quinta-feira, 3 de abril de 2014

Noé



A história de Noé e sua arca é uma das mais comentadas do Antigo Testamento da Bíblia e já foi contada de várias formas. No Brasil, uma das versões foi feita por Vinícius de Morais, que criou poemas musicados para um especial da TV Globo nos anos 80. No cinema, há poucas versões, sendo que a principal é de 1966, como parte do filme “A Bíblia”, com John Huston. Agora, foi a vez de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) dar a sua versão muito pessoal da clássica trama em “Noé”, que estreia no Brasil nesta quinta-feira (3). Ele conta com tudo que uma superprodução de cerca de US$ 125 milhões pode oferecer.

O filme mostra a trajetória de Noé (Russell Crowe), retratado como um bom marido e pai, homem justo e honesto. Ele está no meio da perversão, causada especialmente pelos descendentes de Caim, o filho de Adão que se tornou o primeiro assassino do mundo ao matar o próprio irmão Abel.

Após uma mensagem de Deus, via sonhos, Noé descobre que a Terra será destruída por um grande dilúvio. Após conversar com seu pai, Matusalém (Anthony Hopkins), Noé se convence de que precisa construir uma arca para salvar sua esposa Nammeh (Jennifer Connelly) e seus filhos Shem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Javé (Leo McHugh Carroll), além de Ila (Emma Watson), uma jovem que adotou. A construção da arca também chama a atenção de Tubal Cain (Ray Winstone), que parte com o seu exército para tentar dominar a embarcação e escapar da tragédia iminente.

O que faz “Noé” valer a pena é que Aronofsky não poupa esforços para fazer de seu filme o mais espetacular possível. A belíssima fotografia de Matthew Libatique destaca imagens arrebatadoras das locações na Islândia, onde boa parte do filme foi feita, assim como a impactante trilha sonora de Clint Mansell. Tudo isso reforça o tom épico da produção. O design de produção de Mark Friedberg se faz notar especialmente na criação da Arca, que foi construída com base no que estava escrito na Bíblia.

O resultado impressiona na tela grande. O único ponto negativo foi que, mesmo com trabalhando com uma equipe da Industrial Light And Magic (“Star Wars”), os efeitos especiais não tenham ficado tão bons. Um claro exemplo disso é visto nas cenas com os Guardiões (dublados por Nick Nolte e Frank Langella), que ficam pouco convincentes e evidenciam a computação gráfica, algo que poderia ter sido melhor elaborado. As relações entre personagens e suas motivações são bem elaboradas pelo roteiro de Aronofsky em parceria com Ari Handel. O texto procura mostrar que todos os participantes da trama, apesar dos elementos fantásticos, são seres humanos, com suas qualidades e fraquezas. Para uma produção que pretende conquistar o espectador apenas pelo apuro estético (e, obviamente, ganhar muito dinheiro com bilheteria), chega a ser surpreendente a preocupação de fazer as pessoas pensarem que ninguém é realmente um santo. Pena que, infelizmente, este cuidado não é observado quando olhamos para o vilão, que é só mau, apesar de ser bem defendido por Winstone.

Fonte: Célio Silva - G1 Rio.
Disponível em http://www.cnec.br/site/?p=15095

Nenhum comentário: