segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

"Não Olhe Para Cima" | Quando nós somos os nossos maiores inimigos

    Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep e Jonah Hill estão juntos na mais nova comédia da Netflix: Não Olhe Para Cima. O filme, que chega ainda em dezembro à plataforma de streaming, conta uma história tão trágica que chega a ser cômica, e qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

    Mesmo que Adam McKay, diretor e roteirista do filme, tenha escrito o longa antes mesmo da pandemia, os acontecimentos dele fazem um paralelo com a atualidade. Isso, porque as questões abordadas no filme sempre estiveram presentes em nossa sociedade, faltando apenas um tapa nas bochechas para que pudéssemos acordar.

Desastre

    A premissa de Não Olhe Para Cima é desesperadora por si só: "Conta a história de dois astrônomos que participam de uma gigantesca cobertura de imprensa para alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que destruirá a Terra", diz a sinopse oficial.

    Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide se colidiu com o nosso planeta e extinguiu a maior parte dos seres vivos, inclusive os tão falados dinossauros. Por que, então, não há chances de isso acontecer novamente? Até o momento, não existe qualquer cometa que esteja colocando a Terra em risco, mas o planeta está, a cada ano, mais ameaçado por algo que vem sendo questionado pela população há bastante tempo: o aquecimento global.

    Por enquanto, ainda que com sacrifícios extremos, ainda há um mínimo de esperança de que as mudanças climáticas sejam contornadas, e a possibilidade de que os humanos, animais e plantas que existem hoje se extinguam ainda está a décadas (ou séculos?) de distância. E se, de repente, o fim do mundo não estiver tão longe assim? E se, de um dia para o outro, astrônomos viessem à mídia dizer que temos apenas seis meses de existência? É exatamente essa a questão abordada em Não Olhe Para Cima.

Tragicomédia

    O longa, baseado em "possíveis acontecimentos verdadeiros", como o próprio slogan diz, nos traz uma amostra de como a humanidade reage às más notícias. Antes disso, no mundo real, tivemos uma amostra dessa reação com a pandemia da covid-19, com muitas pessoas duvidando da gravidade do vírus e questionando a necessidade das vacinas. Talvez, isso faça com que o sentimento de desespero fique ainda maior quando vemos o que acontece no filme.

    Em Não Olhe Para Cima, Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) formam a dupla de astrônomos que descobriu que um cometa está em direção à Terra e que o tempo é extremamente curto para tentar alterar seu caminho. Para isso, eles precisam da ajuda das autoridades, principalmente a estadunidense, pois fazem parte da maior potência mundial. É quando a solução que parecia possível se torna cada vez mais desesperançosa.

    Ainda no trailer, vimos que Janie Orlean (Meryl Streep), a presidente dos Estados Unidos, não entende, ou escolhe não entender, o quão grave é ter um cometa em direção ao nosso planeta. A partir de então, uma sucessão de eventos desesperadores começa a acontecer, o que é contado com humor escrachado. Vemos Dibiaski surtando na televisão ao vivo e virando meme, a mídia mais preocupada com o término de um casal de influencers, a própria presidente pensando mais em sua reeleição (que não vai acontecer se o cometa cair na Terra) do que em salvar o mundo, entre outros. Por mais hilário que seja o filme, nos questionamos se essa reação é tão absurda assim.

    O grande empecilho para evitar o desastre também faz um comparativo com a realidade: a ganância dos bilionários. Quando finalmente os astrônomos conseguem a atenção e o investimento necessário para desviar o cometa da rota de colisão com a Terra, o bilionário Peter Isherwell (Mark Rylance), CEO da empresa espacial, de mídia e tecnologia BASH, decide que a melhor opção é deixar o cometa cair, pois ele conta com materiais caríssimos e escassos no planeta, e isso geraria mais riqueza para ele. Se ele fosse sobreviver.

    É quando a situação do filme se torna cada vez mais desesperadora, e todo esse caos consegue ser contado de uma forma surreal e possível ao mesmo tempo, em uma mistura agonizante de humor com, talvez, drama psicológico. Rimos porque é engraçado. Mas também rimos porque sabemos que é esse o mundo em que vivemos e que muitas pessoas pensam dessa forma, ou escolhem não ligar.

    O título do filme, então, Não Olhe Para Cima, é uma analogia ao fato de que se você não ver o cometa, ou não sentir as mudanças climáticas, está tudo bem. Como diz o ditado, a ignorância pode ser, de fato, uma benção. Rimos, mas o sentimento de mãos atadas traz um frio na barriga, fazendo com que o final do longa seja indigesto.

Tarde demais

    Assim como pode acontecer na vida real, as pessoas só começam a entender o que está acontecendo quando o cometa se torna visível no céu, porém já é tarde demais. A grande mensagem de Não Olhe Para Cima, então, é que as pessoas precisam acreditar e confiar na ciência, mas que isso está cada vez mais difícil porque nem sempre o que temos são respostas boas. E nós, como seres humanos, estamos acostumados a fechar os olhos para o que acontece para termos o que temos.

    O longa da Netflix cumpre, então, uma tarefa bastante difícil de criar uma boa produção com humor escrachado e caricato. As expectativas com o trio principal, composto por grandes vencedores do Oscar, já denunciavam o que estaria por vir. O filme se consagra como um dos maiores lançamentos do ano da plataforma de streaming, e não só pela qualidade do elenco, direção e efeitos visuais, mas também por abordar o fim do mundo com a reação humana mais provável de acontecer, independente de como isso irá acontecer.

Autora: Natalie Rosa

Fonte: https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-nao-olhe-para-cima-netflix-203739/ 

 

 

 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Os pressupostos do contratualismo clássico

 Com base no desenvolvimento histórico podemos observar que, através das ideias racionalistas, estabeleceram-se os pressupostos que orientaram os contratualistas no desenvolvimento da teoria do contrato social, estabelecendo as principais características que motivam a celebração do contrato.
    A natureza humana, segundo Hobbes, é má, e os homens, no estado de natureza, viviam em condições de guerra constante, derivadas do sentimento de competição entre os homens, reflexo de suas paixões, seus desejos e suas ambições.
    Locke e Rousseau viam a natureza humana como boa e pacífica, e os homens, no estado natural, viviam em prosperidade. Todavia, entendiam que a falta de um poder supremo, capaz de proteger os homens dos inconvenientes existentes na natureza, fundamentava a necessidade do pacto social.
    Encontra-se um consenso nos filósofos contratualistas, segundo os quais os indivíduos, no estado natural, nascem livres. Contudo, identificam no estado de natureza alguns tipos de relações de poder existentes entre os homens, como no pátrio poder e nas relações de servidão. Para Hobbes, o pátrio poder era exercido por aquele que provesse o sustento dos filhos, não necessariamente os pais.
    Locke e Rousseau demonstram que o poder paterno é exercido pelos pais, que terão direitos e obrigações sobre seus filhos, enquanto forem imaturos. Quanto ao poder servil, para Hobbes e Locke, é proveniente do domínio exercido pelo dominador sobre o dominado. Por sua vez, Rousseau entendia a relação de servidão como uma alienação do servo para com seu senhor objetivando a sua proteção. 

    As ideias sobre natureza humana, estado de natureza, indivíduo e as relações de poder existentes num estágio de desenvolvimento primitivo deram motivação para o desenvolvimento de ideias que motivaram um novo modelo de Estado, libertando o homem das desigualdades, das injus-tiças, da miséria e de outros problemas que atemorizavam a sociedade da época.
    A teoria contratualista clássica também trata do surgimento da sociedade e, consequentemente, do Estado. Este último, movido pelo corpo político [governo], que através das leis proporciona a justiça e promove a estabilidade da sociedade, buscando garantir a liberdade e a igualdade dos indivíduos. Esses, pois, são pressupostos do contratualismo, existentes na celebração do contrato social, ou seja, aqueles que aparecem por consequência do pacto.
    O pacto social, para Hobbes, nasceu da necessidade de proteger os indivíduos dos males existentes no estado natural. Locke defendia a necessidade do pacto devido ao estado de guerra, garantindo, assim, a proteção da propriedade. Rousseau entendia que o pacto limitará os poderes do Estado, proporcionando a defesa dos interesses do povo.
    A sociedade civil surge pela necessidade de ajuda mútua entre os homens, e pela vontade destes de se unirem em prol do bem comum, garantindo assim a harmonia entre os interesses do indivíduo. No mesmo consenso, os contratualistas entendiam que o papel do Estado era o de garantir a proteção das liberdades e dos direitos do indivíduo, buscando uma sociedade mais justa e igualitária.
    A lei é o instrumento utilizado pelo Estado para garantir esses direitos. Para Hobbes, as leis da natureza são as ordens morais, estabelecidas entre os homens, e que veio a ser positivada pelo Estado a fim de garantir os direitos do indivíduo, promovendo a ordem pública. Para Locke, as leis têm o papel de proteger as posses e as propriedades do indivíduo. Rousseau, por sua vez, acrescentava, ainda, que a lei deveria ser usada para limitar o poder do Estado, protegendo os direitos naturais do povo, que são inalienáveis.
    O governo é o órgão que movimentará a dinâmica estatal, podendo ser exercido pela monarquia, defendida por Hobbes, bem como a aristocracia e a democracia, defendidas por Rousseau. As ideias de Locke eram antiabsolutistas, e não desenvolveram uma forma de governo ideal, entendendo que o governo deveria respeitar a soberania do povo.
 

COELHO, Fernando Laélio. O contratualismo clássico e o neocontratualismo: primeiras aproximações. Revista Eletrônica Direito e Política, Itajaí, v. 2, n. 3, 3o quadrimestre de 2007.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Os direitos humanos e “os direitos do homem”

    Uma breve incursão na história dos termos ajudará a fixar o momento do surgimento dos direitos humanos. As pessoas do século XVII não usavam frequentemente a expressão “direitos humanos” e, quando o faziam, em geral queriam dizer algo diferente do significado que hoje lhe atribuímos. Antes de 1789, Jefferson, por exemplo, falava com muita frequência de “direitos naturais”. Começou a usar o termo “direitos do homem” somente depois de 1789. Quando empregava “direitos humanos”, queria dizer algo mais passivo e menos político do que os direitos naturais ou os direitos do homem. [...] 
 
    Ao sustentar que os africanos gozavam de direitos humanos, Jefferson não tirava nenhuma ilação sobre os escravos negros no país. Os direitos humanos, pela definição de Jefferson, não capacitava os africanos – muito menos os afro-americanos – a agir em seu próprio nome. 
 
    Durante o século XVIII, em inglês e em francês, os termos “direitos humanos”, “direitos do gênero humano” e “direitos da humanidade” se mostraram todos demasiado gerais para servir ao emprego político direto. Referiam-se antes ao que distinguia os humanos do divino, numa ponta da escala, e dos animais, na outra, do que a direitos politicamente relevantes como a liberdade de expressão ou o direito de participar na política. Assim, num dos empregos mais antigos (1734) de “direitos da humanidade” em francês, o acerbo crítico literário Nicolas Lenglet-Dufresnoy, ele próprio um padre católico, satirizava “aqueles monges inimitáveis do século VI, que renunciavam tão inteiramente a todos ‘os direitos da humanidade’ que pastavam como animais e andavam por toda parte completamente nus”. Da mesma forma, em 1756, Voltaire podia proclamar com ironia que a Pérsia era a monarquia em que mais desfrutava dos “direitos da humanidade” porque os persas tinham os maiores “recursos contra o tédio”. O termo “direito humano” apareceu em francês pela primeira vez em 1763 significando algo semelhante a “direito natural”, mas não pegou, apesar de ser usado por Voltaire no seu amplamente influente Tratado sobre a tolerância
 
    Enquanto os ingleses continuaram a preferir “direitos naturais” ou simplesmente “direitos” durante todo o século XVIII, os franceses inventaram uma nova expressão na década de 1760 – “direitos do homem” (droits de l’homme). “O(s) direito(s) natural(is)” ou “a lei natural” (droit naturel tem ambos os significados em francês) tinham histórias mais longas que recuavam centenas de anos no passado, mas talvez como consequência “o(s) direito(s) natural(is)” tinha um número exagerado de possíveis significados. Às vezes significava simplesmente fazer sentido dentro da ordem tradicional. Assim, por exemplo, o bispo Bossuet, um porta- -voz a favor da monarquia absoluta de Luís XIV, usou “direito natural” somente ao descrever a entrada de Jesus Cristo no céu (“ele entrou no céu pelo seu próprio direito natural”). 
 
    O termo “direitos do homem” começou a circular em francês depois de sua aparição em O contrato social (1762), de Jean-Jacques Rousseau, ainda que ele não desse ao termo nenhuma definição e ainda que – ou talvez porque – o usasse ao lado de “direitos da humanidade”, ”direitos do cidadão” e “direitos da soberania”. [...] 
 
    Embora a peça não empregue de fato a expressão precisa “os direitos do homem”, mas antes a relacionada “direitos de nosso ser”, é claro que o termo havia entrado no uso intelectual e estava de fato diretamente associado com as obras de Rousseau. Outros escritores do Iluminismo, como o barão D’Holbach, Raynal e Mercier, adotaram a expressão nas décadas de 1770 e 1780. 
 
    Antes de 1789, “direitos do homem” tinha poucas incursões no inglês. Mas a Revolução Americana incitou o marquês de Condorcet, defensor do Iluminismo francês, a dar o primeiro passo para definir “os direitos do homem”, que para ele incluíam a segurança da pessoa, a segurança da propriedade, a justiça imparcial e idônea e o direito de contribuir para a formulação das leis. No seu ensaio de 1786, “De l’influence de la révolution d’Amérique sur l’Europe”, Condorcet ligava explicitamente os direitos do homem à Revolução Americana: “O espetáculo de um grande povo em que os direitos do homem são respeitados é útil para todos os outros, apesar da diferença de clima, costumes e constituições”. A Declaração da Independência americana, ele proclamava, era nada menos que “uma exposição simples e sublime desses direitos que são, ao mesmo tempo, tão sagrados e há tanto tempo esquecidos”. Em janeiro de 1789, Emmanuel-Joseph Sieyès usou a expressão no seu incendiário panfleto contra a nobreza, O que é o Terceiro Estado?. O rascunho de uma declaração dos direitos, feito por Lafayette em janeiro de 1789, referia-se explicitamente aos “direitos do homem”, referência também feita por Condorcet no seu próprio rascunho do início de 1789. Desde a primavera de 1789 – isto é, mesmo antes da queda da Bastilha em 14 de julho – muitos debates sobre a necessidade de uma declaração dos “direitos do homem” permeavam os círculos políticos franceses. 
 
    Quando a linguagem dos direitos humanos apareceu, na segunda metade do século XVIII, havia a princípio pouca definição explícita desses direitos. Rousseau não ofereceu nenhuma explicação quando usou o termo “direitos do homem”. O jurista inglês William Blackstone os definiu como “a liberdade natural da humanidade”, isto é, os “direitos absolutos do homem, considerado como um agente livre, dotado de discernimento para distinguir o bem do mal”. A maioria daqueles que usavam a expressão nas décadas de 1770 e 1780 na França, como D’Holbach e Mirabeau, figuras controversas do Iluminismo, referia-se aos direitos do homem como se fossem óbvios e não necessitassem de nenhuma justificação ou definição; eram, em outras palavras, autoevidentes. D’Holbach argumentava, por exemplo, que se os homens temessem menos a morte “os direitos do homem seriam defendidos com mais ousadia”. Mirabeau denunciava os seus perseguidores, que não tinham “nem caráter nem alma, porque não têm absolutamente nenhuma ideia dos direitos dos homens”. Ninguém apresentou uma lista precisa desses direitos antes de 1776 (a data da Declaração de Direitos da Virgínia redigida por George Mason). 
 
    A ambiguidade dos direitos humanos foi percebida pelo pastor calvinista Jean-Paul Rabaut Saint-Étienne, que escreveu ao rei francês em 1787 para se queixar das limitações de um projeto de edito de tolerância para protestantes como ele próprio. Encorajado pelo sentimento crescente em favor dos direitos do homem, Rabaut insistiu: “sabemos hoje o que são os direitos naturais, e eles certamente dão aos homens muito mais do que o edito concede aos protestantes. [...] Chegou a hora em que não é mais aceitável que uma lei invalide abertamente os direitos da humanidade, que são muito bem conhecidos em todo o mundo”. Talvez eles fossem bem conhecidos, mas o próprio Rabaut admitia que um rei católico não podia sancionar oficialmente o direito calvinista ao culto público. Em suma, tudo dependia – como ainda depende – da interpretação dada ao que não era “mais aceitável”. [...] 
 
HUNT, Lynn. A invenção dos direitos humanos: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 20-24.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A lição da temível banalidade do mal


    A situação era tão simples quanto desesperada: a esmagadora maioria do povo alemão acreditava em Hitler [...]. O problema de Eichmann era exatamente que muitos eram como ele, e muitos não eram nem pervertidos, nem sádicos, mas eram e ainda são terrível e assustadoramente normais. Do ponto de vista de nossas instituições e de nossos padrões morais de julgamento, essa normalidade era muito mais apavorante do que todas as atrocidades juntas. [...] Sua consciência ficou efetivamente tranquila quando ele viu o zelo e o empenho com que a “boa sociedade” de todas as partes reagia ao que ele fazia. [...] A lição da temível banalidade do mal, [...] desafia as palavras e o pensamento. [...] Nenhum castigo jamais possuiu poder suficiente para impedir a perpetração de crimes. Ao contrário, a despeito do castigo, uma vez que um crime específico apareceu pela primeira vez, sua reaparição é mais provável do que poderia ter sido a sua emergência inicial. 
 
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 114, 143, 274, 295-299. Adaptado.

Sobre o racismo

    Se o racismo, faz tempo, deixou de ser aceito como uma teoria científica, ele continua plenamente atuante, enquanto ideologia social, na poderosa “teoria do senso comum”, aquela que age perversamente no silêncio e na conivência do dia a dia. A escravidão nos legou uma sociedade autoritária, a qual tratamos de reproduzir em termos modernos. Uma sociedade acostumada com hierarquias de mando, que usa de uma determinada história mítica do passado para justificar o presente, e que lida muito mal com a ideia da igualdade na divisão de deveres mas dos direitos também. 
 
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 32-33.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Duna

    "Duna" é sensacional! Eu poderia simplesmente dizer apenas isso e já seria suficiente para expressar o meu sentimento a produção cinematográfica, o filme do diretor Denis Villeneuve, 2021. No entanto, preciso dizer mais. Não vou fazer uma crítica em relação a produção em si, ou ao filme enquanto produto cultural, nem mesmo dados técnicos e ideológicos do filme. A minha análise é sobre o que eu senti ao assistir o filme no cinema. Havia em mim uma grande expectativa. Afinal, desde a trágica adaptação de 1984 da obra de Frank Herbert eu não acreditava que fosse possível fazer uma obra a altura de Duna que lemos na obra literária. 

No entanto, as imagens que meus olhos vislumbraram na tela, os sons impressionantes de Hans Zimmer (será que é por isso que gosto tanto de Rei Arthur e Batman, Cavaleiro das Trevas?) me tiraram do chão e eu viajei na mente fantástica de Frank Herbert. Duna é visualmente fantástica. Duna é impressionante enquanto produção cinematográfica. Duna é magnífico em termos de captar a nossa atenção. 

    Mas, na minha opinião, Duna nos faz pensar sobre o ser humano. Pode passar o tempo que passar (afinal Duna se passa no ano 10 mil, depois da Jihad Butleriana), o ser humano continua sendo egoísta, explorador da miséria alheia, ganancioso e violento. Se conseguir conquistar outros mundos irá tirar tudo o que lhe interessa e descartar o resto. A jornada do Herói é o que importa. Sempre haverá uma válvula de escape. Sempre haverá alguém que irá fazer o bem. Pessoas boas sofrem, são perseguidas e maltratadas, mas vencem. 

