terça-feira, 3 de março de 2020

Parasita - Conflito de gerações


Por Victória Dias Neris Moreno 

Final realístico?. Estudar...para garantir sua posição no mundo de hoje?. O menino Ki-Woo depois de ter falsificado seu currículo promete a seu pai Kim, que próximo ano ele fará uma faculdade de verdade e depois no final do filme ele faz planos para no futuro ganhar dinheiro subir de classe comprar a casa e libertar seu pai. Os planos nunca dão certo, mas cabe a você se prevenir ou não!.

O mundo moderno facilita, dando a falsa impressão de segurança de que tudo é possível com um pouco de esforço quando na verdade nada é possível com pouco esforço. Porém tudo só seja possível com muito, mas muito esforço mesmo, pois se trata de não desistir, "... Levanta, hora de seguir em frente, afinal se você desistir agora quem vai lutar por você lá fora?.." (Odair José, poeta).

Os jovens de hoje não estão preparados para o mundo real, é por isso que não fazem, apenas imaginam, e quando tentam e fracassam eles desistem, não conseguem alcançar aquilo que desejam, fazendo com que jamais cheguem ao nível dos mais ricos, esses que um dia muito atrás no passado fizeram algo de grande mérito garantindo um lugar alto suficiente para sustentar até seus herdeiros. Não existe "o mundo me impede" pois você é sua única opção, só você é capaz de fazer sua vida.

Texto: Victória Dias Neris Moreno 
Prof. Odair José
Turma: 3º Ano Escola Q.I

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Análise Sociológica do Filme "PARASITA"


Por Alessandro Gomes de Arruda Filho 

O filme "Parasita" é o primeiro filme sul-coreano a garantir o Oscar em toda história, constituído por drama e comédia. Mas ao longo das cenas, é notável um suspense de acordo com o desenrolar do filme... O filme conta a história de uma família pobre, sem condições de possuir rede wi-fi em casa e mesmo assim, eles utilizam do vizinho, mas quando trocam a senha... A família faz de tudo para conseguir essa senha e procuram sinal de todas as maneiras possíveis, a família completamente desempregada, está em crise e precisa urgentemente de dinheiro, e isso é a realidade das desigualdades econômicas que envolve nessa região.

Conforme o desenvolvimento da narrativa a família pobre faz um plano para se infiltrar na casa da família Park (que é o oposto da família Kim), e eles fazem de tudo para tirar as pessoas que trabalham na casa para a família inteira ter um emprego, Ki-woo vai ensinar inglês para Da-hye (filha de Sr.Park), e eles se apaixonam, a filha Ki-jeong infiltra na casa como uma suposta terapeuta da arte e julga o desenho feito por Da-song como esquizofrenia, e isso choca a mãe de Da-song, fazendo com que ela contrate Ki-jung (Jessica). Seguindo esses planos, entra o pai como motorista, Ki-jung deixa sua calcinha no carro do antigo motorista e faz ele ser demitido, mas o Sr.Park não faz a menor ideia do motivo, o plano da família Kim é perfeito, a mãe se infiltrou no lugar da governanta Moon-Gwang (que possui alergia a pêssegos), ela é uma personagem bastante importante para a história, mas os telespectadores só se tocam nisso no meio do filme, o plano da família Kim foi perfeito utilizando o pêssego para retirar a governanta do lugar e substituir pela mãe (Choong-sook) e dizendo que ela tem tuberculose, isso é um plano fantástico para uma família pobre não é mesmo?

Isso chama atenção, eles não mereciam essa condição de vida, mas tudo isso que fizeram, fazer com que pessoas inocentes percam o emprego, é totalmente uma falta de respeito e ética, quando eles ficaram sozinhos na casa e a família Park foi para o acampamento, a antiga governanta aparece na casa querendo pegar algo que está no porão, mas esse porão não era bem um porão... havia uma passagem secreta que nem a família Park sabia dessa existência e lá morava o marido da governanta por simplesmente 4 anos. Toda família se espanta com esse homem e acabam encurralados caindo na passagem secreta, chamaram atenção da governanta e abriram a boca na hora errada, fazendo isso, a antiga governanta descobriu fácil que eles eram uma família e registrou isso no telefone, o fato dela escorregar o dedo e enviar o vídeo para a Yeon-kyo (dona da casa), fariam eles serem despedidos e até presos...

O modo do marido da governanta pensar, é bastante interessante, pois aquele botão pra ele é como um míssil, e esse míssil acaba com a vida da família, essa cena faz uma apologia ao mundo moderno com a tecnologia atual, um aparelho celular pode acabar com uma vida instantaneamente, e ao decorrer do filme, veremos mais e mais críticas. Então eles recuperam o celular após uma briga e a família liga avisando que voltaria em 8 minutos pra casa pois começou a chover e inundou o local. Lembra do diálogo em que Sr.Park disse para Ki-taek sobre a governanta comer por 2 pessoas? É um detalhe bastante interessante que muitos não perceberam, mas ao decorrer do filme, vemos que é literalmente 2 pessoas.

Quando voltam, eles escondem o corpo da governanta e seu marido que estão totalmente nocauteados dentro da passagem secreta. A aflição que o filme causa nessas cenas é fenomenal, como se estivéssemos no filme, quando a família volta pra casa, todos se escondem perfeitamente. Quando a família volta, estão todos escondidos e Sr.Park começa a falar mal do cheiro de Sr.Kim... ele acaba carregando todas essas palavras na cabeça, e ficava cheirando suas roupas, ele não gostou nem um pouco do que ouviu, só foi gerando mais raiva do próprio chefe. Eles escapam da casa, e logo chegam em casa perante ao caos, a chuva, que para os ricos é uma bênção (segundo Yeon-kyo), é a realidade das classes sociais, pessoas ricas ficam felizes com a chuva, mas as pobres sofrem, para os pobres é o verdadeiro caos.

