quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

A Metamorfose - Projeto de Leitura Q.I

    As Turmas do 1º e 2º Ano E.M da Escola Q.I, na disciplina de Oficina de Literatura irá participar do Projeto Leitura 2023 e, neste 1º Bimestre, vão ler e analisar a Obra de Franz Kafka, A METAMORFOSE
 
    Apontada como uma das obras mais marcantes e inesquecíveis da literatura universal, A Metamorfose continua conquistando leitores de várias gerações. Embora a narrativa não ofereça uma explicação aparente para tudo que assistimos, ela contém profundas reflexões filosóficas e sociais. Como outros grandes clássicos da literatura, a novela pode gerar inúmeras teorias e interpretações entre leitores e estudiosos da área. Focada, sobretudo na transformação do protagonista, ela conduz a reflexões sobre a sua identidade. 
 
    Resumo do livro A Metamorfose 
 
    Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que não gosta do seu trabalho e muito menos do seu chefe. No entanto, uma dívida da família o obriga a manter o trabalho e sustentar os pais e a irmã mais nova. Até que um dia ele acorda atrasado para pegar o trem e se vê transformado em um inseto gigante. 
 
    Acreditamos que será um trabalho de muito aprendizado e conhecimento. 
 
    Orientador: Prof. Odair José.
 
Link da Obra para leitura
 






 

Por que você acredita no que você acredita?

 Filosofia com a Turma do 3º Ano E.M - Escola Q.I 
 
Pirro é o pai de uma filosofia chamada de Ceticismo. A questão central desse filósofo é o que podemos conhecer com certeza? Algumas pessoas estão certas de possuírem uma alma, enquanto outras alimentam dúvidas sobre sua existência. No entanto, praticamente ninguém duvidaria que em inúmeras situações podemos ter certeza. Por exemplo, imagine que você está a poucos metros de um cão que se mostra numa posição de ataque. Ele mostra os dentes e começa a correr em sua direção. Numa situação como essa, você certamente não ficaria parado, calmo, pensando que a existência do cão é incerta, pois pode ser uma ilusão criada pelos seus olhos.   
 
Com base na filosofia de Pirro responda a seguinte pergunta: Por que você acredita no que você acredita? Justifique sua resposta. 
 
"Nós acreditamos nas coisas que de que alguma forma nos levar a crer que é verdade, não tem como ter a absoluta certeza que é verdade, mas mesmo assim pendemos em acreditar para ter aonde escorar." 
Daiane Prina Lamon 
 
"Em primeira análise, temos que acreditar em algo, seja o que for, nós vivemos naquilo que acreditamos. Crescemos já aprendendo a fazer as coisas e somos obrigados a acreditar naquilo que vemos, pois já sofremos para depois acertar, então temos certeza que aquilo dará certo. Na religião não vemos para crer, mas sentimos que devemos, e isso é uma questão de escolha, uns acreditam e outros não, mas prefiro acreditar no que eu acredito, pois assim serei quem eu sou." 
Emilly Guimarães 
 
"Com base na filosofia de Pirro nós não temos certeza de nada. Nós acreditamos no que acreditamos, porque achamos que é o certo, porém, quem garante que é realmente o certo? Tudo que nós temos é o achar. Eu acredito no que acredito, porque essa é a minha verdade e acho o certo. Não tenho certeza, porém, acho que é o certo." 
Karla Cuyati 
 
"Porque tenho fé no que acredito! E já tive provas suficientes do que acredito é real! Existem coisas que eu não acredito, talvez por não ter tido uma experiência real, mas no geral, eu acredito em tudo aquilo que já tive uma comprovação de que é verdade." 
Maria Eduarda Velozo 
 
"Por uma variedade de razões, incluindo influências culturais, religiosas, políticas e pessoais. Algumas pessoas podem ter experimentado eventos ou situações que as levaram a acreditar em certas coisas, enquanto outras podem ter sido influenciadas por amigos, familiares ou mídia. As crenças também podem ser influenciadas por nossa educação e histórico de vida." 
Maria Fernanda Costa 
 
"Porque eu necessito saber das coisas. Eu necessito ter um sentido na vida, por isso acredito no que eu acredito. Se eu estudo, é porque eu quero ter um bom futuro para minha vida pessoal, então eu automaticamente acabo acreditando em muitas outras coisas para concluir e chegar aos meus objetivos. É como se o ser humano fosse predestinado a ser curioso e a querer a saber das coisas." 
Pedro Souza. 
 
Orientador: Prof. Odair José

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

O que é esclarecimento?

     Texto I 
 
    "Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida."
 
    KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado). 
 
    Texto II 
 
    "Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Então, primeiro precisarás adquirir virtude, tu ou quem quer que se disponha a governar ou a administrar não só a sua pessoa e seus interesses particulares, como a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o que precisas alcançar não é o poder absoluto para fazeres o que bem entenderes contigo ou com a cidade, porém justiça e sabedoria."
 
    PLATÃO. O primeiro Alcibíades. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. 
 
    Texto III 
 
    "Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo... Sapere Aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento."
 
    KANT, I. Resposta à pergunta: que é ‘Esclarecimento’ (‘Aufklärung’). Trad. Floriano de Souza Fernandes, 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1985. p. 100-117. 
 
 
Obs. Fazer um breve resumo de no máximo 10 linhas e entregar na próxima aula. 
 
Prof. Odair José.

Os pensamentos do ser humano

    O que você pensou ao acordar? Lembra-se dos pensamentos antes de dormir? O tempo todo estamos pensando em algo ou alguém. Faz parte do ser humano desenvolver os pensamentos. Alguns maquinam o mal em seus pensamentos noturnos, outros sofrem em seus pensamentos pelas pessoas que sofrem no mundo. Os pensamentos tomam conta de nossas vidas cotidianamente. 

    As crianças fazem perguntas o tempo todo porque querem saber o funcionamento das coisas, as engrenagens da vida. Os adultos fogem dessas perguntas porque já perceberam que quanto mais perguntas tentamos responder, mais perguntas surgem com as respostas. É infinito o que desconhecemos e finito o que sabemos. Uma gota do oceano o que os nossos olhos já viram ou nossos ouvidos ouviram. É um oceano inteiro o que não sabemos. Então, em alguns bate o desespero de uma vida que não parece fazer sentido. Em outros, a despreocupação com o que acontece a sua volta. Afinal, se não me preocupo, não me atinge. E assim caminha a humanidade. 

    Quanto já se pensou? Existe um final para o pensamento humano? Quem criou a ideia do pensamento? São infinitas perguntas e limitadas as respostas. O mundo não para de girar. O tempo não espera por ninguém e, por mais que desejamos, não temos fôlego para acompanhar as transformações humanas no tempo e no espaço. A única coisa que podemos fazer é pensar. Alguns, como eu, vão além desses pensamentos que voam pelos espaços e conseguem canalizar alguns deles em poesias, pensamentos e histórias que podem ser lidas em outras épocas. 

    O que penso hoje já foi pensado um dia? O que escrevo hoje sobre os meus pensamentos ajudarão outros a desenvolverem os seus pensamentos? São muitas perguntas e quase nenhuma respostas. E assim caminha a humanidade. Sigamos em frente. Reflita sobre minhas palavras e pense sobre os seus pensamentos. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

O campo e a cidade

    “Campo” e “cidade” são palavras muito poderosas, e isso não é de estranhar, se aquilatarmos o quanto elas representam na vivência das comunidades humanas. [...] Na longa história das comunidades humanas, sempre esteve bem evidente essa ligação entre a terra da qual todos nós, direta ou indiretamente, extraímos nossa subsistência, e as realizações da sociedade humana. [...] Em torno das comunidades existentes, historicamente bastante variadas, cristalizaram-se e generalizaram-se atitudes emocionais poderosas. O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e virtudes simples. À cidade associou-se a ideia de centro de realizações – de saber, comunicações, luz. Também constelaram-se poderosas associações negativas: a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso, ignorância e limitação. O contraste entre campo e cidade, enquanto formas de vida fundamentais, remonta à Antiguidade clássica. A realidade histórica, porém, é surpreendentemente variada. A “forma de vida campestre” engloba as mais diversas práticas – de caçadores, pastores, fazendeiros e empresários agroindustriais –, e sua organização varia da tribo ao feudo, do camponês e pequeno arrendatário à comuna rural, dos latifúndios e plantations às grandes empresas agroindustriais capitalistas e fazendas estatais. 
 
WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 11.
 
Tela: Amolação interrompida, Almeida Júnior, 1894.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O Pálido Olho Azul


SINOPSE 

Não recomendado para menores de 16 anos 

O Pálido Olho Azul é baseado no romance best-seller de Louis Bayard, e é um thriller gótico que gira em torno de uma série de assassinatos fictícios que ocorreram em 1830 na Academia Militar dos Estados Unidos, envolvendo um jovem cadete que o mundo viria a conhecer futuramente como Edgar Allan Poe (Harry Melling). O detetive aposentado Augustus Landor (Christian Bale) fica encarregado de investigar os assassinatos. 

Sugestão 
Eu amei o filme. Portanto, recomendo! 

Postagem: Odair José, Poeta Cacerense




quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Beleza Americana (1999)



SINOPSE 
Lester Burnham (Kevin Spacey) não aguenta mais o emprego e se sente impotente perante sua vida. Casado com Carolyn (Annette Bening) e pai da "aborrecente" Jane (Tora Birch), o melhor momento de seu dia quando se masturba no chuveiro. Até que conhece Angela Hayes (Mena Suvari), amiga de Jane. Encantado com sua beleza e disposto a dar a volta por cima, Lester pede demissão e começa a reconstruir sua vida, com a ajuda de seu vizinho Ricky (Wes Bentley). (1) 

Por que ver? 
Assim como Felicidade, Clube da Luta e Magnólia, cada um à sua maneira, Beleza Americana retrata a insegurança do homem em relação ao seu papel, revisto na virada do século. Recheado de fetiches, angústia e introspecção, o filme confronta os personagens com a decadência do mundo que os cerca. Dizer que há uma "crítica à sociedade americana" soa mais como um bordão. Essa mesma sociedade já disseminou seus costumes no mundo ocidental há tempos, e o reflexo que se vê no espelho de lá não produziria uma imagem muito diferente aqui. 