    O triunfo da vontade sobre a maldade humana é o ponto chave. Nem mesmo os grandes vermes podem impedir a nossa jornada. Nem a solidão do deserto. A vitória será alcançada se não desistirmos de lutar por ela. Duna é, ao meu ver, um novo clássico que, volta e meia, estarei assistindo. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O melhor presidente de todos os tempos

   Nem nos meus melhores sonhos eu poderia ter imaginado uma coisa daquelas. Em pouco mais de três anos e tudo havia mudado. Quase não se ouvia falar em pobreza. Todos os cidadãos tinham, agora, condições de ter o seu alimento cotidiano. Houve uma redução drástica nos principais itens da cesta básica. Arroz, feijão, carne, salada, macarrão... Podia-se ver o sorriso nos rostos do cidadão mais simples que você encontrava pela rua. O combustível barato possibilitava que todos viajassem. O gás abaixou consideravelmente, assim como a luz. Ninguém levava mais sustos com os boletos. 
 
    Houve um grande crescimento social e urbano. Havia empregos e o número de desempregados quase zerou. A criminalidade caiu drasticamente. A população sentia segurança e nem precisava mais comprar armas. O capital estrangeiro voltou a acreditar na nação e os investidores voltaram. Quase não se via mais protestos nas ruas. As minorias eram atendidas em suas demandas. Os indígenas ganharam a proteção de suas terras, agora todas demarcadas pelo Estado. Os quilombolas também. Estavam todos maravilhados com a transformação do país. “Agora temos dignidade” - Disse-me um quilombola enquanto produzia a sua rede artesanal. 
 
    Os juros baixaram e os bancos não lucravam tanto nas costas dos trabalhadores. Consequentemente, o endividamento caiu. O cidadão conseguia, agora, pagar as suas dívidas. Os trabalhadores, os pensionistas, todos felizes. Os jornais, os meios de comunicação agora passam mais matérias sobre a natureza, as viagens, as crianças brincando. Tudo isso, porque agora quase não se escuta falar em corrupção. Parece que isso é coisa de um passado distante. Investimentos em educação, saúde e ciência praticamente dobra a cada ano.
 
    Que maravilha é ver o convívio das pessoas. Ninguém briga por causa de religião. Ninguém briga por causa de política. Afinal, há uma grande unanimidade sobre a gestão do melhor presidente do mundo! 
 
Texto: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Missa da Meia-Noite - Análise Crítica


    Mike Flanagan não é um cara complicado. Criador de A Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, e um dos nomes de maior destaque do horror atual, ele cria obras que servem para reafirmar verdades fundamentais e simples, mas que esquecemos com facilidade no dia a dia. De Residência Hill a Missa da Meia-Noite, Flanagan interroga a inevitabilidade da morte, a futilidade cósmica da vida, a significância profunda das conexões que fazemos enquanto estamos por aqui.

    Em muitos sentidos, o diretor e roteirista resumiu sua filosofia muito bem na frase mais famosa de Residência Hill: “Eu te amei completamente, e você me amou da mesma forma. O resto é confete”. Missa da Meia-Noite é uma longa, tortuosa, angustiante, sangrenta, enervante jornada até essa realização - em palavras diferentes, é claro, mas a mesma realização. Difícil culpá-lo por se repetir, quando a mensagem é tão verdadeira, e tão tocante, todas as vezes que é reiterada.

    É claro que Flanagan tempera sua nova obra com ângulos diferentes de reflexão, cores diferentes de humanidade. Missa da Meia-Noite, pela própria natureza de sua trama, dedica muito tempo a uma meditação cuidadosa sobre fé, e como ela é capaz de desenterrar, nos seres humanos, a bondade mais pura e a amargura mais profunda da nossa natureza. A minissérie não é “anti-fé”, mas alerta sobre a forma como a retórica religiosa pode ser facilmente transformada em arma de opressão. Uma opressão banal, mesquinha, e ainda mais enfurecedora por isso.

    Nosso protagonista aqui é Riley Flynn (Zach Gilford), que retorna para a minúscula ilha onde nasceu após passar quatro anos na prisão por atropelar e matar uma mulher enquanto dirigia embriagado. Sua chegada coincide com a do padre Paul (Hamish Linklater), que substitui, em circunstâncias para lá de suspeitas, o monsenhor que comandava a paróquia local há décadas. Quando o novo sacerdote se mostra capaz de feitos aparentemente milagrosos, o delicado tecido social da ilha começa a se desfazer.

    No desenrolar desse mistério, o horror é mais ferramenta do que objetivo. Flanagan, que dirige a série toda e coescreve os episódios com vários parceiros diferentes, lança mão de imagens recorrentes do gênero (sobre as quais é impossível se estender sem dar grandes spoilers da trama), e demonstra mais vontade de se aproximar do kitsch do que demonstrou em qualquer uma das temporadas de A Maldição, mas suas incursões pelo horror explícito, confrontador, são breves e incidentais.

    Ao invés disso, para segurar a atenção do espectador, a minissérie se apóia em um elenco tão preciso em suas construções individuais quanto entrosado, fluente em uma linguagem comum. Hamish Linklater articula com particular brilhantismo as contradições do padre Paul, fundando-o em um exaspero existencial muito comum, que explode em frustração e fúria em momentos chave da trama. Sempre um coadjuvante confiável, mas quase nunca excepcional, Linklater ganha em Missa da Meia-Noite um espaço quase inédito em sua carreira, e mostra que pode fazer milagres (trocadilho totalmente intencional) com esse espaço.

    Enquanto isso, Samantha Sloyan vibra com o mais puro desdém em tela na pele da “carola” local, Bev Keane, a grande vilã da história; Kate Siegel (esposa de Flanagan) mais uma vez carrega o centro nervoso e emocional de uma obra do marido com dignidade; Zach Gilford expressa dor e culpa profundas com seu protagonista machucado; e Rahul Kohli coopta de forma inteligente a gentileza e carisma que já havia demonstrado em Mansão Bly para um papel muito mais significativo, e representativo, do que aquele.

    E ainda bem que o elenco é tão brilhante, porque Missa da Meia-Noite deriva a maior parte de sua tensão das relações entre os personagens. Quando não estão se estendendo em belos e intrincados monólogos literários, Flanagan e cia. apostam em interações breves que exploram a eletricidade própria de uma comunidade pequena, que compartilha histórias, moralidades e julgamentos com muito mais intensidade. Os subtextos de cada relação saltam aos ouvidos nesses diálogos, especialmente para quem já viveu em um lugar assim.

    E é desses subtextos que nasce o horror humano da minissérie. Na forma como escreve, dirige e edita Missa da Meia-Noite, Flanagan cria um desconforto elemental, muito mais profundo e identificável do que poderia ser em uma abordagem mais tradicional do gênero. A coisa mais aterrorizante que uma obra de ficção pode fazer, no fim das contas, é muito simples: nos dar um espelho para que enxerguemos quem somos, ou podemos ser, quando esquecemos o que realmente importa.

Artigo: Caio Coletti

Fonte: https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/missa-da-meia-noite

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O anjo da Ventura!

 

Por Maria Eduarda Velozo 
 
    No ano de 1914, São Luís de Cáceres recebeu uma ilustre visita do Ex-presidente dos Estados Unidos, que se chamava Theodore Roosevelt, onde participava da Expedição Roosevelt-Rondon. Foi cobrando que ele parecia estar encantado com o comércio da cidade, dormiu duas noites onde estava o “Ao Anjo da Ventura”, que era na família do Zé Dulce que também era dona do vapor Etrúria. 
 
    Quando passaram por Cáceres, uma obra de arte chamou atenção, a famosa escultura, de 150 kg de antimônio, que encimava um antigo estabelecimento comercial “Ao Anjo da Ventura”. Infelizmente o estado de conservação era o que chamava a atenção. O arco ostentando uma artística ferragem, ladeada por duas colunas coroadas com luxuosos capitéis. As demais portas eram ornadas com arcos em baixo relevo e vidros totalmente coloridos, fixados na parte superior das portas. 
 
    A escultura batizada pelo nome de “Anjo da Ventura” pelas fontes confiáveis, é dito que, foi trazida para São Luiz de Cáceres no ano de 1890, por José Dulce. Que nasceu em 1847, em Gênova na Itália, aos dezenove anos chegara em Buenos Aires, Argentina, trabalhando inicialmente no comércio, para em seguida iniciar atividade de comerciante ambulante. O evento da Guerra do Paraguai demarcou sua atividade comercial itinerante.Foi totalmente seguido pelas tropas em combate, se fazendo presente nos acampamentos militares. 
 
    Após a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, se observou a presença de imigrantes no controle do capital mercantil no Brasil e na região do Rio da Prata, exercendo forte influência em Mato Grosso. O desenvolvimento capital está ligado ao desenvolvimento da indústria na Europa, que estava envolvido no desenvolvimento dos transportes e à necessidade de novos mercados consumidores e novas fontes de matérias primas. 
 

    O que hoje nós conhecemos como mercado, nesse momento, está se formando. Em 1871 José Dulce e o também italiano Leopoldo Lívio D’Ambrósio fundam a firma comercial José Dulce & Vilanova, se infiltrando na Rua de Baixo, hoje Mal. Deodoro. 
 
    Em 1890, já consolidada, a empresa inaugura a sua casa comercial na confluência da Travessa da Cadeia com a Rua Augusta, que hoje é conhecida como Ruas Comandante Balduíno e Coronel José Dulce, funcionando como uma agência de crédito, na medida em que era preposto do Banco do Brasil. Existem fortes indícios de que tenha sido encomendada a um artista italiano ainda que, por nós, desconhecido. Uma vez em Cáceres, a obra de arte foi colocada no alto da platibanda de balaústre do imponente prédio neoclássico que abriga a casa comercial identificada pelo nome fantasia “Ao Anjo da Ventura”
 
    Enquanto motivos, temos nessa escultura uma figura feminina alada, em pé, apoiando o pé esquerdo sobre um globo, com a perna direita levemente flexionada para trás. Em sua mão esquerda, outro objeto esférico tendo como detalhes, estrelas incrustadas. Na mão direita, um cetro ou bastão ornamentado com detalhes cônicos e uma estrela em sua extremidade. Seus cabelos ondulados estão presos, as asas afastadas para trás. Uma túnica drapeada, colada, desenha os contornos do seu corpo que, levantada pelo vento, lhe descobre a perna direita até a altura da coxa o que provoca no observador uma ideia de movimento. 
 
