto a maioria das pessoas estão dormindo ele está lendo, pesquisando e se informando para que sua aula seja proveitosa. O que importa é que, no futuro, possa ajudar alguns dos alunos em sua trajetória de vida! Todos os profissionais da vida passa diante de um professor. Até Alexandre, O Grande, para conquistar o mundo de sua época passou pela orientação de Aristóteles. O que acontece é que boa parte deles (dos profissionais) quando alcança seu status esquecem de seus mestres. Se lembrassem, os professores não precisariam de todo ano estarem reivindicando uma melhora em seus ganhos.

Texto: Odair José.

domingo, 12 de outubro de 2008

As Ruínas - Um Breve Comentário Sobre o Filme!


No último bimestre tenho trabalhado a história dos povos pré-colombianos com a turma da 6ª série na disciplina de História. É um dos assuntos que mais gosto dentro da disciplina de História. Dentre os povos pré-colombianos falamos muito sobre os Maias e seus rituais que os pesquisadores, até hoje, tentam desvendar. Dentre as minhas pesquisas deparei-me com a sinopse do filme As Ruínas, produção que chegou aos cinemas neste ano de 2008. Li muito sobre a crítica do filme e os comentários das pessoas que o assistiu. Observei os prós e contras do filme. Então, resolvi assísti-lo para ter as minhas conclusões. O gênero de terror não me fascina muito, apesar que achei o filme nem tanto assim de terror, mas gosto de ver quando acho o tema interessante. Neste ano três títulos me chamaram a atenção: Fim dos Tempos, O Nevoeiro e As Ruínas, dos quais já assisti os dois últimos.

As Ruínas não é o que esperava ser. Dão pouca ênfase a cultura maia e não explicam o porque das plantas serem assassinas. O que dá vida as plantas? Sacrifícios humanos? Esperava que pudessem dar uma maior visualizada no que foi a civilização maia.

No entanto, nem tudo é ruim no filme. Com ele é possível perceber, mais uma vez, a ideologia americana de que "não vão deixar que quatro americanos morram num lugar desses". O mesmo discurso encontramos nos "Turistas" que têm os seus orgãos arrancados em uma floresta brasileira e nos jovens presos em algum país do Leste Europeu no filme "O Albergue". Outra coisa é a questão das coisas precárias que esses filmes tentam passar...isto é, sempre mostram as coisas mais feias nos países de terceiro mundo. Mas isso é ideologia.

O filme, no meu ponto de vista, é um bom texto para discussão uma vez que nos oferece respaldo para questionarmos uma infinidade de argumentos ideológicos.
Texto: Odair José.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A Ordem do Discurso n'A Vila