Fique atento 
A descrição de Lester Burnham sobre seu cotidiano define o sentimento de insignificância do homem moderno - onde a masturbação no banho se transforma no ponto alto do dia. (2) 

Fontes:
(1) AdoroCinema 
(2) 300 Filmes Para Ver Antes de Morrer

Avatar - O Caminho da Água


SINOPSE 

Não recomendado para menores de 12 anos 

Em Avatar: O Caminho da Água, sequência de Avatar (2009), após dez anos da primeira batalha de Pandora entre os Na'vi e os humanos, Jake Sully (Sam Worthington) vive pacificamente com sua família e sua tribo. Ele e Ney'tiri formaram uma família e estão fazendo de tudo para ficarem juntos, devido a problemas conjugais e papéis que cada um tem que exercer dentro da tribo. No entanto, eles devem sair de casa e explorar as regiões de Pandora, indo para o mar e fazendo pactos com outros Na'vi da região. Quando uma antiga ameaça ressurge, Jake deve travar uma guerra difícil contra os humanos novamente. Mesmo com dificuldade, Jake acaba fazendo novos aliados - alguns dos quais já vivem entre os Na'vi e outros com novos avatares. Mesmo com uma guerra em curso, Jake e Ney'tiri terão que fazer de tudo para ficarem juntos e cuidar da família e de sua tribo.

Fonte: AdoroCinema 

Assisti, gostei e recomendo.


sábado, 10 de dezembro de 2022

A Grande Final da Copa do Mundo será Épica!


    Passada as grandes emoções das quartas de finais da Copa do Mundo no Qatar (e que emoções!) resta-nos esperar pelas emoções das semifinais que prometem ser imensas. Ao pensar sobre isso deparei-me com uma Grande Final. No meu entender será Épica. Senão, vejamos: 

    Suponhamos que dê a lógica. Argentina vence a Croácia e a França vença a seleção de Marrocos. Uma final entre Argentina e França será épica porque reunirá duas seleções bicampeãs do Mundo e uma delas se tornará tricampeã. Só isso já a tornaria épica. 

    No entanto, como a lógica no futebol nem sempre prevalece, vamos imaginar que a Croácia vença a Argentina e dê na final Croácia e França. Seria épico porque, pela segunda vez, teríamos uma reedição de final consecutiva. França e Croácia repetiria as finais de 1986 e 1990 quando Argentina e Alemanha fizeram as duas finais. 

    Mas, podemos imaginar, também, que Marrocos vença a França e faça a grande final contra a Argentina. Pela primeira vez, desde 1930, teríamos uma final sem uma equipe europeia. Além disso, Marrocos faria história por ser a primeira seleção Africana em uma Final (já fez história por estar na semifinal). Mais além ainda, seria a primeira final de Copa do Mundo que uma final seria sem o confronto de sul-americanos e europeus ou entre duas seleções europeias

    Por último, vamos imaginar que Marrocos vença a França e a Croácia vença a Argentina. Nesse contexto teríamos uma final épica entre duas equipes fora das grandes favoritas, e que nunca foram campeãs, a levantar o troféu. Realmente, são muitas emoções pela frente. 

    E, para os amantes do Futebol, não poderia ser melhor do que isso (poderia sim, se o Brasil estivesse na disputa ainda!). Aguardemos! E, para deixar claro, a minha torcida vai para a Argentina (pelo Messi e o futebol que ele joga!).

Texto: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

O Soldado que Não Existiu (2022)


Assisti e recomendo. Filme muito bom! 

Sinopse 

O Soldado que Não Existiu (2022) é um filme baseado em fatos reais. Em meio a Segunda Guerra Mundial, Ewen Montagu (Colin Firth) é um juiz, espião e oficial da inteligência naval da Inglaterra que planejou a operação Mincemeat, além de ser um dos dois agentes que a executou. Os dois oficiais de inteligência planejaram quebrar o controle mortal de Hitler sobre a Europa com um plano criativo e ousado. Na esperança de mudar o curso da Segunda Guerra Mundial e salvar dezenas de milhares de vidas, eles utilizaram um cadáver e documentos falsos para enganar as tropas alemãs.

Amsterdam (2022)


Assisti e recomendo. Muito bom o filme! 

Sinopse 

Amsterdam (2022) é ambientado na década de 1930 e conta a história de uma grande amizade e um assassinato que pode ameaçar a vida dos protagonistas e abalar toda uma sociedade. A trama policial segue três amigos íntimos: dois soldados e uma enfermeira (Christian Bale, John David Washington e Margot Robbie), que fizeram um pacto no passado, de sempre se protegerem enquanto trio, não importa o que aconteça. Mas, eles se perdem no centro do caso de um assassinato, do qual se tornam os principais suspeitos. Para provar que não estão envolvidos na morte, o grupo contará com a ajuda de aliados para tentar investigar o crime, e assim se proteger e enfrentar o verdadeiro assassino. Mas, novamente por acaso, os três amigos descobrem uma das tramas mais surpreendentes da história norte-americana, que em parte, é baseada em uma história real. Do mesmo diretor de O Lado Bom da Vida, David O. Russell.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Ben-Hur (1959)

    Um clássico é um clássico. Assisti pela 3ª vez o filme Ben-Hur, o original de 1959 e digo com toda a certeza. É um daqueles clássicos inesquecíveis do cinema. Vale a pena assistir. É longo, muito longo, mas vale muito  pena.

    Deixo aqui, além da recomendação para assisti-lo, uma breve sinopse do filme.

    Longa-metragem americana, de grande sucesso mundial, com a duração de cerca de três horas e meia, realizada por William Wyler, em 1959. Filme de ação e drama, onde se misturam sentimentos de amor, sofrimento, rancor e fé religiosa, contou com a participação de um vasto elenco tendo como protagonista Charlton Heston no papel de Judah Ben-Hur.