A família Kim foi convidada para uma festa surpresa de Da-song, e o que era pra ser uma festa surpresa, acaba gerando um trauma para Da-song... Choong-sook queria que Ki-jung fosse entregar comida para a governanta e o seu marido, mas ela foi interrompida pela dona da casa e acaba indo ajudar na festa, mas Ki-woo fez o oposto e carregou a suposta "pedra milagrosa" para o subsolo e acaba a derrubando, e quando ele pega a pedra, se depara com uma surpresa, o marido da governanta o enforcou, mas ele acabou escapando mas não por muito tempo, ele cai perto da saída e o marido da governanta pega a pedra e joga na cabeça de Ki-woo, essa cena detalha que a pedra para ki-woo era milagrosa, ele sempre carregava ela nas mãos, e no final ela se concretiza em cima de sua cabeça. A pedra representa a inocência da classe social mais baixa que foram ingênuos valorizando algo que quase tirou a vida do garoto.

Da-song é um garoto escoteiro e pouco aproveitado no filme, ele é um garoto muito esperto, não é a toa que acabou pintando o rosto do suposto fantasma no quadro e acabou fazendo com que os telespectadores acreditassem que era um "auto-retrato", mas não é bem assim, ele entendia código morse e o suposto assassino enviava mensagens de socorro para o garoto. O assassino foi direto para aonde ocorreu a festa e apunhala Ki-jung no coração, e é aonde a festa realmente começa, resumindo, a família Kim acaba com o assassino utilizando um espeto, e quando a Ki-jung é esfaqueada, é notável que todos os ricos fogem sem prestar socorro, eles simplesmente à deixam e o Kim percebe que essas pessoas ricas só pensam nelas mesmas e se acham superiores.

Mas, o que gerou ódio para Kim, foi quando Sr.Park pegou a chave do seu carro e tapou seu nariz por conta do cheiro de Sr.Kim, naquele momento, ele descontou todo ódio na família Park e acabou esfaqueando o próprio chefe, e logo após vem os arrependimentos... Sr.Kim chora lamentando pelo seu chefe, mas por quê? Porque simplesmente Sr.Park não é culpado pela diferença de classes e acaba lamentando pela sua perda.

O final de Parasita jamais será real, sim, Ki-woo teve que fazer cirurgia no cérebro e foi interrogado, mas saiu ileso e logo depois, encontrou seu pai e Ki-jung foi morta como previsto, mas ele encontrou através de código morse, todos os dias ele enviava essa mensagem através do subsolo da casa da família Park, no final, todos acabaram na miséria, e o fato dele ter planejado estudar e ficar rico para comprar a casa, não é nada verídico, isso jamais aconteceria.

A família é pobre, mas vemos a capacidade que cada membro possui, e ainda assim ficavam tentando chegar aos pés dos ricos para se sentirem bem, mas mesmo que alguém se esforce, não há maneiras tão fáceis de mudarem de classe social, isso se chama meritocracia, essa história de que ele estudou, ficou rico e comprou a casa, é apenas imaginação, as coisas não são tão simples, essa é a realidade do nosso mundo, todas as pessoas possuem capacidade, mas sempre são julgadas e mal aproveitadas.

O filme possui diversos detalhes imperceptíveis, é a verdadeira realidade do mundo atual, e analisando toda essa analogia, sempre haverá conflitos entre as diferenças classes, não há maneiras de se salvar, a única opção é a morte.

Texto: Alessandro Gomes de Arruda Filho 
Aula: Sociologia 
Escola Q. I 
Prof. Odair José.

Análise sobre Patrimônio Histórico Cultural de Cáceres


Por Ellen Caroliny Alves de Lima 

A Cidade de Cáceres é lotada de diversos marcos históricos, patrimônio arquitetônico e, puramente, história. O Patrimônio Cultural, formado por seus costumes e tradições, é, infelizmente, desvalorizado e faz pouca diferença aos cidadãos, que ignoram a importância deste conjunto para a construção do que somos hoje, negligenciando o dever do conhecimento (e ainda assim cobrando direitos que, por vezes, mal sabem a finalidade).

Nossa cidade guarda consigo anos de cultura e história. É de suma importância que nos atentemos a estes detalhes e busquemos, cada dia mais, conhecer e compreender as tradições, festividades, palavreado e costumes do lugar onde vivemos. Temos, localmente, museus, lojas e festas que nos apresentam a cultura em sua forma real. Danças que marcam um estilo regional, bebidas, comidas e práticas, como a pescaria. E essa cultura é, também, abrangente em sua forma imaterial: por meio de relatos orais, conhecemos as lendas e os antigos costumes.

Precisamos parar de dizer que nossa cidade possui uma cultura morta (ou que nem a possui, o que seria impossível) e começar a buscar, no nosso cotidiano, elementos marcantes para a compreensão do que fomos e do que somos formados. Abrir os olhos e ouvidos para enxergar e escutar a riqueza que nos cerca.

Texto: Ellen Caroliny Alves de Lima
Aula de Filosofia.
Prof. Odair José. 
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

1917 - Filme de Sam Mendes indicado ao Oscar 2020 retrata o alto custo do heroísmo em jornada emocional e autêntica


Não existe relação mais duradoura do que a entre guerras e a indústria audiovisual. Grandes conflitos já foram retratados de todas as formas possíveis - de ensaios sobre a condição humana na Guerra do Vietnã às incontáveis fases de desembarcar nas praias do Dia D nos games. É isso que torna o indicado ao Oscar 1917, de Sam Mendes, tão impressionante. Ele traz autenticidade e emoção a um embate tão complexo quanto a Primeira Guerra Mundial.