O objetivo deste texto é fazer uma análise do filme A Vila, longa metragem, produzida em 2004. Segundo a sinopse do filme No final do século XIX existia uma vila cercada por florestas em todos os lados. Os habitantes de lá fizeram um pacto para nunca saírem da vila, pois na cidade reinava a violência e o medo. O que eles almejavam era a criação da sociedade perfeita. Funcionando como contraponto à tranqüilidade da vila, há as criaturas, ou "aquelas-de-quem-não-falamos", seres aterrorizantes que vivem nessas florestas. Entre os habitantes e as criaturas há um acordo muito simples: ninguém invade o território de ninguém.
O filme se passa na zona rural da Pensilvânia em 1987, e conta a história de um pequeno vilarejo de Covington, com a pequena população de 60 pessoas, rodeada por uma floresta onde se acredita haver criaturas míticas habitando o lugar. A história ainda conta o romance de Kitty, a filha do líder do vilarejo e de Lucius, um jovem rapaz. Os dirigentes da cidade possuem uma política de restrição bem forte: todos são proibidos de adentrar a floresta, ou seja, todos os habitantes da vila viveram toda a sua existência isolados do restante do mundo, já que ninguém do exterior pode entrar lá também. Há um monte de postos de vigia, que servem tanto para afugentar as criaturas como para se certificarem de que ninguém tente fugir da vila. Entretanto, o vilarejo começa a ser ameaçado quando Lucius começa a questionar sobre o confinamento completo das pessoas de lá.
Alguns pontos podem ser problematizados sobre esse filme. Partimos da identificação da visão de mundo e da cultura dos habitantes da vila. O que percebemos no filme é que as pessoas têm uma visão sobre a natureza. Existe um medo em colocar as mãos em flores vermelhas porque aquela é a cor daqueles-que-não-falamos. Os habitantes da vila também têm os seus rituais com relação ao casamento e a escolha do noivo e da noiva. A filha do patriarca, por exemplo, pede permissão para namorar o jovem Lucius porque está apaixonada por ele mesmo sabendo que quem deveria casar com ele era sua irmã. Outra coisa é com relação à visão deles sobre a morte. Em que esfera eles temem a morte? O que fazer diante dos acontecimentos que desenrolam na vila? O medo é constantemente presente na vida deles. Durante o casamento enquanto estão festejando e o sino toca um medo terrível cai sobre eles e cada um procura o seu refúgio.
No filme encontramos a questão da deficiência. A jovem Ivy, por exemplo, é cega. Da mesma forma, Noah Percy parece um doente da cabeça. Observando esses deficientes é possível estabelecer uma reflexão sobre as formas de integração social deles na sociedade da vila. A moça tem uma paz de espírito surpreendente e, mesmo sendo cega, parece enxergar melhor do que os outros. Noah, por outro lado, é obcecado por Ivy e ao ver ela nos braços de Lucius comete uma loucura, talvez até sem pensar.
A sociedade da vila é um bom motivo para reflexão. Identificamos os valores morais que sustentam essa sociedade. Na vila existem algumas regras que são seguidas ao pé da risca. Por exemplo, não se pode entrar na floresta. A partir do momento em que alguém entra na floresta os habitantes da floresta poderão atacar a vila. Essa regra é obedecida mais por medo do que por obediência mesmo. Não é possível perceber, a não ser no final, que existe um discurso que mantêm as pessoas longe da floresta. O discurso é o medo. As pessoas mais jovens e que nasceram na vila, não conhecem a cidade e a civilização, vive sob um manto escuro de um segredo que a todo o momento perpassa pelo filme.
Mas como diz o ditado, regras são feitas para serem quebradas, chega um momento em que não é possível mais manter as aparências. Notamos isso quando o jovem Lucius, esfaqueado por Noah está às portas da morte. Ivy, sem pensar duas vezes solicita do conselho que a deixe ir até a cidade buscar remédios. A partir do momento que ela sai em direção à cidade parece que o segredo vai ser revelado. O fato que acontece a seguir acaba confirmando o segredo para sempre. O que era uma montagem para prender as pessoas na vila acaba sendo confirmado a partir do momento em que Noah se transforma no monstro em que eles imaginavam existir na floresta.O filme nos faz questionar o porquê das pessoas acreditarem na vida em que levam. Os anciãos da cidade têm os seus segredos, as suas revoltas por terem perdidos seus entes queridos na cidade e tentam levar uma vida diferente na vila. No entanto, para manter os jovens ali é preciso sustentar uma inverdade. As razões que levam Ivy e Noah encenarem o jogo infantil que resulta na morte de Noah é a razão que pode perpetuar o discurso de não invasão da floresta. Ao voltar com os remédios, Ivy é uma sobrevivente e só sobreviveu por causa do amor. É isso que o filme nos repassa no final.

A análise do filme A Vila, longa metragem, produzida em 2004 pode ser pensada no contexto de “A Ordem do Discurso” , obra de Michel Foucault. podemos problematizar as ideologias que encontramos no filme repassando nas aulas de História. O cinema possibilita ao professor uma gama de recursos para se trabalhar o cotidiano das pessoas. O filme A Vila tem um discurso que envolve os personagens principais e que podem ser problematizadas dentro da perspectiva do livro de Michael Foucault onde destacamos o poder que envolve um discurso. Alguns pontos podem ser problematizados sobre esse filme. Partimos da identificação da visão de mundo e da cultura dos habitantes da vila. A sociedade da vila é um bom motivo para reflexão. Identificamos os valores morais que sustentam essa sociedade. Na vila existem algumas regras que são seguidas sem questionamentos. O filme nos faz questionar o porquê das pessoas acreditarem na vida em que levam. Os anciãos da cidade têm os seus segredos, as suas revoltas por terem perdidos seus entes queridos na cidade e tentam levar uma vida diferente na vila. Foucault, num esboço histórico, afirma que, durante os primeiros séculos da civilização ocidental, verdadeiro era aquele discurso que era proferido pelo indivíduo habilitado, ou seja, a verdade pertencia àquele que era autorizado a dizer a verdade. Na Vila, os anciões assumem esse papel.