    A história passa-se na época do Império Romano, na província da Judeia, onde havia a perseguição aos judeus, que deixaria marcas profundas na História da Humanidade. Esta longa-metragem foi realizada por William Wyler e tem como ator principal Charlton Heston, que fez o papel do príncipe judeu Ben-Hur. Uma das cenas mais famosas desta obra cinematográfica é a corrida de quadrigas cujos planos de filmagem bem conseguidos não passaram despercebidos nem ao público nem à crítica. Segundo esta, na altura, Ben-Hur foi considerado o exemplo a seguir para a realização de filmes épicos. Ben-Hur era um mercador rico que vivia em Jerusalém com a mãe e a irmã e era uma figura respeitada pelo poder romano. Era amigo do governador Messala, embora, devido a divergências políticas, a amizade tivesse esfriado. Em consequência disso, um dia, um mal-entendido causado por um pequeno incidente provoca a indignação do governador, que, apesar de saber da inocência de Ben-Hur, o manda para as galés e prende a sua família. 

    A partir daqui, desenrola-se toda a ação dramática do filme, quando Ben-Hur decide vingar-se. Para além da ação, que predomina no filme, há uma questão religioso que serve de pano de fundo a todo o enredo e que pressupõe a salvação de Ben-Hur. Jesus Cristo aparece como uma personagem secundária (todos os planos de câmara ocultam o Seu rosto) mas indispensável para o desfecho da ação. Foi um dos filmes nomeados pela Academia de Hollywood para os Óscares, tendo conseguido obter onze galardões: Melhor Filme, Realizador, Ator (Heston), Ator Secundário (para o ator britânico Hugh Griffith, que compôs um xeque árabe), Direção Artística (G. Davis), Fotografia (Robert Surtees), Som (Franklin Milton), Montagem (John Dunning), Banda Sonora (Miklos Rozsa), Guarda Roupa (Elizabeth Haffenden) e Efeitos Especiais (Ronald MacDonald). Curiosamente, Charlton Heston não foi a primeira escolha de Wyler para o papel de Ben-Hur, visto Paul Newman e Rock Hudson terem declinado o convite.

Odair José, Poeta Cacerense

Fonte: https://www.infopedia.pt/$ben-hur 




terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O Diabo de Cada Dia

Assisti e recomendo!

    Ambientada entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, O Diabo de Cada Dia acompanha diversos personagens num canto esquecido de Ohio, os quais a vida acabam se conectando. Willard Russell (Bill Skarsgård) é um atormentado veterano, sobrevivente de uma carnificina, que não consegue salvar sua bela esposa de uma morte agonizante por conta de um câncer, mesmo com toda a oração e devoção de sua parte. Enquanto isso, Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keough), um casal de assassinos em série, percorrem as rodovias americanas em busca de modelos adequadas para fotografar e exterminar. E no meio disso tudo está Arvin Russell (Tom Holland), filho órfão de Willard e Charlotte (Haley Bennett), que cresceu para ser um homem bom mas começa a demonstrar comportamentos violentos quando passa a desconfiar que o líder religioso da cidade, Preston Teagardin (Robert Pattinson), é uma farsa. 

Odair José, Poeta Cacerense



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Ataque dos Cães

 

Assisti e recomendo! 
 
Ataque dos Cães conta a história de Phil (Benedict Cumberbatch) e George (Jesse Plemons), dois irmãos ricos e proprietários da maior fazenda de Montana. Enquanto o primeiro é brilhante, mas cruel, o segundo é a gentileza em pessoa. A relação dos dois vai do céu ao inferno quando George se casa secretamente com a viúva local Rose (Kirsten Dunst). O invejoso Phil fará de tudo para atrapalhá-los. 
 
Odair José, Poeta Cacerense

 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Ano Eleitoral no Brasil e o Cenário é Assustador


    Enfim chegamos ao ano de 2022. Ano eleitoral no Brasil e o cenário é assustador. Quando digo assustador estou me referindo ao que vislumbro dentro da minha concepção política. Vai ter muitos que não concordam comigo.

    Tem aqueles que defendem o presidente Bolsonaro como sendo um bom ou ótimo candidato a permanecer no poder. Esses acreditam em “mitos”, “messias” e “deus acima de tudo”. São defensores da “família”, “religião” e outras ideologias conservadoras. Esses vão, no mínimo dizer que não sou um “cristão”, que me desviei da fé e dos bons costumes, dirão que sou lulista e petista e outros istas por ai. Que assim seja. No entanto, na minha opinião, o sistema político no Brasil não pode e não deve estar atrelado a religião. A fé e a coroa nunca deu certo. Não funciona um governo só para os evangélicos, assim como não funciona um governo só para os católicos, ou só para os praticantes das religiões afros ou outras. Não funciona. Não dá certo. Um país onde se defende a Constituição e ela estabelece a liberdade religiosa não funciona a religião atrelada ao Estado como querem os nossos ilustres religiosos, principalmente alguns evangélicos mais fundamentalistas.

    Por outro lado terá aqueles que defendem a volta do ex-presidente Lula ao poder. Esses também vão me criticar pela minha opinião porque eles defendem que o melhor período do Brasil foi no governo do ex-presidente petista. Dirão que não entendo nada de política e que estou do lado de bolsonaristas, que sou fascista, ou machista ou outros istas por ai. Dane-se! Apenas não compactuo com essa ideologia. Não acredito que a volta do ex-presidente vá resolver um problema crônico em nossa nação que perdura desde o seu nascimento. O sistema político que destrói o pobre, o trabalhador em benefício do grande latifundiário, dos banqueiros. E essa é minha opinião.