Os soldados Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) são escolhidos pelo exército britânico para atravessar a Terra de Ninguém em menos de um dia para entregar uma mensagem a um batalhão aliado, avisando-o de uma armadilha. O fracasso custaria a vida de 1600 soldados, incluindo o irmão de Blake. É uma premissa bastante “vídeo-gamística”, uma quest de objetivo simples e desafios claros. O longa não tem medo de assumir que sua narrativa se espelha nos games - e nem deveria. Afinal do primeiro Medal of Honor (1999), criado por Steven Spielberg, aos inúmeros Call of Duty e Battlefield, os jogos tiveram que desenvolver linguagem própria para contar histórias de guerra em detalhes e imersão não permitidos por nenhum outro meio. É certo que houve bastante influência de filmes clássicos nesse processo, mas faz todo o sentido que eventualmente os games retornassem o favor. É justamente essa estrutura de missão que faz a corrida contra o tempo funcionar, que segue até mesmo as noções de checkpoints para dar um respiro entre os momentos de ação intensa.

Uma crítica comum aos jogos de guerra é a fetichização da violência (principalmente pelo fato de que é o jogador que puxa o gatilho). 1917 segue no caminho contrário, e dá muito mais destaque ao custo humano do conflito do que ao sangrento espetáculo. Com o relógio correndo, Schofield e Blake correm pelas trincheiras aliadas para enfim começarem sua jornada. Mas cada pequena decisão impulsiva que precisam tomar - como seguir pela contramão, ou entrar em áreas restritas para suas patentes - são o suficiente para fazer até seus colegas militares se voltarem contra eles e puxarem brigas. Naquela altura, faltando mais de um ano para o fim do conflito, a Primeira Guerra Mundial já tinha deixado incontáveis vítimas e um rastro de destruição pela Europa. Os grandes tiroteios haviam esfriado, com ambos os lados enfurnados em trincheiras gélidas tão mortais quanto os campos de batalha, sem suprimentos ou atenção médica.

É evocando esse contexto histórico através da sutileza que o impacto emocional do filme se estabelece. Quando a dupla sobe à Terra de Ninguém, a vastidão da ruína fica clara enquanto atravessam o campo lamacento e devastado em um semi-silêncio opressor, apenas com alguns toques da sombria trilha de Thomas Newman. O longa brilha nesses momentos que desperta o horror da guerra sem se tornar explicativo. A obra é um exercício em evitar a obviedade do subtexto e os atores entendem isso muito bem. Chapman e MacKay se entregam fisicamente aos papéis, algo ainda mais exigente por ter sido rodado em longos takes para criar a impressão de plano-sequência. Mas quem melhor representa a ideia é Richard Madden. O ator de Game of Thrones tem uma pequena, mas importante, participação na obra. Mesmo a conclusão, que poderia ser explosiva e catártica, investe em pontuar a dor e a humanidade de forma bastante contemplativa, sem recorrer a exageros.

O que complementa muito bem a ação e emoção de 1917 é que Mendes escolhe conduzir a história através da ilusão de um plano-sequência. Mesmo que os cortes não sejam bem escondidos, o diretor subverte a fluidez da técnica para garantir que o espectador sinta o mesmo sufoco que os soldados que tentam conquistar um objetivo impossível. A câmera entende a dualidade natural de obras de guerra, que alternam entre discurso humanitário e um certo voyeurismo pela violência. Dessa forma - novamente lembrando a conexão com os games - o espectador é colocado nos ombros de Schofield durante um duelo com um atirador de elite, mas também passeia pelos cenários, entra nas trincheiras, no lamaçal e na traseira de um caminhão militar. A todo momento há algo de interessante na tela, mesmo nos momentos de silêncio narrativo. Isso é triunfo de Roger Deakins (Blade Runner 2049), um dos melhores diretores de fotografia da atualidade. 1917 sequer chega a ser um de seus trabalhos mais notáveis, e mesmo assim é de um altíssimo nível técnico e artístico. Uma batalha noturna nas ruínas de uma cidade francesa, parcialmente iluminada pela destruição do fogo e a luz momentânea de sinalizadores, são algumas das imagens mais marcantes e belas (de uma forma deturpada) dentre os filmes que disputam Melhor Fotografia no Oscar 2020.

Retratar a Primeira Guerra Mundial não é tarefa fácil. Diferente de sua sucessora, é um conflito marcado pela confusão, mudanças políticas questionáveis e poucos “vilões”. Não há heroísmo nas trincheiras e na Terra de Ninguém e 1917 retrata isso muito bem ao demonstrar em detalhes o alto custo humano por trás de todo combate histórico. Após quase morrerem soterrados logo no início da jornada, Schofield e Blake refletem sobre o máximo de honra que receberão por colocarem suas vidas em risco: uma medalha. “É só um pedaço de lata. Não faz diferença pra ninguém”, reclama Schofield. “Não é só um lata. Também tem um pedaço de fita”, retruca Blake. Da forma que o longa imerge o público nos mesmos maus bocados que a dupla, é difícil sair sem concordar que medalha alguma vale tanto sofrimento.

Autor: Arthur Eloi 

Fonte: https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/oscar-1917-positiva

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Dois Papas: justos e pecadores


Por Carlos Caldas 

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles já tem nome consagrado na história do cinema mundial. Não sem razão foi indicado aos prêmios mais importantes da sétima arte, como a Palma de Ouro no Festival de Cannes por Ensaio sobre a cegueira (2008), adaptação do romance homônimo de José Saramago; por duas vezes ao BAFTA, o “Oscar britânico”, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro por Cidade de Deus (2003) – por este mesmo filme foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor –, e na categoria Melhor Diretor por O jardineiro fiel (2006). Agora, com Dois Papas, produção da Netflix de 2019, Meirelles se superou.

O filme é adaptação do livro Dois Papas: Francisco, Bento e a decisão que abalou o mundo, do escritor neozelandês Anthony McCarten (Editora BestSeller). Livro e filme narram os bastidores de um fato impressionante acontecido em 2013: o então Papa Bento XVI, o alemão Joseph Ratzinger, renunciou ao papado, a posição de liderança máxima da Igreja Católica Apostólica Romana, posição esta que, em tese, é vitalícia – em tese, porque a história registra que os papas Ponciano (em 235), outro Bento, o IX (em 1045), Celestino V (em 1294)(1) e Gregório XII (em 1415) renunciaram. Ou seja, a renúncia de um papa é um fato extremamente raro, mas não impossível de acontecer.