 
Discente: Maria Eduarda Velozo Martins
Disciplina: Criação de Artes (1º Ano E.M)
Docente: Prof. Odair José da Silva 
Instituição: Q.I Centro Educacional

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Uma História de Cáceres

 

    Uma das histórias de Cáceres aconteceu nos anos 70 na Rua dos Coqueiros. Conta-nos os registros que um menino nasceu sob as frondosas folhas de uma mangueira e foi amamentado por uma mãe de leite porque, por algum motivo, a mãe verdadeira não tinha leite para sustentá-lo. Cáceres é uma cidade bicentenária e carrega em si inúmeras histórias que, se contadas e registradas, poderia preencher diversas estantes de livros. 
 

    A Rua dos Coqueiros era cascalhada e cheia de buracos naquela época como ainda é em diversas outras ruas da cidade nos dias atuais. No entanto, era nessa rua que nasceu e, anos depois, se tornou adulto esse plebeu morador que despertou para vida nessa humilde rua. Ao olhar para aquele menino recém-nascido, poucas pessoas, creio eu, acreditaria que algum dia ele fosse ser alguma coisa. As pessoas dessa época viviam uma vida feliz e sem as preocupações que tomam conta da sociedade moderna. Mas, observando retroativamente para esse fato que remonta há quarenta anos, podemos vislumbrar um cidadão cacerense que dedica sua vida em desenvolver ideias e ações que transformem a sociedade. O lema ajudar e não atrapalhar é que perpassa a vida daquele menino que hoje é um homem feito. 
 

    Hoje a Rua dos Coqueiros é asfaltada. Tem uma pracinha na parte do fundo do Estádio Geraldão e outra na parte da frente, inclusive com aparelhos de ginásticas para a população. Ao olhar para as transformações que aconteceram nessa rua podemos constatar que o tempo sempre está em movimento. A sociedade existe antes do nosso nascer e continuara depois de nossa partida, já dizia Charon. 
 

    Isso é uma lição de vida. É possível observar nos meios de comunicação uma critica explicita sobre as deficiências da cidade. Na verdade, não há como negar que a cidade tem, e muitas, deficiências. Mas, não podemos deixar de considerar algumas questões que são cruciais para entendermos uma cidade como Cáceres. 
 

    Primeiro a questão do tempo. Cáceres foi gerada em uma época onde não se preocupava em fazer um planejamento de cidade. Foi estabelecida como uma vila que serviria para estabelecer uma alternativa para as distantes cidades de Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade no longínquo Mato Grosso. O Rio Paraguai serviria como meio de navegação e encurtaria as distancias até Corumbá e outras vilas da região do Prata. Eis um contexto que muitos se esquecem (ou até mesmo desconhecem) quando preferem falar mal da cidade. Nessa época, as vilas nasciam nas margens dos rios e a preocupação básica desses primeiros habitantes eram construir uma praça e uma igreja. Não se pensava em saneamento, estrutura e coisas do planejamento atual. Logicamente que, sendo dessa forma a cidade cresceu e hoje tem as dificuldades que todos conhecemos. 
 

    Outra questão fundamental para tentarmos entender esse processo diz respeito aos administradores que passaram pelo governo da cidade. Desde os primeiros, podemos observar que a preocupação é com o imediatismo. Isto é, preciso resolver as questões emergenciais. Ao fazer isso, jogam-se os maiores problemas para serem resolvidos futuramente. Acontece que ninguém está disposto a resolver problemas que não resultam em votos. Nesse sentido, passa ano e entra ano, passa governante e entra governante e a situação vai sendo empurrada com a barriga. Depois de mais de duzentos anos a cidade já não comporta mais tanta incompetência administrativa. Mas, a culpa é só dos governantes? Quando eles eram indicados até que poderíamos culpá-los pelo descaso com a coisa pública. Mas, e hoje? 
 

    Podemos inferir diversos problemas que assolam a cidade. Falta de apoio político, descaso administrativo, abandono público, enfim. Mas, de uma coisa não podemos esquecer. Cáceres tem história. Uma história bonita. Não se deve, nem de longe, comparar as cidades recentes de Mato Grosso que crescem com planejamento e estrutura e que apresenta um Mato Grosso em ascensão com a princesinha do Rio Paraguai. As outras têm desenvolvimento, tem crescimento, tem planejamento. No entanto, Cáceres tem história. A forma em que se conta essa história é o que importa. 
 

    Mas alguém pode questionar: não se vive só de história. De fato. No entanto, pode-se muito bem aproveitar esse fator histórico e transformar a cidade. Onde está à valorização daqueles que valoriza a cidade? Sanguessugas e parasitas vivem a custa do sangue cacerense e são bem tratados enquanto os verdadeiros filhos da terra são deixados de lado. 
 