    Então, se Bolsonaro não resolverá o problema, se Lula não resolverá o problema, o que fazer? Existe uma terceira via? Sinto lhes informar que não! Qualquer um que aparecer com a miníma chance de tirar o governo desses dois, seja Moro, Ciro, Dória, Tiririca, Romário, Hulk, ou até mesmo um alienígena, não mudará o nosso cenário político. Estamos fadados ao fracasso político. Digo isso porque entendo que o problema do Brasil é mais profundo do que imaginamos. Está em cada um de nós. Está na grande maioria absoluta dos analfabetos políticos existentes na nação. Um povo que não lê nada sobre política, que não entende nada sobre política, que não gosta de política, enfim, como podemos esperar alguma coisa de um povo assim?

    Infelizmente um desses dois irá ganhar a eleição esse ano. Infelizmente não terei outra opção a não ser votar nulo no segundo turno. Infelizmente viveremos mais quatro anos nessa labuta diária contra os desmandos de governos hipócritas, cercados de bajuladores corruptos. Infelizmente o cenário é assustador.

    Para finalizar esse texto quero dizer que não acredito que é Deus que coloca esses governantes no poder. Quem os coloca lá são o povo, o eleitor. E, nesse caso, a voz do povo NÃO é a voz de Deus. Tudo pode estar na permissão de Deus, mas nem tudo está na direção de Deus. Então, que seja o que o povo quiser. E o povo tem o governo que merece!

Texto: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

"Não Olhe Para Cima" | Quando nós somos os nossos maiores inimigos

    Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep e Jonah Hill estão juntos na mais nova comédia da Netflix: Não Olhe Para Cima. O filme, que chega ainda em dezembro à plataforma de streaming, conta uma história tão trágica que chega a ser cômica, e qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

    Mesmo que Adam McKay, diretor e roteirista do filme, tenha escrito o longa antes mesmo da pandemia, os acontecimentos dele fazem um paralelo com a atualidade. Isso, porque as questões abordadas no filme sempre estiveram presentes em nossa sociedade, faltando apenas um tapa nas bochechas para que pudéssemos acordar.

Desastre

    A premissa de Não Olhe Para Cima é desesperadora por si só: "Conta a história de dois astrônomos que participam de uma gigantesca cobertura de imprensa para alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que destruirá a Terra", diz a sinopse oficial.

    Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide se colidiu com o nosso planeta e extinguiu a maior parte dos seres vivos, inclusive os tão falados dinossauros. Por que, então, não há chances de isso acontecer novamente? Até o momento, não existe qualquer cometa que esteja colocando a Terra em risco, mas o planeta está, a cada ano, mais ameaçado por algo que vem sendo questionado pela população há bastante tempo: o aquecimento global.

    Por enquanto, ainda que com sacrifícios extremos, ainda há um mínimo de esperança de que as mudanças climáticas sejam contornadas, e a possibilidade de que os humanos, animais e plantas que existem hoje se extinguam ainda está a décadas (ou séculos?) de distância. E se, de repente, o fim do mundo não estiver tão longe assim? E se, de um dia para o outro, astrônomos viessem à mídia dizer que temos apenas seis meses de existência? É exatamente essa a questão abordada em Não Olhe Para Cima.

Tragicomédia

    O longa, baseado em "possíveis acontecimentos verdadeiros", como o próprio slogan diz, nos traz uma amostra de como a humanidade reage às más notícias. Antes disso, no mundo real, tivemos uma amostra dessa reação com a pandemia da covid-19, com muitas pessoas duvidando da gravidade do vírus e questionando a necessidade das vacinas. Talvez, isso faça com que o sentimento de desespero fique ainda maior quando vemos o que acontece no filme.

    Em Não Olhe Para Cima, Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) formam a dupla de astrônomos que descobriu que um cometa está em direção à Terra e que o tempo é extremamente curto para tentar alterar seu caminho. Para isso, eles precisam da ajuda das autoridades, principalmente a estadunidense, pois fazem parte da maior potência mundial. É quando a solução que parecia possível se torna cada vez mais desesperançosa.

    Ainda no trailer, vimos que Janie Orlean (Meryl Streep), a presidente dos Estados Unidos, não entende, ou escolhe não entender, o quão grave é ter um cometa em direção ao nosso planeta. A partir de então, uma sucessão de eventos desesperadores começa a acontecer, o que é contado com humor escrachado. Vemos Dibiaski surtando na televisão ao vivo e virando meme, a mídia mais preocupada com o término de um casal de influencers, a própria presidente pensando mais em sua reeleição (que não vai acontecer se o cometa cair na Terra) do que em salvar o mundo, entre outros. Por mais hilário que seja o filme, nos questionamos se essa reação é tão absurda assim.

    O grande empecilho para evitar o desastre também faz um comparativo com a realidade: a ganância dos bilionários. Quando finalmente os astrônomos conseguem a atenção e o investimento necessário para desviar o cometa da rota de colisão com a Terra, o bilionário Peter Isherwell (Mark Rylance), CEO da empresa espacial, de mídia e tecnologia BASH, decide que a melhor opção é deixar o cometa cair, pois ele conta com materiais caríssimos e escassos no planeta, e isso geraria mais riqueza para ele. Se ele fosse sobreviver.

    É quando a situação do filme se torna cada vez mais desesperadora, e todo esse caos consegue ser contado de uma forma surreal e possível ao mesmo tempo, em uma mistura agonizante de humor com, talvez, drama psicológico. Rimos porque é engraçado. Mas também rimos porque sabemos que é esse o mundo em que vivemos e que muitas pessoas pensam dessa forma, ou escolhem não ligar.