Ratzinger sucedeu a João Paulo II no “trono de São Pedro”. Vários vaticanistas, como o norte-americano John Allen Jr(2), observaram que por conta de debilidades físicas sofridas por Karol Wojtyla em seus últimos anos de vida, e por conta de seu poder de articulação na Cúria Romana, Ratzinger já era o papa de facto. De modo que não foi surpresa quando o alemão foi eleito papa em 2005. Surpresa foi quando, oito anos depois, anunciou ao mundo a sua renúncia. Esta surpresa foi seguida de outra, ou melhor, de outras: ele foi sucedido pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, uma surpresa tripla, por ser o primeiro papa proveniente das Américas, o primeiro papa jesuíta e o primeiro a adotar o nome de Francisco (o que é no mínimo surpreendente, mesmo paradoxal, levando em conta que o Povorello de Assis talvez seja o santo mais popular do hagiográfico romano).

O filme de Meirelles narra então a curiosa “estória” dos encontros e diálogos entre dois homens que discorda(va)m em quase tudo um do outro, além de serem totalmente diferentes no modo de ser: de um lado, Ratzinger, intelectual sofisticado, dono de grande inteligência filosófica, capaz de articular conceitos abstratos com muita facilidade, teólogo de mente arguta, extremamente culto, de personalidade introvertida, pessoa de difícil relacionamento, isento quase totalmente de simpatia e de empatia, duro, intolerante com quem tem opiniões diferentes da sua, sem abertura para a alteridade. Não é de se admirar que tenha sido apelidado de “rottweiler de Deus” (o filme mostra o próprio Ratzinger fazendo referência a esta maneira como alguns o chamavam). Não é de se admirar também que tivesse ocupado a função de Prefeito para a Congregação de Doutrina da Fé, órgão do Vaticano que em épocas passadas era conhecido como Santa Inquisição. Do outro lado, Bergoglio, homem simples, extrovertido, simpático, de grande experiência pastoral junto ao povo pobre da cidade de Buenos Aires, dotado de uma facilidade muito grande de fazer amizades – o filme mostra isso em uma cena quando Bergoglio está se preparando para voltar de Roma para Buenos Aires e ganha de presente de um jardineiro do Castelgandolfo, a residência de verão dos papas, uma muda de orégano. No filme, Ratzinger é vivido por Anthony Hopkins (com uma lente de contato castanha) e Bergoglio é interpretado por Jonathan Pryce. É simplesmente impossível dizer qual dos dois está melhor, porque são duas interpretações muitíssimo boas. Ambos estão magníficos em seus papeis.

O ponto forte do filme está nos diálogos entre o então Cardeal Bergoglio e Bento XVI, diálogos estes interessantíssimos e inteligentíssimos. Um tanto do que o filme apresenta é ficção de McCarten e/ou de Meirelles, porque o papa alemão nunca conversou com Bergoglio a respeito de sua decisão de renunciar ao papado. Não combina com o perfil de Ratzinger de jeito nenhum querer saber a opinião de alguém sobre uma decisão sua, e menos ainda de uma pessoa tão diferente dele como Bergoglio. É preciso lembrar do óbvio: Dois Papas é um filme, não um documentário. Evidentemente há verdade factual histórica no filme, mas há também recriação e licença poética da parte do autor do livro, do roteirista e do diretor.

O filme apresenta com toda clareza o que os leitores da Bíblia sabem muito bem: “todos pecaram”. Em uma sequência tocante e comovente, com um longo flashback que apresenta Bergoglio como padre jovem em Buenos Aires (Bergoglio jovem é interpretado pelo ator argentino Juan Minujín), este confessa para o papa Bento sobre a postura de subserviência que adotou para com as autoridades do governo militar na Argentina, uma atitude de contemporização da qual veio a se arrepender amargamente. E Bento confessa a atitude complacente que teve para com padres e bispos acusados de escândalos sexuais: ao invés de instituir disciplina eclesiástica, preferiu transferi-los de paróquias e acobertar os casos. Bergoglio o repreende dizendo que ao agir assim Ratzinger se preocupou com o ofensor, mas não com as vítimas. Enfim, o filme mostra como Lutero estava certo ao afirmar que o cristão é simul justus et pecattor. Mas não há no filme nenhuma referência ao envolvimento do jovem Joseph Ratzinger com a Hitlerjugende, a “Juventude Hitlerista”. É bem verdade que a participação neste movimento era obrigatória na Alemanha. Mas Meireles optou por não tocar neste assunto. De igual maneira, o filme apenas arranhou a questão do que ficou chamado de VatiLeaks, documentos e cartas de altas autoridades do Vaticano que “vazaram” para a imprensa por obra de Paolo Gabriele, que à época era secretário de Bento XVI.

Enfim, o filme é uma obra ficcional que apresenta dois modelos de igreja católica: de um lado, Bento XVI como representante e símbolo de uma postura conservadora, tradicionalista, até mesmo engessada, fechada a mudanças, e do outro, Francisco, representando a mudança, a renovação, a preocupação maior com a pessoa humana que com a instituição. O filme humaniza, por assim dizer, os dois papas. A cena de Bergoglio tentando ensinar um enrijecido e desajeitado Ratzinger a dar uns passos de tango é simplesmente impagável. A produção ficou ótima. Como a equipe não recebeu autorização para filmar na Capela Sistina, houve um trabalho primoroso e extremamente detalhado de recriação daquele tão famoso ambiente. A fotografia do filme também ficou muitíssimo boa, especialmente as cenas em Castengandolfo.

O filme tem rendido polêmicas. Não poucas por esquecimento da parte dos críticos do já mencionado fato de que Meireles produziu um filme, não um documentário. Para quem não o assistiu, fica a dica: vale a pena ver.

Notas 

1. No Canto III do Inferno, da Divina Comédia de Dante Alighieri o poeta vê um grupo de condenados que viveram sem procurar fazer o bem e sem procurar fazer o mal. Neste grupo o poeta florentino situa o papa Celestino. 

2. Há pelo menos três obras de John Allen Jr disponíveis em português: Conclave, O livro de ouro dos papas e Dez coisas que o Papa Francisco nos quer dizer. 

Autor: Carlos R. Caldas Filho - É professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Minas, onde coordena o GPRA – Grupo de Pesquisa Religião e Arte.

Fonte: https://www.ultimato.com.br/conteudo/dois-papas-justos-e-pecadores

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A crítica de Coringa e seus limites



Gabriel Zacarias 

Atualmente em cartaz, o filme Coringa, de Todd Phillips, foi muito bem recebido por público e crítica especializada. Tem sido, ademais, entendido por muitos como um filme crítico, que exprimiria uma oposição à ordem neoliberal. O filme é bastante distinto dos tantos filmes de super-heróis que são anualmente produzidos em Hollywood. Não há personagens com superpoderes, e poucas cenas de ação. Opta-se pelo drama psicológico. A narrativa é centrada na biografia do protagonista, que desta feita não é o herói, mas sim o vilão. Mantendo estrutura narrativa tradicional e tendo como eixo a identificação com o protagonista, constrói efetivamente empatia com a personagem desajustada de Arthur Flecker. Essa empatia, porém, não é acompanhada de elaboração e a crítica do filme esbarra nos limites do imaginário atual. Não rompe com a domesticação neoliberal da política e figura o coletivo apenas como desordem.

Inteiramente centrado na construção de um protagonista social e psicologicamente desajustado que tende em direção à violência, o filme de Todd Phillips carrega fortes marcas dos filmes iniciais de Martin Scorsese. A escolha de Robert De Niro para interpretar o apresentador televisivo Murray Franklin cumpre aqui uma função de citação. De Niro protagonizou muitos dos primeiros sucessos de Scorsese, e sua presença em Coringa evoca sobretudo dois filmes do diretor norte-americano: Taxi Driver (1976) e O rei da comédia (1983). Há muitas semelhanças entre esse último e o filme de Phillips. Em O rei da comédia, De Niro interpreta Rupert Pupkin, um indivíduo solitário que, assim como Arthur Flecker, mora com a mãe e sonha em ser um comediante famoso. Fã de um consagrado apresentador de talk show, Jerry Langford, interpretado no filme por Jerry Lewis, Pupkin encena em sua própria casa um talk show imaginário – de maneira semelhante ao que faz Flecker quando se prepara para ir à televisão. E assim como Flecker, que se imagina sendo acolhido e abraçado por Franklin, Pupkin se imagina sendo recebido por Langford, que o reconhece por sua genialidade. Em ambos os casos, a figura televisiva substitui o pai ausente. A escolha por apresentadores de talk show não é casual. Trata-se de um programa cujo formato encena o diálogo, justamente o diálogo que está ausente na vida daqueles que se prostram diante do ‘monólogo sem réplica’ da televisão. O filme é ambientado no tempo passado do broadcasting e provavelmente teria que ser repensado se ambientado nos tempos da interação virtual. Naquela época, quando havia um controle muito estrito dos meios de comunicação, o cinema imaginou por diversas vezes o momento disruptivo no qual alguém conseguiria driblar as barreiras das grandes emissoras e transmitir uma imagem indesejada (imaginação nem sempre distante da realidade, atentados políticos acontecendo por vezes perante as câmeras). Um dos tratamentos do tema se deu na representação de personagens inadaptados que projetam a redenção de suas angústias em um ato violento – caso justamente de Taxi Driver. E é esse mesmo motivo que vemos reencenado em Coringa. De Niro, algoz dos filmes de Scorsese, passa agora ao papel da vítima, em um atentado à moda antiga.

Phillips ambienta seu filme em uma época, a virada dos anos 1970 para os anos 1980, e apoia-se sobre o cinema dessa época. Ele escolhe uma vertente em oposição à outra. Opta pela psicologia do indivíduo e pelo assassinato da celebridade, e não pela narrativa conspiratória e pelo assassinato político. Analisando o cinema de então, Fredric Jameson havia notado que a ascensão das narrativas conspiratórias era sintomática de uma falência na compreensão da totalidade. Enquanto a economia unificava o globo sob um mesmo ‘sistema-mundo’, a incapacidade de apreender uma realidade social tão ampla e tão complexa se manifestava nas figurações conspiratórias, que constroem relações de sentido paranoicas e simplificadas. Um exemplo podia ser encontrado no filme Blow Out (1981) de Brian De Palma, releitura do clássico Blow Up (1967) de Michelangelo Antonioni. De Palma substituía a reflexão paciente sobre a relação entre a imagem e o real, presente no original, por uma narrativa conspiratória na qual o mundo não podia mais abrigar a verdade – à representação sobrava apenas o lugar do entretenimento. Em certo momento de Coringa, os letreiros de uma sala de cinema nos indicam que Blow Out está em cartaz.