    As imagens recentes de um belo pôr do sol às margens do Rio Paraguai caudaloso corre o mundo. São imagens que remonta as maiores obras primas da natureza e revela uma fascinante beleza que perpassa mais de duzentos anos. É preciso saber reconhecer que a cidade tem o seu encanto. Precisamos bater no peito e nos orgulharmos do lugar onde nascemos e vivemos. Além disso, é necessário cobrarmos das autoridades um cuidado maior do nosso patrimônio. E, muito mais do que isso, sabermos escolhermos os nossos futuros administradores e legisladores. Qual o valor que uma pessoa de fora vai dar à história de Cáceres? Pense nisso na hora de exercer o seu próximo voto. 
 
Texto: Odair José, Poeta Cacerense 
Fotos: Pedro Miguel, Joe Bengala e Acir Montecchi

terça-feira, 8 de junho de 2021

Moça com Brinco de Pérola - Trabalho de Artes com aluno(a)s do Colégio Q.I

O quadro Meisje met de parel (Moça com brinco de pérola, em português do Brasil, e Rapariga com o brinco de pérola, em português de Portugal ) foi pintado pelo artista holandês Johannes Vermeer no ano de 1665. 
 
O clássico quadro realista tornou-se uma obra-prima e transcendeu o universo da pintura ganhando uma adaptação literária e cinematográfica. 
 
Aluno(a)s da 2ª e 3ª Série E.M do Colégio Q.I em Cáceres realizaram uma pesquisa sobre a tela e assistiram o filme "Moça com Brinco de Pérola". Depois foi solicitado a eles que fizessem um mosaíco/montagem como trabalho avaliativo. Segue-se as produções! 
 
Aulas: Artes 2ª e 3ª Série 
Professor: Odair José.
 
Beatriz Valario
 
Bianca Oliveira Dias
 
Caio Pinheiro
 
Ellen Lima
 
Gabriel Jaivona
 
Gabrieli Santana Ricaldes
 
Giovanna Camy
 
Gustavo Henrique
Isabella Macedo
 
Kauan Garcia
 
Luis Flávio
Maria Eduarda Pansani
 
Sofia Joane

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Somos livres para escolher um filme quando vamos ao cinema ou o filme já foi previamente escolhido para nós?


    Pergunta feita aos alunos da 2ª Série do E.M:
 
    Somos livres para escolher um filme quando vamos ao cinema ou o filme já foi previamente escolhido para nós? 
 
    - Nós escolhemos de acordo com as opções que foram escolhidas previamente para nós. Assim, nossa capacidade de escolha é delimitada por terceiros, não proibida, apenas feita de acordo com padrões preestabelecidos. Dessa forma, nossa liberdade é limitada por pessoas com maior liberdade, que são limitadas por superiores, e assim segue. Se somos livres limitadamente, nossa liberdade é ilusória. 
 
Ellen Caroliny Alves de Lima 
 
    - Se o filme está em exibição no cinema, então outra pessoa decidiu colocar aquele filme em exibição, e essa pessoa apenas fez isso por causa que esse é o trabalho dela. Aqui podemos ver claramente como a teoria de Espinosa funciona, segundo o filósofo, não sabemos o motivo dos nossos desejos e as nossas escolhas são condicionadas pelo meio ambiente, a natureza, a realidade e até as escolhas de outras pessoas. Mas quando vamos ao cinema e decidimos ver um filme, que já tinha sido selecionado por outra pessoa, estamos também realizando os nossos desejos, ninguém vai ao cinema para assistir um filme que não gosta, então eu me pergunto, porque assistimos aquele filme? Porque, assim como Espinosa diz, estamos sendo influenciados pelo mundo ao nosso redor, e essa influencia é a causa de nossas necessidades e desejos. 
 
Isabella Pavão Macedo 
 
Orientador: Prof. Odair José.
Aula: Filosofia

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Artistas mulheres e seus lugares de representação, criação e fala

 
Trabalhos realizados pela turma do 1 ano E.M da Escola Q.I. 
 
Qual é o lugar das mulheres na arte? 
 
Você já percebeu que grande parte das obras de arte do passado representa nus femininos? E que, ao mesmo tempo, são raras as obras de artistas mulheres em exposições de museus? Quais são os espaços de produção e representação ocupados por mulheres no campo da arte no passado? Por que esta questão é tão atual para artistas mulheres e para as mulheres em geral? Como o trabalho de artistas mulheres pode contribuir para ampliar seu espaço e protagonismo na sociedade como um todo? 
 
Os alunos e alunas fizeram uma colagem para falar sobre o assunto. Segue o trabalho de alguns!
 
 
Aluna: Daiane Lamon

Aluna: Vandete Maria

Aluna: Maria Eduarda Velozo

Aluna: Luiza Chaves

Aluna: Luara Martins

Aluna: Karla Cuyati

Aluno: João Gabriel

Aluna: Emilly Guimarães
Aluno: Davi Kilo
 
Orientação: Prof. Odair José.