    O título do filme, então, Não Olhe Para Cima, é uma analogia ao fato de que se você não ver o cometa, ou não sentir as mudanças climáticas, está tudo bem. Como diz o ditado, a ignorância pode ser, de fato, uma benção. Rimos, mas o sentimento de mãos atadas traz um frio na barriga, fazendo com que o final do longa seja indigesto.

Tarde demais

    Assim como pode acontecer na vida real, as pessoas só começam a entender o que está acontecendo quando o cometa se torna visível no céu, porém já é tarde demais. A grande mensagem de Não Olhe Para Cima, então, é que as pessoas precisam acreditar e confiar na ciência, mas que isso está cada vez mais difícil porque nem sempre o que temos são respostas boas. E nós, como seres humanos, estamos acostumados a fechar os olhos para o que acontece para termos o que temos.

    O longa da Netflix cumpre, então, uma tarefa bastante difícil de criar uma boa produção com humor escrachado e caricato. As expectativas com o trio principal, composto por grandes vencedores do Oscar, já denunciavam o que estaria por vir. O filme se consagra como um dos maiores lançamentos do ano da plataforma de streaming, e não só pela qualidade do elenco, direção e efeitos visuais, mas também por abordar o fim do mundo com a reação humana mais provável de acontecer, independente de como isso irá acontecer.

Autora: Natalie Rosa

Fonte: https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-nao-olhe-para-cima-netflix-203739/ 

 

 

 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Os pressupostos do contratualismo clássico

 Com base no desenvolvimento histórico podemos observar que, através das ideias racionalistas, estabeleceram-se os pressupostos que orientaram os contratualistas no desenvolvimento da teoria do contrato social, estabelecendo as principais características que motivam a celebração do contrato.
    A natureza humana, segundo Hobbes, é má, e os homens, no estado de natureza, viviam em condições de guerra constante, derivadas do sentimento de competição entre os homens, reflexo de suas paixões, seus desejos e suas ambições.
    Locke e Rousseau viam a natureza humana como boa e pacífica, e os homens, no estado natural, viviam em prosperidade. Todavia, entendiam que a falta de um poder supremo, capaz de proteger os homens dos inconvenientes existentes na natureza, fundamentava a necessidade do pacto social.
    Encontra-se um consenso nos filósofos contratualistas, segundo os quais os indivíduos, no estado natural, nascem livres. Contudo, identificam no estado de natureza alguns tipos de relações de poder existentes entre os homens, como no pátrio poder e nas relações de servidão. Para Hobbes, o pátrio poder era exercido por aquele que provesse o sustento dos filhos, não necessariamente os pais.
    Locke e Rousseau demonstram que o poder paterno é exercido pelos pais, que terão direitos e obrigações sobre seus filhos, enquanto forem imaturos. Quanto ao poder servil, para Hobbes e Locke, é proveniente do domínio exercido pelo dominador sobre o dominado. Por sua vez, Rousseau entendia a relação de servidão como uma alienação do servo para com seu senhor objetivando a sua proteção. 

    As ideias sobre natureza humana, estado de natureza, indivíduo e as relações de poder existentes num estágio de desenvolvimento primitivo deram motivação para o desenvolvimento de ideias que motivaram um novo modelo de Estado, libertando o homem das desigualdades, das injus-tiças, da miséria e de outros problemas que atemorizavam a sociedade da época.
    A teoria contratualista clássica também trata do surgimento da sociedade e, consequentemente, do Estado. Este último, movido pelo corpo político [governo], que através das leis proporciona a justiça e promove a estabilidade da sociedade, buscando garantir a liberdade e a igualdade dos indivíduos. Esses, pois, são pressupostos do contratualismo, existentes na celebração do contrato social, ou seja, aqueles que aparecem por consequência do pacto.
    O pacto social, para Hobbes, nasceu da necessidade de proteger os indivíduos dos males existentes no estado natural. Locke defendia a necessidade do pacto devido ao estado de guerra, garantindo, assim, a proteção da propriedade. Rousseau entendia que o pacto limitará os poderes do Estado, proporcionando a defesa dos interesses do povo.
    A sociedade civil surge pela necessidade de ajuda mútua entre os homens, e pela vontade destes de se unirem em prol do bem comum, garantindo assim a harmonia entre os interesses do indivíduo. No mesmo consenso, os contratualistas entendiam que o papel do Estado era o de garantir a proteção das liberdades e dos direitos do indivíduo, buscando uma sociedade mais justa e igualitária.
    A lei é o instrumento utilizado pelo Estado para garantir esses direitos. Para Hobbes, as leis da natureza são as ordens morais, estabelecidas entre os homens, e que veio a ser positivada pelo Estado a fim de garantir os direitos do indivíduo, promovendo a ordem pública. Para Locke, as leis têm o papel de proteger as posses e as propriedades do indivíduo. Rousseau, por sua vez, acrescentava, ainda, que a lei deveria ser usada para limitar o poder do Estado, protegendo os direitos naturais do povo, que são inalienáveis.
    O governo é o órgão que movimentará a dinâmica estatal, podendo ser exercido pela monarquia, defendida por Hobbes, bem como a aristocracia e a democracia, defendidas por Rousseau. As ideias de Locke eram antiabsolutistas, e não desenvolveram uma forma de governo ideal, entendendo que o governo deveria respeitar a soberania do povo.
 