 O filme de Phillips, porém, parece ter pouco em comum com o filme de De Palma, e a referência a Blow Out talvez sirva mais para indicar as balizas cronológicas da narrativa. Diferentemente dos habituais filmes sobre Batman, Coringa não é ambientado em uma cidade imaginária e de temporalidade imprecisa. Pelo contrário, a Gotham City que vemos na tela é de maneira evidente a Nova York do início dos anos 1980. A escolha não é casual: trata-se do momento histórico de ascensão do neoliberalismo. Momento de falência do Estado e corte dos serviços públicos – como o do serviço de assistência psiquiátrica do qual se beneficiava Flecker – e da projeção política de figuras oriundas do mundo empresarial – como Thomas Wayne, que se propõe a salvar a cidade lançando-se para prefeito. Nesse sentido, há uma proximidade evidente entre a personagem de Wayne e o atual presidente dos EUA, Donald Trump. Foi justamente nesse contexto que Trump se projetou como figura pública, como empresário que propagandeava suprir as deficiências do poder público nova iorquino. Apesar disso, a caracterização da personagem de Thomas Wayne não é propriamente negativa. Mesmo quando Wayne agride Arthur, há justiça nessa agressão. Ele está protegendo seu filho, como fará novamente na cena de seu assassinato – atitude contrária à da mãe de Arthur, que não o protegeu dos abusos do padrasto. Ademais, Wayne se protege com as próprias mãos. Não solicita ajuda de seguranças ou do poder policial, como poderia se esperar por parte de um bilionário. Ele é um sujeito forte e seguro – o exato oposto da personalidade reticente e da corporeidade esquálida de Arthur. Ele encarna a figura do vencedor, aquele que triunfa na competição da sociedade liberal porque tem força e talento para triunfar. Essa caracterização é toda centrada no indivíduo, apagando-se as mediações sociais. Se Wayne se escondesse por trás de policiais e seguranças, veríamos o aparato policial como funcional para a manutenção do poder de classe. Se Wayne tivesse usado sua influência para internar injustamente a mãe de Arthur em uma instituição psiquiátrica, veríamos o poder médico sendo usado como instrumento para garantir uma dominação de gênero. Mas o filme não toma esse caminho. Prefere manter todas as narrativas com certo grau de incerteza e apresentar aquele que está no topo da hierarquia social como forte e dominador, como se seu triunfo fosse oriundo de características individuais e não de uma organização social. Assim, por exemplo, nada se diz sobre a origem da riqueza de Wayne, e tampouco sobre seu projeto político. O descontentamento da população para com ele é motivado por uma gafe, uma fala infeliz na televisão. A partir daí, passa a ser tratado de fascista – dando-se a sensação de que uma acusação símile é sempre vazia.

A manifestação popular entra, portanto, em cena como ressentimento vazio – o ressentimento contra aqueles que “conseguiram ser algo” (“who made something out of themselves”, na fala de Wayne). O que é mimetizado aqui é o movimento Occupy Wall Street, a “revolta dos 99%”, consolidado no atual imaginário norte-americano como figuração da insatisfação popular. Em uma projeção retrospectiva que joga para o passado as figurações da atualidade, as máscaras de palhaço vêm substituir as máscaras de Guy Fawkes, tornadas comuns em protestos após o sucesso do filme V de vingança (2006) e de sua adoção pelo coletivo hacker Anonymous. E no movimento circular entre representação e realidade, não surpreende que máscaras do novo Coringa comecem a aparecer em manifestações populares. Há no filme a intenção de criar um ícone de contrapoder, associando a personagem dos quadrinhos à insatisfação popular. Mas sua elaboração permanece demasiado precária (como era igualmente precária, aliás, a demanda dos 99%).

Aqui nos aproximamos das principais limitações críticas do filme, que são também aquelas de nosso imaginário atual. A política é reduzida à escala doméstica, ao passo em que se perdem as figurações coletivas. O filme produz empatia com a personagem de Arthur Flecker, e torna-nos sensíveis a suas agruras. Mas as mazelas sofridas pela personagem não remetem, em última instância, à ordem social, e sim ao âmbito familiar (sobretudo a partir do momento em que se revelam a loucura da mãe e os abusos do padrasto). Ademais, aquilo que se constrói como identificação com a personagem não pode ser estendido para o âmbito coletivo. Não há articulação entre o protagonista e a massa como personagem. Ou melhor, há apenas uma, que se dá sob a forma da identificação espetacular. A turba se identifica com Coringa como antes Arthur se identificara com Franklin. A identificação espetacular do ser comum com o vivido aparente parece ser hoje a única forma de articulação entre o individual e o social que conseguimos figurar.

Em resumo, a empatia habilmente construída em torno da personagem principal não é extensível à revolta coletiva. A revolta é inteiramente desprovida de razão. É como se a revolta só pudesse existir como ausência de sentido. E como se a coletividade só pudesse figurar como destruição e nunca como construção. “Não há sociedade, apenas pessoas”. O famoso dístico de Margareth Thatcher não é apenas um lema político. Reconsiderado após trinta anos de neoliberalismo, revela uma significação cultural profunda. Designa a impossibilidade de figuração positiva da coletividade. Apenas o individual é figurável. O coletivo equivale, necessariamente, à desordem. A ideologia neoliberal, em inversão cínica, faz do coletivo o oposto do social. Apesar das intenções que possa ter tido Phillips, ao ambientar seu Coringa na Nova York de 1980, seu filme não foge à regra. Sua crítica do neoliberalismo é ainda uma reiteração dos pressupostos ideológicos neoliberais. Manifesta assim um ponto de inflexão unidimensional do imaginário presente. Ao mesmo tempo em que as políticas neoliberais são amplamente sentidas como nefastas, figurações alternativas permanecem raras.

GABRIEL ZACARIAS é professor de História da Arte da Unicamp 

Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/coringa-e-seus-limites/

sábado, 7 de dezembro de 2019

II Mostra de Filosofia da Escola Q.I


A II Mostra de Filosofia da Escola Q.I foi realizada neste dia 03 de dezembro no Centro Cultural de Cáceres.

Organizada pelo Prof. Odair José, sob a Coordenação da Profª. Nilza Lopes e apoio da Direção da Escola o evento foi um marco para a turma do 1º Ano E.M que apresentaram, pela primeira vez a peça "A Casa das Oito Mulheres".

A peça foi escrita e dirigida pelo Prof. Odair José, que também é escritor e Poeta.

A Peça, A Casa das Oito Mulheres é baseada no Livro A Consolação da Filosofia de Boécio e trata das virtudes dos seres humanos.

Na peça, a Filosofia tem sete filhas, Amizade, Beleza, Sabedoria, Alegria, Tristeza, Justiça e Coragem. Vivem em uma casa no alto da montanha quando recebem visitantes ilustres como a Generosidade, a Verdade, a Compaixão e a Solidão. Dialogam, também, com o Amor e o Medo.

Direção, Coordenação, Professores, Pais e alunos prestigiaram o evento que teve a apresentação do Prof. Hélio Santana falando da importância da educação e do pensar, a Poetisa Débora declamando o poema "Não é o sábio que vai entender este mundo" de autoria do Poeta Cacerense e a aluna Graziela falando sobre a vitude do amor, texto que ela produziu a partir das aulas de Filosofia onde era trabalhado o Livro "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes".

Uma noite para entrar para a História.

Texto: Odair José
Fotos: Daniel Moraes



































domingo, 23 de junho de 2019

Celular: Um grito de socorro!


Por Odair José da Silva*

 Em todos os lugares é possível vê-lo. Facilita a vida de quem o usa para todos os fins. Pagar contas, ver e-mails, avisar de um imprevisto e, até mesmo, passar tempo jogando. Este é o celular. Algo totalmente inimaginável há meio século. Acredito que nem mesmo Graham Bell poderia imaginar que o telefone poderia, um dia, chegar a esse patamar de utilização. O celular pode ser considerado o maior símbolo do avanço tecnológico que o mundo alcançou neste último século.

Falar de suas funções básicas não é o objetivo desse artigo. Muito pelo contrário. Saber que é um aparelho essencial para o ser humano é questão de lógica. Dificilmente alguém, nos dias de hoje, consegue viver sem um celular. Ele é prático e ajuda a encurtar as distâncias entre as pessoas. No entanto, ao mesmo tempo em que o aparelho possibilita essa aproximação ele distancia as pessoas. E é neste sentido que escrevo essas palavras.

As inúmeras reclamações que ouço, quase que diariamente, no ambiente escolar sobre o distanciamento dos alunos e suas consequentes alienações em relação aos conteúdos estudados me fizeram parar para pensar sobre o assunto. Na verdade, enfrentamos sérias dificuldades para que eles tenham atenção nos conteúdos. As mentes estão pensando nas novas mensagens que não param de chegar ao Whatsapp e Facebook. As informações são muitas e as mentes já não suportam processá-las a contento. O tempo torna-se curto e, não raramente, encontramo-los cansados porque ficaram até altas horas presos a essas novas tecnologias. O interesse pela matéria em si já não faz sentido.

Boa parcela da população jovem está acorrentada pelas redes sociais. Presas em seus casulos elas estão ligadas no mundo inteiro e não sabem o que acontece a sua volta. Um total paradoxo da vida contemporânea. Existe uma dominação dos eletrônicos na vida cotidiana da sociedade moderna. Pensar é um sacrilégio. Alguns estão em profunda dependência dos aplicativos instalados em seus celulares que já não conseguem passar mais de meia hora sem o aparelho. Uma síndrome terrível atinge sua alma e os deixa em estado catatônico.

Há um aprisionamento das pessoas patente aos nossos olhos. Fones de ouvidos os fazem esquecer o mundo a sua volta porque estão conectados nos últimos lançamentos. É fácil vermos as pessoas transitando pelas ruas com os olhos fixos nas telas dos celulares e os fones em seus ouvidos. Um perigo maior para quem dirige um carro e/ou pilota uma moto com o celular nas mãos. O mundo se tornou uma aldeia global com pequenas tribos em diferentes lugares. Na sala de aula, as preocupações dos alunos, e, em alguns casos, até mesmo de professores, são as trocas de mensagens. Os conteúdos explicados já não fazem sentido e as aulas tornam se maçantes na visão deles. Não raramente ouvimos deles as palavras sobre aulas interativas. Mas, na verdade, é difícil fazermos uma aula interativa sendo que o que os interessa são as mensagens no celular. Talvez as aulas interativas fossem deixá-los à vontade para usar o celular.

O conhecimento é algo essencial para a vida. Mas adquirir conhecimento é uma tarefa árdua. Não é fácil interpretar os grandes clássicos que construíram nossa sociedade. Muito mais difícil é fazer com que grande parte dos nossos jovens venha a se interessar por eles. Então, vemos com angústia as terríveis respostas para perguntas simples. Elaborar uma avaliação torna-se uma incógnita uma vez que não temos a certeza das respostas. O que vemos no final é uma enxurrada de respostas sem nexo para questões que necessitam apenas um pouco de reflexão. Um verdadeiro show de horrores.

Quando olhamos para o significado da palavra alienação descobrimos vários significados. Quero usar o psicológico. “Estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas, perdendo assim a consciência de seus verdadeiros problemas”. Parece-me que a sociedade não percebe os malefícios causados por essa alienação. O que será do nosso futuro? Celular: um grito de socorro!

*Odair José da Silva é Professor de História e Filosofia

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Balada de Buster Scruggs - Análise: Victoria Dias


O filme "A Balada de Buster Scruggs" tem várias pequenas histórias, que uma palavra pode ligar a todas, a morte, porém um contexto muito mais importante está incluso em cada história algo que fala sobre vida e morte, que é a nossa trajetória até o momento do nosso fim. A vida é com certeza finita, limitada, mortal, mas nos como seres humanos conseguimos fazer da vida uma fantasia, nós muitas vezes desviamos dos nossos problemas e rimos a toa, achamos um motivo pra viver e tornamos nossa existência somente para esse motivo. Da minha perspectiva todos nós, nos perguntamos qual o sentido da vida, quando alguém entra em depressão é com certeza porque não tem mais um motivo e assim a vida perde o sentido.