Texto: Odair José.

domingo, 28 de setembro de 2008

Falando de coisas impensadas


Hoje só queria produzir um texto para postar no blog. Afinal, faz dias que não posto nada lá. O tempo tem sido muito corrido. Estou cansado e não consigo fazer tudo que tenho para fazer. Estou devendo o artigo da viagem que fizemos rio abaixo dias atrás, o texto sobre corrupção que estou trabalhando com minha turma de História e Geografia e, principalmente, o texto sobre as memórias de infância e adolescência que ainda falto fazer.
Perguntei-me durante o dia o que escrevo? Então resolvi elaborar um texto sobre o impensado. Sim, o impensado. Passamos dias, semanas, meses e até ano elaborando planos, fazendo planejamento e desenvolvendo projetos que, muitas vezes, não acontecem ou não são realizados por uma diversidade de acontecimentos. De outro ponto de vista, às vezes nos pegamos de surpresa com coisas que não planejamos.
Ontem meu filho quebrou o braço. Isso foge do planejamento. E por que foge? Por que não queremos pensar que isso pode acontecer. Isso é uma coisa impensada. Outra coisa impensada é a reação dele. Não fez alarde, não deu trabalho. Coisas impensadas acontecem a toda hora. Quando que imaginamos que isso pode acontecer. Acontece e temos que dar jeito na situação. O caos não pode se estabelecer. Lembro-me de uma vez quando era adolescente e morava lá em Lambari D’Oeste, próximo ao campo de futebol tinha uns pés de seriguelas onde gostávamos de subir. Um belo dia despenquei de um galho e fui ao chão. Quando percebi estava estatelado no chão. Não me machuquei. Só foi um susto. O galho amorteceu minha queda. Hoje imagino. Naquele dia poderia ter quebrado um braço ou uma perna. A altura possibilitava isso. O Samuel caiu de uma altura dez vezes menor e mesmo assim quebrou o braço em dois lugares. Mais uma vez concordo que tudo tem o seu tempo e lugar embaixo do sol. Nada acontece por acaso e fora do tempo.


Texto: Odair José.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

INDEPENDÊNCIA OU LIBERDADE!!!

No alvorecer de um dia de setembro,

Um brado de liberdade é solto no ar.

O anseio das almas oprimidas de uma nação soberana é exposto

Nas margens de um rio.

Almejamos a liberdade e, como nacionalistas, amamos a nossa nação...

Nação brasileira que se orgulha de si.

Ao ouvir o brado de independência sabemos que já não precisamos carregar o peso dos colonizadores sobre nossos ombros...

Temos um futuro pela frente que nos reflete de esplendor...

Com o Grito do Ipiranga a nossa independência é proclamada.

Séculos de exploração são desfeitos pela coragem de um povo que sonha e batalha pelo seu sonho.

Século depois paramos para refletir sobre a independência.

Somos realmente independentes?

A independência nos deu liberdade?

A liberdade é o fruto de almas ansiosas.

A liberdade de um povo é demonstrada através do respeito e consideração pelos nossos irmãos.

Livramos-nos do jugo português. Do jugo pesado do colonizador. Mas será que conseguimos nos livrar do jugo da opressão dentro da nossa própria nação?

A cada 7 de Setembro, ao retumbar dos tambores, dos desfiles nas praças comemorativas, devemos parar e nos perguntar se realmente somos livres.

Próximo de completar 200 anos da nossa independência é possível questionar essa noção de liberdade.

Liberdade e independência. O que essas palavras têm em comum? Somos realmente uma nação independente?

Nossa Geração 2000 tem a missão de difundir o ideal de independência do nosso país.

Brasil que nos faz orgulhar a cada vez que toca a canção do Ipiranga. Brasil que almeja, de fato, a sua independência moral, cidadã e democrática.

Texto: Odair José.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sobre a Índia...


Um país exótico e muito curioso. Meus alunos da 8ª Série estão estudando esse país nesse bimestre e amanhã é uma prova oral. Me perguntaram qual será as perguntas. Eis algumas:
1. As características da sociedade indiana é única ou podemos comparar com a sociedade brasileira, chinesa ou estadunidense?
2. Quais diferenças podemos observar nessas sociedades?
3. Qual a localização da Índia em relação a Linha do Equador?
4. As ilhas atingidas pelo tsunami em 2004 na Índia e formam um conjunto de países considerados como subcontinente. Por que?
5. Por que a Cordilheira do Himalaia é considerado "o teto do mundo"?
6. A religião na Índia.
7. A vaca, animal sagrado na Índia, simboliza o que para os indianos?

Essas e outras perguntas devem nortear o interesse dos mesmos para o conhecimento da Geografia e História da Índia o que, acredito, os ajudará no futuro.

Prof. Odair.