COELHO, Fernando Laélio. O contratualismo clássico e o neocontratualismo: primeiras aproximações. Revista Eletrônica Direito e Política, Itajaí, v. 2, n. 3, 3o quadrimestre de 2007.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Os direitos humanos e “os direitos do homem”

    Uma breve incursão na história dos termos ajudará a fixar o momento do surgimento dos direitos humanos. As pessoas do século XVII não usavam frequentemente a expressão “direitos humanos” e, quando o faziam, em geral queriam dizer algo diferente do significado que hoje lhe atribuímos. Antes de 1789, Jefferson, por exemplo, falava com muita frequência de “direitos naturais”. Começou a usar o termo “direitos do homem” somente depois de 1789. Quando empregava “direitos humanos”, queria dizer algo mais passivo e menos político do que os direitos naturais ou os direitos do homem. [...] 
 
    Ao sustentar que os africanos gozavam de direitos humanos, Jefferson não tirava nenhuma ilação sobre os escravos negros no país. Os direitos humanos, pela definição de Jefferson, não capacitava os africanos – muito menos os afro-americanos – a agir em seu próprio nome. 
 
    Durante o século XVIII, em inglês e em francês, os termos “direitos humanos”, “direitos do gênero humano” e “direitos da humanidade” se mostraram todos demasiado gerais para servir ao emprego político direto. Referiam-se antes ao que distinguia os humanos do divino, numa ponta da escala, e dos animais, na outra, do que a direitos politicamente relevantes como a liberdade de expressão ou o direito de participar na política. Assim, num dos empregos mais antigos (1734) de “direitos da humanidade” em francês, o acerbo crítico literário Nicolas Lenglet-Dufresnoy, ele próprio um padre católico, satirizava “aqueles monges inimitáveis do século VI, que renunciavam tão inteiramente a todos ‘os direitos da humanidade’ que pastavam como animais e andavam por toda parte completamente nus”. Da mesma forma, em 1756, Voltaire podia proclamar com ironia que a Pérsia era a monarquia em que mais desfrutava dos “direitos da humanidade” porque os persas tinham os maiores “recursos contra o tédio”. O termo “direito humano” apareceu em francês pela primeira vez em 1763 significando algo semelhante a “direito natural”, mas não pegou, apesar de ser usado por Voltaire no seu amplamente influente Tratado sobre a tolerância
 
    Enquanto os ingleses continuaram a preferir “direitos naturais” ou simplesmente “direitos” durante todo o século XVIII, os franceses inventaram uma nova expressão na década de 1760 – “direitos do homem” (droits de l’homme). “O(s) direito(s) natural(is)” ou “a lei natural” (droit naturel tem ambos os significados em francês) tinham histórias mais longas que recuavam centenas de anos no passado, mas talvez como consequência “o(s) direito(s) natural(is)” tinha um número exagerado de possíveis significados. Às vezes significava simplesmente fazer sentido dentro da ordem tradicional. Assim, por exemplo, o bispo Bossuet, um porta- -voz a favor da monarquia absoluta de Luís XIV, usou “direito natural” somente ao descrever a entrada de Jesus Cristo no céu (“ele entrou no céu pelo seu próprio direito natural”). 
 
    O termo “direitos do homem” começou a circular em francês depois de sua aparição em O contrato social (1762), de Jean-Jacques Rousseau, ainda que ele não desse ao termo nenhuma definição e ainda que – ou talvez porque – o usasse ao lado de “direitos da humanidade”, ”direitos do cidadão” e “direitos da soberania”. [...] 
 
    Embora a peça não empregue de fato a expressão precisa “os direitos do homem”, mas antes a relacionada “direitos de nosso ser”, é claro que o termo havia entrado no uso intelectual e estava de fato diretamente associado com as obras de Rousseau. Outros escritores do Iluminismo, como o barão D’Holbach, Raynal e Mercier, adotaram a expressão nas décadas de 1770 e 1780. 
 
    Antes de 1789, “direitos do homem” tinha poucas incursões no inglês. Mas a Revolução Americana incitou o marquês de Condorcet, defensor do Iluminismo francês, a dar o primeiro passo para definir “os direitos do homem”, que para ele incluíam a segurança da pessoa, a segurança da propriedade, a justiça imparcial e idônea e o direito de contribuir para a formulação das leis. No seu ensaio de 1786, “De l’influence de la révolution d’Amérique sur l’Europe”, Condorcet ligava explicitamente os direitos do homem à Revolução Americana: “O espetáculo de um grande povo em que os direitos do homem são respeitados é útil para todos os outros, apesar da diferença de clima, costumes e constituições”. A Declaração da Independência americana, ele proclamava, era nada menos que “uma exposição simples e sublime desses direitos que são, ao mesmo tempo, tão sagrados e há tanto tempo esquecidos”. Em janeiro de 1789, Emmanuel-Joseph Sieyès usou a expressão no seu incendiário panfleto contra a nobreza, O que é o Terceiro Estado?. O rascunho de uma declaração dos direitos, feito por Lafayette em janeiro de 1789, referia-se explicitamente aos “direitos do homem”, referência também feita por Condorcet no seu próprio rascunho do início de 1789. Desde a primavera de 1789 – isto é, mesmo antes da queda da Bastilha em 14 de julho – muitos debates sobre a necessidade de uma declaração dos “direitos do homem” permeavam os círculos políticos franceses. 
 