Eu creio que o sentido da vida é simplesmente viver, é achar o motivo para continuar vivendo, pois afinal só se vive uma vez e eu tenho certeza que ninguém sabe ou conhece tudo e existem milhares de motivos e você só precisa escolher um. A trajetória de uma vida, o legado que poderemos deixar e tudo o que somos é a parte mais importante. A morte vem para todos, mas são poucos que vão realmente descansar em paz, se trata de fazer valer apena.

A beleza está nos olhos de quem ama, ditado popular com muita sabedoria. Saber amar uma pessoa é algo inacreditável. Nas histórias de Buster Scruggs sempre aborda-se sobre o amor mesmo que indiretamente, como a senhora e o seu marido que foi embora e a deixou com os filhos, a moça que perdeu o irmão e ia se casar, o rapaz que o próprio Buster Scruggs matou seu irmão, entre outros era tudo uma forma de amor como cada um o enxerga não existe uma definição e nunca vai existir se não somos iguais então por que deveríamos amar da mesma forma? A beleza não importa, pois quem ama é cego. Isso é certeza e uma coisa que pode ser afirmada, mas para mim a beleza já está no próprio amor seja pela família, pelo casamento, pelo próximo entre outros, os dois andam juntos e isto é fato. Todos podem ser capazes de amar , até mesmo o maior vilão da história, o pior ditador, Adolf Hitler amava em sua juventude uma mulher ruiva chamada Estefânia, todos, todos nós somos capazes.

Dinheiro não compra felicidade, está certo mas também errado depende da visão de felicidade de cada um algo que pode te fazer feliz talvez não me faça, somos diferentes e isso nos faz humanos, dizer que dinheiro traz felicidade não está certo nem errado, assim como dizer que não traz felicidade, por que algumas pessoas ficam realmente felizes com isso e para outras não cada um acha sua própria maneira de ser feliz. Até mesmo o "senhor veio".

A minha perspectiva sobre a vida é algo que se mantêm em uma constante mudança, mas no geral, posso definir minha trajetória concordando com o maior pensador da história, isto é, Sócrates, que dizia: "Só sei que nada sei". E até mesmo sobre mim eu não sei, não me conheço, mas vou me examinar e bater um papo comigo mesmo, pois "a vida não examinada não vale a pena ser vivida por um ser humano" (Sócrates). Na minha visão de vida o homem pode ser tudo, menos ignorante.

Essas minhas perspectivas sobre o filme me fizeram refletir mais sobre os "por quê?" nosso de cada dia, ou seja, de agora em diante quero dar o meu melhor, pois cada uma daquelas vidas representadas nas histórias do Filme "A Balada de Buster Scruggs" são o espelho do que somos e do que seremos amanhã se não mudarmos assim como em todas as histórias o nosso destino final será o mesmo.

Grata por está oportunidade de reflexão atenciosamente aluna Victoria. Muito obrigado professor Odair José, de coração, não há limites para a nossa capacidade de pensar e você fez com que os seus alunos enxergassem isso.

Aluna: Victoria Dias 
Turma: 2º Ano - Colégio Q. I
Prof. Odair José.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Análise de “A balada de Buster Scruggs”



Análise a seguir baseada nos contos de “A Balada de Buster Scruggs” 

Começando pelo primeiro conto que mostra a história do próprio Buster Scruggs, mostra um cowboy viajando pelo silêncio e pelo vazio do velho oeste o que me fez refletir sobre o vazio existencial que presenciamos todos os dias. Sua voz ecoa entre as montanhas o que reflete a nossa insignificante existência no universo onde nossa voz e pensamentos ecoam em meio à vastidão do mundo em que vivemos. Logo em seguida é notável a autoconfiança de Buster, e outra coisa bem notável é a cor de sua vestimenta, branca, que fica bem aparente durante todas as cenas, e que também não é comum em meio as outras pessoas que o personagem encontra durante o conto. A nítida autoconfiança de Buster em suas habilidades de duelo e de cartas mostra que ele crê que consegue enfrentar tudo, mas, assim que ele sai do último bar e avista um homem vestido totalmente de preto, o que chama a atenção, o chama para um duelo e é onde Buster acaba por ser derrotado em seu último duelo.

Este conto para mim, foi o mais importante e o que contém praticamente todas as reflexões que contém nos outros contos. A vestimenta totalmente na cor branca de Buster nos remete a fazer uma comparação direta entre o branco de sua roupa ser uma imagem personificada da “vida” e o último personagem vestido de preto remete a “morte”, autoconfiança é algo bom, mas que nem sempre é útil e eficaz, visto que você pode confiar demais em si mesmo e acabar deduzindo que você é “invencível”. A conclusão que cheguei foi a que nem o melhor do melhor consegue “driblar a morte”, a morte é inevitável e isso é um fato.

Dentre essa análise de minha autoria, ainda resta alguns pontos que desejo tratar nesta análise, vossa excelência professor Odair pontuou algumas ideias importantes sobre os contos que desejo tratar aqui em seguida apenas uma ideia que julguei mais importante ao meu ver.

Qual o significado da existência humana? 

Durante todos os contos lidamos com a morte de algum personagem de todas as maneiras, visto isso, a única “missão” predeterminada e que sem dúvidas será cumprida será a morte, vivemos para morrer, uma frase que levo pra minha vida, então porque não aproveitarmos enquanto podemos? A vida é apenas um sopro, nada mais além disso. “Nossa existência é inexistente” frase minha ou que talvez já tenha sido dita por alguém importante, mas isso não vem ao caso, “somos apenas um grão de areia da praia esperando para ser levado pela onda do mar da vida” aqui finalizo minha análise, curta, mas profunda ao meu ver onde digo tudo o que passou pela minha mente durante os contos, talvez eu tenha deixado passar alguma coisa, mas talvez eu acrescente assim que puder. Grato pela experiência vivida em suas aulas.

Aluno: Brandon Lee 
Prof. Odair José 
Série: 2º Ano E.M. Colégio Q. I - Cáceres, MT