    Quando a linguagem dos direitos humanos apareceu, na segunda metade do século XVIII, havia a princípio pouca definição explícita desses direitos. Rousseau não ofereceu nenhuma explicação quando usou o termo “direitos do homem”. O jurista inglês William Blackstone os definiu como “a liberdade natural da humanidade”, isto é, os “direitos absolutos do homem, considerado como um agente livre, dotado de discernimento para distinguir o bem do mal”. A maioria daqueles que usavam a expressão nas décadas de 1770 e 1780 na França, como D’Holbach e Mirabeau, figuras controversas do Iluminismo, referia-se aos direitos do homem como se fossem óbvios e não necessitassem de nenhuma justificação ou definição; eram, em outras palavras, autoevidentes. D’Holbach argumentava, por exemplo, que se os homens temessem menos a morte “os direitos do homem seriam defendidos com mais ousadia”. Mirabeau denunciava os seus perseguidores, que não tinham “nem caráter nem alma, porque não têm absolutamente nenhuma ideia dos direitos dos homens”. Ninguém apresentou uma lista precisa desses direitos antes de 1776 (a data da Declaração de Direitos da Virgínia redigida por George Mason). 
 
    A ambiguidade dos direitos humanos foi percebida pelo pastor calvinista Jean-Paul Rabaut Saint-Étienne, que escreveu ao rei francês em 1787 para se queixar das limitações de um projeto de edito de tolerância para protestantes como ele próprio. Encorajado pelo sentimento crescente em favor dos direitos do homem, Rabaut insistiu: “sabemos hoje o que são os direitos naturais, e eles certamente dão aos homens muito mais do que o edito concede aos protestantes. [...] Chegou a hora em que não é mais aceitável que uma lei invalide abertamente os direitos da humanidade, que são muito bem conhecidos em todo o mundo”. Talvez eles fossem bem conhecidos, mas o próprio Rabaut admitia que um rei católico não podia sancionar oficialmente o direito calvinista ao culto público. Em suma, tudo dependia – como ainda depende – da interpretação dada ao que não era “mais aceitável”. [...] 
 
HUNT, Lynn. A invenção dos direitos humanos: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 20-24.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A lição da temível banalidade do mal


    A situação era tão simples quanto desesperada: a esmagadora maioria do povo alemão acreditava em Hitler [...]. O problema de Eichmann era exatamente que muitos eram como ele, e muitos não eram nem pervertidos, nem sádicos, mas eram e ainda são terrível e assustadoramente normais. Do ponto de vista de nossas instituições e de nossos padrões morais de julgamento, essa normalidade era muito mais apavorante do que todas as atrocidades juntas. [...] Sua consciência ficou efetivamente tranquila quando ele viu o zelo e o empenho com que a “boa sociedade” de todas as partes reagia ao que ele fazia. [...] A lição da temível banalidade do mal, [...] desafia as palavras e o pensamento. [...] Nenhum castigo jamais possuiu poder suficiente para impedir a perpetração de crimes. Ao contrário, a despeito do castigo, uma vez que um crime específico apareceu pela primeira vez, sua reaparição é mais provável do que poderia ter sido a sua emergência inicial. 
 
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 114, 143, 274, 295-299. Adaptado.

Sobre o racismo

    Se o racismo, faz tempo, deixou de ser aceito como uma teoria científica, ele continua plenamente atuante, enquanto ideologia social, na poderosa “teoria do senso comum”, aquela que age perversamente no silêncio e na conivência do dia a dia. A escravidão nos legou uma sociedade autoritária, a qual tratamos de reproduzir em termos modernos. Uma sociedade acostumada com hierarquias de mando, que usa de uma determinada história mítica do passado para justificar o presente, e que lida muito mal com a ideia da igualdade na divisão de deveres mas dos direitos também. 
 
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 32-33.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Duna

    "Duna" é sensacional! Eu poderia simplesmente dizer apenas isso e já seria suficiente para expressar o meu sentimento a produção cinematográfica, o filme do diretor Denis Villeneuve, 2021. No entanto, preciso dizer mais. Não vou fazer uma crítica em relação a produção em si, ou ao filme enquanto produto cultural, nem mesmo dados técnicos e ideológicos do filme. A minha análise é sobre o que eu senti ao assistir o filme no cinema. Havia em mim uma grande expectativa. Afinal, desde a trágica adaptação de 1984 da obra de Frank Herbert eu não acreditava que fosse possível fazer uma obra a altura de Duna que lemos na obra literária. 

No entanto, as imagens que meus olhos vislumbraram na tela, os sons impressionantes de Hans Zimmer (será que é por isso que gosto tanto de Rei Arthur e Batman, Cavaleiro das Trevas?) me tiraram do chão e eu viajei na mente fantástica de Frank Herbert. Duna é visualmente fantástica. Duna é impressionante enquanto produção cinematográfica. Duna é magnífico em termos de captar a nossa atenção. 

    Mas, na minha opinião, Duna nos faz pensar sobre o ser humano. Pode passar o tempo que passar (afinal Duna se passa no ano 10 mil, depois da Jihad Butleriana), o ser humano continua sendo egoísta, explorador da miséria alheia, ganancioso e violento. Se conseguir conquistar outros mundos irá tirar tudo o que lhe interessa e descartar o resto. A jornada do Herói é o que importa. Sempre haverá uma válvula de escape. Sempre haverá alguém que irá fazer o bem. Pessoas boas sofrem, são perseguidas e maltratadas, mas vencem. 

    O triunfo da vontade sobre a maldade humana é o ponto chave. Nem mesmo os grandes vermes podem impedir a nossa jornada. Nem a solidão do deserto. A vitória será alcançada se não desistirmos de lutar por ela. Duna é, ao meu ver, um novo clássico que, volta e meia, estarei assistindo. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense